Recebo do Senador Pedro Simon nota negando que seu filho Tiago Simon tenha sido diretor da Portocred. E identificando a fonte do erro: matéria da própria prefeitura de Porto Alegre que identificou erroneamente Tiago como diretor da financeira.
Do Senador Pedro Simon
Meu prezado Luís Nassif,
Como milhares de brasileiros, aprendi a admirar teu trabalho como jornalista talentoso, repórter aguçado e profissional sério e respeitável.
Isso fica claro, mais uma vez, no primeiro parágrafo de tua coluna de hoje – Os Simon e a Portocred -, que me diz respeito, e que começa com uma expressão de cautela e rigor jornalístico: “Todo cuidado é pouco…”. Você justifica o uso de alguns links com informações iniciais que permitam ampliar a investigação, com uma ressalva perfeita: “Sem pré-julgamentos, nem conclusões definitivas”.
Baseado nisso, tomo a iniciativa de mandar estes esclarecimentos, para te recolocar no caminho do bom jornalismo, que um link equivocado e uma informação errada comprometeram de forma dramática e penosa, para mim e para meu filho.
Aos fatos:
1. Tiago Simon, como diz minha nota de esclarecimento, participou de fato da Portosol , uma OSCIP de microcrédito formada pelo Governo do Estado e pela Prefeitura de Porto Alegre. Dirigiu seu conselho de administração, entre 2006 e 2008, como representante do governo estadual, na condição então de diretor do Departamento de Desenvolvimento Empresarial da SEDAI (Secretaria do Desenvolvimento e dos Assuntos Internacionais). Deixou o cargo voluntariamente em novembro de 2008, diante da assinatura iminente de um convênio entre a Portosol e o Ministério do Trabalho, o que poderia causar algum desconforto meu em relação ao Governo Federal, na minha condição de Senador que, embora integrante do PMDB, preza por sua independência.
2. Tiago Simon já não trabalha, ao contrário do que está dito em sua nota, para o Governo do Estado. Pediu exoneração no início do ano do cargo de diretor para se dedicar à iniciativa privada. Atendendo apelo do secretário Márcio Biolchi para que permanecesse no cargo até a chegada do substituto, foi enfim exonerado, a pedido, em 14 de julho passado, ato publicado no Diário Oficial no último dia 30. Por equívoco, seu nome ainda constava, até hoje, da relação de funcionários no site oficial da Secretaria, erro que deverá ser corrigido nas próximas horas.
3. O erro mais grave da sua nota, que induz aos subseqüentes, parte desta frase no quarto parágrafo: “Os problemas dos Simon estão relacionados com a Portocred, financeira”. Não há problemas porque Tiago simplesmente nunca trabalhou na Portocred, nem teve qualquer relação ou negócio com ela.
4. A origem do erro está claramente identificada em sua nota, que chama para a matéria de 4 de setembro de 2006, que mostra o lançamento do programa de microcrédito pelo prefeito José Fogaça, de Porto Alegre. A base da notícia é o site da Prefeitura da Capital, sob responsabilidade da Comunicação Social do prefeito. No segundo parágrafo, informa corretamente que, entre os representantes que firmaram o documento, estavam os da Portosol. No sexto parágrafo, onde se relacionam as autoridades presentes, lá está o nome de meu filho, Tiago Simon, identificado erradamente como “diretor da Portocred”. Essa entidade nunca fez parte daquele convênio e, na verdade, Tiago ali estava como diretor da Portosol. O autor do texto, por alguma razão, confundiu as siglas.
5. A partir deste grave erro de origem, montou-se um raciocínio absolutamente distorcido, juntando o nome da Portocred ao sobrenome Simon. É fato público e publicado que a Portocred foi alvo de investigação da Polícia Federal e seus diretores condenados à prisão. O nome de Tiago Simon não está entre eles, como registra sua nota, pela simples razão de nunca ter integrado os quadros da Portocred.
6. Os fatos comprovados, na conclusão de sua nota, partem assim de uma grave e equivocada premissa: “Tiago Simon foi diretor da Portocred”. Não foi, nunca foi. Assim, Tiago Simon não tem qualquer responsabilidade, direta ou indireta, sobre quaisquer condutas praticadas por diretores que ele não conhece, de uma empresa que nunca integrou.
7. É por esta singela razão, meu caro Nassif, que chegamos à natural conclusão de sua nota, no penúltimo parágrafo: “Não consegui nenhum descrição mais detalhada sobre a atuação de Tiago Simon na financeira. E ele não está entre aqueles considerados culpados pela Justiça”. Não conseguiu, Nassif, nem conseguirá, já que Tiago Simon jamais ali atuou. E, por conseqüência, não está, não esteve e nunca estará entre os culpados perante a Justiça.
Sabedor de seu apreço pela verdade e pelo bom jornalismo, Nassif, sei que saberás dar o devido destaque a este reparo dos fatos, que precisam ser resgatados para compensar os males sempre inevitáveis de uma informação errada e, por isso, injusta.
Será que fui o único a ver a ’saia justa’ da jornalista Monica Waldvolgel, ontem, 04/07, no programa Entre Aspas?
Entre os convidados, no programa ao vivo, o senador Pedro Simon. Lá pelo 06:20, Pedro Simon começa a falar sobre a compra de passagens aérias (no esquema da Câmara)pelo ministro do STF, Gilmar Mendes.
Rapidamente, a jornalista corta o senador… Mais tarde, o próprio Gilmar Mendes, liga ao vivo, no programa pedindo explicações ao senador. Foi triste ver o senador se justificando.
É impressionante o grau de engajamento da Globonews e da Mônica. Só critica a mídia quem é desinformado, segundo a Mônica.
O sociólogo convidado foi o único que ousou análises mais aprofundadas sobre o modelo político, sobre a não fulanização, sobre a governabilidade. Cada vez que começava sua análise, era interrompido pela Mônica e pelos demais, impedido de completar seu raciocínio.
Por weden
A Globo News está passando por um intenso processo de adestramento jornalístico
Já tinha comentado aqui sobre o caso da censura de Claudio Abramo (Globo News Painel). No blog dele, ele deu uma nota sobre o meu comentário – como se não acreditasse na censura. Mas não é bobo e relatou o que foi cortado.
Foi cortado o trecho em que dizia que o governo Lula tinha avançado alguns pontos contra a corrupção, e que FHC tinha enfrentado problemas parecidos.
Todo cuidado é pouco na análise desses fatos que descrevo a seguir. Passo os links com algumas informações iniciais, para que os comentaristas ajudem a ampliar o espectro da investigação. Mas sem pré-julgamentos nem conclusões definitivas.
Clique aqui para conferir nota de Pedro Simon mostrando que Tiago Simon é seu filho e defendendo sua participação na ONG Portosol – que faz um trabalho meritório, como informou o Prandini.
Tiago Simon é diretor do Departamento de Desenvolvimento Empresarial da Sedai (Secretaria do Desenvolvimento e dos Assuntos Internacionais) do governo gaúcho (clique aqui).
Os problemas dos Simon estão relacionados com Portocred, financeira.
Clique aqui para ir a matéria de 4 de setembro 2006, que mostra o prefeito José Fogaça lançando o programa de microcrédito da Prefeitura de Porto Alegre.
Um dia após o bate-boca com Fernando Collor (PTB-AL), o senador Pedro Simon (PMDB-RS) disse ontem que teve medo da reação do ex-presidente.
“Saía fogo dos olhos dele [Collor]. Me veio a imagem do pai dele no plenário do Senado. A diferença é que o pai dele errou o tiro. No meu caso, eu estava na linha direta”, disse.
A referência é a um episódio envolvendo o pai de Collor, Arnon de Mello, que foi senador por Alagoas nos anos 60. Em 1963, no plenário do Senado, ele matou a tiros, por engano, o senador José Kairala (AC), na tentativa de acertar um adversário, Silvestre Monteiro.
O presidente Lula conversou ontem à noite com Collor e, depois, com o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). Ambos foram convocados pela assessoria presidencial a comparecer ao CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), sede provisória do governo. Temer disse que falou com Lula sobre conjuntura política e que o presidente segue apoiando Sarney.
Comentário
À esquerda, o senador Pedro Simon enfrentando os vampiros, na cena de “A Casa do Espanto”, com ar apavorado.
À direita, o ator Roddy McDowall, do filme “A Hora do Espanto”, no qual faz o papel de um velho ator assustado que resolve enfrentar vampiros, armado de sua grande arma, o martelo e a estaca de madeira.
“Casa do Espanto”, “Hora do Espanto”, Simon, Roddy, são tão parecidos que acho que troquei as bolas.
À esquerda é o ator Roddy, sem sua estaca de madeira; à direita o ator Simon depois que recuperou sua sua estaca de celulose. Ambos têm em comum o medo de vampiros e o pânico imobilizador.
Nassif, essa é do site RS URGENTE aqui do RS, editado por Marco Weissheimer,sobre Política, Economia, Cultura & Outras Amenidades
” A vergonha do senador Pedro Simon
Jul 14th, 2009 by Marco Aurélio Weissheimer.
Cena 1: Brasília: O presidente do Senado, José Sarney (PMDB), é alvo de uma série de denúncias. O Ministério Público Federal abre um processo para investigar o uso de dinheiro público pela Fundação José Sarney. Vários senadores pedem o afastamento de Sarney, entre eles o gaúcho Pedro Simon, companheiro de partido de Sarney. Enfático, Simon declara:
- Perdemos toda a credibilidade. O presidente Sarney tem de ter a grandeza de renunciar à presidência do Senado. Tenho vergonha. Estou pensando em ir para casa.
Cena 2: Porto Alegre: O governo Yeda Crusius (PSDB) é alvo de uma série de denúncias. O Ministério Público Federal, além de outras instituições, investiga o envolvimento de integrantes do governo em crimes como desvio de dinheiro público e fraude em licitações. A oposição defende a instalação de uma CPI na Assembléia para investigar as denúncias. O senador Pedro Simon é contra. Diz que a investigação do Ministério Público já é suficiente, argumento que deixa na gaveta no caso das denúncias no Senado.
Cena 3: Porto Alegre e Brasília: O secretário geral do PMDB gaúcho, presidente da Fundação Ulysses Guimarães e deputado federal Eliseu Padilha, é alvo de uma série de denúncias envolvendo desvio de recursos públicos e fraudes em licitações. Está sendo investigado pelo Ministério Público Federal e outras instituições. O senador Pedro Simon não pede o afastamento de Padilha de cargo algum. O senador Pedro Simon, aliás, não fala qualquer coisa sobre as denúncias contra Padilha.
O senador Simon está com vergonha e pensa em voltar para Porto Alegre. Aqui ele poderá viver sem vergonha, orgulhoso de seus aliados e do governo que apóia e ajuda a sustentar no Estado.”
Precisa dizer mais ? Eu também estou envergonhado.
Os telespectadores do “Roda Viva” de segunda-feira passada puderam assistir o testemunho de um brasileiro ilustre, o senador Pedro Simon, o grande Catão da República. Não se espere do senador formulações sobre o novo país ou propostas que ajudem a superar a crise. Seu papel é o de ser o homem moral. Ele tem no cérebro um botão que, devidamente acionado, resulta invariavelmente em reações morais previsíveis, nem sempre pelo bem do país, nem sempre pelo mal, mas invariavelmente pela moral.
Por ser homem de julgamentos morais, como líder do Senado no governo Itamar, Simon avalizou o mais nefasto processo de abertura econômica do país, seis meses onde se misturaram câmbio apreciado, na saída do Real, e abertura indiscriminada das importações, no curto período Ciro Gomes. Leia mais »
Introdutor do jornalismo de serviços e do jornalismo eletrônico no país. Vencedor do Prêmio de Melhor Jornalista de Economia da Imprensa Escrita do site Comunique-se em 2003, 2005 e 2008, em eleição direta da categoria. Prêmio iBest de Melhor Blog de Política, em eleição popular e da Academia iBest.