Por que precisamos tanto de fins de semana?
Conversando com uma amiga no centro budista onde moro, em Três Coroas, RS, hoje me escapou algo assim: “Incrível. Já é quinta-feira”. E ela apenas respondeu: “e daí?”
Aqui os dias da semana não importam muito. Não costumamos folgar aos sábados e domingos, então o ritmo é completamente outro. Mas eu estava no meu modo buffer overflow. Quer dizer, sentindo-me sobrecarregado. No caso, com minhas próprias auto-exigências, prazos e critérios de qualidade. Naquela hora, nada me convenceria de que todos eles eram facilmente renegociáveis.
Durante toda a vida, me acostumei a esperar ansiosamente pelos gloriosos dois dias semanais de alforria. E agora, isso se tornou completamente irrelevante. Aqui há muito o que fazer, mas podemos relaxar e reorganizar as idéias. Não precisamos levar tudo tão à sério.
Porém, mesmo eu, que sou freelancer há algum tempo e bem mais livre do que a maioria das pessoas que conheço, venho descobrindo que continuo apegado ao ritmo dos computadores, com suas infindáveis barras de “executando a tarefa / concluído”.
Como disse nossa professora, Chagdud Khadro, não devemos trabalhar como maratonistas, querendo concluir um trabalho logo e se livrar da situação. É preciso, de alguma forma, saber saborear o processo de realização.
De outra maneira, tudo o que fazemos é sonhar com o fim de semana ideal, cercado de preguiça e diversão. Ou pior: com a ilusão da paixão irrestrita pelo que fazemos.
É aí que muitas teorias de produtividade pessoal falham: querem nos transformar em maratonistas e não em artistas do cotidiano.
É louvável ensinar como terminar tarefas rapidamente. Mas é muito mais importante aprender a não se transformar numa máquina de concluir.

Muito bom.
Acredito que esse post valeu mais para mim do que umas 20 palestras motivacionais que eu tenha ido… Talvez as coisas comecem a ficar um pouco mais claras se eu refletir bastante sobre a última frase.
Quando amamos, aguardamos ansiosamente o final de semana! Ver a pessoa amada, tocá-la, olhar nos seus olhos, conversar, jogar conversa fora…Andar de mãos dadas, sem pensar no tempo! Para isto servem os finais de semana. De tudo tiramos lições, até mesmo de um simples final de semana! Ou até lendo um blog como este!!
Por mim seria o contrário, 5 dias de fds e 2 de trabalho!!!
Buenas!
Interessantissimo esse texto. As vezes fico ansioso demais em razao das diversas tarefas que devo concluir. O tempo vai passando e esqueco-me que bom mesmo e curtir a caminhada e nao esperar o seu fim. Como diria Lao-Tse, o sabio nao se apega a obra, pois ele sabe que sempre tera outra depois dessa… e outra e outra…
Grande abraco!
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