Leia a matéria abaixo. Fala sobre a recuperação da audiência das novelas da Globo.
Ocorreram alguns fatos no período entre a queda e a recuperação. Um deles, particularmente, não foi divulgado nem pelo IBOPE nem pela Globo. Houve um avanço significativo no uso de televisão para games. A cada dia, mais aparelhos estão ligados nos joguinhos, em vez da televisão. Com essa revoada para games e Internet, caiu o percentual de telespectadores ligados nas emissoras – e, obviamente, o percentual ligado nas novelas da Globo.
Foi providenciada uma mudança de critérios, com o IBOPE deixando de computar os aparelhos ligados em games.
Se for só isso, é uma decisão tecnicamente correta: aparelho ligado em game deve ser considerado aparelho desligado para a TV aberta.
Quem souber de mais dados sobre essas tecnicalidades, ajudará a enriquecer o debate. Como pouco se discute a perna central da concentração de verbas publicitárias no país – as medições do IBOPE – toda informação será bem vinda.
A Globo vive bom momento quanto à audiência de suas novelas. Dois de seus três principais produtos da teledramaturgia atual, “Paraíso” e “Caras e Bocas”, bateram recorde de audiência na noite desta terça-feira, 28.
Marilda anda desconfiada da traição do marido e decide contratar um detetive particular para investigar se seu companheiro, um bem-sucedido empresário do ramo de confecções, anda tendo um caso amoroso com uma socialite da cidade. O suposto triângulo amoroso faz parte do enredo da rádio-novela Não escuta que eu grampo, que será levada ao ar pela Rádio Justiça, do Supremo Tribunal Federal (STF) (continua)
Voltei a assistir novelas. Essa “Caminho das Índias” tem umas coisas esquisitas, como o Lima Duarte falando que nem o mestre Kung Fu, e os indianos dançando em todos os capítulos. Alguém espirra, toca os indianos a levantar e dançar. Tocou o telefone? Levantam e dançam.
Mesmo assim – e que opina é o telespectador, não o especialista – tem subtramas muito interessantes e a direção de atores é excepcional – o José de Abreu pode falar melhor.
Na novela anterior era uma gritaria de dar medo. Todo mundo gritava toda hora. Na nova novela, não. Os atores mais experimentados têm tido belíssimas interpretações, como o Zé, o Toni Ramos, Stênio Garcia, o veteraníssimo Elias Gleizer (que era ator da Tupi), a Laura Cardoso, nossa eterna tia irascível.
Mas não apenas eles.
Os dois irmãos brasileiros são excepcionais, tanto o durão, Humberto Martins, quanto o frágil, Alexandre Borges – o durão atropelando o mundo, em defesa da família; e o vulnerável, bonzinho cometendo toda sorte de vilanias, fruto da fraqueza. Belíssimas interpretações e belíssima trama.
As duas tramas de amor (o triângulo Raj (Rodrigo Lombardi), a carioca linda (Tania Khalil) e a Juliana Paes) e a Juliana e o outro pretendente, Márcio Garcia, tem a qualidade dos autênticos folhetins. Debora Bloch faz uma mulher rejeitada da maior dignidade e a belíssima Letícia Sabatella uma vilã sutil nas expressões.
O casal de irmãos é simpaticíssimo. A irmã, Marjorie Stiano, faz uma mocinha desajeitada inesquecível. O irmão, Murilo, Caco Cioccler, tem o perfil do nosso melhor e mais leal amigo. O herdeiro, que ficou louquinho, Bruno Gagliasso, tem uma interpretação soberba, intensa na medida certa. Por favor, me ajudem com os nomes.
Se fosse continuar descrevendo os atores, não iria parar mais e aumentaria o fora de não saber o nome de todos, nem encontrar facilmente no site da novela.
Por José de Abreu
LN
Claro que tenho senso crítico… e não tenho medo do ridículo.
E cada vez mais compreendo a função social da novela no imaginário brasileiro. E o papel que a Globo tem nisso. Eu sei exatamente onde trabalho, como estou lá e porque, e creio que sou privilegiado por poder exercer minha profissão numa empresa como a Globo. Talvez em nenhuma outra empresa do Brasil eu poderia ter tanta liberdade de agir, de pensar, de atuar, como tenho tido nesses meus 30 anos de Globo. E olha que não diminuí num milímetro minhas exigências com a qualidade artística e com meu comportamento crítico. Sou chato pra caramba e falo TUDO o que me vem à cabeça, como os frequentadores desse portal sabem. A Globo – ao lado de tudo que se pode falar em termos políticos – foi a primeira empresa que deu valor ao artista brasileiro. Nunca atrasou um dia no pagamento dos salários, levou para lá a maioria dos roteiristas, diretores e atores que durante a ditadura não podiam trabalhar por causa da censura. E montou uma estrutura de entretenimento com as melhores cabeças do Brasil. Tem o outro lado também, eu sei, todo mundo sabe. Mas nunca tive, nem soube que alguém teve, qualquer censura interna por depoimentos, comportamento e até envolvimento em política partidária na parte artística da emissora, que é onde trabalho. Inclusive na eleição de 89 quase cem por cento dos atores contratados fazia campanha para o Lula, ao mesmo tempo que aconteceu o caso da edição do debate entre ele e o Collo. Nenhuma crítica, nenhuma bronca, nenhum muxoxo, nada. Cada artista pensa e age como quer, desde que chegue na hora de gravar e com seu texto decorado. O que lhe passa na cabeça ninguém quer saber. Nunca se ouve falar absolutamente nada de censura interna com os funcionários do Projac, sede da Central Globo de Produção, a CGP, onde passo a maior parte de minha vida, com muito prazer. Leia mais »
Liberado provisoriamente de trabalhar à noite, voltei a assistir novelas.
Não sei se é implicância minha, mas fiquei chocado com a queda de nível da teledramaturgia nacional, em relação ao período em que assistia novelas.
Esse “Caminho das índias” consegue ser mais caricato que a novela anterior. Uma constelação de atores de primeira grandeza – Lima Duarte, Tony Ramos, José Abreu, Flávio Migliaccio -, alguns rostos belíssimos – como é linda essa Letícia Sabatella -, e abertura cafona, cenas improváveis, falta de naturalidade, direção de atores desleixada, até para simular bailinhos de carnaval (acho que o bailinho foi na novela das 7). Ah, e uma vilã linda e totalmente dissimulada, para repetir a fórmula da novela anterior.
Outro dia, a Ruiva vislumbrou um sorriso irônico em um desses super-atores, enquanto recitava uma dessas frases de terceira linha.
Até algum tempo atrás, nosso orgulho era a teledramaturgia brasileira, especificamente as novelas da Globo, com o apuro nos roteiros, na direção de atores, nas aberturas inesquecíveis. Olhávamos o México com desdém. Hoje, não mais.
Mas que dá certo, dá. Tanto que as menininhas, nas férias, deixaram de lado os desenhos do SBT e dos canais a cabo, os programas infanto-juvenis, pela novela.
Aliás, Patrícia Pillar heroína absoluta. No final da novela, quando a personagem de Cláudia Raia gritou para a personagem da Patrícia: “Ninguém gosta de você!”, as duas saltaram do sofá e gritaram ao mesmo tempo: “Nós gostamos”. Leia mais »
Um estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) sugere uma ligação entre as populares novelas da TV Globo e um aumento no número de divórcios no Brasil nas últimas décadas. Leia mais »
Cacá – Minha avó lê jornais e contou para mim. Vai ser assim. Quando eram pequenas, a Flora e a Donatela brigaram por causa de uma boneca. A Flora rasgou a boneca porque ela não queria que a Donatela ficasse com nada. Aí, a Donatela vai mostrar a boneca para ela e a Flora vai ficar tão louca que vai confessar tudo, tudo.
Dodó – Duvido, Cacá! Duvido que a Flora seja tão burra assim.
O pai-avô – Não duvide de mais nada nessa novela.
Eu tinha acabado de ser informado que as duas moças eram integrantes de uma dupla sertaneja que cantava “Beijinho Doce”. E que a Flora resolveu matar a Donatela porque a dupla foi desfeita.
Introdutor do jornalismo de serviços e do jornalismo eletrônico no país. Vencedor do Prêmio de Melhor Jornalista de Economia da Imprensa Escrita do site Comunique-se em 2003, 2005 e 2008, em eleição direta da categoria. Prêmio iBest de Melhor Blog de Política, em eleição popular e da Academia iBest.