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18/10/2009 - 13:25

As razões para a politização da mídia

Por Ronaldo Bicalho

O Carlos Castilho colocou em seu blog no Observatório da Imprensa um post (A imprensa entre o “quarto poder” e o “quarto partido”) em que ele pela primeira vez aborda diretamente o tema da politização da imprensa.

Algumas passagens valem a pena serem ressaltadas:

“está ficando cada vez mais claro que os conglomerados empresariais da mídia estão decididos a levar seu esforço de sobrevivência também para o terreno da política institucional, transformando o conceito de “quarto poder” de um poder vigilante para um poder participante, ou seja, um partido político de fato e não de direito.”

“O que se nota é que a estratégia de sobrevivência passa pela politização da imprensa na medida em que esta trata de alavancar seus interesses imediatos por meio da pressão política — seja de forma direta, como é o caso do canal Fox News, seja pela aliança com partidos conservadores, como é o caso da Itália, Venezuela e até mesmo da Inglaterra.”

“No Brasil, a oposição dos grandes jornais e emissoras de televisão ao governo do presidente Lula já ultrapassou os limites da função fiscalizadora que fundamentava a idéia de “quarto poder”. Passou a ser uma estratégia para tentar esticar o mais possível os benefícios estatais à mídia visando ganhar tempo para a reorganização corporativa destinada a manter posições do jogo político na nova realidade digital.”

“Esta é a única explicação possível para a grande imprensa nacional “pegar no pé” de Lula por qualquer motivo, mesmo admitindo que o empresariado nacional não tem queixas maiores do presidente e que o governo do PT deu ao setor privado tudo aquilo que ele queria e muito mais. Não se trata de uma trama golpista, que alguns estigmatizaram na sigla PIG (Partido da Imprensa Golpista), mas de uma ação calculada dentro do jogo do poder.”

“Em sua estratégia de ação partidária para sobreviver à crise estrutural da mídia, a imprensa corre risco de deixar de ser vista como um vigilante “quarto poder” para se transformar num “quarto partido” , tão desacreditado quanto os demais.”

Das afirmações do texto, eu acho que a que mereceria um reparo é aquela em que o autor se esquece de que golpes também são ações calculadas dentro do jogo de poder.

No mais, as questões levantadas pelo Castilho vão ao encontro do que tem sido discutido neste blog e em outros preocupados com a democratização da mídia.

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Comentário

Quando iniciei a série sobre a Veja, das poucas críticas que me afataram foi a do Castilho no Observatório – considerando a série apenas picuinha entre jornalistas. Afetaram porque tenho respeito por sua opinião. Depois, alertado por uma enxurrada de comentários, Castilho teve a dignidade de ler a série e retificar a visão inicial.

Depois, sua própria capacidade de análise o fez chegar às mesmas conclusões expostas na série. De minha parte, apenas confirma a boa impressão que sempre tive de seus escritos.

A tese da politização da mídia como estratégia de negócios visando combater os novos competidores, finalmente, é vitoriosa, dentre os especialistas que se dedicam a analisar o fenômeno.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Mídia Tags: , , ,
16/09/2009 - 08:41

Os dois lados das políticas econômicas

Do Último Segundo

Coluna Econômica – 16/09/2009

Desde o aparecimento da economia como ciência – através de Adam Smith -, e da sistematização da economia política – por Friedrick List – as discussões sobre política econômica passaram a girar em torno de dois eixos, com todas suas variações servindo, no fundo, a jogos de poder que subsistem desde o século 19.

Numa ponta, o capital financeiro, propondo articulações supranacionais, uma espécie de superestrutura de poder organizada em torno dos Bancos Centrais e tendo como pressuposto a “mão invisível” do mercado. O capital financeiro torna-se um fim em si próprio, comandando todo o processo produtivo.

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Coluna Econômica Tags: , , ,
11/07/2009 - 09:37

O poder interno do Senado

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via FoxyTunes Por Nestor Diamantino de Oliveira

Desde pelo menos o tempo do regime militar, o sistema administrativo do Senado viceja e prospera com base em três, digamos, ‘colunas de opinião’. A primeira, composta de senadores espertos e influentes, sempre hábeis para conseguir posição nas sucessivas Mesas Diretoras – ou fazer seus prepostos (como Renan). A segunda é composta pelos servidores efetivos da Casa, a maioria não concursados, defensores de políticas de ‘quero mais’ e absolutamente infensos a qualquer diretriz ou critério de mérito ou avaliação de desempenho funcional. Este grupo tornou-se mais ativo e mais predatório após a ascensão de Zoghbi e Agaciel, servidores medíocres oriundos da gráfica. O terceiro grupo é integrado pelo restante dos senadores, os que compõem o agora chamado ‘baixo clero’, que não se interessa por nada que não seja vantagens para o seu quintal – o gabinete e sua multiplicação de verbas e cargos de confiança por ‘cissiparidade’.

As más línguas dizem que uma quarta coluna é representada pelo batalhão de jornalistas que sempre ocuparam cargos de confiança, antes mesmo da criação do ambicioso sistema de comunicação – tv, rádio, jornal, etc. – mas não vou entrar nessa, por desconhecer os meandros.

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Gestão, Política Tags: , ,
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