O Keynes japones e o militarismo do pré-guerra
Nesses tempos de análise comparativa com a crise de 1929 – e com o período que a precedeu – não me lembro de ter lido nos jornais sobre o Ministro da Fazenda japonês Korekyo Takahashi.
Enquanto Estados Unidos e Inglaterra quedavam, presos à ortodoxia suicida que aprofundou a crise, em 1931 Takashi foi indicado pelo Imperador para formar o novo gabinete. Imediatamente saiu a campo, convocou as empresas japonesas e saiu mundo afora abrindo mercado para os produtos japoneses. Em dois anos, 25% da produção industrial japonesa estava sendo vendida para os novos mercados.
Vendo a economia desabar, Takashi também esqueceu equilíbrio orçamentário, conseguiu empréstimos com banqueiros conhecidos e financiou um vasto programa de obras públicas, gastos militares e transporte marítimo.
Antes disso, Takashi foi Ministro da Agricultura, com rara preocupação social para aqueles tempos e ponto de contato do Japão com o sistema financeiro ocidental.
Segundo alguns biógrafos, em 1929 antecipou alguns dos princípios que Lord Keynes desenvolveria em seguida.
Autodidata, traduziu o livro “The Pure Theory of Modern Trade”, de Alfred Marshall. E – importante – descobriu que o Japão só se tornaria uma economia relevante se tivesse um povo rico e um exército forte, mas que não escapasse do controle. A política econômica, segundo Takashi, deveria ser para a população em geral.
Em um ano o Japão saiu da crise. Mas o Exército saiu do controle. Pouco tempo depois, Takashi foi assassinado, depois que tentou conter os gastos militares.
Que tal nossos especialistas desenvolverem um pouco mais sobre o Keynes japonês.
Aqui, nota do jornal ABC, da Espanha, de 12 de dezembro de 1931:
Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags: guerra, Japão, Keynes, Korekyo Takahashi

