Poeta, cantor de rua,
Que na cidade nasceu,
Cante a cidade que é sua,
Que eu canto o sertão que é meu.
Se aí você teve estudo,
Aqui, Deus me ensinou tudo,
Sem de livro precisá
Por favô, não mêxa aqui,
Que eu também não mexo aí,
Cante lá, que eu canto cá.
Você teve inducação,
Aprendeu munta ciença,
Mas das coisa do sertão
Não tem boa esperiença.
Mas porém, eu não invejo
O grande tesôro seu,
Os livro do seu colejo,
Onde você aprendeu.
Pra gente aqui sê poeta
E fazê rima compreta,
Não precisa professô;
Basta vê no mês de maio,
Um poema em cada gaio
E um verso em cada fulô.
O poeta é Antônio Marinho, de São José do Egito, Sertão do Pajeú, Pernambuco.
O poema, é “Aos Críticos”, escrito em 1950 por Rogaciano Leite, também do Pajeú (há uma discussão sobre se ele é de Itapetim ou de São José do Egito)
O poeta é Antônio Marinho, de São José do Egito, Sertão do Pajeú, Pernambuco. O poema, é “Aos Críticos”, escrito em 1950 por Rogaciano Leite, também do Pajeú (há uma discussão sobre se ele é de Itapetim ou de São José do Egito)
em meio aos embates,quero destacar a matéria de “o globo” de hoje sobre o escritor,ex-poeta e dono da estética da provocaçam,sebastião nunes.no caderno prosa & verso.
Da Verso & Prosa, do Globo
Verve iconoclasta
Três lançamentos jogam luz sobre a obra do mineiro Sebastião Nunes, que, aos 70 anos, é cultuado por críticos e escritores
Ele talvez seja o melhor escritor brasileiro do qual você nunca ouviu falar. O mineiro Sebastião Nunes comemorou no mês passado 70 anos de vida e 40 de uma carreira literária da qual poucos tomaram conhecimento, mas que lhe rendeu admiradores como Carlos Drummond de Andrade, Millôr Fernandes e Antonio Candido.
Os três estão entre os leitores fiéis que ao longo dos anos remeteram cheques à casa do autor, em Sabará, para subvencionar as tiragens de poucas centenas de exemplares em que Nunes publicou a maioria das suas obras, combinações inclassificáveis (”já fui acusado até de concretista e de pornográfico”, ironiza) de texto e imagem vendidas pelo correio e editadas em formatos incomuns (uma delas vinha acomodada num pequeno caixão).
Com esses meios modestos de divulgação, ele construiu sua reputação dentro de um círculo reduzido de leitores, do qual fazem parte críticos como Silviano Santiago e Flora Süssekind, e escritores como Sérgio Sant’Anna e Joca Reiners Terron.
Desde a estreia em 1968 com “Última carta da América”, o gosto pela sátira e o tom cáustico lhe valeram também alguns contratempos, com leitores talvez menos esclarecidos, como o governo de Minas Gerais (que recolheu um jornal estatal onde circulava o poema “As rampas do palácio”, reproduzido na página 2). Donos de gráficas se recusaram a publicar um de seus poemas por causa de palavrões.
Três lançamentos recentes permitem que a obra de Sebastião Nunes seja conhecida além do meio em que hoje circula. A editora paulista Altana reeditou no mês passado dois livros dele, “Decálogo da classe média” e “Somos todos assassinos”.
Já a UFMG acaba de mandar para as livrarias “Sebastião Nunes”, de Fabrício Marques, autor de uma tese de doutorado sobre Nunes defendida na UFMG. O livro reúne um estudo crítico, correspondência, entrevistas, um inédito e uma pequena antologia.
O Blog está fervendo, temas polêmicos, paixões, religiões, guerras…
Para fazer um intervalo, deixo aqui uns versos do Romério Rômulo. Por um acaso, poema que ele dedicou a mim
eu faço poesia
porque a vida não basta
e preciso dividir mistérios.
incertos, os marimbondos vazios
me arrastam pela tarde.
o mel da manhã,fel em mim,
entope minhas veias.
quando os solavancos da palavra
vão redimir meu corpo?
quanto de mim é fogo
e terra?
sobram o hiato das pontes,os rios
degenerados. minha manhã dura
só faz o recomeço das coisas.
Não tenho paciência
Para a contemplação.
Cada quadro dessa galeria
Revela a justeza por que caminho,
As asperezas, as doloridas
Coisas, as jamais calejadas mãos,
Os impossíveis desapegos,
As tantas outras impropriedades
Que esqueço.
Não tenho paciência
Para o sono.
A perfídia do leito
Absorve cada hora perdida,
Cada fio de cabelo,
Os princípios e os fins,
As cãibras e
Os tantos sonhos vãos
Que esqueço. Leia mais »
Como você muda de casa, menino.
Veja se sossega em algum lugar.
Minha homenagem à casa nova:
BLOG DO NASSA
Você tem sido um amigo querido
Sem jamais pedir nada em troca
Afasta a tristeza e empresta a mão
Quando a vida parece perder o sentido
Estimula a expelir a palavra engasgada
Empresta olhos e ouvidos
Mesmo sendo a escrita
Alegre ou atravessada.
Ouve o que quer e o que não quer
Dependendo de nosso humor ou ironia
Aceita o chato, o sensível, o alegre, o debochado
Exemplo vivo de cordialidade e democracia
Faz-nos sujeitos ao invés de objetos
Chama, alerta, critica, brinca e elogia
Incentiva-nos a ser agentes da própria história
Sem jamais perder a sensibilidade e a euforia. Leia mais »
Introdutor do jornalismo de serviços e do jornalismo eletrônico no país. Vencedor do Prêmio de Melhor Jornalista de Economia da Imprensa Escrita do site Comunique-se em 2003, 2005 e 2008, em eleição direta da categoria. Prêmio iBest de Melhor Blog de Política, em eleição popular e da Academia iBest.