Você é um cibernômade?

Onde é o próximo cibercafé?
Há cerca de meio bilhão de pessoas no mundo que navegam na internet todos os dias sem possuir um computador. O assunto foi retomado pelo escritor Nicholas Carr, autor do best-seller The Big Switch – Rewiring the World, from Edison to Google. São usuários que acessam a web por meio de cibercafés, bibliotecas ou nos seus ambientes de trabalho.
Carr criou dois termos para designar esse grupo social: cibernômades e deviceless (sem aparelhos). Eles já estariam adaptados ao mundo dos aplicativos online, como Gmail, Yahoo Mail, Google Docs, entre outros. Em seu post, o escritor não avança no assunto. Mas há várias implicações interessantes nessa discussão.
Não dá para chamar os cibernômades de deviceless, porque, afinal, eles usam devices. Só que pertencentes a outras pessoas e instituições. Isso é um fenômeno muito importante: cria toda uma outra relação com os computadores:
1.Altera a maneira como lidamos com a leitura e a escrita – pouco tempo disponível, condições de concentração insuficientes.
2.Influencia qual conteúdo podemos acessar – por exemplo, no trabalho, geralmente não podemos visitar certos endereços e serviços.
3.Cria todo um comportamento social, uma relação “malandra” com a informação. Quer dizer, muitos têm que recorrer ao famigerado ALT + Tab para ler seus sites favoritos. Chegou o chefe, ALT + Tab e muda a tela. Isso é muito diferente do que separar um tempo da sua vida, pegar um livro e entrar em contato com uma idéia específica e bem argumentada.
4.Desenvolvemos uma noção mais frouxa de propriedade quando o assunto é internet. De certa forma, aceitamos pagar por tempo online, mas evitamos gastar com serviços que conseguimos gratuitamente. Não é à toa que a Microsoft está correndo desesperadamente para criar aplicativos online que possam concorrer (de verdade) com o Google.
É possível falar muito mais sobre o assunto (psicologia, sociologia e política da informática). Mas dedos no ALT+Tab que o chefe está chegando. Ou o tempo do cibercafé chegou ao fim.


O professor do departamento de engenharia biológica, chefe dos grupos de neuroengenharia e neuromídia do 
Apesar de ainda não terem se popularizado no Brasil, os audiobooks são uma das coisas mais úteis e divertidas disponíveis no mercado editorial. Aos poucos, estão criando suas próprias características, se tornando um formato distinto e bem interessante. Por exemplo, posso ouvir Sean Penn lendo o livro de crônicas de Bob Dylan, ou o cineasta David Lynch lendo “Catching The Big Fish”, com as ênfases e pausas que ele mesmo imaginou ao escrevê-lo. É claro, além da comodidade de ter acesso a um texto mesmo quando não tenho condições de parar e manusear o impresso (no trânsito, por exemplo).