06/07/2009 - 07:45
Do Último Segundo
Essa promessa nunca foi cumprida. Pelo contrário, a demora em investir na melhoria da saúde, da educação, em estimular a gestão, a inovação, em investir em infraestrutura – somada a uma valorização artificial do real (tornando os produtos brasileiros caros em relação aos importados) – desestimulou os investimentos produtivos externos no país.
O diferencial entre os juros internos e externos atraiam apenas capitais especulativos, que fugiam do país ao primeiro sinal de crise.
A economia ficou estagnada todos esses anos. Mesmo assim, esse modelo conseguiu uma sobrevida extraordinária. Em parte, devido à manutenção da vulnerabilidade externa. O real valorizado reduziu as exportações, aumentou as importações e tornou o país dependente de recursos externos.
Para fechar as contas, o Banco Central mantinha taxas de juros extraordinariamente elevadas.
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Autor: luisnassif - Categoria(s): Coluna Econômica
Tags: 15 anos, câmbio, Plano Real
01/07/2009 - 10:06
Para os que acham que com Lula ou Fernando Henrique Cardoso a reação à crise internacional seria a mesma.
Leia aqui entrevista da Folha com FHC sobre o Plano Real (clique aqui). A propósito de nada – era para um balanço histórico -, o entrevistador Guilherme Barros pede análises de FHC sobre a política atual de Lula e de Obama.
FHC mostra claramente qual teria sido sua reação à crise: cortes de gastos, arrocho fiscal.
O que comprova claramente o que sempre coloquei em minhas análises: as quatro ou cinco crises que sacudiram o país no seu governo não são álibi, são agravantes. Eram crises nas contas externas. Após a primeira crise, o país deveria ter sido preparado para evitar as seguintes.
Mas, em todas elas, recorria apenas ao receituário fiscal, jamais à solução das contas externas. E aí entram os elementos políticos que abordei em meu “Os Cabeças de Planilha”. Em qualquer circunstância, todas as medidas do governo FHC eram no sentido de preservar os ganhos dos investidores. Ajuste cambial significaria impor perdas a quem trouxe dólares, mas prevenir de maneira definitiva futuras crises. Com as contas externas em ordem, não haveria obstáculos ao crescimento da economia.
Para não penalizar os investidores, não se permitia o ajuste no câmbio. Não havendo, o ajuste nas contas externas só se podia dar via recessão. Aí, toca aumentar o arrocho fiscal (para reduzir o déficit comercial) e as taxas de juros (para manter o fluxo de investimentos externos). O especulador ganhava nas duas pontas. O país perdia em ambas.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Crise
Tags: crise, FHC, fiscalismo, juros, Plano Real
01/07/2009 - 08:28
Do Último Segundo
Com os 15 anos completados hoje, o Plano Real não se firma como o mais bem sucedido plano econômico brasileiro. Foi mais que isso: o mais bem sucedido projeto de controle do Estado, sem intervenção militar nem golpe político de que se tem notícia
Em meu livro “Os Cabeças de Planilha” desenvolvo a tese que exporei na coluna, nos próximos dias, em comemoração ao aniversário do Real. É como um programa político, não econômico, que deve ser analisado.
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Há semelhanças enormes entre o período da redemocratização – chamado de Nova República – e o da Primeira República. O país sai de um modelo conservador, com poucos agentes controlando o Estado. A campanha pela redemocratização vai conquistando adeptos ao longo do caminho. Tomado o poder, ainda não existe uma coordenação entre os novos vitoriosos, um poder hegemônico. Há uma balburdia, já que a única bandeira que os unia a todos era o da redemocratização.
Continua
Autor: luisnassif - Categoria(s): Coluna Econômica
Tags: 15 anos, Plano Real
24/04/2009 - 07:00
Coluna Econômica – 24/04/2009
Nas duas colunas anteriores, abordei a questão da chamada tomada do poder – o sistema de alianças que candidatos a presidente montam com forças econômicas, mídia, outros poderes. Tentei mostrar como as eleições são apenas o ponto final de um sistema de alianças que, se não for bem conduzido, acaba derrubando presidentes. E de como, muitas vezes, essas alianças acabam comprometendo as próprias políticas que poderiam melhorar a situação do país.
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O Plano Real foi o exemplo mais bem sucedido de uma aliança que permitiu a chamada tomada do Estado – mas que acabou jogando fora uma das grandes oportunidades de desenvolvimento do país. Trato da questão em meu livro “Os Cabeças de Planilha”, lançado há dois anos. Leia mais »
Autor: luisnassif - Categoria(s): Coluna Econômica, Economia
Tags: FHC, Plano Real