A paz no Oriente, segundo Garcia
Da Folha
Marco Aurélio Garcia: A paz desejável – 26/11/2009
Quem governa um Brasil, ou quer governar, sabe que há temas de política externa que não podem ser objeto de oportunismo eleitoral
NO ESPAÇO de duas semanas, o Brasil recebeu as visitas dos presidentes de Israel, da Autoridade Palestina e do Irã. Não é ocasional a presença em nosso país de três atores-chave do conflito que há décadas infelicita o Oriente Médio.
Os três governantes -cada um a sua maneira- viram na diplomacia brasileira, especialmente no presidente Lula, uma possibilidade de, por meio do diálogo, avançar no caminho de uma solução negociada para um conflito que transcende a dimensão puramente regional. Ele ameaça a paz no mundo.
Essa é também a percepção de muitos líderes mundiais. O presidente norte-americano, Barack Obama, nas conversações mantidas com Lula e em recentíssima carta a ele enviada, reitera o papel que o Brasil poderá ter na busca de uma solução de paz para o Oriente Médio -aí incluindo suas conversas com o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.
Mas essa não é a percepção de quem defende uma política externa minimalista, para não dizer subserviente. Nela, as grandes potências se ocupariam dos grandes temas enquanto os demais países se ocupariam do resto. Assuntos como esse não poderiam ser tratados pelos “vira-latas” aos quais se referia Nelson Rodrigues ao analisar o comportamento de certos brasileiros, vítimas de complexo de inferioridade.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Diplomacia Tags: Marco Aurélio Garcia, Shimon Peres
