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25/10/2009 - 07:00

Tem sentido falar em esquerda ou direita?

Do Portal Luís Nassif

Ainda faz sentido falar em esquerda e direita?

* Postado por Raphael Neves

Hoje o ex-prefeito do Rio, Cesar Maia, publicou um artigo interessante na Folha de S. Paulo cujo título é “Voto da Direita” (você pode ler aqui). Maia faz referência a uma frase de Lula, segundo o qual “esta será a primeira eleição em que a direita não terá candidato”. Então Maia pergunta: quem são os eleitores da direita? que eles representam?

É verdade, como ele aponta, que pesquisas e, acrescento eu, trabalhos acadêmicos tem diversas “fórmulas” para traçar o perfil ideológico dos eleitores. Pode-se, por exemplo, atribuir o valor 1 à posição mais à esquerda possível e 10 à posição mais à direita e pedir que o eleitor atribua um valor ao seu “posicionamento” ideológico. Tem-se assim um continuum: esquerda, centro e direita. Outra alternativa é combinar isso com temas de política pública, geralmente associados à esquerda ou à direita. Assim, maiores gastos do Estado com bem-estar social são atribuídos a uma “política de esquerda” e uma menor interferência na economia é coisa de uma “política de direita”. O mesmo ocorre com aspectos culturais ou quando valores estão em jogo: casamento entre pessoas do mesmo sexo, aborto e por aí vai. Maia então conclui citando duas pesquisas, uma na França e outra no Brasil, que constataram que em questões econômicas o eleitor é de esquerda, quer uma maior intervenção do Estado, mas em relação a valores, ele é de direita.

Continua

Autor: luisnassif - Categoria(s): Política Tags: , ,
23/09/2009 - 08:01

A política econômica e as novas mídias

No 6o Fórum de Economia da Escola de Economia da FGV-SP arrisquei uma sugestão para ser incluída na temática dos próximos fóruns: o papel das novas mídias na formulação das políticas econômicas.

O comentário foi entrado em dois pontos essenciais de formulação de políticas econômicas.

A mudança de ciclos

O primeiro, as mudanças inevitáveis trazidas pelos ciclos econômicos e que o Brasil costuma ser dos últimos países do mundo a implementar.

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Novo Modelo Tags: , , , ,
14/09/2009 - 14:00

A ideologia midiática

Por Luis Armidoro

Nassif, tudo bem?

Realmente, é impossivel não ficar irritado:

1 – Meirelles em entrevista no Estadão, tagarelando sobre a recuperação do Brasil. Camarada cara-de-pau, porque o que ele fez foi enterrar grana pública em banco privado – que comprou titulo do Governo. Se não fosse o Mantega e os presidentes dos bancos públicos mostrarem a cara (e levarem porrada do PiG), o Brasil ainda estaria patinando.

2 – “Reportagem” na veja, sobre o assunto preferido daqueles (depois de detonar o Lula): porque o Brasil é atrasado, porque os EUA são o paraíso na Terra. Um monte de clichês, preconceitos e idelogia (escrita por um cara que eu achava sério, o Andre Petry), teimando em “capitalismo, protestantismo calvinista, menos Estado, blá, blá, bla´”. Passa superficialmente sobre furos no modelo de sucesso americano (A França, católica e com forte presença estatal, é um exemplo de fracasso? A Alemanha, idem, mas com minoria católica , é um fracasso? E o Japão? Dirão que se arrasta em crises porque é keynesiano)

3 – Reportagem da Folha, com chamada de primeira pagina, detonando bancos públicos (que elevam tarifas para compensar os juros mais baixos que cobram). Aí você vai ver a tabela sobre tarifas (montada pelo proprio jornal), e se observa que TODOS os BANCOS PARTICULARES cobram pacotes de tarifas SUPERIORES à dos bancos públicos.

Quem estes caras querem enganar? Será que são reportagens ou são “encomendas”?

Autor: luisnassif - Categoria(s): Mídia Tags: ,
26/06/2009 - 08:36

Mais pragmatismo, menos ideologia

Do Último Segundo

Coluna Econômica – 26/06/2009

O Brasil padece de uma fragilidade institucional atávica. Em geral, não há valores consolidados sobre os diversos temas da vida nacional. Não há um pensamento crítico que não esteja contaminado por viés ideológico. É possível se encontrar pontos virtuosos no fortalecimento do Estado ou em aspectos do livre mercado.

Países mais racionais buscariam o pragmatismo, os pontos positivos em cada modelo, sem se prender a fórmulas conceituais abstratas. Ser pragmático significa buscar a solução que melhor resolve o problema a ser atacado.

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia, Novo Modelo, Sem categoria Tags: , , ,
04/03/2009 - 08:00

Ideologia e a volta do pêndulo

Confesso nunca ter sido um entusiasta de ideologias. De qualquer lado que fosse, para mim sempre funcionaram como camisas de força, impedindo o livre pensamento.

Além disso, partiam do pressuposto que tudo o que o outro lado defendia era, em princípio, maléfico – e, na outra ponta, todas as propostas do próprio lado, virtuosas.

Mais que isso: esse jogo acaba levando a posições antagônicas sobre qualquer assunto. Se A tomava um lado, o outro tinha que ser B.

O que aprendi, acompanhando a economia brasileira desde os anos 70,  é que um grupo sempre se fortalece em cima da estratificação do grupo anterior. Entra, acerta os pontos mais tortos do modelo anterior, mas, por sua vez, cria sua própria estratificação – que só será rompida quando o grupo anterior volta. É o movimento pendular, imagem à qual recorro há décadas.

O período estatizante

A história recente do país é rica nisso. O modelo de intervenção do Estado funcionou dos anos 30 aos 70, tornou-se amplamente disfuncional a partir do início dos anos 80. Toda a economia estava amarrada, havia um nacional-desenvolvimentismo com olhos exclusivos na grande empresa estatal e na grande empresa nacional. Nem se pensava em inclusão social, apoio a pequenas e micro empresas.

Regulamentos, reservas de mercado, burocracia, lei de informática  e outros aleijões serviam apenas como ferramenta para beneficiar grupos específicos.

Algumas idéias surgiram nos anos 80, mas não frutificaram devido à estratificação do modelo. O economista Júlio Mourão propôs a chamada integração competitiva – abertura gradual da economia para permitir às empresas brasileiras integrarem-se gradativamente à economia internacional e foi quase linchado pelos desenvolvimentistas. Paulo Nogueira Neto acenou com as primeiras bandeiras ambientais, José Israel Vargas com os primeiros programas de gestão e qualidade. Tudo ficou em segundo plano devido, primeiro, à mitificação dos planos econômicos. Depois, devido à vã ideologia.

Idéias sobre gestão eram consideradas formas de exploração do homem pelo homem. Idéias sobre meio ambiente, sustentabilidade, não encontravam eco.

Aí surge Fernando Collor como um furacão, arrebenta com o velho modelo através de medidas desastrosas (como a reforma administrativa) e outras virtuosas (ampliação dos programas de qualidade, preocupação com o consumidor, combate aos cartéis).

O ciclo financista

Entra-se no novo ciclo. Collor, o pragmático, dura um ano. A partir da entrada de Marcílio Marques Moreira na Fazenda tem início o ciclo financista – que encontra seu auge no governo FHC.

A ala desenvolvimentista do PSDB propunha um estado enxuto, porém forte, um governo voltado para as funções básicas do Estado –prover saúde, educação e regulação. Acabou engolfada pelo mercadismo em causa própria de seus economistas.

No fundo, o que  estava em jogo era substituir os vitoriosos do antigo modelo – indústria nacional, estatais – pelos novos vitoriosos – gestores de fundos. É um período em que se cobrem de favores um Jorge Paulo Lehmann, Daniel Dantas, gestores de fundos.

Boas idéias do período, como as novas políticas sociais, não recebem a menor prioridade. Educação vira uma questão estatística. E a noção de empresa pública se perde.

Arrebentaram com a estrutura existente, arrebentaram com a estrutura de pequenas e médias empresas (que jamais recebeu amparo no modelo anterior, saliente-se). Assim como no modelo anterior, os fatos e conveniências acabaram se impondo sobre o pragmatismo, criando vícios enormes.

A síntese

Um novo modelo teria que buscar o que os dois anteriores tinham de melhor e não embarcar na visão dogmática que marcava cada qual.

Há que se ter estado; as políticas sociais devem ser o foco de toda ação pública. Mas há que se ter uma economia competitiva, e isso significa racionalização de gastos, sem redução do atendimento social – o que só é possível com boa gestão. Há que se fortalecer as cadeias produtivas, o mercado de capitais, mas tendo como foco a defesa da produção interna – sem embarcar no paternalismo dos anos 80. Há que se ter o fortalecimento do funcionalismo público, mas reforçando a meritocracia.

Desde que voltado para o aumento da eficiência da economia real, o mercado de capitais é peça essencial, assim como as parcerias público-privadas, assim como o fortalecimento e a profissionalização do funcionalismo públicos.

O ponto central é definir os fins – promoção social, desenvolvimento sustentável, geração de empregos – e, depois, buscar os meios mais adequados.

Tendo isso em mente, ser de esquerda ou direita se resumirá apenas à gradação em torno do coquetel de medidas colocadas à disposição da política econômica.

Mas não há a menor dúvida de que, quando essas ideias pegarem, um grupo vai se apossar deles como instrumento de poder. O jogo político é definitivamente um jogo em que as ideias são colocadas debaixo de embrulhos ideológicos para propiciar o controle do poder do Estado.

Por Elwood

Os escandalosos juros representam transferencia concentradora de renda para os rentier. O estado age como intermediario, recolhe impostos taxando a classe media e maioria pobre e devolve para a minoria mais abastecida. Uma tipica politica fiscal redistributiva ao avesso. Um exemplo do grave problema fiscal do estado brasileiro que eh voltado a perpetuar privilegios da elite financista e da burocracia publica privilegiada.

Como uma juiza do trab costumava repetir, a vocacao dela e do seu trab muito bem remunerado era ensaiar um teatro todos os dias com a maioria dos involuntarios atores muitas vezes sem sequer o dinheiro do vale transporte pra voltar la.
Dois mundos tot separados q se encontram num ensaio teatral e q as politicas efetivas se preocupam de manter incomunicaveis, e sem nenhum interesse por parte de quem esta em cima de mudar as coisas.
Nao a caso o sonho da maioria dos formados, engenheiros e tecnicos tb eh o concurso publico, e ganhar astronomicos salarios se comparados com a maioria e em atividades fundamentalmente improdutivas. A estrutura social se preocupa de reciclar os privilegiados q abordam os concursos, para nao sofrer competicao, sendo que as familias pobres nao tem como garantir uma educacao aos filhos e a renda eh a variavel principal.

Nao existe portanto uma vontade politica de mudar as coisas, os anos de inundacao de dolares, bolhas varias e dolar barato permitiram as camadas mais pobres de melhorar o consumo mas em via residual e via endividamento.

Ao contrario do que escreve Sicsu a demissao dos trabalhadores em particular nos setores exportadores mais afetados representa a reacao imediata a percepcao da reducao das vendas.
O trabalhador eh variavel residual e tecnicamente sao claras as relacoes de forca.

A tao elogiada globalizacao (fonte de imensos lucros para varios exportadores) na pratica era soh dolarizacao e bolha de credito. Ela aconteceu de forma distorcida e num quadro totalmente desequilibrado e assimetrico, uma sorta de roubo internacional a vantagem de poucos.

Era espantoso ver todos os paises querer exportar em troca de papel dolar, como se fosse obrigacao dos Eua imprimir dolares e importar. Com boa razao hoje os Eua poderiam dividir as perdas com os fanaticos exportadores de ultima instancia.

Para o Brasil o superamento da crise passa para um caminho politico e de reforma fiscal e obviamente tb pela drastica reducao dos juros. O Brasil tem imensos vantagens em termos de recursos, o lado fraco eh a politica economica e fiscal, q eh finalizada a perpetuar os dois mundos, elite e burocracia privilegiada e maioria pobre.

O q hoje eh percebido como protecionismo de fato nao eh q o natural comportamento a frente de um sistema q era tot desequilibrado. O presidente Lula no prox G20, ( a importancia do Brasil eh superior a de outros paises incluida a Inglaterra q esta literalmente caindo no buraco negro), deveria insistir num sistema internacional mais simetrico para favorecer o comercio mundial.

A China por seu lado esta favorecendo contratos bilaterais aproveitando das reservas (ate q vao ter um valor).

O Brasil tem os vantagens de ser um continente, ter uma enorme potencial demanda interna e ter recursos. Os juros vao reduzidos drasticamente mas a variavel crucial eh fiscal, mudancas devem ser introduzidas para favorecer dinamica social e produtividade. Privilegios e gastos parasitarios vao cortados e controlados, a despesas devem ser eficientes, o credito direcionado ao investimento e controlado para o consumo, e nesse quadro assimetrico as importacoes vao controladas tb. Buraco fiscal e comercial e surtos inflacionarios poderiam acabar com qualquer veleidade de desenvolvimento.

No final politica para ampliar a democracia efetiva e nao formal, politica economica e politica industrial sao os fatores mais importantes para garantir ao Brasil acumulacao e crescimento de todos, algo que soh o presidente Lula e o PT podem oferecer a grande maioria dos Brasileiros. O desafio eh politico os juros soh um elemento da desigualdade de poder e de classe a ser corrigido.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia, Novo Modelo Tags: ,
25/01/2009 - 14:00

Sobre esquerda e direita

Reproduzo um comentário do Carlinhos CHATO (é o nick dele) e minha resposta, que pode dar uma  boa idéia dos exageros de tentar reduzir todas as discussões à divisão esquerda-direita, Lula-anti-Lula.

Do Chato

Nassif, o macarthismo direitista investiu contra os valores fundamentais da cultura americana, também direitistas. O problema é que muitos comentaristas por aqui acham que direita é apenas “macarthismo” e “fascismo”, por isso acham que o mundo seria muito melhor sem ela.

São o equivalente à parcela da direita que acha que todo esquerdista é “comunista”.

O fato é que a criação da democracia moderna foi uma idéia, sim, “de direita”. A esquerda só foi aceitar a democracia com a consolidação dos partidos social-democratas na Europa.

Comentário

Washington, Jefferson e outros eram direita, antes mesmo da invenção das ideologias. Não exagere, né? É o mesmo que dizer que Keynes era esquerda, por propor papel mais ativo ao Estado. O racismo é direita ou esquerda? Os direitos humanos são de direita ou de esquerda? A Revolução Francesa era de esquerda ou de direita? Não dá. Há valores que estão acima dessas divisões – que, admito, são recorrentes nos comentários. Outro dia almocei com o Marcos Lisboa, que acaba de descobrir os programas de qualidade (que existem no Brasil desde os anos 80). E tentou associá-los ao ideário neoliberal. É por isso que as grandes mudanças se passam ao largo dessa compartimentalização de lado a lado.

A Ambev e o Bolsa Família recorrem aos métodos de gestão pela qualidade.

PS – No fim, estamos falando a mesma coisa. O Chato criou uma caricatura para demonstrar outra. Como deixei minha resposta por último aqui na nota, está aberto para a réplica dele. Leia mais »

Autor: luisnassif - Categoria(s): Novo Mundo Tags:
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