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21/01/2009 - 21:39

A crise da música erudita paulista

Da Folha Online

Maestro John Neschling é demitido da Osesp

O maestro John Neschling foi demitido ontem da Osesp, a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. No ano passado, depois de intensa pressão do governador José Serra, que queria tirá-lo do cargo, Neschling comunicou ao conselho da Fundação Osesp que não renovaria seu con­trato. Na ocasião, no entanto, fi­cou combinado que o maestro permaneceria à frente da Osesp até o fim de 2010, como previa seu contrato. A situação, no entanto, ficou insustentável. Neschling, que chegou a chamar Serra de “menino mimado” e “autoritário” logo no começo do governo, continuou a dar entrevistas espinafrando com o governador e com o secretário da Cultura, João Sayad, mesmo depois de ter sua saída definida. A gota d’água foram as críticas que ele vinha fazendo publicamente à decisão do conselho de formar um comitê para a escolha de seu sucessor. Neschling foi comunicado oficialmente hoje.

Comentário

Pelo menos no campo da música erudita, a gestão Serra está procedendo a um desmonte cultural em São Paulo. E conseguiu colocar contra si maioria esmagadora da comunidade da música erudita.

Dia desses conversava com velho colega da Escola de Comunicações e Artes da USP. Quando a Universidade Livre de Música Tom Jobim conseguiu se reestruturar – me disse ele – ficou bem à frente da Escola Municipal de Música. Em seguida, houve uma reação da Escola, estabelecendo-se uma competição virtuosa. Percebia-se isso pelo nível dos alunos que passavam no vestibular da USP.

Quando a OSESP (Orquestra Sinfônica de São Paulo) explodiu, continuou, os alunos passaram a estudar quatro horas diárias, porque havia perspectiva pela frente, de uma orquestra de padrão internacional.

Segundo ele – que está desde os anos 70 no setor – jamais a música erudita de São Paulo experimentou salto igual. Ele endossa muitas das críticas feitas ao maestro Nescheling, de temperamento difícil, personalismo. Mas o fato concreto, me dizia ele, é que colocou a música erudita de São Paulo no mapa do mundo. E não se pensou nisso quando se decidiu por seu afastamento.

O primeiro baque foi a destituição da OSCIP responsável pela Universidade Livre de Música e a divisão da ULM por outras entidades. Agora, a destituição de Neschling.

Gosto do Sayad, fui membro do Conselho da ULM, mas sem ter uma participação mais ativa, pedi demissão quando senti a guerra da Secretaria com a OSCIP, a seu pedido passei dicas e idéias para membros da sua equipe.

Mas tenho a impressão que meteu os pés pelas mãos. Era até compreensível que não se quisesse um vice-rei à frente da OSESP. Mas o voluntarismo de Serra ajudou a acelerar esse desmonte.

Trecho da carta de demissão, assinada por Fernando Henrique Cardoso:

Por LPorto

O que fizeram com o maestro é anti ético, fora o desrespeito com o grande profissional..

Link da entrevista, estopim para a demissão, segundo o presidente do conselho Fernando Henrique. Clique aqui.

É claro que o maestro não deu esta entrevista a toa.

Ele veio responder a esta, que o Presidente do conselho não comentou na carta de demissão. Clique aqui.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Cultura, Erudita Brasileira, Música Tags: , , ,
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