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03/09/2009 - 07:22

A lógica previsível do COPOM

No final do ano passado, a economia estava desabando. Os indicadores de atividade na indústria mostravam queda generalizada.

Os economistas de mercado repetiam análises de que a economia continuava sólida. Com isso, o Copom (Comitê de Política Monetária) não baixou os juros.

Nas últimas semanas, uma inédita lufada de otimismo varreu o mercado. Os últimos dados do IBGE mostram uma recuperação disseminada da indústria, por todos os setores. Mas ainda em níveis inferiores aos de 2008. Ou seja, há uma espaço a ser ocupado na capacidade instalada da indústria.

Mesmo assim, o Banco Central optou por manter as taxas Selic. Com isso, mantém-se o diferencial em relação às taxas internacionais e prosseguirá o ciclo de apreciação do real.

Para festa do capital especulativo de curto prazo.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Crise Tags: , , ,
23/07/2009 - 10:42

A Selic e as manchetes do Estadão

A taxa Selic caiu meio ponto. Parte da repercussão foi de setores reclamando que poderia ter caído mais. Há um conjunto de economistas que defendem queda maior. E tem o mercado, cujos ganhos são afetados pela queda da Selic. Ou seja, é parte interessada na história.

Qual a manchete do Estadão?

Pergunto: é jornalisticamente correto transformar uma manifestação de desejo de uma parte interessada em uma conclusão pretensamente técnica?

Autor: luisnassif - Categoria(s): Crise, Economia, Mídia Tags: ,
15/06/2009 - 07:00

O ciclo dos juros baixos

Coluna Econômica – 15/06/2009

Retomando um tema já abordado.

Ainda tem que se caminhar muito em direção à criação de uma taxa de juros de países civilizados. A decisão do Copom (Comitê de Política Monetária), de reduzir a Selic em 1 ponto, traz a taxa para a faixa de um dígito pela primeira vez na história.

Mesmo assim, continua uma taxa extremamente elevada, ainda mais em função das demais taxas internacionais. Continua permitindo as arbitragens em cima do real. Além disso, na ponta o dinheiro continua extremamente caro.

***

Tem que se avançar urgentemente em duas linhas:

1. Pacto com o mercado, de reduzir a tributação sobre as operações financeiras e exigir a ferro e fogo a redução do spread. Inclusive com o uso intensivo do Código de Defesa do Consumidor e das leis de direito econômico.

Como se sabe, o mercado financeiro passou a ser regido pelo Código de Defesa do Consumidor. Pode ser enquadrado pela prática de taxas abusivas, por exemplo, como maneira de contornar a absoluta inação do Banco Central. Também está sujeito ao CADE (Conselho Administrativo de Direito Econômico), caso se comprove que as taxas praticadas são previamente acertadas.

Não se deve recorrer a práticas drásticas, mas utilizar para um pacto de redução de taxas com o setor, cada qual dando sua contribuição.

2. Estabelecer taxações para a livre entrada de capitais.

Hoje em dia há uma dinheirama de brasileiros entrando e saindo do país, não ajudando a consolidar um nível estável de poupança. Esse dinheiro era da mesma natureza dos capitais voláteis do início dos anos 30.

Agora, tem-se um combate gradativo aos paraísos fiscais, escassas possibilidades de investimento em outras economias. E parte desse capital começa a ser despejado na economia real. É o momento de aumentar o custo dessa volatilidade e induzir a vinda de mais capital para a economia real.

Há um chavão reiterado contra essa medida, de que atropelaria direitos adquiridos. Conversa. A proposta é para novas entradas de capitais, não para aqueles que já estão por aqui.

***

Quem leu meu “Os Cabeças de Planilha” sabe que, na análise comparativa do então ciclo especulativo, com o que ocorreu nos anos 20 e 30 no país, previ os seguintes pontos:

* Fim do ciclo especulativo internacional, pela ampla disfuncionalidade dos mercados.

* Ampliação do combate dos estados nacionais ao crime organizado, o que resultaria em cerco cada vez maior aos paraísos fiscais.

* Esses capitais brasileiros internacionalizados regressando ao país, indo irrigar a economia real.

Ainda não chegamos, mas estamos perto do início do terceiro ciclo.

***

Entrando no terceiro ciclo, o jogo se inverte. O mercado financeiro já possui know-how e tradição de precificação (análise de preço) de empresas, de fusões, aquisições, alguma experiência em empresas emergentes.

Em um primeiro momento, esse potencial está sendo canalizado para a compra de empresas em dificuldades, descapitalizadas mas com bom potencial. Em um segundo momento, será para grandes investimentos em infraestrutura, em novas empresas de setores que estão sendo impulsionados pelas mudanças tecnológicas.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Coluna Econômica, Economia Tags: , ,
11/06/2009 - 09:00

O ciclo dos juros baixos

Ainda tem que se caminhar muito em direção à criação de uma taxa de juros de países civilizados. A decisão do Copom (Comitê de Política Monetária), de reduzir a Selic em 1 ponto, traz a taxa para a faixa de um dígito pela primeira vez na história.

Mesmo assim, continua uma taxa extremamente elevada, ainda mais em função das demais taxas internacionais. Continua permitindo as arbitragens em cima do real. Além disso, na ponta o dinheiro continua extremamente caro.

Tem que se avançar urgentemente em duas linhas:

1. Pacto com o mercado, de reduzir a tributação sobre as operações financeiras e exigir a ferro e fogo a redução do spread. Inclusive com o uso intensivo do Código de Defesa do Consumidor e das leis de direito econômico.

2. Estabelecer taxações para a livre entrada de capitais.

Hoje em dia há uma dinheirama de brasileiros entrando e saindo do país, não ajudando a consolidar um nível estável de poupança. Esse dinheiro era da mesma natureza dos capitais voláteis do início dos anos 30.

Agora, tem-se um combate gradativo aos paraísos fiscais, escassas possibilidades de investimento em outras economias. E parte desse capital começa a ser despejado na economia real.

É o momento de aumentar o custo dessa volatilidade e induzir a vinda de mais capital para a economia real.

Quem leu meu “Os Cabeças de Planilha” sabe que, na análise comparativa do então ciclo especulativo, com o que ocorreu nos anos 20 e 30 no país, previ os seguintes pontos:

1. Fim do ciclo especulativo internacional, pela ampla disfuncionalidade dos mercados.

2. Ampliação do combate dos estados nacionais ao crime organizado, o que resultaria em cerco cada vez maior aos paraísos fiscais.

3. Esses capitais brasileiros internacionalizados regressando ao país, indo irrigar a economia real.

Ainda não chegamos, mas estamos perto do início do terceiro ciclo.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia, Novo Modelo Tags: , ,
15/05/2009 - 13:13

A poupança e a queda da Selic

Conforme vocês conferiram em outros posts, à medida que a Selic for caindo, será diminuído o fator de redução da parte tributável dos juros da poupança.

Cria-se uma situação curiosa. Como o pequeno poupador não será tributado, chegará o momento em que a poupança dele renderá mais do que a Selic.

No caso dos grandes investidores – alíquota máxima de IR -, supondo que a TR fique em 0,03% ao mês, à medida que caia a Selic, cai sua remuneração na poupança, mas cai também o diferencial entre a taxa Selic e a da poupança – que, grosso modo, corresponde à taxa de administração do banco.

Com a TR a 0,03%. a remuneração líquida anual da poupança isenta continuará sendo de 7,11% independentemente do valor da Selic.

No caso dos poupança sujeita à maior tributação, com a Selic a 9,5%, a poupança renderá liquidamente 6,85% – uma diferença de 2,98%. Com a Selic a 7%, a poupança renderá 6,24%, ou apenas 0,25% de diferença.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Crise, Economia Tags: ,
15/05/2009 - 07:00

As mudanças na poupança

Coluna Econômica – 15/05/2009

A mudança na tributação da caderneta de poupança visou impedir uma revoada de recursos dos fundos de investimento, quando a taxa Selic baixar mais ainda. Hoje em dia a maior parte das contas é de pequenos poupadores, que formam um colchão estável, permitindo a concessão de financiamentos de longo prazo. Não seria oportuno revoadas de capitais especulativos entrando e saindo da poupança. As mudanças passam a taxar as grandes aplicações – justamente as que procuram mais os fundos de investimento e papéis privados.

Por outro lado, a decisão beneficia claramente as instituições que administram recursos de terceiros. A remuneração do investidor é dada pela valorização da carteira de papéis menos a taxa de administração. Em geral, tais taxas deveriam ficar em 0,5% ao ano sobre o patrimônio. Nos últimos tempos, aumentaram para 1,5%.

Com os juros caindo e a competição da poupança, os administradores seriam obrigados a reduzir suas taxas de administração. Com o refresco dado pelo governo, poderão se apropriar do diferencial aberto. Leia mais »

Autor: luisnassif - Categoria(s): Coluna Econômica Tags: ,
30/04/2009 - 09:35

O incrível Banco Central

Na minha juventude, havia um personagem curioríssimo em Poços, o Boca. Um dia ele apareceu com um patuá – que disse ter mandado buscar na Bahia – que daria ao seu proprietário todas as mulheres que quisesse. O Boca vendia o patuá embrulhado e alertava:

- Ignore as primeiras dez: da 11a em diante será melhor ainda.

E dizia que quem desembrulhasse o patuá nunca mais conseguiria uma mulher na vida.

O Banco Central é igual ao Boca.

A propósito, o primeiro que desembrulhou o patuá constatou que era apenas uma cabeça de alho amassada e fedida. E continuou sendo grande namorador.O incrível Banco Central.

O BC foi bem sucedido na sua sinalização. Os juros começaram a cair no mercado futuro. Com o alerta, o BC impede que isso ocorra, anulando parte dos efeitos da decisão.

E a imprensa discutindo passagens de avião de parlamentares.

Da Folha, em Brasilia

NEY HAYASHI DA CRUZ

(íntegra no clipping do dia)

O Banco Central anunciou ontem um corte de um ponto percentual na taxa básica de juros, a Selic, que a partir de hoje será fixada em 10,25% ao ano. Trata-se da taxa mais baixa já registrada desde a criação do Copom (Comitê de Política Monetária do BC), em 1996.

Horas antes da decisão, no final da manhã, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, teve uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na qual informou que não seria possível manter o ritmo de queda da reunião anterior, quando a taxa caiu 1,5 ponto.

Segundo a Folha apurou, Meirelles disse que a economia já dá sinais de recuperação e que é preciso cuidado na redução dos juros para tentar evitar a necessidade de ter que subir a taxa no próximo ano. Leia mais »

Autor: luisnassif - Categoria(s): Crise Tags: , ,
22/04/2009 - 15:51

A caderneta e a taxa Selic

Por J. Carlos de Assis, especial para o Blog

SALVANDO A CADERNETA  E A POLÍTICA MONETÁRIA

J. Carlos de Assis*

Há anos, talvez décadas, em artigos e em livros, tenho batido na tecla de que uma taxa básica de juros, como a Selic, não pode funcionar ao mesmo tempo como indexador de parte da dívida pública.

Recentemente, tive a grata surpresa de ver que também o ex-ministro tucano, Bresser Pereira, passou a defender a mesma tese. A razão é óbvia: se a taxa básica remunera a dívida, qualquer aumento dos juros para controlar a demanda eleva o custo da dívida sem contrapartida de gasto público.

Há outra disfuncionalidade: os títulos de dívida pública no Brasil são virtualmente líquidos. São emitidos com um determinado prazo nominal mas, na realidade, acabam transformados em dinheiro a qualquer tempo no caixa do Banco Central, à simples apresentação. Com isso, não há distinção no Brasil entre mercado monetário, onde se transacionam reservas bancárias, e mercado financeiro, onde, em tese, deveria ser transacionada a poupança privada, com algum desconto. Leia mais »

Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia, Novo Modelo Tags: , ,
15/04/2009 - 09:47

Os alienistas

Do Valor

Recuperação da economia pode forçar BC a elevar a Selic em 2010
Cristiano Romero e Alex Ribeiro, de Brasília
15/04/2009

A expectativa do mercado financeiro, e mesmo de alguns setores do governo, é que a taxa básica de juros voltará a subir em 2010, o ano da sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em meio à crise, disseminou-se a ideia de que o Brasil teria neste momento oportunidade histórica de reduzir os juros a níveis civilizados, mas o que o mercado futuro está sinalizando é que, já no próximo ano, com o início de uma possível recuperação da economia, os juros nominais, depois de cair abaixo de 10% em 2009, voltarão a ter dois dígitos.

Na verdade, as razões que fazem com que o país tenha uma taxa de juros excessivamente elevada não foram enfrentadas. “Está tudo aí”, comenta um economista do governo.

A esperada elevação dos juros ocorrerá num momento politicamente difícil. Em 2010, é bem provável que o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, não esteja mais no comando da instituição. Se decidir concorrer a algum cargo eletivo no próximo ano, terá que se filiar a um partido político até outubro deste ano. Mesmo filiado, poderá permanecer no BC, mas somente até abril, quando termina o prazo de desincompatibilização.

Comentário

O “está tudo aí” significa, os diretores do BC terão a mesma cabeça que esse pessoal. É inacreditável a incapacidade do país como um todo de proceder a uma revisão de dogmas, mesmo quando a realidade se incumbiu de torná-los superados.

O que eles falam de “tudo aí” é o quê? Falta de infraestrutura, burocracia emperrada, carga tributária elevada, podem explicar perda de competitividade ou câmbio desvalorizado. Não explicam inflação – que é variação de preços.

Na raiz da inflação está o sistema de indexação montado no processo de privatização para permitir garantias totais aos arrematantes.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags: ,
12/03/2009 - 07:00

As culpas do Banco Central

Coluna Econômica – 12/03/2009

Ontem o governo da Nova Zelândia cortou os juros básicos em 3 pontos percentuais. A taxa era de 6,5% ao ano, caiu para 3,5%.

Enquanto isto, com a produção industrial registrando quedas recordes, com o PIB do quarto trimestre de 2008 mostrando queda recorde, com os preços sob controle, reunido ontem o Copom (Comitê de Política Monetária) resolveu reduzir a taxa Selic em apenas 1,5 ponto percentual, caindo para ainda expressivos 11,25% ao ano. Leia mais »

Autor: luisnassif - Categoria(s): Coluna Econômica, Economia Tags: , ,
10/03/2009 - 12:34

O direito de errar

Por Roberto São Paulo/SP

Só para ter uma comparação anualizados a queda seria de mais de 13%, uma pancada violentíssima.

E o tempo todo depois da quebra do Lemhan Brothers o COPOM com atas de reunião e relatório de inflação vinha afirmando que havia uma grande pressão de demanda sobre os preços, chegando a afirmar que estávamos num ambiente de descompasso entre a oferta e a demanda, a ata de dezembro de 2008 é o fim da picada.

Todo mundo dizendo que a pancada foi grande, mas o COPOM insistindo que não, muito pelo contrário, afirmava que havia grande risco de inflação de demanda.
Quem se diz economista, não pode deixar de perceber um tranco deste na economia, principalmente sentado em cima da direçao do Banco Central. Só podiam estar dormindo, não é possível que não tenham percebido a batida.

Um erro que custou quase quatro meses de paralisia total, na luta conta a recessão.
É preciso deixar a lentidão de lado e reduzir bruscamente os juros da Selic na mesma magnitude da redução do PIB do Quarto Trimestre de 2008, ou seja 3,2% na reunião do COPOM que começa hoje e termina amanhã.

O Certo mesmo era mandar todo mundo do COPOM, embora por incompetência total.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Crise Tags: , ,
05/03/2009 - 07:00

Menos juros, mais investimentos

Coluna Econômica – 04/03/2009

Desde que ocorreram mudanças no IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas), o órgão passou a se constituir em contraponto eficiente à ação do Banco Central.

Tem cometido escorregões, como a definição de concursos que privilegiam um tipo apenas de formação acadêmica – incorrendo no mesmo erro dos mercadistas, que só aceitam a visão da “planilha” nos seus guetos.

O IPEA voltará a ser o grande think-tank nacional quando souber abarcar as várias formas de conhecimento e de visão da economia. Leia mais »

Autor: luisnassif - Categoria(s): Coluna Econômica, Economia Tags: , , ,
02/02/2009 - 11:36

Um BC em permanente atraso

Do Valor Econômico

Copom planeja corte de 3 pontos na Selic

Luiz Sérgio Guimarães
02/02/2009

Os indicadores de atividade econômica precisam piorar muito e os de inflação mostrar preços completamente anestesiados ao longo de fevereiro e começo de março para o Banco Central alterar o seu planejamento para a política monetária e cortar a taxa Selic, na próxima reunião do Copom, dia 11 de março, mais fundo do que indicou a última ata. Após a leitura do documento, os analistas se convenceram que o Copom pretende fazer um corte total de três pontos. Quando a Selic chegar a 10,75%, ele para de reduzi-la. Por quê? A ata diz que com Selic a 10,75% no final de 2010, a inflação estará este ano e no próximo perto do centro da meta de 4,5%. Se o BC pretende estancar o ciclo de relaxamento quando a taxa chegar a esse patamar, a velocidade com que irá alcançá-lo é de menor importância desde que o mercado futuro de juros da BM&F se convença disso e incorpore essa expectativa aos contratos. O pregão ainda não fez isso face às reiteradas precauções do Copom. Leia mais »

Autor: luisnassif - Categoria(s): Crise, Economia Tags: , ,
02/02/2009 - 09:08

O papel da taxa Selic

Por Roberto São Paulo/SP

Creio que a redução dos juros da Selic é maior arma do Brasil contra a recessão, mas é preciso usá-la. O nosso problema é o COPOM.

Ao reduzir os juros da selic se diminui a rentabilidade das Instttuições financeiras na sobra de caixa e do compulsório depositado no BACEN.

Além dissso reduz o custo de captação por parte do Tesouro Nacional, do BNDES, o que permitiria ampliar as linhas de crédito destinado ao Capital de Giro e ao Investimento, aumentando a concorrência no sistema financeiro.

Creio que é ainda necessário uma ação mais efetiva dos Bancos Públicos para reduzir o spread dos financiemtnos destinados a pessoa física.

Mas a atuação do COPOM é assustadora, ao demonstrar que somente somente quando as estatísticas tiverem computados os milhões de desempregados e a forte queda nas vendas é que irá reduzir os juros da Selic.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Crise, Economia Tags: ,
27/01/2009 - 09:35

Selic e spread bancário

Hoje, no Valor Econômico, a coluna do Luiz Sérgio Guimarães entrevista o economista André Modenesi explicando as relações entre Selic e spread. Como o pensamento não é linear, é possível que os cabeções do mercado tenham alguma dificuldade em entender as relações de causalidade apontadas:

(…) O economista André Modenesi, professor do Ibmec, lembra que o debate sobre as altas taxas de juros se dá em duas frentes. O primeiro é o elevado nível da Selic. O segundo é o caro spread bancário. Isso, de forma alguma, significa que variações na Selic não afetem o spread. A literatura tradicional enfatiza os determinantes microeconômicos do spread: inadimplência, tributação, custos operacionais. No entanto, é equivocado postular que a Selic não afeta o spread bancário. Mas há uma relação entre os determinantes macro e micro do spread. “Não é por acaso que no país onde se pratica uma das maiores taxas básicas de juros do planeta também se verificam spreads bancários exorbitantes”, diz Modenesi. A razão é muito simples: as LFT (títulos indexados à Selic) constituem um ativo especial ao possuir alta liquidez, elevada rentabilidade e risco desprezível. Com isso, diz o economista, os bancos brasileiros não precisam emprestar – apesar de a relação crédito/PIB ter crescido muito ela ainda é pequena – para gerar resultado; basta comprar LFT. “É por isso que os bancos brasileiros são altamente rentáveis apesar de não realizarem a contento sua função primordial: produzir empréstimos. Os bancos não precisam competir entre si na concessão de empréstimos para dar lucro”, diz. Ou seja, um problema macro – o elevado nível da Selic – tem repercussões micro, a baixa concorrência. E a baixa competição na concessão de empréstimos possibilita que os bancos sejam altamente seletivos na oferta de crédito, fazendo racionamento pelo preço. Conseqüentemente, a margem de intermediação é muito elevada. E, num momento marcado pelo aumento da incerteza e da aversão ao risco, é natural que os bancos aumentem ainda mais o racionamento do crédito, por meio de uma elevação de spread.Praticamente forçado por Lula a reduzir a taxa Selic, o presidente do Banco Central Henrique Meirelles defendeu-se dizendo que o problema do custo do dinheiro era o spread bancário, não a Selic – como se o BC não fosse responsável pelo sistema bancário como um todo.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Crise, Economia Tags: , , , ,
20/01/2009 - 07:00

Os vícios do Copom

Coluna Econômica – 20/01/2008

Até janeiro de 1999, o Banco Central adotava o sistema de “flutuação suja” para o câmbio. Definia um patamar máximo, um mínimo, e ia administrando o nível do câmbio entre os dois valores.

Quando o câmbio explodiu, adotou-se o sistema de “metas inflacionárias”. Funciona assim:

1. O Copom (Comitê de Política Monetária) define uma meta de inflação a ser perseguida, com uma margem de tolerância, para cima ou para baixo.

2. O Banco Central monta cenários para estimar a inflação futura. Também efetua consultas ao mercado, através de uma pesquisa semanal chamada de Focus.

3. Quando as expectativas de inflação estão acima da meta, aumenta a taxa Selic; quando abaixo, teoricamente deveria reduzir. Leia mais »

Autor: luisnassif - Categoria(s): Coluna Econômica, Economia Tags: , , ,
09/01/2009 - 08:47

Porque a Febraban peitou o BC

Vamos entender melhor esse embate entre o presidente do Bradesco, Márcio Cypriani, e o do Banco Central, Henrique Meirelles, em torno das taxas Selic.

O conjunto de operações de um banco comercial é muito maior do que aplicar em títulos do governo ou montar operações de IPO. Esse papel cabe à sua Tesouraria ou banco de investimento. O crescimento de um banco comercial depende, em grande parte, do crescimento e da modernização da economia real.

Embora os bancos comerciais tenham sido beneficiários do modelo implantado a partir de 1992 – e consolidado a partir de 1994 – o setor hegemônico do jogo foram os gestores de recursos, atuando de forma independente ou dentro da estrutura maior dos bancos comerciais.

Esse sistema que consolidou o poder ideológico do Banco Central é integrado pelos seguintes personagens:

1. Os gestores de recursos.

2. Economistas, analistas e operadores de mesa, em geral tendo a maior parte de sua remuneração através de bônus de desempenho.

3. Membros dessa comunidade servindo provisoriamente no Banco Central.

A rede de relacionamentos do BC é com esse escalão. Fosse um BC sério, iria buscar o pulso da economia com o Márcio Cypriani, o Abilio Diniz, o Jorge Gerdau, a CUT e a Força Sindical, as Federações estaduais, os grandes atacadistas.

Mas, em vez de falar com o Cypriani, eles falam com o Otávio de Barros; em vez do Fábio Barbosa, com o “professor de Deus”. Os mais seletivos falam com Luiz Carlos Mendonça (que representa o interesse dos gestores).

É um clube fechado, que se autoprotege. A Pesquisa Focus – que visa ascultar as expectativas do mercado – passa ao largo da economia real. Todas as decisões do BC não visam beneficiar os bancos em si, mas a atividade dos bancos diretamente relacionada com arbitragens de taxas, captação de investidores externos.
Os bancos comerciais aceitavam esse jogo porque ganhavam pesadamente com a Tesouraria. Quando retomaram a função de emprestar, acabou o pacto ideológico.

Com a economia ameaçada pela recessão, o risco de inadimplência aumenta substancialmente, criando um círculo vicioso. Selic alta aumenta as taxas de captação, reduz o spread dos bancos e os torna muito mais seletivos na concessão de crédito, espremendo gradativamente os clientes para fora do mercado de crédito. Quanto maior a recessão, maior o aumento da inadimplência.

Para o BC, pouco importa. Nos últimos anos, o BC permitiu a expansão das atividades offshore, fechou os olhos a atividades criminosas – exemplos típicos, os dez anos de lambança de Edemar Cid Ferreira, as aventuras em Foz do Iguaçu, o caso Banestado – e toda análise de juros levava em conta a relação custo x benefício para os gestores de recursos.

O jogo acabou mundialmente. A quebra do sistema americano de bancos de investimento, os bancos suiços sob investigação internacional, a estatização do sistema bancário europeu decretaram o fim do ciclo.

No Brasil, como tudo chega atrasado, ainda se terá que aturar por algum tempo essa poder do BC. Leia mais »

Autor: luisnassif - Categoria(s): Crise, Economia Tags: , , ,
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