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22/09/2009 - 11:49

O gerador de lero-lero

Por Jorge Furtado

FILOSOFIA ESTOU COM SORTE

“A montagem de uma falácia”, texto de Maria Sylvia de Carvalho Franco, professora titular dos Departamentos de Filosofia da Unicamp e da USP, publicado no jornal “O Estado de São Paulo” no último domingo (1), contestando a idéia proferida pelo senador José Sarney de que a imprensa não representa o povo, me fez pensar sobre o poder da filosofia.

De fato, em Filosofia está sempre presente um homem (=sujeito humano) que se esforça por compreender e produzir uma interpretação (=leitura) da realidade que está diante de si, seja ela humana ou natural. Na realidade, o ponto de partida da filosofia são problemas e não textos. Tamanho poder até assusta. As interpretações comumente aceitas pelo homem constituem inicialmente o embasamento de todo o conhecimento.

Essas interpretações foram adquiridas, enriquecidas e repassadas de geração em geração. Informações correm e voltam e morrem na praia, mas de alguma forma, chegam.

O conceito da Falácia Narrativa foi (até onde sei) introduzido por Nassim Nicholas Taleb (2) e pode ser descrito como uma tendência que temos de construir narrativas que se conformem a fatos observados. Frequentemente, essas histórias correspondem a uma simplificação exagerada da cadeia de causas e efeitos que está por trás dos eventos históricos (no significado mais amplo do termo). Trata-se de uma característica aparentemente inofensiva, fruto da nossa tendência a racionalizar os eventos do mundo.

A partir da Filosofia surge a Ciência, pois o Homem reorganiza as inquietações que assolam o campo das idéias e utiliza-se de experimentos para interagir com a sua própria realidade. Ocorreram inicialmente através da observação dos fenômenos naturais e sofreram influência das relações humanas estabelecidas até a formação da sociedade, isto em conformidade com os padrões de comportamentos éticos ou morais tidos como aceitáveis em determinada época por um determinado grupo ou determinada relação humana.

Eu escrevi o primeiro parágrafo deste texto. Os três parágrafos seguintes foram compostos por frases escolhidas aleatoriamente em dez diferentes páginas da internet, via Google. Escrevi a palavra “filosofia” seguida de um número qualquer (77, 98, 145), cliquei em “estou com sorte”, entrei no primeiro texto disponível na página e escolhi uma frase qualquer, geralmente a primeira ou segunda frase do texto. Juntei tudo e pronto, virou este texto aí de cima, que não quer dizer absolutamente nada, mas tem seus momentos de brilho.

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags: ,
31/05/2009 - 18:36

Livros didáticos e moralismo

Por Jorge Furtado

Não engulo esta onda moralista sobre a suposta “pornografia” dos textos dos livros didáticos paulistas. Já li um abobado chamando Manoel de Barros de pornográfico, cruzes.

Episódio semelhante aconteceu em Porto Alegre, na primeira prefeitura petista, que apoiou a publicação de uma excelente revista em quadrinhos (Dum-Dum) e levou pau da direita que julgava a revista indecente.

Agora é a esquerda que bate em Serra por causa de uma frase de um poema de um livro “não ame, estupre”. Não li o livro mas me parece que o contexto da frase era o da ironia. Frases pinçadas de Hamlet ou Macbeth podem parecem pornografia ou incitação ao crime.

Este discurso moralista é assustador, é o que a esquerda tem de pior.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Eleições, Política Tags: , ,
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