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14/10/2009 - 17:05

Já que Honduras não tem mais serventia…

Por Carlos

Nassif,

têm ficado cada vez mais escassas as informações sobre o golpe em Honduras, não? Se voltaram a dedicar à questão o mesmo espaço que sempre foi reservado à América Latina na mídia brasileira (ou seja, nenhum), desconfio se não seja porque as negociações não estejam seguindo exatamente o rumo preferido pelo barões. Ou ainda se não seja porque os fatos dignos de notícia que a conjuntura do país esteja produzindo corroborem o caráter inegavelmente violento e antidemocrático do regime golpista. O que sei é que qualquer coisa que pudesse ser lida como derrota de Zelaya e, na visão dos barões, extensível ao Itamaraty seria fartamente noticiada pelo sistema de cloacas da mídia brasileira. De modo que sugiro que quem tenha informações, ainda que carentes de confirmação, que as compartilhasse nos comentários do blog.

Por Euclides

Sr. Nassif, Para quem desejar ter notícias diretamente de Honduras a seguir o endereço de site para acessar diversos jornais daquele País.

http://jornais.prensamundo.com/p-jornais-honduras.htm

Do G1

G1Zelaya

Autor: luisnassif - Categoria(s): Diplomacia Tags: , , ,
14/07/2009 - 17:00

Serra e o golpe da comenda

Do Painel do Leitor da Folha

“Texto de Ricardo Melo dá curso a boataria que circulou nos últimos dias pela internet, em sites e blogs de menor repercussão. Repete o jornalista que o governador Serra teria atribuído à ONU um prêmio recebido na semana passada, outorgado por uma ONG.

Como consta de todo o material distribuído sobre a homenagem, em momento algum o governador ou sua assessoria disseram diferente: o prêmio é da WFO (World Family Organization), entidade com sede em Paris, filiada à ONU e fundada em 1947. É, ao mesmo tempo, endossado pelo Comitê Econômico e Social (Ecosoc) da ONU. Durante reunião anual do Ecosoc (entre os dias 6 e 9 últimos) na sede europeia da ONU, em Genebra, o prêmio foi entregue ao governador, como um dos eventos dessa reunião plenária, na presença de jornalistas brasileiros.

Acrescente-se que não é prática do governador ostentar títulos que não tem. Primeiro, porque não seria ético. Segundo, porque seu currículo dispensa maquiagens.”

JUNIA NOGUEIRA DE SÁ, coordenadora de Comunicação e Imprensa da Secretaria de Comunicação do Governo de São Paulo (São Paulo, SP)

Comentário

clique aqui para ver o vídeo do evento

Não chamarei Júnia de assessora inexpressiva, primeiro porque ela tem história; depois, porque o texto é do Serra. Mas vamos à maneira como o governador tenta esconder o mico que pagou.

Antecipo alguns pontos:

1. A entidade não é filiada (ou seja, com relação direta) à ONU. O governo de Sâo Paulo continua enrolando. Ela é uma mera associada (ou seja, papel apenas consultivo), aliás uma das 3.195 ONGs associadas ao Conselho Econômico e Social (ECOSOC). Essa confusão entre filiação e associação é comprovação da falta de assessoria internacional do governo do Estado.

2. A presidente dessa entidade (na foto ao lado do governador) responde a processos em dois estados e, provavelmente, incorrerá em um novo processo em um terceiro estado. Acusação: estelionato.

3. Em todas as manifestações sobre o evento, Serra fez questão de salientar que seria na sede da ONU. A troco de quê dar mais destaque ao local do evento do que à entidade organizadora? Obviamente passar a impressão de que havia o aval da ONU à premiação.

4. A única informação correta da nota da assessora é que Serra não precisaria dessa encenação para enriquecer seu currículo. O  José Serra original certamente não faria isso. O ator que se faz passar por José Serra, depois que virou governador, mostrou-se capaz de incorrer em ridículos continuados.

Vamos aos detalhes dessa ópera bufa.

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Política, Sem categoria Tags: , , ,
07/07/2009 - 11:17

O golpe de Honduras

Praticamente todos os jornais passaram a descrever o que ocorreu em Honduras com a definição correta: golpe. Com a condenação dos Estados Unidos e a ameaça de boicote econômico, Celso Amorim diz que o grupo golpista não resistirá três meses.

O correspondente da Folha conseguiu uma resposta extraordinária do novo MInistro da Defesa Adolfo Lionel:

FOLHA – Por que houve a proibição da volta de Zelaya?
LIONEL - O fato de se ter permitido a Zelaya ir à Costa Rica foi um ato humanitário. Há muita gente que ainda está irritada. Para evitar um banho de sangue, decidiu-se enviá-lo à Costa Rica, um país altamente democrático. Aqui, estaria preso. Há 18 ordens de prisão contra ele.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Internacional Tags: , , ,
05/07/2009 - 18:34

A crise de Honduras

Tirei as imagens da Telesur porque travavam o IE. Ficam os comentários

Autor: luisnassif - Categoria(s): Internacional, Sem categoria Tags: , ,
04/07/2009 - 09:42

Para entender a crise de Honduras

Do Portal Luís Nassif

As cláusulas petreas e as cédulas misteriosas da crise em Honduras

* Publicado por André Borges Lopes

Uma compilação de informações úteis para quem deseja entender a atual crise em Honduras, e não ficar limitado ao usual Fla-Flu das mentes bipolares.

Continua

Autor: luisnassif - Categoria(s): Internacional Tags: ,
19/05/2009 - 08:01

A hipocrisia das CPIs

Coloquei no Google Docs (clique aqui) algumas das muitas colunas que escrevi, ainda na Folha, sobre o papel deletério das CPIs, sobre a suprema hipocrisia de que CPIs só pegam culpados, quem não deve não teme e outras variações do mesmo teor.

Alguns trechos das colunas:

De 15/05/2001

O país das quarteladas

Se não se definirem com clareza uma reforma política ampla, o papel da mídia no quadro político e o papel das CPIs como ferramenta política, dificilmente o país se livrará de crises políticas enormes nos próximos anos, seja quem for o próximo presidente da República.

(…) Hoje em dia tem-se a mesma estratificação política do início da República, a mesma relação ambígua entre poder central e local, o mesmo esgotamento dos planos econômicos como fatores de legitimação política, mas uma dinâmica de opinião pública mil vezes mais elétrica, conduzida pela velocidade da internet e pela competição mercadológica entre os grandes veículos.

Essa força pode ser o grande fator de transformações do país, na medida em que induza a aprimoramentos institucionais e formas de controle democráticas. Mas também pode ser grande fator de instabilidade. É muito mais fácil do que nos tempos das “Cartas Brandi” ter o escândalo real ou esquentado, criar a comoção, que fornece o álibi para uma CPI, que promove a destituição do governante.

De 24/05/2001

CPIs, catarse e técnica

Há uma série de considerações a fazer acerca do artigo “O instrumento ameaçador” -publicado na Folha de domingo como contestação à minha coluna “CPI e interesses pessoais”.

Uma -menos importante-é de ordem pessoal. Diferentemente do que sugere o artigo, há muito tempo questiono os critérios pouco técnicos e o sensacionalismo das CPIs. Comecei a questioná-los na CPI do Impeachment, apesar de ter sido o jornalista que mais atacou Collor antes da CPI (de acordo com livro de Cláudio Humberto). Fui também o principal crítico da grande pizzaria em que se transformaram a CPI dos Precatórios e a dos Bancos. E isso porque acho que CPI só serve para fazer barulho e atrapalhar a produção de provas.

Grosso modo, a defesa que o artigo faz da CPI centra-se em dois pontos. Um, nas vantagens legais sobre outras formas de investigação (como inquérito policial e investigações do Ministério Público). Outro, na sua presumível eficácia sobre as demais formas.

No plano legal ela teria mais facilidades em conseguir quebrar sigilos bancários e telefônicos do que o Ministério Público e a Polícia Federal. É falso. Quando o pedido é bem fundamentado, nem Ministério Público nem PF têm encontrado dificuldades em obter autorização judicial para a quebra do sigilo. Ou se esquece de que as denúncias sobre a Sudam foram levantadas em cima de mais de 300 horas de “grampo” autorizado pelo Judiciário? Esse mesmo limite vale para as CPIs, uma das quais -a do Futebol- recentemente teve negada pelo Judiciário autorização para a quebra de sigilo de suspeitos -conforme lembra o atento leitor Marx Golgher.

Outra “virtude” da CPI -segundo o artigo- seria o “o confronto de tendências opostas entre os numerosos investigadores”. Ora, mas essa característica é justamente o que impede a eficácia das CPIs. Confronto de “tendências opostas” é bom para questões políticas e até para julgamentos finais, jamais para investigações, operação que exige critério, método, estratégia e sigilo. Nas CPIs têm-se levantamentos feitos de forma amadorística, sem preocupação de colher provas e submetidos ao critério subjetivo das “tendências opostas”. E esses critérios são exclusivamente o da manipulação de ênfases, sem nenhuma preocupação técnica.

Outra pretensa “virtude” das CPIs seria seu caráter público. Ótimo! Na CPI do Narcotráfico o público mais atento ao caráter público e democrático das sessões foram os narcotraficantes. Era só ligar a TV Senado ou TV Câmara, conferir o nome da testemunha de acusação e eliminá-la em seguida. (…)

De 17/04/2001

CPIs e interesses pessoais

A direção nacional do PT censurou publicamente o senador Eduardo Suplicy por ter apoiado a CPI do Lixo, da Câmara Municipal de São Paulo. Jornalistas carlistas justificaram a desistência de Antonio Carlos Magalhães em assinar a CPI da Corrupção pelo fato de terem sido incluídas nela temas da vida do senador e o controle das investigações ficar com adversários políticos. O governo joga o que pode contra a aprovação de qualquer CPI sobre seus atos. E, sempre que alguém fica contra a CPI, todos repetem a mesma cantilena que é utilizada por seus adversários quando é sua vez de ser vítima de uma CPI: quem é contra a CPI é contra a transparência.

É uma hipocrisia fantástica e generalizada. Por que todos fogem de uma CPI? Porque todos, quando podem, utilizam politicamente a CPI e sabem que CPIs são instrumentos de manipulação política.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Eleições, Política Tags: ,
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