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29/09/2008 - 10:53

Como podem ser os mecanismos de busca do futuro?

Dias atrás, uma colega de trabalho me perguntou como organizar tabelas alfabeticamente no Excel. Trata-se de uma norte-americana, 30 e poucos anos, inteligente, nada preguiçosa e não exatamente leiga em informática. Como, de modo geral, não tenho o hábito de usar produtos da Microsoft, fui ao São Google e fiz a mesmíssima pergunta. Obviamente, obtive a resposta exata, ensinando passo-a-passo o que eu precisava fazer. Li o tutorial em voz alta para a colega. E, quando o procedimento funcionou, a pessoa quase teve um orgasmo de satisfação.

Comecei a me questionar: por que, afinal, ela mesma não fez a busca? Veja: eu não estava irritado porque me pediram uma informação que poderia ser encontrada facilmente on-line. Como designer de interfaces, eu apenas queria entender que lógica leva alguém a consultar primeiro um ser humano em vez de um sistema simples, completamente otimizado para responder esse tipo de perguntas. E hoje, nem sequer podemos dizer que é difícil fazer buscas. Se você tem algo como o Google Desktop instalado, nem mesmo precisa abrir o navegador.

É claro que isso não tem uma resposta simples. Mas vamos pensar em algumas hipóteses:

1. Muitos usuários ainda não sabem fazer buscas corretamente. Apenas digitam termos no local indicado na tela e recebem uma massa genérica de informação. Depois precisam gastar tempo e atenção na triagem do material.

Para melhorar a situação, encontrei o vídeo no começo do texto, que explica um pouco como melhorar sua relação com ferramentas de busca.

2. Quando alguém lhe pede uma informação, não quer exatamente uma resposta. Quer interação social. Por exemplo, muitos precisam, de alguma forma, conversar sobre sua suposta inabilidade de lidar com informática. Querem algum calor humano, não só eficiência, simplicidade e objetividade. Você é o ombro geek disponível.

3. Também precisamos confiar em referências. E você é uma.

Mas o Google também, certo? Em tese, ele é muito mais “informado” do que qualquer um de nós. Mas poucos entendem que referência significa muito mais do que algorítimos, page rank, confiabilidade ou tradição no mercado. É algo bem mais complexo: queremos rostos, nomes, personalidades e histórias de vida.

Ainda que as chamadas ferramentas de “busca social”, como o Mahalo, não tenham se tornado populares, no cotidiano as pessoas ainda procuram triagens e reputações pessoais para traduzir informações técnicas ou corporativas.

Imagino que, no futuro, um bom mecanismo de buscas seja socialmente personalizado. Ou seja: capaz de ler meus feeds, posts em blogs, Twitter, MSN etc. e entender quem eu admiro, confio e respeito.

Pense no antigo , no ou no Stumble Upon. Os algorítimos vão traçando uma espécie de perfil dos meus gostos pessoais e sociais. Não é preciso gastar tempo se adaptando à linguagem das máquinas. Você só diz “sim”, “não”, “gostei”, “não gostei” – o que, do ponto de vista de uma mente comum, é uma interação extremamente divertida.

Assim, não é um absurdo pensar que, em breve, todos teremos algo como nossas próprias ferramentas de busca. E interagindo com os celulares.

4. Texto é uma forma muito lenta de comunicação. Ainda que, mesmo ao consultar humanos, precisemos adaptar a linguagem, falar do jeito que o outro entenda, aparentemente, pessoas são mais rápidas e flexíveis do que programas.

Isso porque são capazes de entender gestos, sinais corporais, não só texto. As buscas do futuro talvez saibam interpretar o movimento dos olhos ou gestos de mouse.

5. Gente é mais eficiente na arte da triagem. Continuando no exemplo acima, minha colega só entendeu as instruções que li em voz alta assim que eu guiei diretamente sua atenção por meio dos menus do Excel. Quer dizer, eu “desmenuzei” os menus. O que fiz foi simplesmente ajudá-la a ignorar informações paralelas e focar-se onde precisava.

Concentração traz um enorme prazer. Em especial quando você enfrenta um problema irritante. Mas, hoje em dia, o texto tem perdido sua capacidade de prender atenção. Por mais que se use bullets, ícones e concisão, massas de letras, em especial quando exibidas em telas, são fatores repugnantes.

Aliás, se você chegou linearmente até o final desse texto, hoje pode ser considerado uma exceção. A maioria deve ter vindo diretamente aqui por causa do ícone e da diferença visual no estilo.

De qualquer forma, estamos sempre fazendo buscas. Dentro e fora do computador. Há tanta informação disponível, que a seleção da melhor fonte ainda depende de coisas muito prosaicas e antigas como a sensação de que há alguém do outro lado ouvindo e se preocupando com o que você deseja.

Autor: Eduf - Categoria(s): Sem categoria Tags:

5 comentários para “Como podem ser os mecanismos de busca do futuro?”

  1. Träsel disse:

    Interessante, eu estava mesmo postando no meu blog algo que tem a ver com o item 5:

    http://www.insanus.org/martelada/archives/024749.html

    O Mechanical Turk da Amazon justamente parte do princípio de que gente é melhor do que software em determinadas tarefas.

  2. John Klaus Kanenberg disse:

    O pior de tudo é você se deparar com pessoas que para acessar o Orkut, necessitam antes efetuar a busca do endereço no Google!!!

    Já muita gente fazendo isso, por incrível que pareça.

  3. Eduf disse:

    @Trasel Concordo. Mas não duvido que os algorítimos cheguem em breve perto dessa capacidade de ignorar apurada e adaptada ao gosto do freguês. Stumble Upon, Pandora etc. + xemelê + microformats parecem estar levando para isso.

    Quanto ao Turco do seu post, que nome sugestivo. Heh.

  4. Wladimir Gomes Houdj disse:

    Determinar quais tarefas que somos melhores que é complicado, o próprio excel no caso deveria ter um “help” para o caso sitado, assim não haveria o caso de entrar em outro sistema.

  5. Eduf disse:

    @Wladimir Mas o Excel tem um help. E ninguém lê. É isso que eu quis dizer no artigo inteiro.

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