Sempre houve críticas ao Jornal Nacional. Mas seu rigor jornalístico criou um padrão de qualidade. Podia-se criticar enfoques políticos, não o factual.
O padrão Ali Kamel destruiu até isso.
No Jornal Nacional de hoje, William Bonner informa erroneamente que a gravação da conversa entre Gilmar Mendes e Demóstenes Torres se deu no bojo da Operação Satiagraha.
Conforme é do conhecimento de qualquer repórter do JN, de qualquer cinegrafista e câmera, nunca foi comprovada a autoria desse suposto grampo. E a maior desconfiança é que tenha sido uma armação da qual participaram Gilmar Mendes, Demóstenes e a revista Veja.
Por Jerffesson Nascimento
Bom…
O apresentador ler aquilo que foi colocado para ele ler. Agora mesmo, na Globo News, no “Em Cima da Hora” o apresentador Eduardo Grillo leu o mesmo texto.
Chefe é chefe, Ali Kamel escreveu. Não leu, o resto vocês já sabem.
Resposta do Globo ao post “O ping (pong) do Globo com seus leitores”
Prezado Luis:
Desculpe a intromissão em sua caixa postal, uma vez que você não me conhece. Porém, na condição de editor de interatividade e blogs do site do Jornal O Globo, sinto-me compelido a enviar uma observação a respeito do post “O ping (pong) do Globo com seus leitores”, publicado ontem em seu blog.
Longe de pretender traçar qualquer consideração a respeito do juízo que seu blog faz da política de interatividade do Globo com seus internautas, e respeitando integralmente sua opinião sobre o trabalho de nossa equipe, quero apenas informar que:
A matéria Leitores do site do GLOBO criticam invasões do MST após declarações de Gilmar Mendes, publicada no dia 26 às 12h26, referia-se aos comentários enviados pelos leitores para a matéria “Gilmar Mendes critica invasões de sem-terra no Pontal do Paranapanema e cobra ações de Justiça, MP e governo”, que foi publicada na véspera, dia 25, às 23h36. Essa referência está explícita já no lead da matéria sobre os comentários, com link. E para essa matéria, o volume de comentários de leitores criticando as invasões era imenso. Isso chamou a atenção de nossa equipe de jornalistas online, que decidiu então, sem qualquer “intervenção superior”, escrever uma matéria sobre o teor dos comentários.
Já a matéria do Rainha sobre o Gilmar Mendes à qual você se refere (”Rainha pede a ministro Gilmar Mendes mesmo tratamento dispensado a Daniel Dantas”), foi publicada às 13h45 do dia 26, uma hora e dezenove minutos depois da matéria que você julgou ter tentado manipular a tendência de opiniões. Leia mais »
Tenho dito aqui que a grande mídia terá enorme dificuldade para tratar com o jornalismo interativo pois significará abrir mão do poder de manipular conclusões.
Confira que exemplo mais didático.
O Globo publicou a matéria do Rainho sobre Gilmar Mendes e Dantas. Houve muitos comentários. A partir deles, o jornal fez uma matéria com o título:
Leia a matéria. Depois leia os comentários que peguei na home do jornal. São cinco comentários, dentre os dez publicados. Não cheguei a ler os 100 ou 200 comentários, mas é gritante a diferença entre a amostragem dos comentários, na própria home do jornal, e a seleção feita nessa matéria.
O ping de O Globo
Publicada em 26/02/2009 às 13h24m
O Globo
RIO – As críticas feitas pelo ministro Gilmar Mendes às invasões realizadas por movimentos sem-terra durante o carnaval , entre elas as lideradas por José Rainha, dissidente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), mobilizou leitores, que deixaram mais de 200 comentários no site do GLOBO. Gilmar Mendes disse que as ações extrapolam os limites da legalidade e, em referência indireta ao governo federal, ressaltou que a lei impede o poder público de financiar esses grupos.
A leitora Paula Soares Vieira criticou os sem-terra e classificou o movimento como uma organização de esquerda criada alimentada para dar suporte ao governo:
” Só no ano passado (o MST) embolsou mais de R$ 50 milhões do nosso dinheiro.Toda aquela gente é transportada e alimentada com esse dinheiro para criar desordem rural ”
“Só no ano passado (o MST) embolsou mais de R$ 50 milhões do nosso dinheiro.Toda aquela gente é transportada e alimentada com esse dinheiro para criar desordem rural e bater palmas nos comícios petistas. O governo tem muita terra para fazer reforma agrária sem que haja a necessidade de invadir o patrimônio privado, que é garantido por lei”.
Celso Costa Pinheiro fez críticas às invasões, assim como o ministro, e condenou as invasões apoiando-se em um dos fundamentos básicos do capitalismo, o do direito à propriedade privada :
“Até que enfim uma voz lúcida e sem compromissos partidários levanta-se contra do MST. Vamos ver agora se a sociedade, pressionando o Estado, faz finalmente este processar e condenar os criminosos que invadem as fazendas. Somos um país capitalista, e por isso tem que haver o respeito a propriedade privada e a segurança jurídica.
Para Cláudio Luiz da Silva Barretto, o movimento já não tem mais a legitimidade que tinha quando surgiu, há 25 anos. O leitor, alinhado com o comentário de Paula Soares Vieira, manifestou-se e opinou sobre a relação do governo com o movimento:
“O MST deixou de ser legítimo há muito tempo. Já foram noticiadas em vários veículos de mídia as atividades, contas e “filosofia” desse grupo. Curioso que uma autoridade tenha tocado nesse assunto dessa forma – é clara a tolerância e negligência do governo”
Já o leitor Marcello Castro de Lima Oliveira foi um pouco mais radical nas críticas:
“Após anos de tolerância e conivência com o terrorismo travestido de movimento social, por parte do PT, que o mantém e do PSDB, que o tolera, eis que, finalmente, se levantou uma voz para por fim a esse estado crônico de criminalidade. Chega desse terrorismo liderado por Stédile e Rainha e financiado por Lula”
Mas houve quem ponderou, como o leitor Álvaro Carvalho Galvão Gomes de Mattos:
” O senhor ministro deveria lembrar que a Constituição diz que a reforma agrária deve ser feita e que se isso já tivesse ocorrido não existiriam desculpas para qualquer tipo de invasão ”
“Se a sociedade tolera deve ser por que ela entende e tem como legítimos as ações de um grupo marginalizado e excluído de todo e qualquer processo político, por falta de acesso a terra, educação, saneamento, excluídos tecnológicos, excluídos da informação”
E Matheus Martins de Sousa concluiu fazendo coro por uma reforma agrária, razão da luta do MST:
“O senhor ministro deveria lembrar que a Constituição diz que a reforma agrária deve ser feita e que se isso já tivesse ocorrido não existiriam desculpas (nem necessidade) para qualquer tipo de invasão”.
O pong dos leitores
Jose Geraldo Ferreira Netto
26/02/2009 – 15h 44m
Este Ministro Digo: Gilmar ” Mentes a Bessa “, desculpe o trocadilho, más é de propósito. Este Ministro não gosta de ser contariado nem pelos seus párias, ele é do tipo, eu digo o que é verdade e fim de papo, será que ele esta sempre com a razão nas suas decisões de carater superior; no caso do Daniel Dantas o negócio é o outro : poder financeiro sobrepoem a dita e tão falada JUSTIÇA dos comuns versos a justiça dos hábeas corpus dos ricos, elite esta que o Sr. Gilmar Mentes a Bessa protege.
LucaNeoni
26/02/2009 – 15h 43m
Se liga Rainha !
O Gilmarzão é compadre do Dantas.
Tá entendido ?
MauroRio
26/02/2009 – 15h 43m
Cadeia para os dois – Dantas e Rainha, esta deveria ter sido a decisão do STF. Lugar de ladrão, corrupto, corruptor, conivente, invasor, bandido de qualquer espécie, com ou sem colarinho, com ou sem faixa no peito, é na cadeia.
E quem pensa que é o sr. Rainha para criticar decisões proferidas pelo STF, mesmo partidas do sr. Gilmar Mendes, que é uma vergonha para a instituição?
Pau neles. E nos outros, que permanecem impunes, às nossas custas.
Tutas
26/02/2009 – 15h 38m
Quem que este Rainha acha que é?
Tem colarinho branco? Tem?
Justiça rápida para ele.
Martelin
26/02/2009 – 15h 35m
O suspeitíssimo Gilmar Mendes, que preside o fácil STF e atende a pedidos do Demóstenes Torres pelo telefone grampeado (que coisa horrível), ao alfinetar o PT, perdeu mais uma oportunity para ficar quieto. Não é aceitável que o órgão máximo do judiciário passe a sensação de injustiça e de venalidade.
É aceitável que no STF nem todos sejam juristas excepcionais, mas é inaceitável pairar desconfiança. O PT não merece o poder, o Lula não merece o prestígio e o Gilmar merece cadeia.
Olhando notícias de jornais e a agenda do Gilmar Mendes, relacionei abaixo alguns acontecimentos curiosos e algumas questões que para as quais não encontrei respostas. As datas que procurei foram 14/07/2008, um dia antes de ter ocorrido o suposto grampo e dia da visita do Gilmar ao Estadão, Conjur e Record e o dia 15/07/2008, dia em que teria ocorrido o tal grampo.
1 – Um dia antes da ocorrência do suposto grampo (ou seja, dia 14), o Gilmar Mendes foi até a São Paulo e, entre 13h00m e 17h30m, ele almoçou com a diretoria do Estado de São Paulo, no prédio do Jornal e depois visitou o Conjur e a rede Record. Depois disso ele desapareceu e só tivemos notícias dele, pela agenda do STF, no dia 15/07 às 18h25m, mais de 24 horas depois. Às 18h32m desse mesmo dia, sete minutos depois — segundo a revista Veja informou no dia 30/08 — foi quando se deu o suposto grampo da suposta conversa.
Como leitor assíduo de seu blog, não poderia deixar de enviar à sua apreciação mais uma “decisão jurídica” do Ministro Gilmar Mendes, fazendo da CF/88 um panfleto apócrifo diante de sua sapiência doutrinária e jurídica.
A notícia deve-se ao fato do MPF com sucesso, em decisão de primeiro grau, ter obtido tutela antecipada (espécie de liminar), obrigando o Governo do Distrito Federal, na figura demagógica, do Senhor José Roberto Arruda, a exonerar 272 servidores comissionados, ou seja, sem concurso público, e contratar novos servidores devidamente concursados (que já existem, aguardando uma ilusória convocação). Ou seja, a justiça de primeiro grau, quis botar ordem no cabide de empregos que se tornou o Governo do GDF, mas o STF, na pessoa do seu presidente, em recurso do governo, cassou a decisão e, ainda, de lambuja, deu um esculacho na decisão do magistrado.
Segue o texto, retirado do site do STF para sua consideração. Leia mais »
Em andamento a desqualificação das operações Brasil a fora para fechar com chave de ouro ao julgar a Satiagraha.
Vamos voltar pra escolinha…
EITA FÉRIAS QUE NÃO ACABA. !!!
Notícia de Alagoas
–
Deputados indiciados vão voltar à Assembléia Legislativa
(15/01/2009 16:06)
- Atualizada às 16h22
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, decidiu nesta quinta-feira, 15, que os deputados afastados da Assembléia Legislativa (ALE) por envolvimento nos desvios de R$ 300 milhões poderão reassumir seus cargos.
Com a decisão, voltam aos cargos, imediatamente, os deputados: Antônio Albuquerque, Cícero Ferro, João Beltrão, Nelito Gomes de Barros, Isnaldo Bulhões Junior, Arthur Lyra, Dudu Albuquerque, Edval Gaia Filho, Marcos Ferreira e Maurício Tavares. Todos foram indiciados na Operação Tatuarana, pela Polícia Federal.
No texto da sua decisão, o ministro informa que anulou o acórdão do ex-desembargador Antônio Sapucaia, do TJ, que havia decidido pelo afastamento dos deputados até que o processo fosse concluído.
Os deputados afastados protocolaram a ação no dia 24 de março do ano passado.
Venho acompanhando a sua luta contra nossa surreal justiça, manipulada de maneira acintosa por Daniel Dantas e pelo jornalismo comprado por ele.
Aqui vai uma manchete do New York Times sobre uma decisão da Suprema Corte norte-americana que coloca em xeque uma série de procedimentos e chincanas de certos advogados e da imprensa.
A manchete é clara: Justiça diz que provas são válidas apesar de erros da policia na apuração. Clique aqui.
É um caso que tem tudo para estabelecer jurisprudência. E cai como uma luva para o caso de Daniel Dantas, que tenta escapar por meio de equivocos técnicos da investigação, quando se sabe que, boa parte do que foi apurado, é legal e correto.
Ministros de plantão só vão decidir casos em que há risco para a liberdade de indivíduos, por exemplo
FELIPE SELIGMAN
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Na tentativa de evitar novas polêmicas, os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) decidiram mudar o regimento interno do tribunal, determinando que, durante o recesso do Judiciário, só sejam julgadas questões “urgentes”.
Entende-se por urgentes os assuntos cuja falta de análise imediata poderia comprometer definitivamente o processo ou aqueles casos que podem pôr em risco a vida ou a liberdade de indivíduos, como, por exemplo, eventuais prisões efetuadas pela Polícia Federal.
A medida foi tomada em outubro de 2008, em sessão administrativa, e posta em prática agora pela primeira vez.
Durante os recessos do STF, nos meses de julho e janeiro, o presidente e o vice-presidente do tribunal ficam responsáveis pelos processos que entram na Corte. Até o último recesso, eles eram encarregados da análise de todos os pedidos de liminares. Desde outubro, só devem decidir questões urgentes.
Na prática, a mudança já surtiu efeitos. Durante a passagem do Ano Novo, o vice-presidente do Supremo, ministro Cezar Peluso, alegou falta de urgência para não analisar sozinho o pedido de liminar feito por partidos de oposição contrários à medida provisória que destinou cerca de R$ 14 bilhões para o recém-criado Fundo Soberano. A decisão será tomada em conjunto pelos ministros do Supremo ao final do recesso, em 2 de fevereiro.
Peluso também deixou de julgar habeas corpus protocolado no dia 30 de dezembro pelos advogados do banqueiro Daniel Dantas, pedindo a suspensão da ação penal em que ele foi condenado por tentativa de subornar um delegado da Policial Federal.
Sob os mesmos argumentos, o presidente do tribunal, ministro Gilmar Mendes, disse que o Supremo não avaliaria antes de fevereiro a ação contestando a proposta que cria 7.343 vagas de vereador no país, aprovada no Senado, mas que a Câmara se recusou a promulgar, afirmando que o texto foi alterado pelos senadores.
As principais polêmicas a serem evitadas dizem respeito a disputas políticas. Por outro lado, a mudança não deve influenciar a maioria dos pedidos de habeas corpus, como os concedidos em julho do ano passado por Gilmar Mendes, que mandou soltar por duas vezes, em menos de 48 horas, Daniel Dantas. Mesmo sem a nova regra em vigor, Mendes disse que era uma decisão urgente.
Os advogados também aproveitavam a antiga norma para encher o gabinete da presidência de processos. Somente em julho do ano passado, o tribunal recebeu 779 pedidos.
pareço propagandista d’O GLOBO, mas é que tem outra entrevista interessante, do corregedor do CNJ, Gilson Dipp, sobre aquele assunto de um post seu, da semana passasda, sobre o código de conduta dos juízes, o “comportamento” do Gilmar Dantas, ops, Mendes, etc.
zeh
O ministro Gilson Dipp, assim como parte dos brasileiros, se diz decepcionado e envergonhado com os casos de corrupção entre juízes. Mas algo o diferencia dos demais brasileiros: desde setembro, ele é o titular da corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) – órgão com competência para investigar e punir desvios de conduta dos magistrados. O ministro diz que não terá constrangimento em condenar colegas, se for preciso. Além de levantar a bandeira pelo fim da corrupção entre juízes, Dipp defende que a categoria tenha compostura. Para ele, brigas públicas – como a do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, com o juiz Fausto De Sanctis, na Operação Satiagraha – expõem e fragilizam o Judiciário. “Juiz nenhum tem que criticar a decisão de outro”, afirma.
Carolina Brígido
(…) O código de ética que o CNJ está distribuindo demonstra preocupação com a conduta desviada de magistrados? DIPP: O código de ética da magistratura é necessário em países com o Judiciário ainda muito dependente do Executivo, ou não muito desenvolvido, como os países da África e alguns da América Latina. Ainda é preciso ter o mínimo de noções éticas, posturas que achamos convenientes ditar, para que o juiz tivesse ali um guia, um parâmetro.
O Brasil é um país onde o magistrado deve ser orientado sobre sua conduta?
DIPP: Eu acho que sim.
O código de ética diz que o juiz não deve criticar decisão de colega, a não ser em despacho bem fundamentado. Na Operação Satiagraha, o presidente do STF, Gilmar Mendes, trocou críticas públicas com o juiz federal Fausto De Sanctis. Houve excessos?
DIPP: Juiz nenhum tem que criticar decisão de outro. Existe um sistema processual que deve ser utilizado e ponto final. Instâncias superiores confirmam ou reformam decisões de instâncias inferiores. Esse é o sistema, não há que ter críticas.
O senhor viu excessos? DIPP: Fica chato comentar. Eu conheço os dois. Não precisava. Toda discussão pública em relação ao Judiciário e juízes não precisaria ter, porque o nosso sistema processual tem mecanismos para confirmar ou reformar a decisão que tiver errada.
Esse tipo de bate-boca expõe o Judiciário? DIPP: Acho que sim. O Judiciário tem que ter transparência, mas não pode expor suas dificuldades. Principalmente no que diz respeito a um processo, em público.
Comentário
O Ministro Gilson Dipp é tido unanimemente como magistrado sério e responsável, discreto e profissional. Pois partiu dele a primeira manifestação de defesa séria do Judiciário, contra um personagem – Gilmar Mendes – que está jogando a imagem da Justiça no lixo.
O presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, apareceu nas páginas da Folha 651 vezes durante o ano passado. O da Suprema Corte dos EUA, John Roberts, esteve nas do “New York Times” no mesmo período 742 vezes. A diferença não é expressiva.
O que impressiona é a maneira como Roberts surge no “Times” em comparação com Mendes na Folha.
Roberts está no jornal quase exclusivamente em citações de suas opiniões nos casos que julga e de suas intervenções nas audiências que norteiam a decisão dos juízes. Ou quando alguém se refere a ele: políticos, colunistas, editoriais.
Há só uma declaração de Roberts no “Times” fora da corte: de 31 de dezembro de 2008, quando pediu ao Congresso que aumentasse o salário dele próprio e de seus colegas.
Roberts quase não dá entrevistas. No ano passado, nenhuma que eu tenha conseguido localizar. Também não faz discursos fora do tribunal.
Em 2006, falou à rede de TV ABC, e foi criticado por ter citado memórias de juventude.
Mendes é diferente, em especial neste jornal, que lhe confere status de celebridade, nos seus piores aspectos. Em 50 textos em 2008, ele aparece fazendo declarações, muitas de cunho político, algumas repetidas duas vezes com títulos semelhantes (”o habeas corpus é como o ar”) no espaço de quatro dias (12 e 16 de dezembro).
Se Roberts e a rede ABC foram atacados por ele ter se lembrado de seus dias como jogador de futebol no colégio e demonstrado camaradagem excessiva com a entrevistadora, o que se diria se aparecesse como a revista Serafina deste jornal retratou Mendes em 8 de junho, em reportagem chamada “O amor e o poder”, em que ele e sua mulher posavam na intimidade do lar como se fossem astros de cinema?
Por Marco Vitis
Na mesma Folha, no Painel, é informada a agenda política de Gilmar:
(A) aprovação da lei contra abuso de autoridade (será que ele pretende punir a si próprio ?);
(B) controle externo da ABIN (parece que ficou clara a razão dele endossar a farsa do grampo).
(C) proibição de que um mesmo juiz instrua o processo e julgue. (mais uma vez procurando atacar o nobre Juiz Fausto De Sanctis).
Em síntese: Gilmar Mendes não tem a necessária respeitabilidade para ser membro do Supremo Tribunal Federal.
A Folha continua firme em sua linha editorial de esquecer todos os crimes de Daniel Dantas, passar ao largo sobre as suspeitas que pesam contra jornais e jornalistas e procurar desacreditar a Satiagraha.
Confira na entrevista de Lilian Christofoletti e Mário César Carvalho com o procurador Rodrigo De Grandis.
O título é “Erro de Protógenes não invalida provas que PF reuniu contra Dantas” (clique aqui).
Compare as sucessivas tentativas de jogar casca de banana, de arrancar declarações que comprometam a investigação, com a entrevista recente com Gilmar Mendes, em que sequer é tangenciada a questão do grampo. Leia mais »
Publicado ontem pelo Noblat esta história provavelmente faz parte do relatório da PF sobre a investigação do grampo.
Conversei há pouco com o senador Demóstenes Torres. Ele me contou que estava no seu gabinete acompanhado de cinco pessoas quando conversou com Mendes por telefone. As cinco: três funcionários do Ministério da Justiça, um procurador da Justiça de Minas Gerais e um assessor do Senado.
Tais pessoas ouviram o que Demóstenes disse a Mendes. São testemunhas, portanto, de parte do diálogo.
Semanas depois, Demóstenes foi procurado por um repórter da VEJA que lhe apresentou a transcrição completa da conversa. Ele reconheceu na transcrição o que dissera e ouvira. Mendes também reconheceu.
Protóneges tentou vender a tese de que o repórter da revista reconstituiu a conversa com a ajuda de Demóstenes e de Mendes. No caso, o senador e o ministro teriam sido cúmplices do repórter na invenção de um episódio que quase procovou uma crise institucional.
Comentário
Essa história da importância do áudio merece uma explicação mais detalhada. Leia mais »
O Roda Viva de ontem valeu por uma afirmação do delegado Protógenes, reproduzida em todos os portais de notícias: não houve o grampo contra Gilmar Mendes. Sem áudio, não há grampo. Nada que qualquer leitor atento não tivesse já percebido. Mas, pela primeira vez, rompeu-se de forma ampla a barreira corporativista criada pela mídia em torno do episódio.
Não dá para tapar o sol com a peneira. Há a suspeita de que houve uma fraude, da qual participaram uma revista de circulação nacional, a Veja, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, e um senador da República, Demóstenes Torres.
Mais. A notícia não veio sozinha, mas mal acompanhada – da acusação de ter sido planejado pela ABIN (Agência Brasileira da Inteligência), acusação repercutida, em uníssono, pela Veja e pela IstoÉ.
A notícia gerou uma crise institucional por ter sido endossada pelo presidente do Supremo. Pior, beneficiando diretamente um réu que vinha sendo defendido tanto pelas duas revistas quanto por Gilmar. Em nome dos direitos individuais, é claro.
Na melhor das hipóteses, Veja e Gilmar foram levianos, ao endossar um grampo sem áudio. uma autoria sem comprovação. Na hipótese grave, foram cúmplices em uma ação para desmoralizar instituições públicas brasileiras, visando defender os interesses de um criminoso condenado por suborno.
Em qualquer das hipóteses, é inconcebível que a mais alta corte do país mantenha na presidência alguém sobre quem paira a suspeita de, na versão benevolente, gerar levianamente uma crise institucional.
Se Gilmar Mendes tivesse o mínimo respeito pelo Tribunal que preside, solicitaria o afastamento do cargo até que o episódio fosse definitivamente esclarecido. Ou apresentaria as evidências em que se baseou para afirmar que o grampo existia e foi produzido pela ABIN. Leia mais »
De que base se originou o caso de grampeamento do presidente do STF e de um senador para chegar a tanto?
O ARQUIVAMENTO , por falta de qualquer indício, da investigação na Abin sobre possível envolvimento seu no grampeamento do presidente do Supremo Tribunal Federal e de um senador ainda não isenta a agência. Mas repõe uma questão essencial nesse tumultuoso caso que comprometeu numerosas pessoas e, aqui como no exterior, o próprio serviço de informações da Presidência da República: de que base se originou esse caso para chegar a tanto? Leia mais »
A CartaCapital desta semana publicou um editorial incisivo sobre a participação de Gilmar Mendes no Roda VIva, inclusive com respostas a insinuações do Ministro. Clique aqui para acessar a íntegra.
Aqui, o trecho mais divertido do editorial, com algumas informações de conhecimento disseminado na mídia.
E agora Jobim? E agora, Gilmar? E agora, oposição? -
Paulo Moreira Leite (Época)
Apareceu mais uma complicação naquela denúncia de um grampo sem aúdio nem transcrição oficial -que mostra um diálogo entre Gilmar Mendes, presidente do STF, e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). Após quatro meses de investigação e duas prorrogações, onde foram colhidos 84 depoimentos, o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência decidiu arquivar uma sindicância sobre a participação da Agência Brasileira de Inteligência nessa escuta que até agora ninguém ouviu. A investigação não chegou a um único suspeito nem a um único indício contra a Abin, acusada, desde o início, de ser responsável pela operação.
É um vexame que atinge várias personalidades coroadas de Brasília (continua).
Introdutor do jornalismo de serviços e do jornalismo eletrônico no país. Vencedor do Prêmio de Melhor Jornalista de Economia da Imprensa Escrita do site Comunique-se em 2003, 2005 e 2008, em eleição direta da categoria. Prêmio iBest de Melhor Blog de Política, em eleição popular e da Academia iBest.