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17/09/2009 - 08:48

Contra alguns grampos

Uma ano atrás, indignação contra um grampo falso, uma maracutaia política. Agora, amplo espaço para vazamentos. De rabo preso.

A Folha, um ano atrás

Editoriais

PF prende PF

O DIRETOR-EXECUTIVO da Polícia Federal, Romero Menezes, segundo na hierarquia da corporação, foi preso anteontem pelo seu chefe direto e amigo pessoal, o diretor-geral Luiz Fernando Corrêa. A prisão temporária foi pedida pelo Ministério Público Federal do Amapá, num desdobramento da Operação Toque de Midas, que investiga suposto esquema de fraudes em licitações no Estado.

(…) O episódio afeta, de modo mais geral, a credibilidade do aparato de segurança do Estado -até porque outra instituição afim, a Agência Brasileira de Inteligência, está sob forte suspeição. O titular da Abin, Paulo Lacerda, que dirigiu a PF até 2007, foi afastado por conta da investigação sobre o grampo no telefone do presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes.

É importante que legisladores e autoridades aproveitem a oportunidade para aperfeiçoar o controle sobre esses órgãos de segurança. Nesse sentido caminha o projeto do senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que cria um conselho de parlamentares com acesso irrestrito a relatórios de inteligência. É preciso saber, no entanto, que garantias seriam dadas aos cidadãos de que esse órgão não se tornaria mais uma fonte de vazamentos de dados sob segredo.

Folha de hoje

grampo

Comentário

No episódio Daniel Dantas, indignação até com falsas denúncias de grampo. No caso Sarney, apoio total ao grampo de sua conversa com a neta.

Dá para acreditar?

Autor: luisnassif - Categoria(s): Mídia Tags: , , ,
27/07/2009 - 12:30

A reportagem que ninguém quer

Se houvesse jornalismo na cobertura, a lógica óbvia seria apurar qual o esquema que está por trás do vazamento do inquérito contra José Sarney.

Qual a razão dessa falta de interesse? Quando foi contra Daniel Dantas, levantou-se o presidente do STF, os jornais, a Folha escreveu editoriais candentes, a OAB se manifestou em defesa dos direitos individuais, a Veja escreveu sobre a república do grampo.

Não caiu a ficha de que essa hipocrisia é veneno na veia da credibilidade da mídia.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Mídia, Política Tags: , ,
23/07/2009 - 11:26

Eu sou você amanhã

Editorial da Folha de 30/07/2008

O país da “grampolândia”

FOI PRECISO que o chefe-de-gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho, fosse flagrado por uma escuta telefônica em diálogo comprometedor com um advogado do banqueiro Daniel Dantas para que o Planalto se mexesse. Mas o governo finalmente decidiu mobilizar sua base parlamentar para votar o projeto de lei que regulamenta a utilização de grampos em investigações criminais.

O desafio é encontrar o equilíbrio entre o direito da sociedade de proteger-se contra bandidos e o direito de cada cidadão à intimidade e à vida privada. A Constituição enuncia a regra geral: as comunicações estão protegidas por sigilo que só pode ser violado mediante ordem judicial para fins de investigação criminal ou instrução processual.

Na prática, entretanto, verifica-se que tanto a norma genérica como sua regulamentação, a lei nº 9.296, são insuficientes para coibir abusos. A proliferação de grampos legais e ilegais observada nos últimos anos é claro indicativo de que a interceptação telefônica se tornou o principal “método de investigação” da polícia brasileira, quando deveria, por lei, ser o último recurso.

Faz sentido, portanto, aumentar o controle sobre o grampo, como agora quer o governo. Dentre as medidas disciplinadoras, o projeto institui teto de 360 dias para a manutenção da escuta, que hoje pode ser prorrogada indefinidamente, e a necessidade de que o pedido de interceptação passe pelo Ministério Público.

São aprimoramentos razoáveis, mas, para que o Brasil deixe de ser aquilo que Lula pleonasticamente definiu como “país da grampolândia”, será necessário também que os juízes se tornem mais seletivos ao autorizar as escutas. Em teoria, o magistrado só pode expedir o mandado caso a polícia demonstre que esse é o único meio de obter a prova. Não é o que tem ocorrido.

Da Folha

PÓS-MENSALÃO

Novo código de ética do PT condena vazamentos à mídia

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Divulgado ontem em seu site oficial, o código de ética do PT proíbe a divulgação de fatos relativos a investigações contra seus filiados e considera “infração ética grave” o vazamento de informações à mídia sem identificação da fonte. (…)

Autor: luisnassif - Categoria(s): Mídia Tags: , ,
01/07/2009 - 09:09

O fim dos dois factóides de Gilmar

Da Folha

PF conclui caso sem achar grampo no STF

Sem encontrar áudio de suposta interceptação telefônica de Mendes e Demóstenes, polícia não deve indiciar ninguém

Dez meses depois de aberto, inquérito terá resultados divulgados nos próximos dias; para a PF, não se pode dizer que não houve grampo

LUCAS FERRAZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Sem encontrar o áudio e sem identificar o responsável pela eventual gravação, a Polícia Federal concluiu a investigação que apurou o suposto grampo no presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes.
Para os delegados William Morad e Rômulo Berredo, responsáveis pelo inquérito aberto há dez meses, não houve crime, não há “corpo”, ou seja, não foi encontrada a suposta gravação. Segundo apurou a Folha, para a PF é impossível afirmar que não existiu o suposto grampo em uma ligação entre Mendes e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). O resultado oficial deve ser divulgado nos próximos dias.

Não haverá, portanto, nenhum indiciamento, nem do delegado Protógenes Queiroz, responsável pela Operação Satiagraha, nem de nenhum funcionário da Abin (Agência Brasileira de Inteligência).

A revista “Veja” atribuiu a autoria da suposta interceptação ilegal a agentes da Abin que atuaram na Satiagraha. A operação foi conduzida por Protógenes e, em julho do ano passado, prendeu o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity.

Leia mais »

Autor: luisnassif - Categoria(s): Justiça, Mídia Tags: , , ,
26/06/2009 - 08:24

Pedro Simon, o Catão

Coluna de 02/12/1998LUÍS NASSIF

Os telespectadores do “Roda Viva” de segunda-feira passada puderam assistir o testemunho de um brasileiro ilustre, o senador Pedro Simon, o grande Catão da República. Não se espere do senador formulações sobre o novo país ou propostas que ajudem a superar a crise. Seu papel é o de ser o homem moral. Ele tem no cérebro um botão que, devidamente acionado, resulta invariavelmente em reações morais previsíveis, nem sempre pelo bem do país, nem sempre pelo mal, mas invariavelmente pela moral.

Por ser homem de julgamentos morais, como líder do Senado no governo Itamar, Simon avalizou o mais nefasto processo de abertura econômica do país, seis meses onde se misturaram câmbio apreciado, na saída do Real, e abertura indiscriminada das importações, no curto período Ciro Gomes. Leia mais »

Autor: luisnassif - Categoria(s): Política Tags: , , ,
17/04/2009 - 10:20

Dantas, o áudio e o vídeo do suborno

O argumento de Daniel Dantas, de que o áudio da proposta de suborno ao delegado – feito por seu assessor Humberto Braz – não bate com o vídeo é gozação. O áudio foi feito pela Polícia Federal; o vídeo (sem áudio)

pela TV Globo. Na edição da reportagem do Jornal Nacional, o editor da TV tentou juntar os dois.

Para efeito do inquérito, não muda nada: o que importa é o áudio. Para o show, importa o vídeo. Aliás, em editorial a própria Globo informou que não sobrepôs o áudio no vídeo, que deixou claro que eram gravações distintas.

A propósito, a Polícia Federal precisa entregar logo os resultados do inquérito sobre a suposta escuta ambiental no Supremo Tribunal Federal e sobre o suposto grampo envolvendo Gilmar Mendes, o senador Demóstenes Torres e a revista Veja. O próprio Gilmar já admitiu, na entrevista à Folha, que os sinais podem ter sido mal interpretados pela Segurança do Supremo.

Ora, esses dois factóides forneceram o álibi para a CPI do Grampo.

Comentário

Clique aqui (cpi-pq2) para acessar o depoimento de Protógenes na CPI.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Justiça, Mídia Tags: , ,
12/03/2009 - 10:42

A caça aos balões

É como tirar doce de criança. Empinam o balão, o leitor mira e fura com uma estilingada.

Olha o que essa praga de Blogosfera apronta com os balões:

Por Maria Senhora

Luis Nassif,em Noblat tem uma reportagem afirmando que Protógenes grampeou até seu superior na PF.

Quando vi a reportagem,tratava-se da reunião em que o delegado foi afastado da Satiagraha,em que a própria polícia divulgou partes selecionadas para a imprensa.

Na mesma reportagem, o arquivo revela que Protógenes interceptou ligações do ministro Geddel Vieira Lima e Heráclito Fortes,ao monitorar o empresário Guilherme Sodré,alvo da operação. Mas o delegado Amaro,registrou que, em tese,os 450 grampos foram frutos de escutas autorizados pela justiça.

A Veja concluiu que Geddel e Heráclito foram grampeados,como se vê mais uma mentira. E agora estão querendo ressucitar o caso da reunião em que Protógenes foi a fastado e que todos já sabiam que tinha sido gravado e a imprensa divulgou o conteúdo. O próprio Noblat na época divulgou a reunião com exclusividade..

Autor: luisnassif - Categoria(s): Blogs, Mídia, Sem categoria Tags: , ,
12/03/2009 - 08:57

Jarbas e a farra do grampo

Por Paulo Kautscher-São Gonçalo-RJ

Jarbas confirma suspeitas de espionagem

11 de março de 2009

Convidado a depor na CPI das Escutas Ilegais, o senador Jarbas Vasconcelos disse hoje que comparecerá à Câmara e repetirá o que foi publicado na VEJA desta semana: integrantes do seu partido, o PMDB, teriam contratado uma famosa agência de investigações privadas para grampear seus telefones, vasculhar sua biografia e vigiar os passos dele, de familiares e de amigos.

Ontem, o senador criticou o presidente do Congresso, José Sarney, por, segundo ele, ter distorcido suas declarações ao solicitar ao procurador da República investigações sobre a denúncia. Jarbas Vasconcellos disse que, ao contrário do que escreveu Sarney, ele não fez nenhuma acusação direta ao PMDB ou qualquer um de seus integrantes. O que o senador afirma é que houve uma tentativa de espionagem contra ele e que isso – acredita – teria origem no PMDB.

“Não tenho uma prova material, por isso não posso fazer uma acusação direta. Mas não tenho dúvidas de que a tentativa de espionagem partiu do PMDB. Não tenho inimigos pessoais nem adversários políticos de fora do partido que tenham interesse em espionar minha vida. Foi isso que eu disse e repito quantas vezes for preciso”. (…)

Comentário

Há uma regra infalível: foi cooptado por Veja, dançou. Ou vende a alma, e endossa todas as manipulações da revista (e se desmoraliza) ou volta atrás e se expõe a um futuro assassinato de reputação.

Jarbas optou por virar isso aí. Espero que forneça os elementos para a Polícia Federal poder agir. Se a notícia for verdadeira, ele tem elementos sim. Disse ter sido procurado pelo araponga da Kroll que lhe passou todas as informações.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags: ,
11/03/2009 - 20:46

Os fatos? Ora, os fatos.

Sempre houve críticas ao Jornal Nacional. Mas seu rigor jornalístico criou um padrão de qualidade. Podia-se criticar enfoques políticos, não o factual.

O padrão Ali Kamel destruiu até isso.

No Jornal Nacional de hoje, William Bonner informa erroneamente que a gravação da conversa entre Gilmar Mendes e Demóstenes Torres se deu no bojo da Operação Satiagraha.

Conforme é do conhecimento de qualquer repórter do JN, de qualquer cinegrafista e câmera, nunca foi comprovada a autoria desse suposto grampo. E a maior desconfiança é que tenha sido uma armação da qual participaram Gilmar Mendes, Demóstenes e a revista Veja.

Por Jerffesson Nascimento

Bom…

O apresentador ler aquilo que foi colocado para ele ler. Agora mesmo, na Globo News, no “Em Cima da Hora” o apresentador Eduardo Grillo leu o mesmo texto.

Chefe é chefe, Ali Kamel escreveu. Não leu, o resto vocês já sabem.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Mídia Tags: , , ,
09/03/2009 - 18:14

Prêmio Esso de Efeitos Especiais

O próximo Prêmio Esso de efeitos especiais irá sem dúvida para esse trecho da reportagem de Veja sobre Protógenes:

“Os policiais buscavam provas de ações ilegais da equipe de Protógenes, entre as quais o áudio da interceptação clandestina de uma conversa entre o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres. A existência do grampo foi revelada a VEJA em agosto do ano passado por um agente da Abin que participou da Operação Satiagraha como encarregado da transcrição de centenas de outras conversas captadas ilegalmente. O resultado final da investigação deve ser anunciado até maio, mas, pelo que já se encontrou nos arquivos pessoais de Protógenes, não resta mais sombra de dúvida sobre a extensão de suas ações ilícitas, cuja ousadia sem limite chegou à antessala do presidente Lula e a seu filho Fábio Luís”.

É Esso ou não é? A revista fala do grampo armado por ela (da conversa entre Gilmar e Demóstenes Torres). Inclui o grampo no inquérito com a maior sem-cerimônia possível. Diz que os policiais estavam procurando provas desse grampo. Ora, há um inquérito específico sobre o grampo, que irá constatar que não existe nenhum indício da sua existência – o que provavelmente implicará a revista em ato criminoso.

A conclusão do parágrafo é uma pérola, só possível em uma publicação dirigida por Eurípedes e Sabino:

O resultado final da investigação deve ser anunciado até maio, mas, pelo que já se encontrou nos arquivos pessoais de Protógenes, não resta mais sombra de dúvida sobre a extensão de suas ações ilícitas”.

Como assim? Não há uma menção ao grampo na matéria e certamente no relatório. Restam todas as dúvidas sobre o papel da revista na armação daquele grampo.

Junte-se esse trecho com o “caco” em que pretendem envolver De Sanctis e o Ministério Público, para se ter uma aula prática sobre as manipulações primárias no jornalismo.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Mídia Tags: , ,
08/03/2009 - 08:58

A conspiracão do grampo

Por Paulo Kautscher-São Gonçalo-RJ

Do JB Online

Tarefa inglória

A transcrição publicada na imprensa não configura uma prova técnica. O texto apenas indica que não há dúvida de que Mendes e Torres efetivamente travaram o inocente diálogo sobre a CPI da Pedofilia e os desdobramentos da Satiagraha, transcrito na reportagem, já que os dois confirmam o teor da conversa em depoimento. Mas para a polícia isso não basta. Se o áudio não aparecer ou – numa hipótese mais improvável ainda – não surgir uma confissão ou uma testemunha que esclareça o caso, a busca de uma prova se tornará uma tarefa inglória. Leia mais »

Autor: luisnassif - Categoria(s): Mídia Tags: , , ,
25/02/2009 - 22:40

Gilmar, o MST e as tramóias

Invasões de terra pelo MST ou por quem quer que seja são assuntos da Justiça, sim.

Ao se meter no tema e, na condição de presidente do Supremo Tribunal Federa (STF), exortar a uma ação do Ministério Público, Gilmar Mendes volta a atropelar as normas de discrição e de não intromissão em assuntos de outros poderes, que deveria caracterizar o STF.

E o faz na condição de suspeito de ter participado de duas possíveis tramóias: o tal grampo de sua conversa com o senador Demóstenes Torres; e o relatório sobre a tal escuta ambiental no Supremo.

Essa escuta não existiu, foi uma falsificação endossada por ele. O grampo, se existiu, jamais foi apresentada uma prova sequer que consubstanciasse o pré-julgamento de Gilmar Mendes, atribuindo-o à ABIN. Ao usar esses factóides como álibi para atacar todos os poderes que ousaram enfrentar Daniel Dantas, Mendes lançou a sombra da suspeição sobre o Supremo.

Pergunto: tem Judiciário neste país? Tem Ministério Público? Tem algum poder que faça Gilmar responder pelos atos que cometeu? Espero que, terminado o inquérito da Polícia Federal, cesse essa desmoralização diuturna a que Gilmar está submetendo a até então mais preservada das instituições brasileiras: o Supremo.

Por Roberto Kodama

Bem, Dna. Hillary Clinton comprou a versão da escuta do STF. Tá lá no relatório anual sobre direitos humanos do departamento de Estado dos EUA, no capítulo sobre violação de privacidade: clique aqui.

Ah! Não esqueceram da Satiagraha, no capítulo sobre corrupção e transparência governamental:

“Em 8 de julho de Polícia Federal desarticulou um esquema de crime organizado, através de uma operação que desde 2004, identificou a lavagem de dinheiro, evasão fiscal, conspiração, e outros crimes envolvendo fundos públicos. No final do ano a investigação estava em curso, vários altos funcionários são  suspeitos de envolvimento, mas nenhum tinha sido punido. Em 2 dezembro,  um juiz federal condenou o proprietário do Banco Opportunity a 10 anos de prisão por corrupção. “

Autor: luisnassif - Categoria(s): Justiça Tags: , , ,
09/01/2009 - 08:55

O jogo de cena da CPI

Da Folha

CPI DOS GRAMPOS

Deputado pede mais punições para quebra ilegal

FLÁVIO FERREIRA
DA REPORTAGEM LOCAL

O presidente da CPI dos Grampos, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), disse ontem que a descoberta da quadrilha responsável por violações de sigilos telefônicos, bancários e fiscais pela Polícia Civil de São Paulo vai reforçar a proposta de criação de uma lei para aumentar as penas para esses crimes.

“É mais um caso que vai fazer com que tenhamos punições mais graves para crimes de violação de sigilo, que hoje têm penas de dois a quatro anos”, disse.

Apesar de não ter conhecimento de provas, Itagiba disse que a quebra do sigilo do deputado José Aníbal (PSDB-SP) pela quadrilha teve motivação política. “Não tenho a menor dúvida de que o motivo para ouvir um deputado que é líder do PSDB e hoje faz oposição na Câmara só pode ser político.”

Segundo Itagiba, a CPI pediu informações do caso à polícia e ao Ministério Público de São Paulo.
Deputados tucanos vão solicitar todos os atos da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) no controle das operadoras de telefonia. A agência informou que fiscaliza o sistema, mas os procedimentos são sigilosos.

Anteontem à noite, uma funcionária de uma operadora de cartão de crédito foi presa acusada de participar da quadrilha. Ontem, parte dos dez suspeitos detidos prestou depoimento.
Colaborou FERNANDA ODILLA, da Sucursal de Brasília

Comentário

O inquérito que apura os crimes de grampo do rei absoluto da modalidade, Daniel Dantas, está correndo há anos e ainda não recebeu uma sentença de primeira instância sequer. Fosse uma CPI séria, levantaria as razões dessa demora.

Dantas é acusado de grampear jornalistas, filmou clandestinamente o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, tem filmagens clandestinas do ex-presidente do Banco do Brasil, Cássio Kasseb. Pergunte se Itagyba e outros luminares dessa CPI ousaram perguntar algo para Dantas, quando foi depor.

Apenas o trataram com temor reverencial.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Justiça Tags: , ,
08/01/2009 - 11:09

A república do grampo

Do Estadão

Quadrilha quebrava sigilo para espionar

Policiais e funcionários de operadoras rastrearam políticos

Bruno Tavares e Marcelo Godoy

Centenas de pessoas, entre elas políticos e empresários, tiveram os sigilos telefônico, bancário e fiscal quebrados ilegalmente por um esquema de espionagem do qual participavam policiais, executivos de empresas de telefonia, funcionários de bancos e pessoas ligadas à Receita Federal. Essa é a acusação dos promotores do Grupo de Atuação Especial e Controle Externo da Atividade Policial (Gecep) e do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic). Uma das vítimas foi o deputado federal José Aníbal, líder do PSDB na Câmara.

Comentário

Dois pontos relevantes:

1. Segundo a matéria, as investigações duraram quatro anos. Provavelmente contaram com sistemas prolongados de escuta. Comprova o que o mundo jurídico está careca de saber: para desmantelar quadrilhas e crime organizado, há a necessidade de um trabalho pertinaz, demorado.

2. Gilmar Mendes se insurgiu contra essa prática justamente na operação que visa condenar a pessoa que mais recorreu ao esquema clandestino de escutas, Daniel Dantas. Deixou de lado o óbvio, o de que o sistema de escutas ilegal é amplo e irrestrito, com inúmeros exemplos divulgados pela mídia, para concentrar seus ataques justamente na operação de escuta que tinha amparo legal.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Justiça Tags: , ,
05/01/2009 - 10:00

Estado policial ou gangster?

Por Alexandre

Caro Nassif,

Muitos são os sofismas dos discursos relacionados à investigação sobre Daniel Dantas.

Quando o tema é o procedimento investigativo da PF, vale o apego cego à observância do rigorismo formal. O foco nunca é direcionado para as peculiaridades do crime, nem tampouco para a força ou para a astúcia do criminoso; mas, sim, à importância dos chamados “direitos fundamentais processuais”.

Em momento algum há espaço para reflexões sobre a capacidade de o Crime Organizado atuar acima das possibilidades de repressão ordinária do Poder Público. O esforço extraordinário do agente público é rotulado de “messianismo”. Diligência demasiada é, por si, suspeita, e até mesmo recebida como ameaça ao Estado de Direito.

Por outro lado, quando se está diante de uma decisão judicial assentada em estrita observância do rigor formal, impõe-se, então, outra estratégia argumentativa.

De início, as evidências fáticas são minimizadas, quando não ignoradas. Em seguida, há uma confusão intencional de valores. O peso atribuído aos supostos abusos praticados pelo Poder Público (seja por ocasião do uso de algemas, seja em relação às escutas telefônicas ou às prisões preventivas) passa a ser, de súbito, muito maior do que aquele que sempre lhes foi reconhecido. Surge o perigoso Estado Policial.

O foco do debate é deslocado para as estrelas, invocando-se temas universais como o da “liberdade”, o da “dignidade da pessoa humana” e o da “garantia dos direitos fundamentais”. Coisas importantes no mundo jurídico, mas que jamais foram asseguradas em lugar algum, de modo eficaz – ironicamente, uma das razões de tal ineficácia é a própria ingerência do Crime Organizado junto ao Poder Público.

Não se percebe em parte alguma a ponderação dos valores em conflito. Qual a ameaça mais grave: o surgimento do Estado Policial ou do Estado Gângster?

Autor: luisnassif - Categoria(s): Justiça Tags: ,
29/12/2008 - 09:30

A mídia e a armação do grampo

Do ombudsman da Folha,

Carlos Eduardo Lins da Silva

GRAMPOS

Que o jornal seja muito mais cuidadoso do que tem sido na divulgação de grampos e vazamentos, não reproduza acriticamente o que sua própria equipe não apurou, revele ao leitor o interesse de quem fornece a informação ainda que o mantenha anônimo. E que, quando um caso dá em nada, como parece ter sido o do suposto grampo de Gilmar Mendes pela Abin, noticie o desenlace com ênfase comparável à dada às acusações. Neste caso, a revelação das suspeitas rendeu cinco manchetes de capa e dezenas de páginas; seu epílogo, duas notas curtas em página interna.

Comentário

A análise do Carlos Eduardo remete a um novo ponto, mais grave. Se praticamente há consenso de que o suposto grampo, com a conversa entre Gilmar Mendes e Demóstenes Torres, foi uma armação, não dá para meramente registrar o ocorrido.

A partir dessa constatação, há no mínimo uma falta grave cometida pelo presidente do Supremo, por um senador e por uma revista semanal. No máximo, uma cumplicidade com atividades criminosas.

Como fica? Não há lei, não há cobrança de responsabilidade, não haverá CPI para apurar as responsabilidades de um episódio que colocou em xeque instituições públicas e quase gera uma crise institucional? Leia mais »

Autor: luisnassif - Categoria(s): Mídia Tags: , ,
24/12/2008 - 11:16

Para entender o grampo sem áudio

Por José Adailton

Publicado ontem pelo Noblat esta história provavelmente faz parte do relatório da PF sobre a investigação do grampo.

Conversei há pouco com o senador Demóstenes Torres. Ele me contou que estava no seu gabinete acompanhado de cinco pessoas quando conversou com Mendes por telefone. As cinco:  três funcionários do Ministério da Justiça, um procurador da Justiça de Minas Gerais e um assessor do Senado.

Tais pessoas ouviram o que Demóstenes disse a Mendes. São testemunhas, portanto, de parte do diálogo.

Semanas depois, Demóstenes foi procurado por um repórter da VEJA que lhe apresentou a transcrição completa da conversa. Ele reconheceu na transcrição o que dissera e ouvira. Mendes também reconheceu.

Protóneges tentou vender a tese de que o repórter da revista reconstituiu a conversa com a ajuda de Demóstenes e de Mendes. No caso, o senador e o ministro teriam sido cúmplices do repórter na invenção de um episódio que quase procovou uma crise institucional.

Comentário

Essa história da importância do áudio merece uma explicação mais detalhada. Leia mais »

Autor: luisnassif - Categoria(s): Mídia Tags: , ,
23/12/2008 - 10:17

Retrato de uma montagem

Da Folha

A base da dúvida

JANIO DE FREITAS

De que base se originou o caso de grampeamento do presidente do STF e de um senador para chegar a tanto?

O ARQUIVAMENTO , por falta de qualquer indício, da investigação na Abin sobre possível envolvimento seu no grampeamento do presidente do Supremo Tribunal Federal e de um senador ainda não isenta a agência. Mas repõe uma questão essencial nesse tumultuoso caso que comprometeu numerosas pessoas e, aqui como no exterior, o próprio serviço de informações da Presidência da República: de que base se originou esse caso para chegar a tanto? Leia mais »

Autor: luisnassif - Categoria(s): Mídia Tags: , , ,
20/12/2008 - 11:02

O guardião de Dantas

A revista abriga uma falsificação – o grampo por escrito. Não dá uma linha sobre o fim do inquérito da Polícia Federal, que reforçou as suspeitas de que o grampo foi inventado.

Com isso, torna-se suspeita de crime contra o Estado. Na hipótese benigna, por ter acreditado em uma armação. Na hipótese robusta, por ter montado a armação. O mesmo se aplica ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes que, no mínimo, pode ser acusado de ter incorrido em pré-julgamento para gerar uma crise institucional. Em país sério, seria afastado do cargo por seus pares.

Os trechos de grampos até agora divulgados pela Satiagraha mostram jornalistas conversando com Dantas. Como o caso da Janaína Leite, dizendo a Dantas que “acabei com Nassif”. E Dantas mostrando preocupação pelo fato de Diogo Mainardi ter desembestado e aberto a guarda – provavelmente quando perdeu o rumo no episódio do Relatório Italiano e acabou divulgando o PDF e se desmacarando.

A revista não esclarece se os jornalistas gravados foram flagrados em atividade legal. Suspeita-se que não.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Mídia Tags: , , ,
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