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22/03/2008 - 10:58

Lost: o que podemos aprender com o seriado?

lost

O maior fenômeno geek dos últimos anos é, sem dúvida, o seriado Lost. Como toda boa ficção de mistério, tem um tema central: o gerenciamento de informações. Explico.

Dentro da ilha

1. Alguns parecem saber mais que outros (oops) o que é aquela ilha, porque as coisas acontecem de forma estranha e se há condições de sair dela. Mas, obviamente, não abrem o jogo.

2. Todos parecem ter algo a esconder. Traumas não revelados, segredos inconfessáveis etc. Assim, cria-se um clima de desconfiança geral.

3. A convivência entre pessoas já traz em si diversos problemas de comunicação. Mal-entendidos, coisas ditas pela metade ou de maneira inábil. São os bugs da linguagem.

3. Ainda assim, é preciso conviver e resolver problemas. Então, os habitantes da ilha desenvolvem algum nível de confiança mútua. Mas sempre num clima de manipulação.

Fora do seriado

Os roteiristas conseguem nos manipular em dois níveis:

1. Criativo. Lançando vídeos e espalhando teorias via web, eles dirigem nossa criatividade. Captam nossa atenção e nos fazem criar teses e interpretações.

2. Social. Mobilizam blogueiros, twiteiros, amigos em conversas offline etc. Lost é um prazer coletivo. Boa parte da sua graça vem em poder trocar informações e interpretações sobre a ficção.

Tudo isso você já deve saber. Mas por que será que o seriado tem toda essa ressonância em nossas mentes? Porque ele simula o que fazemos desde sempre: conviver com pessoas por meio de informações.

E, como acontece com os passageiros do Oceanic 815, criamos ficções o tempo todo. Por falta de informações completas – que, afinal, só teríamos se fôssemos oniscientes – , no cotidiano, também achamos que estamos envolvidos em conspirações (”a pessoa que quer puxar nosso tapete”, os invejosos, as hierarquias injustas etc.).

Também criamos facções: por exemplo, os outros do suporte técnico, que sabem coisas que não entendemos e se comportam de maneira estranha, nunca fazendo o que esperamos e estabelecendo regras aparentemente absurdas.

- Alô. É do SAC da operadora de celular?
- Digite 3 para plano voip ilimitado. 1 para plano light express 5 Giga.
- Eu só queria ligar mais barato para minha avó em Varginha do Norte.
- Seu protocolo é 4235378.
- Como?
- Volte a ligar em 15 dias e nós lhe daremos a informação.
- Hã?

Hoje, mais do que nunca, gastamos muito tempo gerenciando informações e mal-entendidos. Que se tornam cada vez mais virais, passíveis de ser espalhados por meio de celulares, Twitter, perfís em redes sociais, vídeos, fotos etc.

O seriado Lost – não só dentro da própria ficção, mas fora dela – nos ajuda a lembrar em que estamos sempre nos perdendo e nos encontrando: não necessariamente no tempo, mas principalmente nas informações.

Autor: Eduf - Categoria(s): Sem categoria Tags:

3 comentários para “Lost: o que podemos aprender com o seriado?”

  1. [...] estreia hoje. O seriado deve continuar a ser um fenômeno de mídia. Boa parte disso se deve à capacidade que o produtor J.J. Abrams tem de utilizar os diversos tipos de mídia e tecnologias disp…. Mas, nos dois vídeos publicados aqui, ele explica que sua inspiração para trabalhar vem de algo [...]

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