Arquivo de novembro, 2007
Gossip Girl e a economia da fofoca

Arnaldo Dylon – cruzamento entre Felipe Dylon e Arnaldo Jabor – fala sobre o seriado Gossip Girl, que estreou no Warner Channel, e descobre que a fofoca causa “impacto intelectual” no planeta.
7 dicas práticas para escrever bem

Hoje em dia é fácil encontrar na internet dicas para escrever bem. Mas é preciso ir um pouco além da técnica:
1. Examine sua motivação. Afinal, qual é o seu objetivo ao escrever? Essa pergunta pode levá-lo a mudar completamente a abordagem. Por mais hermético ou artístico que uma pessoa seja, ela escreve para se comunicar. Pelo menos consigo mesma. Então, ao começar, é sempre importante se perguntar: por quê? Para quê? Vale a pena?
2. Não seja ingênuo. Você pode ser muito claro, direto e preciso. Mas um texto é um conjunto complexo de símbolos que serão sempre decodificados por pessoas que têm as mais diferentes personalidades. Uma simples dor de cabeça pode fazer seu leitor entender tudo errado. Quando lemos, sempre mantemos nossos fantasmas e filtros por perto. Não espere ser sempre compreendido.
3. Pratique, mas não se torne escravo das letras. Conheço pessoas que pensam o tempo todo em escrever. Não conseguem mais controlar o processo. É como se tivessem um alien dentro da própria cabeça, que não pára de ditar textos. Se aparecem num show, em vez de assistí-lo, pensam na resenha que escreverão. Conversam com você já pensando num post do blog ou no Twitter. Se você está muito preocupado em escrever sobre um assunto, acaba não o experimentando direito. É como fazer sexo e ficar paranóico com a performance. Relaxe, viva, depois sente-se, pense e escreva. Processe a informação.
4. Leia o texto em voz alta antes de publicá-lo. Isso ajuda a perceber o rítmo, a “musicalidade” do texto. Há alguns que são duros e cheios de buracos, como o desempenho de um mal jogador de Guitar Hero. Isso dificulta não só a compreensão, mas também o prazer que se pode ter lendo.
5. Saiba abrir mão das suas idéias. Há quem fique horas martelando num só parágrafo. Se esforça tanto nele que, quando finalmente o conclui, nota que ficou horrível. E já não há mais tempo para se dedicar ao resto do trabalho. Assim, é preciso saber priorizar, cortar o que não funciona ou o que traz muitas distrações do assunto principal.
6. Não se sinta um missionário do texto, um sofredor da arte de escrever, um desbravador da mente humana. Menos. Contextualize-se. Não seja focado demais em si mesmo.
7. Não se prenda ao próprio estilo. Seja flexível, experimente outras maneiras de redigir, ache saídas criativas.
A Microsoft está mudando?
Muita gente adora descer a lenha na Microsoft. Eu mesmo confesso que já me diverti bastante fazendo isso. É que os produtos da empresa dão motivo. Principalmente porque têm um estranho e burocrático jeito de enfocar a experiência de usuário.
David Pogue, colunista do New York Times, exemplificou muito bem isso em uma palestra para o TED Talks, em 2006. Com o bom-humor de sempre, demonstra que não basta tentar ser simples. É preciso saber pensar a partir da perspectiva de um usuário leigo.
Facilitar não é criar milhares de novas funcionalidades num programa e escondê-las em menus e submenus confusos. Mas criar poucas coisas, úteis e, principalmente, visíveis. É a arte de escolher metáforas: em vez de “Microsoft Extended Backup Engine”, buscar conceitos mais amigáveis como o de “Máquina do Tempo”.
Deixando de lado a desconfiança muitas vezes desinformada, é preciso perceber que a empresa vem tentando mudar a imagem de que produz elefantes brancos do código sujo e bugado.
Principalmente por meio dos produtos da série Live, como o editor de mashups, Popfly, e o concorrente do Flash, Silverlight. Todos são voltados para a criação da chamada Rich Media – conteúdo com vídeo, áudio e aplicativos online. São esforços de qualidade considerável, apesar da sensação de que chegaram atrasados para a festa.
Rene de Paula, o recentemente contratado “user experience evangelist” da filial brasileira da Microsoft, criou o blog O Uau Nosso de Cada Dia para mostrar os novos produtos da empresa.
Uma das boas coisas publicadas lá é um test-drive do Expression Encoder, software que extrai vídeos da câmera digital e os transforma em formatos passíveis de serem distribuídos na internet, como no YouTube. Vale a pena conferir de perto o que o exército de Bill Gates está fazendo para tentar recuperar o espaço que perdeu na internet.
As pequenas coisas irritantes do cotidiano
Você é daquelas pessoas que ficam completamente irritadas quando alguém mexe nas suas coisas? Quem nunca bancou o sistemático e metódico? Esse deve ser um dos motivos pelos quais livros como Quem Mexeu no Meu Queijo? fazem tanto sucesso.
Todos somos um pouco obsessivos. Mas há quem consiga perder a compostura só porque “sua” cadeira foi usada sem permissão ou porque mudaram “seu” armário de lugar. No vídeo acima, de sacanagem, reformaram todo um escritório e colocaram uma microcâmera para ver o que acontecia no dia seguinte.
O estranhamento foi tão grande que todos mantiveram a civilidade. Mas e se tivessem mudado só uma mesa? O que o dono faria?
Pense no seu cotidiano. A quantos microdetalhes você se apega? Que influência eles têm sobre seu estado de humor? Quantos deles são justos e quais são a mais completa frescura?
Num grau avançado, o hábito de ser exageradamente sistemático pode acabar levando à chamada síndrome do micropoder. O fenômeno surge quando tentamos demarcar nossos territórios e defendê-los nas pequenas coisas. Não somos o CEO, não tomamos grandes decisões. Mas queremos ser ditadores de um pequeno feudo. E qualquer coisa pode parecer um indício de que ele pode ser invadido.
Num ambiente desse tipo – geralmente cheio de funcionários antigos -, a melhor coisa que poderia acontecer é uma mudança como a retratada no vídeo. Todos os dias.
4 programas para organizar seu dia
Há alguns dias escrevi sobre aplicativos online para gerenciar tarefas e ajudar a organizar seu tempo e contatos. Alguns leitores pediram que eu indicasse versões instaláveis desse tipo de programas.
Boa parte das empresas ainda usa o Outlook, da Microsoft, ou o Lotus Notes, da IBM – que acabou de ganhar uma atualização. Mas para os que procuram outras alternativas, aí vão algumas sugestões:
Thunderbird – É possível usar o cliente de e-mail gratuito da Mozilla para gerenciar tarefas e contatos de um jeito bem parecido com o do Outlook. É só instalar algumas extensões, como o calendário Lightning e o Contacts Sidebar Management. Vale também usar o Sunbird, para poder sincronizar melhor suas tarefas com o Google ou Yahoo Calendar.
Chandler – Poderoso gerenciador de tarefas e informação (acima). Serve para pessoas que precisam lidar com múltiplas agendas, contatos, contextos, contas de e-mail e fuso-horários. Tem um bom sistema de lembretes e também pode ser usado como cliente de e-mail. A má-notícia é que não é fácil sincronizá-lo com calendários online. Mas como a versão disponível para download ainda é beta, o problema ainda deve ser corrigido.
Alive Organizer – O mais amigável de todos. A interface simula um caderno de notas, com espiral e tudo. Tem leitor de RSS e permite até mesmo postar nos principais sistemas de blog. Os lembretes podem incluir aniversários e feriados nacionais. Mas, embora tenha um gerenciador de contatos que conversa bem com o Outlook, não lida com e-mails. E ainda custa U$ 27,96 (é possível baixar uma versão gratuita para testes).
My Life Organized – Simples e direto ao ponto, é o que mais se aproxima dos conceitos do GTD (Get Things Done, sistema criado por David Allen). Não tenta se meter com e-mails nem com calendários. Foca-se nas tarefas: o que há para fazer, em que contexto e quanto tempo há disponível. Há espaços até para você determinar a quantidade de esforço que acha que fará para completar o trabalho. Como diria uma amiga, “coisa para virginianos“. Vai saber.
Música pode causar convulsões?

Oliver Sacks, que tem um cargo na Columbia University chamado “professor / pesquisador artista”, que permite trabalhar menos e ficar livre para publicar e criar.
O Rádio Magaiver de hoje fala sobre Alucinações musicais, livro de Oliver Sacks. Nele, o neurologista inglês, também conhecido por Tempo de Despertar (que também rendeu um filme), fala sobre aspectos inesperados da música, como aquelas melodias que grudam nas nossas mentes sem que consigamos nos livrar delas. Há casos em que esse fenômeno pode levar a doenças e até convulsões. Textos altamente recomendados.
Mais um jeito de blogar saindo do gueto

Há alguns dias, falando sobre microblogging, indiquei o Tumblr como uma das mais interessantes ferramentas do gênero. Acabou de ser divulgado que o programa recebeu cerca de 400 atualizações. As principais são:
1. Renovação do visual do gerenciador de posts.
2. Novos recursos de edição na ferramenta de importar imagens. Não há necessidade de cortá-las ou otimizá-las num programa externo.
3. Quer publicar áudio, mas não sabe como instalar plugins que façam o mp3 ser ouvido facilmente no post? O Tumblr tem seu próprio flashplayer.
4. Compatibilidade com os mais importantes sites de vídeo online (Youtube, Brightcove, Vimeo, Revver, entre outros).
5. Novas ferramentas de permissão e privacidade. Você define quem vai poder ver seu post e como.
6. Sistema nativo de tags para classificar posts – como o que o Wordpress disponibilizou recentemente.
7. Post via Instant Messenger, celular e e-mail.
8. Melhoria nos chat-posts – transcrições de conversas publicadas como no MSN, ou seja, numa seqüência de diálogo.
9. Novo sistema de arquivos, que permite ver miniaturas das páginas. Exemplo aqui.
10. Você pode criar canais específicos para seus posts e compartilhá-los. Se uma pessoa gosta só dos seus escritos sobre música, pode acessar só essa parte do blog.
11. Novos investidores pesados na Tumblr Inc., o que indica que os tumblelogs podem estar saindo do gueto dos conhecedores de informática.
É claro que você pode obter cada uma dessas funcionalidades em outros sistemas de blogs (menos a décima primeira). Mas, de modo geral, precisa instalar extensões, plugins ou mexer no código para que tudo funcione. No Tumblr é tudo nativo e simples.
Mas há dois problema sérios: não há um sistema de comentários (prometido para breve) e não dá para baixar o software e instalá-lo no seu próprio servidor. Se não fosse isso, eu já o teria adotado nos meus projetos além-Magaiver.
Mesmo assim, o Tumblr inspira um jeito bastante divertido e ágil de postar. Textos curtos, diretos, citações, links. E de uma forma um pouco menos dispersiva que ferramentas como o Twitter e Jaiku.
Mas, claro, o melhor sistema de blog é sempre aquele que serve para seus objetivos e combina com seu estilo de escrever e assuntos que gosta de abordar. A regra é clara.

