Vai começar a temporada de limpeza étnica no sul do Líbano.
A direita israelense, já mostra a que veio. Notem na matéria abaixo do Terra: Primeiro Israel provoca, para conseguir o pretexto para BOMBARDEAR o Sul do Líbano. : “ antes do lançamento do foguete, a Aviação israelense tinha sobrevoado intensamente as regiões de Bint Jbeil, Marj’uyun e Hasbaya, enquanto vários helicópteros fizeram o mesmo sobre a região das Fazendas de Chebaa, todas no sul do Líbano.
A extrema direita israelense tinha dado um tempo para Obama. Agora, já mostra a costumeira truculência irreprimível dos falcões de Netanyahu.
Israel bombardeia sul do Líbano após lançamento de foguete
Nassif, olha essa reportagem do El País sobre a última guerra em Gaza, com depoimentos de combatentes israelenses. Chocante como a escuridão é mais persistente que a luz.
Mesmo com cabeçadas inevitáveis – como na questão dos bônus para os executivos da AIG – Barack Obama avança para descontruir todo o legado da era Bush.
Na área internacional, sua mensagem ao Irã, enfatizando a “República Islâmica do Irã”, liquida com as bandeiras de Bush, de fazer o mundo inteiro se curvar aos valores do modelo americano de democracia.
Também sinaliza que acabou a era de endosso integral ao belicismo de Israel.
É cedo para se falar em um acordo que permita a paz duradoura na região. Mas pelo menos se terá alguns anos pela frente, sem massacres e com menos terrorismo.
A correção é importante: a escola da ONU não era um alvo deliberado do exército de Israel. Mas não há como negar que os mais de 40 alunos mortos foram alvejados durante os confrontos Gaza, e saber as circunstâncias em que isto aconteceu me parece fundamental. Abaixo, uma reportagem da AP sobre a história: clique aqui.
Comentário
A matéria narra as manobras feitas por Israel para descaracterizar os crimes. Confirma a morte das 42 pessoas perto da escola, o episódio de confinar 110 civis em um armazém e executar 30, o uso de fósforo branco. E os argumentos do Exército israelense, sempre alegando que visava soldados do Hamas e não civis.
Uma boa matéria de Marcelo Ninio, enviado especial da Folha a Israel, descrevendo o racha entre Gideon Levy, o jornalista que se projetou mundialmente como símbolo do humanismo – afinal, combateu o massacre de Gaza atuando em Israel – e o escritor A. B. Yehoshua, pacifista que defendeu a guerra.
Tribunal belga pede prisão de Livni na chegada a Bruxelas. (Folha Online)
Ministra das Relações Exteriores, Tzipi Livni, poderá ser presa durante encontro da UE em Bruxelas na tarde desta quarta-feira
Um tribunal da Bélgica pediu nesta quarta-feira que a ministra de Relações Exteriores de Israel, Tzipi Livni, seja presa ao chegar a Bruxelas, na tarde desta quarta-feira, informou o site do jornal israelense “Haaretz”. O motivo da prisão seriam os supostos crimes de guerra cometidos por seu Estado durante a ofensiva na faixa de Gaza, que terminou domingo (18). Leia mais »
19 de janeiro de 2009 • 18h08 • atualizado em 19 de janeiro de 2009 às 18h45
Pela primeira vez desde o início da operação militar israelense em Gaza, e após as reiteradas queixas de organizações de direitos humanos, fontes militares reconheceram nesta segunda-feira a um jornal israelense que foi utilizada bombas de fósforo branco na região palestina.
A edição eletrônica do Maariv informa que o Ministério da Defesa informou que está realizando uma investigação conjunta com o Comando Sul do Exército e a Promotoria militar para estudar como foi utilizada essa munição durante a ofensiva na Faixa de Gaza.
Durante e depois desta intervenção, palestinos e organizações humanitárias denunciaram que Israel tinha usado bombas de fósforo branco em áreas povoadas da faixa palestina.
A organização Anistia Internacional a partir de sua sede em Londres revelou hoje em comunicado que tem em seu poder provas sólidas de que Israel utilizou estas bombas, cujo uso está proibido em zonas povoadas segundo os convenções internacionais.
O Exército israelense, acrescenta o jornal, abriu uma investigação, após a denúncia desta organização, e sustenta que empregou projéteis de artilharia com fósforo para criar cortinas de fumaça, e que seu conteúdo são telas impregnadas com essa substância.
As organizações de direitos humanos denunciaram que o fósforo disparado sobre Gaza se espalhou em muitos casos já no solo e não no ar, como sustentam as Forças Armadas.
O Ministério da Defesa de Israel reconheceu a utilização de munição de fósforo, embora esclareça que seu uso foi legal.
Esse episódio da Palestina é extremamente interessante porque nos dá uma certa oportunidade de analisar o fenômeno do sionismo (logo, logo, a janela vai se fechar) – E é bom diferenciar o sionismo da “herança judaica” – Herança judaica, ou seja, ter um ascendente que eventualmente tenha seguido as “práticas sionistas”, é provavelmente um atributo comum a uns 40%, 50% dos brasileiros, por exemplo.
O sionismo é uma doutrina que usa da “herança genética” – ficta ou não – como fator de coesão entre os seus adeptos. Fatores de coesão como uma “raça” que compõe uma minoria dentro de uma coletividade mais abrangente ajudam a abstrair as relações pessoais das “antipatias” naturais entre os seres-humanos. Você pode não gostar daquele sujeito, mas o ajuda porque ele é da mesma “raça”, que por sua vez forma uma minoria e precisa, portanto, se proteger – ou prevalecer.
Assim é que os sionistas em geral parecem dar extrema importância ao episódio envolvendo Jacob (Israel) e Esau (edomitas – os palestinos – os “gentios”) – tomando os filhos de Esau num contexto mais amplo, i.e., toda a humanidade não enquadrada na “raça” acolhida pelo sionismo .
Já antes do nascimento de seus gêmeos, Rebecca teria ouvido de “Deus” (ou a serpente ? – pode-se travar um paralelo com o episódio de Adão e Eva ?) que os seus dois filhos dariam origem a duas grandes nações.
Esse “Deus” diz ainda a Rebecca que um(a) deles(as) seria mais forte que o(a) outro(a), e o irmão mais velho serviria o mais novo… Jacob(Israel) nasce após Esaú, segurando os calcanhares deste – Bom, o resto da história conhecemos – Jacob consegue “comprar” o direito de herança de seu irmão com um prato de lentilhas, e consegue enganar o próprio pai para dele obter a necessária benção – Após Jacob encontra um anjo, luta com ele e desse anjo recebe o nome de “Yisrael” – aquele que luta (com ou contra) Deus…
Independentemente da verdade eventualmente oculta na história, o fato é que esse episódio parece refletir uma característica bastante visível do sionismo – o caráter segregacionista – e eventualmente pode estar a refletir outro – a busca pela hegemonia.
Daí a atitude comunal para os de dentro – o auxílio, a ajuda, a oferta de oportunidades – e a pouca importância para a desigualdade externamente – se ela existe, eventualmente parte dos que apenas tem a “herança sionista”, mas não mais pertencem, de fato, ao sistema..
Interessante que as atitutes “discriminatórias”, as críticas dos de fora parecem até ser bem-vindas, pois ajudam a reforçar a coesão… De um lado, limita-se o proselitismo, evitando-se o caráter universalista, com a auto-imposição e propaganda de elementos raciais – e por outro, faz-se a vitimização da “comunidade” quando da crítica.
Faço algumas provocações, até esperando respostas iradas… Mas parece que não estou falando algo tão absurdo… Cadê o questionamento ?
Olmert acabou de anunciar um cessar-fogo unilateral incluindo considerações de preocupação com civis palestinos. É muito cinismo.
Assisti pela CNN que, ontem à noite, num famoso programa ao vivo de uma TV israelense, durante uma entrevista por telefone com um famoso médico palestino, Dr. Abul (?), por quem os israelenses sempre tiveram grande simpatia e admiração, houve um ataque israelense à sua equipe médica, que acabou sendo transmitida inesperadamente, e todo o desespero do Dr. Abul foi ao ar.
Parece que houve um grande impacto na percepção do povo israelense.
Comentário
O ataque foi à sua casa e matou três de suas filhas.
Aqui, um trecho da reportagem, com legendas em espanhol. O âncora tenta consolar o médico dizendo que talvez o Exército israelense possa ajudá-lo. É incrível! O médico pergunta, aos prantos, quem deu a ordem que matou sua família e qual o motivo.
A quinta-feira foi o mais sangrento e violento dos dias na Cidade de Gaza. Mas mesmo em meio ao sangue derramado e ao caos que nos cerca, estamos repletos de alegria.
Doze dias depois de meu pai ser morto por um ataque aéreo israelense, nasceu nossa primeira filha, com 3,8 quilos e ótima saúde. Mal pude acreditar nos meus olhos, quando a vi pela primeira vez.
Na noite de quarta-feira, enquanto Alaa estava em trabalho de parto, houve alguns sinais de esperança quanto ao final do conflito. “Talvez nosso bebê e a paz cheguem juntos”, pensei.
Mas, durante a noite, os israelenses reforçaram seus ataques, dirigidos a uma área da cidade conhecida como Tel al Hawa, que definitivamente não é um baluarte do Hamas.
Alaa estava muito assustada diante da perspectiva do parto e, para tornar a situação ainda mais apavorante, o bombardeio era audível quando entramos no táxi que nos levou ao hospital Shifa.
Eu sabia que o parto demoraria muito tempo; os médicos tiveram de induzi-lo. Por isso, fui até a entrada do hospital, onde as ambulâncias continuavam a chegar. Vi oito feridos removidos de um caminhão de bombeiros; os feridos eram todos trabalhadores da defesa civil, identificados por casacos fluorescentes. Era uma visão terrível. A maioria dos feridos tinha as pernas decepadas abaixo do joelho e apresentava cortes severos por estilhaços.
Na ala de emergência do hospital Shifa, as ambulâncias chegavam sem parar. A maioria das vítimas pareciam ser mulheres, meninas e crianças, entre as quais um bebê muito pequeno envolto em cobertores brancos. Todos os dias foram ruins, desde que a guerra começou, mas aquele era o pior.
Fomos removidos de nossa casa no começo desta semana, e em seguida o apartamento foi seriamente danificado por explosões. Já não sinto que estejamos seguros nem no hospital.
Só espero que o nascimento de Somaya venha acompanhado pelo final da violência e da matança. Para nossa família, se não para o resto de Gaza, o nascimento dela é como uma luz brilhando no escuro.
Comentário
Como diz Shimon Peres, Israel cuida melhor de suas crianças.
Uma TV israelense transmitiu ao vivo o desespero de um médico palestino, Dr. Abu El-Aish, pacifista que trabalhou em Israel e acabara de ter sua casa bombardeada. Era comum sua participação pelo telefone contando a situação em Gaza. Suas três filhas morreram e outras duas foram feridas.
TEL AVIV – O primeiro-ministro israelense Ehud Olmert afirmou que Israel havia bombardeado nesta quinta-feira um prédio da agência da ONU para a ajuda aos refugiados palestinos (Unrwa) em Gaza em resposta a tiros disparados desse complexo.
“Não queremos que incidentes desse tipo aconteçam e lamento. Mas o Hamas atirou a partir de uma dependência da UNRWA”, declarou Olmert, durante um encontro com o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, em viagem pela região, como parte das discussões para um cessar-fogo na Faixa de Gaza.
O ataque ao prédio da ONU, fortemente criticado, destruiu a ajuda humanitária que tinha entrado na Faixa de Gaza nos últimos dias, após os depósitos das Nações Unidas onde o auxílio estava armazenado serem atingidos pelos bombardeios israelenses. Leia mais »
Um documentário que vocês nunca verão em uma TV Brasileira, seja ela pública, privada ou mesmo em canais da TV paga especializada em documentários: clique aqui. Blog Biscoito Fino e a Massa.
Prestem atenção na revolta da menina palestina (por volta de 1 h 09 min )
Comentário
Copiei alguns minutos do documentário e coloquei na Comunidade, com o trecho mencionado pelo Marcos. Mas vale a pena asistir a íntegra.
ILAN PAPPE, historiador judeu, deu uma entrevista a Silio Boccanera, no programa Milenio na Globo News que vale a pena ser visto. Impressiona isenção do hitoriador, ao virar a moeda pra vero outro lado. Este programa pode ser visto no site abaixo: clique aqui.
Leio no “El Pais” a informação de que o Hamas aceitou o plano egípcio de cessar fogo na Faixa de Gaza. Os pontos principais do plano são: 1) trégua de três dias para ajuda humanitária; e 2) Retirada das tropas de Israel em 48 horas. Em clique aqui.
Israel ainda está analisando a proposta. E enquanto analisa segue bombardeando impiedosamente. Um dos últimos alvos foi o principal cemitério da cidade de Gaza!
Violação por atacado de túmulos! E, provavelmente, para impedir ou dificultar o sepultamento dos mortos que seus ataques produzem. O horror tem agora a companhia do macabro.
A atual conta de mortos civis em Gaza já supera a dos massacres punitivos emblemáticos da Segunda Guerra executados pelos amlemães.. Em Oradour-sur-Glane a 2ª Divisão SS “Das Reich” liquidou com 642 civis, a maioria mulheres e crianças, em represalia a ções da Resistência. Em Lidice, na Tchecoslovaquia, o massacre para vingar o atentado a Reinhard Heydrich custou a vida de 340 civis. Na Guerra Civil Espanhola, a Legião Condor, unidade aerea alemã, comandada por Hugo Sperrle, arrasou Guernica, produzindo a morte de 600 civis.
Nessas manifestações da diaspora, fiquemos com a representação humanistica da valorosa cultura judaica, que nos deu Marx, Freud e Einstein., as vozes de Gideon Levy, principal editorialista do “Haaretz”, jornal simbolo de Israel, de Naomi Klein, ilustre escritora canadense, de Naom Chomsky, celebre linguista, , de Norman Finkenstein, escritor americano, todos condenando essa ação de uma direita militar destemperada que choca o mundo.
Lembremos as grandes mudanças demograficas ocorridas em Israel desde a fundação do Estado em 1948. No passado estão os descendentes da elite do judaismo europeu, dos alemães, franceses e austriacos. que foram os pais intelectuais da ideia sionista.
Foram largamente superados primeiro pelos safaraditas, judeus da Siria, do Libano, do Egito, da Africa do Norte, do Iraque, muito menos cultos e que nada representavam em termos de uma visão humanista judaica. Depois da queda da URSS ocorreu um grande influxo de judeus da Europa do Leste e especialmente da Russia, mais belicosos, acostumados a regimes autoritários, que fortaleceram substancialmente os partidos da direita , enfraquecendo o lado laico, humanista, de esquerda e mais propenso a um Estado palestino, que era a ideia original de 1948.
Enquanto agora o Hamas é apontado como a raiz do conflito, lembremos que até há poucos anos não existia o Hamas e nem porisso os palestinos conseguiram resultado melhor.. Com ou sem Hamas o destino dos palestinos parece traçado, devem sair do territorio onde foi outrora a Palestina e se virar pelo mundo, todos os atos e passos de Israel caminham nessa direção desde 1948 e só quem pode decidir em contrário são os EUA, que até agora não deram qualquer sinal que o queiram.
Para os críticos de Israel no exterior, a situação não poderia estar mais clara: a guerra na faixa de Gaza é uma resposta totalmente desproporcional aos foguetes disparados pelo Hamas, está causando sofrimento humano indescritível, e é preciso pôr um ponto final nela.
Em Israel, muito poucas pessoas veem a guerra dessa maneira. Os protestos contra a guerra têm tido dificuldade em atrair mil participantes.
Um editorial do “Jerusalem Post” disse que o mundo deve estar se perguntando se os israelenses realmente acreditam que todo o resto do mundo está enganado e apenas eles estão com a razão. A resposta é “sim”.
“É muito frustrante para nós não sermos compreendidos”, diz Yoel Esteron, editor do jornal “Calcalist”. “Quase 100% dos israelenses sentem que o mundo é hipócrita. Onde estava o mundo quando nossas cidades foram alvejadas por foguetes por oito anos? Por que deveríamos nos importar com a opinião do mundo agora?”
Israel converteu-se nas últimas semanas num paradigma de unidade e apoio mútuo. Pergunte a pessoas em qualquer parte do país, hoje, sobre o fato de o Exército ter barrado a entrada de jornalistas na faixa de Gaza, e a resposta é “deixem o Exército fazer seu trabalho”.
Com ou sem razão, os israelenses acreditam que seus soldados se esforçam para poupar vidas. Como seus combatentes se escondem entre pessoas comuns, o Hamas é visto como responsável pelas vítimas civis.
Quem assiste, hoje em dia, ao massacre de Gaza, não pode imaginar o que foi a odisséia dos judeus até conseguirem sua pátria, Israel. É um dos episódios nobres do século 20 – assim como a militarização de Israel e os massacres praticados, um dos pontos vergonhosos da história.
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A base da criação de Israel foi a chamada “Declaração de Balfour”, carta do Ministro das Relações Exteriores da Inglaterra, Arthur James Balfour, a Lord Rotschild, em 1919, estimulando a criação de uma pátria para os judeus. A carta evoluiu para o “Acordo de Balfour”, pelo qual a Liga das Nações lançava as bases do estado judeu, até seu reconhecimento pela ONU em 1948.
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Esse acordo – que selou o apoio inglês à criação do Estado de Israel – foi possível, em grande parte a um químico judeu, Jospeh Blumfeld, que morou no Brasil nos anos 40 e ajudou a desenvolver a tecnologia para exploração das areias monazíticas. Leia mais »
O Gueto de Varsóvia foi o maior enclave judaico estabelecido pelos alemães na Polônia, durante a ocupação nazista. Chegou a atingir a marca de 380 mil habitantes, ou 30% da população de Varsóvia, e ocupava 2,4% de seu território, separado da cidade por muros. A partir da construção do muro, em novembro de 1940, e pelo ano e meio seguinte, os judeus poloneses das cidades e vilas menores eram levados para lá – depósito dos judeus que iriam para o campo de extermínio de Treblinka e que podiam ter a sorte de escapar das câmaras de gás se morressem antes de tifo ou fome, ou simplesmente fossem atingidos nas ruas, como animais, caça dos soldados nazistas. Lá dentro, três grupos, no entanto, resistiram com pistolas, bombas caseiras e coquetéis molotov – um deles até com umas armas um pouco melhores, fornecidas pela resistência polonesa que as contrabandeava para dentro dos muros – dizem que até por túneis. Depois de seis meses de resistência, os judeus poloneses do gueto foram transferidos maciçamente para Treblinka ou simplesmente assassinados em Varsóvia.
Ao longo da história, vários guetos confinaram judeus. Existiram guetos judaicos na Alemanha e na Península Ibérica no Século XIII; o Gueto de Veneza é do Século XIV. Dependendo da circunstância histórica, eram mais ricos, ou mais pobres, mas todos eles traziam o sentido metafórico do isolamento, da exclusão, do preconceito.
A primeira vez que ouvi a expressão “Gueto de Gaza” foi na minha casa. É uma expressão forte – e invertida. Nesse caso, a população judaica está fora do gueto, não dentro. Quem me chamou atenção para essa terrível inversão foi o meu companheiro, descendente de judeus poloneses. Leia mais »
SÃO PAULO – É patético. No mesmo momento em que Israel avança para a guerra urbana em Gaza, o presidente Lula usa seu programa de rádio para pedir respeito à decisão do Conselho de Segurança da ONU sobre um cessar-fogo.
Mera saudação à bandeira. A ONU, desde a sua fundação, só tem feito referendar a vontade dos países ricos. Ninguém sério, ou que se leve a sério, acredita que as Nações Unidas exerçam algum poder de fato para arbitrar conflitos, interromper guerras e promover a paz.
Ao contrário. O que a ONU tem feito ao longo de sua história é chancelar as guerras ao dar poder de veto a um único país para impedir ações mandatórias. A ONU que votou pelo cessar-fogo em Gaza é a mesma que assistiu, aprovando documentos parecidos, à invasão do Iraque, do Afeganistão (pela URSS e pelos EUA), à Guerra do Vietnã, da Coreia e a outras tantas tragédias.
A retórica é o refúgio preferido da hipocrisia diplomática. O Brasil tem sido criticado por alguns por “condenar” o ataque à faixa de Gaza. Fachada pura. Pergunte qual iniciativa concreta o Itamaraty ou o Planalto tomaram para incomodar o governo israelense. Prepare-se para o silêncio absoluto. Mas, no mundo das representações, soa importante mandar nosso chanceler excursionar pelo Oriente Médio, aparecer em fotos com o presidente do Egito e apertar as mãos da ministra israelense que “não vê crise humanitária” na faixa de Gaza.
Em relação ao que interessa, a posição brasileira é, na verdade, oposta. Compare: por muito menos, se é que vidas importam alguma coisa, o Brasil chamou de volta o embaixador em Quito, até se certificar que o governo Correa honraria compromissos financeiros com uma empreiteira. Já em Gaza, trata-se de civis lançados à própria sorte, manipulados por extremistas islâmicos e vítimas da brutalidade da máquina de guerra de Israel. Que tal, presidente, também chamar nosso embaixador para conversar? Leia mais »
Introdutor do jornalismo de serviços e do jornalismo eletrônico no país. Vencedor do Prêmio de Melhor Jornalista de Economia da Imprensa Escrita do site Comunique-se em 2003, 2005 e 2008, em eleição direta da categoria. Prêmio iBest de Melhor Blog de Política, em eleição popular e da Academia iBest.