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07/11/2009 - 14:04

Os sobrenomes estranhos

Recém-chegado a São Paulo, costumava sair pela noite com meu amigo e parceiro de música João Cleber Juriti que, logo que chegou a São Paulo, arrumou um emprego na agência do Banco Irmãos Guimarães, perto da Galeria Metrópole.

Uma de nossas diversões era fazer levantamento de sobrenomes estranhos, que constavam ou das listas telefônicas, ou da relação de clientes do BIG. Um desses sobrenomes era o senhor Costacurta.

Um dia, o imperdível O Pasquim publicou um artigo do Paulo Francis espinafrando a música popular, depreciando-a frente a música erudita.

Passei na agência, peguei o João e fomos para a Biblioteca Municipal, vizinha dali.

Lá, consultamos uma montanha de enciclopédias e levantamos autores esquecidos da música erudita alemã, inglesa, oriental, mostrando sua dívida com a música popular. Escrevemos um artigo que era um monumento à erudição vazia, com citações em alemão, inglês, uma maravilha para certo tipo de jornalismo cultural. E enviamos para o Pasquim, com o pseudônimo roubado do senhor Costacurta. Não colocamos os nossos nomes com receio de ele descobrir que estava tratando com dois fedelhos.

Uma ou duas edições depois, naquela seção de notas curtas saiu a resposta do Paulo Francis, espinafrando o sobrenome Costacurta mas evitando discutir com aquele monumento de erudição desenfreada que constava da carta. Para sorte nossa, aliás.

Mandamos a tréplica, ainda mais pernóstica do que a primeira carta, animadíssimos com o fato do mestre ter caído na provocação.

Mas não houve resposta. Na semana seguinte, a turma do Pasquim foi presa pela ditadura.

Estava lembrando disso para um exercício alegre de fim de semana: juntarmos os sobrenomes mais estranhos que cada qual já viu ao longo de sua vida e de sua cidade.

Alô, alô, nordeste e interior de Minas: nesse quesito, somos imbatíveis.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Costumes Tags:
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