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04/01/2009 - 20:00

Trivial do romance da floresta

Murilo Carvalho é amigo de adolescência, em Poços de Caldas. Substituiu o José Roberto da Silva (escritor cujo livro mencionei aqui) na Secretaria de Comunicação do Grupo Gente Nova (GGN). Depois, coube a mim substituí-lo. na Secretaria. Anos depois, ao Zé Grandão substituí-lo como melhor contador de “causos” de Poços e região – Murilo já estava em São Paulo, participando da invasão do 11 de Agosto.

Esse jeito de contar histórias revelou cedo um contista. Com 15 ou 16 anos já tinha sua pastinha com contos escritos em cima de seus “causos”.

Murilo seguiu inicialmente a carreira de publicitário. Em 1974 venceu o famosíssimo Concurso de Contos de Curitiba – o mais importante do gênero, da época. Depois, largou a publicidade, foi para o jornal O Movimento e, durante bom tempo, foi o titular de “Cenas Brasileiras”, uma página com histórias do interior do país.

Depois, passou a se dedicar a documentários sobre a agricultura e o interior e se distanciou da literatura.

Voltou agora em grande estilo, vencendo o Prêmio Leya de Literatura, na Alemanha, criado para premiar autores que estimulem a difusão da língua portuguesa no mundo. O romance vitorioso é “O Rastro do Jaguar”.

Aqui, a nota do dia da premiação:

Lisboa, 14 Out (Lusa) – O vencedor da 1ª edição do Prémio Leya é o brasileiro Murilo António Carvalho, autor do romance “O Rasto do Jaguar”, anunciou hoje o presidente do júri, Manuel Alegre.

No valor de 100 mil euros, o prémio destina-se a distinguir um romance inédito escrito em língua portuguesa.

O prémio foi atribuído por um júri multinacional composto, em representação de Portugal, pelos escritores Manuel Alegre e Nuno Júdice e pelo professor universitário da Faculdade de Letras de Coimbra José Carlos Seabra Pereira.

Integraram igualmente o júri o escritor Pepetela, em representação de Angola, Lourenço do Rosário, reitor do ISPU de Maputo, de Moçambique, e do Brasil, o escritor e jornalista Carlos Heitor Cony e Rita Chaves, crítica literária e professora da Universidade de São Paulo.

Depois de seleccionadas 10 obras de um total de 422 candidaturas recebidas pela Leya, o júri reuniu-se segunda-feira e hoje para tomar a decisão final.

Às vezes, quando nos reunimos em Poços, os da jovem guarda acham que há exagero nas nossas histórias, em como Poços dos anos 60 estava imerso em um clima cultural inédito para uma cidade do interior.

Não chegamos a ser uma Cataguazes. Mas fornecemos bons quadros para as letras e o jornalismo brasileiro.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Cultura Tags: , ,
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