iG
iBest BrTurbo

Publicidade

Publicidade
21/08/2008 - 13:48

Como definir quais são minhas prioridades?

paretoAtualmente, é cada vez mais difícil conseguir definir prioridades. Tendemos a lotar nossas caixas postais de e-mails desnecessários, assinar mais feeds do que podemos ler e gastar dinheiro com serviços que não usamos. O resultado é que nossas vidas às vezes se tornam “obesas”, cheias de rituais que consomem tempo e energia, criando uma sensação de sobrecarga e tédio.

Nessas horas, há quem recomende aplicar a velha Lei de Pareto (imagem acima). Atribui-se ao economista italiano a constatação de que 80% dos resultados das nossas ações viriam de 20% das causas. Isso se aplicaria a muitos fenômenos. Por exemplo: 80% da sua renda viria de apenas 20% dos seus clientes. E por aí vai. A idéia, então, é detectar quais são as coisas que realmente importam e cortar os excessos.

Mas isso não é assim tão simples. Olhe para sua rotina de trabalho. Você consegue identificar rapidamente quais são os 20% que fazem a diferença? Provavelmente não.

Em termos simples, você pode definir prioridades se baseando em contextos: prazos, energia disponível para realizar as tarefas e recursos disponíveis. Exemplo: digamos que você precise fazer uma viagem internacional, mas só tem um jegue: a prioridade é fazer o possível até chegar a um aeroporto. Você não vai poder transportar um sofá de couro francês em cima do animal, certo? Então, já sabe o que descartar.

Mas há um outro nível que não é tão prático e claro: o dos objetivos a longo prazo.

Desde o século 18, somos treinados a acreditar que mais significa melhor. Fomos tão acostumados a acumular coisas, técnicas, sonhos e estratégias que tendemos a enxergar todos os fenômenos como fazendo parte de um currículo de “desenvolvimento pessoal” e de objetivos a perseguir.

E há mais. Depois dos anos 60 e 70, começamos um outro movimento, aparentemente contrário, que diz que menos é mais. Então produzimos outra busca, outra ocupação: a luta para simplificar a vida. E nos complicamos ainda mais. Aderimos a estilos de comportamento, atividades físicas e até religiosas que nos levam a crer que, afinal, encontramos nosso foco, nossa tranquilidade, “paz interior”. Mas algo sempre nos diz que nos enganamos, que somos uma sucessão de personagens mal construídos.

Isso surge porque somos viciados em estar engajados em buscas. Tanto que se eu começar a sugerir que devemos abandonar essa atitude, provavelmente você ficará perturbado. Vai acreditar que proponho vazio, inatividade, acomodação, morte em vida. Nossos sinais de alerta disparam. Como assim, viver sem um objetivo?

Não é isso que estou sugerindo. Nem apatia, nem luta. Aliás, não estou sugerindo nada. Este é um mero exercício. Permita-se questionar.

Imagine que você não tivesse qualquer batalha para enfrentar. Como seria? O que faria? Será mesmo que se tornaria um vegetal, inútil, apático? Ou será que possui qualidades intrínsecas que escapam à sua consciência agora, exatamente porque está muito ocupado em tentar ser outra pessoa, em provar algo?

Por isso, sugiro um outro exercício. Para descobrir quais são os 20% significativos das suas atividades, tente parar sua rotina por algum tempo. Uma semana, 2 dias, o quanto puder. Não se trata de férias, de substituir a agenda de trabalho pela da agência de turismo. Fique um tempo dedicado somente às obrigações básicas da sua vida e veja o que acontece.

“Mas o que vou fazer?” Não sei. O que tiver vontade. Apenas faça-o conscientemente. Observe-se. Não tente apenas se ocupar. Você vai se descobrir viciado em TV, e-mails, notícias, comida, conselhos, sabe-se lá o quê. Pode inclusive desejar fortemente que a confusão da segunda-feira volte.

Assim, sem muito esforço, vai começar a enxergar o que é prioritário para manter sua estrutura emocional sadia. E principalmente quais são os obstáculos à sua tranquilidade. Talvez, a partir daí, os 20% vão começar a dar as caras. Mas não se iluda: isso é só o começo do processo.

Autor: Eduf - Categoria(s): Sem categoria Tags:

1 comentário para “Como definir quais são minhas prioridades?”

  1. kbrito disse:

    Muito bom!

Deixe um comentário:

Antes de escrever seu comentário, lembre-se: o iG não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!

Os campos com * são de preenchimento obrigatório






Voltar ao topo