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24/07/2008 - 16:22

Não subestime a influência do corpo nas suas opiniões

irritação

O webinsider publicou uma matéria sobre como trabalhar com geeks. De modo geral, são os mesmos pontos que foram tratados aqui há alguns meses. Mas preste atenção nos seguintes trechos:

Essas pessoas se aborrecem muito rápido. Todo o processo entre a faísca da curiosidade, a busca pela informação, a assimilação, o domínio e o aborrecimento acontece muito mais rapidamente com geeks. Por isso é importante ter um fluxo constante de desafios e novidades. (…) Nerds são rebeldes. Barreiras e limites são apenas sinais de obstáculos a serem superados. Numa empresa de geeks, dê espaço e defina em grupo os objetivos. Fique tranqüilo que dando liberdade eles encontrarão o melhor caminho.

O artigo completo está aqui.

Rebeldes que ficam entusiasmados e entediados muito rapidamente podem criar vários problemas para si mesmos. Como um bom geek, trabalhando em empresas de comunicação há quase 15 anos, sei que há um lado muito frustrante em ser geek. Seja como funcionário ou chefe.

Basicamente, temos energias muito intensas, superestimuladas pelo ritmo da tecnologia. E também certa dificuldade de nos concentrarmos por muito tempo.

Isso faz toda diferença.

Por exemplo, quando trabalhei numa das maiores editoras da América Latina, tinha acessos de raiva toda vez que precisava lidar com o departamento de TI. Ele juntava duas coisas que são terríveis para qualquer geek: burocracia e lentidão. Um dos gerentes da área tinha uma paciência incrível para me mostrar que, numa empresa como aquela, qualquer mudança tem um custo muito alto. Eu precisaria ser paciente e hábil.

Ambos sabíamos que eu poderia fazer o mesmo trabalho que eles de uma maneira mais barata e rápida. Mas eu não conseguia enxergar o todo, só minha parte. Mais que isso: tinha uma espécie de alien dentro de mim, mexendo com minhas energias, querendo derrubar tudo e fazer as coisas imediatamente do meu jeito. Assim, eu não era nem inteligente e nem preciso. Era uma espécie de jamanta desgovernada.

Assim, aos poucos aprendi a não subestimar a influência que meu corpo e o ambiente têm sobre minhas opiniões. Geralmente cometemos erros graves só porque deixamos que uma ansiedade difusa, combinada com 10 deprimentes dias frios e uma noite mal dormida se transformem numa batalha de egos.

Além disso, nós, geeks, lidamos diariamente com as dificuldades de comunicação, já que trabalhamos com detalhes técnicos. É muito fácil desenvolver arrogância e impaciência.

É claro que podemos estar certos. E vale bater o pé. Ou até sair do emprego – e já o fiz inúmeras vezes, sem hesitações. Mas, antes de tudo, é preciso respeitar as empresas, suas histórias e procedimentos. Elas não chegaram onde estão por acaso. Tanto as pequenas quanto as grandes – que, com o tempo, descobri serem muito parecidas. Não há mundo ideal.

O geek, como todos os outros seres, precisa ter paciência, esperteza, flexibilidade e visão de longo prazo. Ou, como diria Freud, têm de saber adiar o prazer. Se não for capaz de enxergar o todo, vai continuar preso e ressentido no seu cubículo.

Autor: Eduf - Categoria(s): Sem categoria Tags:

1 comentário para “Não subestime a influência do corpo nas suas opiniões”

  1. Julio disse:

    IMPRESSIONADO de como o exemplo se aplica a mim, mesmo eu sendo half-geek

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