O problema é comigo ou com o software?

A clássica ilustração que mostra como pode vir a funcionar um processo de desenvolvimento do software.
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É assim que muitos softwares se relacionam conosco: por meio de intermináveis passos. Quando você usa internet lenta, esse processo pode torrar sua paciência. Ou pior, abortar sua missão por time out (ou seja: demora para conectar). Quem levantou esse assunto foi David Pogue, colunista do New York Times. Ele se pergunta:
Por que designers de softwares querem que seu trabalho pareça mais em vez de menos complexo? Não consigo entender como eles não conseguem entender isso.
Imagine se Pogue tivesse que lidar com o Bradesco Pessoa Jurídica ou com alguns dos sites governamentais brasileiros.
O que talvez o jornalista não enxergue é que muitos desenvolvedores pensam que estão criando interfaces fáceis. Quer dizer: enchem-nas de FAQs e textos técnicos. Alguns até se dão ao trabalho de fazer desenhos pseudo divertidos. Até mesmo o Google usa esse tipo de estratégia. Não é tão simples praticar a simplicidade.
Muitas empresas não fazem testes de usabilidade. Trabalham com hipóteses e gostos pessoais dos designers ou dos níveis mais altos da hierarquia. Eu, como usuário, quando vou usar um sistema de banco, por exemplo, quero comunicação clara, direta, pouca dispersão em menus, rapidez, eficiência e alguma beleza.
É difícil pedir algo assim para um desenvolvedor, que está muito envolvido com os códigos. Do ponto de vista dele, não há nada mais lógico, intuitivo e fácil do que um menu com vários passos. Mas quem tem paciência para ler diversas opções?
De resto, a primeira coisa que você aprende quando faz testes de usabilidade para um produto é que as escolhas dos usuários geralmente são diferentes da lógica linear.
A resposta de Pogue é, de certa forma, fácil: as empresas não fazem produtos simples porque não as cobramos. Quando todos começarem a migrar para serviços melhores, quando os lucros começarem a cair, haverá mudanças. Ou, nos casos em que isso não é possível (sites governamentais, por exemplo), podemos reclamar até que não nos aguentem mais.
Ou seja: o problema não é só do software. Mas também nosso.
Autor: Eduf - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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