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11/10/2009 - 14:00

O fator Vinicius na bossa nova

Estou, no momento, sem condições de fazer uploads de música. Se não, disponibilizaria o LP de Caterina Valente e Luiz Bonfá – ela cantando composições de Bonfá em português.

É um disco importante para se entender a relevância de … Vinicius de Morais na bossa nova.

O LP tem sambas-canções e bossa-novas de Bonfá. A música tem a qualidade Bonfá. Quase nenhuma delas permaneceu no tempo, apesar de sua inegável qualidade. A razão? Letristas fracos, num bordão interminável de saudade, felicidade, beijinhos para cá e para lá.

Apesar de um dos violonistas e compositores brasileiros mais prestigiados na época, autor de “Manhã de Carnaval” – uma das músicas brasileiras mais tocadas na história -, respeitadíssimo nos meios jazzistas norte-americanos, a obra cantada de Bonfá se perdeu por falta de um Vinicíus – o Vinícius que ajudou a consagrar Carlos Lyra, Baden Powell, Edu Lobo.

Explica também porque, em pouco tempo, a bossa nova fo superada pela nova MPB que surgia. Havia compositores de peso nos dois lados. Mas a bossa nova tinha como letristas maiores apenas Vinicius, um pouco de Bôscoli. A nova MPB tinha Chico, Caetano, Gil – como letristas e compositores -, tinha Paulo César Pinheiro, Guarniei, Guerra, Vandré, indiretamente tinha João Cabral.

A temática social venceu, na disputa com a BN tradicional, justamente por conta das letras, dos poetas. Assim como o samba canção e o sincopado tiveram muito mais músicas de qualidade devido aos letristas do período anterior.

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Bossa Nova Tags: , , , , ,
08/05/2009 - 19:30

Trivial do samba canção

Dois pontos interessantes para se abordar em relação à bossa nova.

O primeiro, a supina tolice de considerar que a bossa nova significou um corte na música brasileira, impondo novos padrões de bom gosto sobre os “bolerões”. Essa tese foi levantada por Ronaldo Bôscoli, reforçada pelo famoso livro dos irmãos Campos e do meu amigo Júlio Medaglia e consolidada no livro do Ruy Castro.

Hoje em dia, Ruy parece finalmente ter concordado com a tese de que João Gilberto fez uma síntese do que de melhor a música brasileira produzira até então.

Mesmo assim, ainda há um ranço enorme em relação ao samba-canção – visto como filho espúrio do “execrável”  bolero. Logo o bolero, uma das formas mais elaboradas de canção do século 20.

Aqui, duas raridades que consegui no excepcional blog Loronix, das duas mais veneradas cantoras da bossa nova: Dolores Duran e Silva Telles. Silvia com repertório exclusivamente de samba canção. Dolores com o ecletismo fantástico que a marcou e que só encontraria paralelo em João Gilberto.

Com Dolores você ouvirá sambas canções clássicos, como “Manias” – com uma letra que nada fica a dever ao despojamento da bossa nova. Depois, um conjunto de compositores do sincopado, igualmente cultivados por João Gilberto, como Geraldo Pereira, Billy Blanco.

Clique aqui

Com Silvinha Telles, uma seleção inesquecível de sambas-canção (incluindo alguns clássicos de Tom Jobim), da qual se vale, inclusive, da voz de vibratto – característica execrada pelos especialistas da pureza bossanovista. Aliás, seria interessante conferir João Gilberto usando o vibratto na interpretação de “Chão de Estrelas”.

Clique aqui.

Um segundo ponto interessante é sobre os limites da jazzificação da bossa nova. No show da Leny Andrade, deu para relembrar alguns clássicos do Durval Ferreira e do Maurício Einhorn – como “Samba Diferente”. Ambos produziram pequenos temas jazzísticos que são verdadeiras jóias.

Tentei encontrar as gravações aqui na minha coleção, mas admito total falta de tempo.

Autor: luisnassif - Categoria(s): MPB Tags: , , ,
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