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17/03/2008 - 23:39

10 dicas para viver sem patrão

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Passeando pelos meus feeds hoje, um texto do blog Get Rich Slowly me chamou atenção. Chama-se “Entusiasmado e amedrontado: uma semana sendo um blogueiro profissional”. O autor, J.D. Roth, conta como está sua rotina após ter abandonado um emprego de seis anos para investir numa vida de autônomo.

O título já dá uma idéia do que J.D. vive agora: ao mesmo tempo que está feliz por achar tudo novo, começou a perceber as dificuldades de trabalhar num ambiente que não tem necessariamente a melhor infra-estrutura. Além do medo de só poder contar consigo mesmo para pagar as contas. Mas o blogueiro afirma que, mesmo assim, não voltaria atrás.

Já estou nessa há uns 10 anos. E também não abandonaria o barco. Perdi a conta de quantas vezes saí de empregos tradicionais para tocar algum projeto teoricamente arriscado. Nem sempre é fácil. Mas vale a pena. E acho que aprendi algumas coisas nesses anos de nomadismo profissional:

1. Como diria Tim Ferriss, é insano achar que sua identidade pessoal é determinada pelo seu emprego (“job description as self description”). A vida é muito mais vasta do que o seu trabalho. Carreiras (e personalidades) não precisam ser lineares.

2. Autônomos têm que lidar com uma enorme quantidade de burocracia. É preciso ter disciplina, organização e sistemas eficientes para gerenciá-la. Um contador confiável ajuda, mas não resolve. O governo sempre aparece com alguma novidade. Mantenha-se minimamente informado.

3. É preciso lidar com calotes. E saber cobrar com firmeza. Mais que isso: atenda uma lista enxuta de clientes e parceiros confiáveis. É desgastante e improdutivo tentar trabalhar para muitas empresas, principalmente para aquelas que enrolam para pagar. É importante também manter uma reserva no banco para os períodos sem grana.

4. Aprenda a vender bem suas idéias. Escreva projetos bem estruturados. Pense em como eles poderiam ser lucrativos para possíveis parceiros.

5. Disciplina ajuda tanto no trabalho quanto na diversão. Se você é diligente, focado e eficiente, pode trabalhar menos horas por dia. Afinal, quando estamos cansados geralmente fazemos tudo mal feito e provocamos o retrabalho, desperdiçando recursos e gastando mais dinheiro com saúde.

6. É importante manter uma rede de contatos. Não uma lista de “pessoas úteis”, mas de amigos. Na minha experiência profissional, as melhores soluções e oportunidades vieram de pessoas que eu apenas tentei ajudar em determinada época, sem pensar em interesses futuros.

7. Saiba dizer não. Mas também sair da sua zona de conforto. Não tente fazer com que as situações sejam sempre previsíveis. Isso seria a morte da criatividade. Aprenda a se divertir com os imprevistos.

8. Desenvolva a capacidade de ser flexível, a adaptabilidade e a boa-vontade para enfrentar situações nebulosas. Para um autônomo, elas podem surgir a toda hora.

9. Otimize seus recursos, diminua suas despesas. Mas não deixe de investir. É sempre importante reservar dinheiro para renovar seus conhecimentos e equipamentos. Pense no tempo que perde diariamente com computadores bugados. Ou com ignorância, teimosia e preguiça. Por exemplo, é melhor parar algumas horas e ler um manual chato do que desperdiçar tempo diariamente tentando fazer as coisas “do seu jeito” e estragar o computador, chamar o técnico e esperar até que tudo volte a funcionar.

10. Comunique-se bem com o cliente. Procure deixar tudo claro e certificar-se de que todos os acordos foram suficientemente compreendidos. Evite o “depois eu resolvo”. Isso pode acabar com seus negócios.

É claro que viver uma vida de autônomo dá certo medo. Mas aí é que está a graça. Com o tempo, a incerteza se torna um dos principais combustíveis da sua capacidade de realizar um bom trabalho.

Autor: Eduf - Categoria(s): Sem categoria Tags:

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4 comentários para “10 dicas para viver sem patrão”

  1. Israel disse:

    Estou muito interessado nos feeds q vc assina..vc poderia passar o seu opml para a galera?? ou pelo menos para mim…

  2. Eduf disse:

    Estou fazendo a migração do blog pra Wordpress. Assim que terminar, posso incluir uma seção de links lá, com os feeds e explicações. Que tal? Posso mandar o opml também, mas acho que ficaria muito confuso.

  3. erlana castro disse:

    Não posso deixar de comentar a pertinência de cada uma das 10 dicas do artigo, mas em especial 2 delas que me deliciaram ao ver tão bem traduzidas!! A paranóia do “job description as self description” é algo real principalmente em cidades como SP…. as pessoas se encontram socialmente e invariavelmente a primeira palavra trocada depois das saudações é: onde vc “está”?
    Se o indivíduo “não está” em empresa nenhuma, é quase como se ele “não fosse” ninguém.
    A outra dica de altíssimo valor é sobre o tal do Networking realmente visto como uma lista de pessoas “úteis” e não como uma legítima rede de colaboração e troca de idéias! Ah, detalhe! pra fazer parte de qualquer dessas listas “úteis”, primeiro vc tem que “estar” em algum lugar, caso contrário sua “utilidade” enquanto pessoa, profissional e criador de valor é nula!
    Perigoso e patológico não só para os autônomos, mas talvez e sobretudo para os prisioneiros dessa realidade!!!
    Bom dia a todos!

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