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15/07/2009 - 10:24

Levantando o véu de Gaza

Por Rafael

Nassif, olha essa reportagem do El País sobre a última guerra em Gaza, com depoimentos de combatentes israelenses. Chocante como a escuridão é mais persistente que a luz.

Clique aqui.


Autor: luisnassif - Categoria(s): Internacional Tags: , , ,
06/02/2009 - 13:55

Os Médicos sem Fronteira e Gaza

Por Soledad Larraz

Nassif,

Abaixo, informativo do MSF – Médicos sem Fronteiras de 03/02/09

Cicatrizes físicas e psicológicas em Gaza

Os tratamentos médicos continuam, mas a população da Faixa de Gaza pede também ajuda social e psicológica

03/02/2009- Cerca de 20 feridos foram operados dentro das instalações de Médicos Sem Fronteiras (MSF), na Cidade de Gaza, desde o início da semana até agora. Metade dos pacientes tem menos de 15 anos de idade, incluindo sete crianças com menos de cinco anos. A equipe médica tem feito a remoção de tecidos infectados ou mortos, enxertos de pele e remoção de fixadores externos. Curativos para queimaduras graves também precisam ser feitos pelo departamento cirúrgico.

Informando os feridos sobre as cirurgias secundárias e específicas, espera-se que mais pacientes cheguem ao longo dos próximos dias e semanas. As extensas avaliações de MSF na Faixa de Gaza indicaram uma necessidade significativa de cirurgias específicas e secundárias para pacientes machucados, durante as três primeiras semanas de janeiro. MSF identifica pacientes através de equipes que vão de porta em porta nas àreas mais afetadas pelo conflito, ou através dos profissionais médicos das clínicas. Os hospitais palestinos também referem pacientes para as instalações de MSF, e pronunciamentos de rádio estão sendo realizados, informando a população sobre o tratamento cirúrgico disponível. Leia mais »

Autor: luisnassif - Categoria(s): Internacional, Política Tags: ,
05/02/2009 - 20:34

Na rua, pode

Por Tiago de Jesus

A correção é importante: a escola da ONU não era um alvo deliberado do exército de Israel. Mas não há como negar que os mais de 40 alunos mortos foram alvejados durante os confrontos Gaza, e saber as circunstâncias em que isto aconteceu me parece fundamental. Abaixo, uma reportagem da AP sobre a história: clique aqui.

Comentário

A matéria narra as manobras feitas por Israel para descaracterizar os crimes. Confirma a morte das 42 pessoas perto da escola, o episódio de confinar 110 civis em um armazém e executar 30, o uso de fósforo branco. E os argumentos do Exército israelense, sempre alegando que visava soldados do Hamas e não civis.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Internacional, Política Tags: , ,
05/02/2009 - 17:22

O caso da escola da ONU

Enviado por: joseph

Traduzido por Ian

Nassif ,

seria interessante que os participantes ,jornalistas,blogueiros ,que tanto acusaram Israel,começassem a rever seus conceitos. Leia mais »

Autor: luisnassif - Categoria(s): Internacional, Política Tags: ,
25/01/2009 - 10:43

Israel e a divisão entre os pacifistas

Uma boa matéria de Marcelo Ninio, enviado especial da Folha a Israel, descrevendo o racha entre Gideon Levy, o jornalista que se projetou mundialmente como símbolo do humanismo – afinal, combateu o massacre de Gaza atuando em Israel – e o escritor A. B. Yehoshua, pacifista que defendeu a guerra.

Ofensiva militar divide opiniões na esquerda israelense

Autor: luisnassif - Categoria(s): Internacional, Política Tags: ,
21/01/2009 - 16:49

A cooperação internacional

Por Zequinha

Tribunal belga pede prisão de Livni na chegada a Bruxelas. (Folha Online)

Ministra das Relações Exteriores, Tzipi Livni, poderá ser presa durante encontro da UE em Bruxelas na tarde desta quarta-feira

Um tribunal da Bélgica pediu nesta quarta-feira que a ministra de Relações Exteriores de Israel, Tzipi Livni, seja presa ao chegar a Bruxelas, na tarde desta quarta-feira, informou o site do jornal israelense “Haaretz”. O motivo da prisão seriam os supostos crimes de guerra cometidos por seu Estado durante a ofensiva na faixa de Gaza, que terminou domingo (18). Leia mais »

Autor: luisnassif - Categoria(s): Internacional Tags: , ,
19/01/2009 - 20:53

Crimes de guerra

Da Agência EFE, no Terra

Israel reconhece uso de armas proibidas em Gaza, diz jornal

19 de janeiro de 2009 • 18h08 • atualizado em 19 de janeiro de 2009 às 18h45

Pela primeira vez desde o início da operação militar israelense em Gaza, e após as reiteradas queixas de organizações de direitos humanos, fontes militares reconheceram nesta segunda-feira a um jornal israelense que foi utilizada bombas de fósforo branco na região palestina.

A edição eletrônica do Maariv informa que o Ministério da Defesa informou que está realizando uma investigação conjunta com o Comando Sul do Exército e a Promotoria militar para estudar como foi utilizada essa munição durante a ofensiva na Faixa de Gaza.

Durante e depois desta intervenção, palestinos e organizações humanitárias denunciaram que Israel tinha usado bombas de fósforo branco em áreas povoadas da faixa palestina.

A organização Anistia Internacional a partir de sua sede em Londres revelou hoje em comunicado que tem em seu poder provas sólidas de que Israel utilizou estas bombas, cujo uso está proibido em zonas povoadas segundo os convenções internacionais.

O Exército israelense, acrescenta o jornal, abriu uma investigação, após a denúncia desta organização, e sustenta que empregou projéteis de artilharia com fósforo para criar cortinas de fumaça, e que seu conteúdo são telas impregnadas com essa substância.

As organizações de direitos humanos denunciaram que o fósforo disparado sobre Gaza se espalhou em muitos casos já no solo e não no ar, como sustentam as Forças Armadas.

O Ministério da Defesa de Israel reconheceu a utilização de munição de fósforo, embora esclareça que seu uso foi legal.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Internacional Tags: , ,
19/01/2009 - 15:23

O mapa do inferno

Por Henrique Marques Porto

Nassif,

Um primeiro grupo de jornalistas entrou em Gaza depois do cessar-fogo e do início da retirada de parte das tropas de Israel. Descrevem o cenário como “desolador”. Muita destruição, milhares de desabrigados, corpos empilhados nas ruas ou ainda sob escombros. O depoimento de um palestino vale mais do que muitas análises: “-A guerra foi contra nós, o povo. O que aconteceu com o Hamas? Nada!”

Clique aqui.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Internacional, Política Tags: ,
17/01/2009 - 19:21

Os carniceiros de Gaza

Por Aline Linhares

Olmert acabou de anunciar um cessar-fogo unilateral incluindo considerações de preocupação com civis palestinos. É muito cinismo.

Assisti pela CNN que, ontem à noite, num famoso programa ao vivo de uma TV israelense, durante uma entrevista por telefone com um famoso médico palestino, Dr. Abul (?), por quem os israelenses sempre tiveram grande simpatia e admiração, houve um ataque israelense à sua equipe médica, que acabou sendo transmitida inesperadamente, e todo o desespero do Dr. Abul foi ao ar.

Parece que houve um grande impacto na percepção do povo israelense.

Comentário

O ataque foi à sua casa e matou três de suas filhas.

Aqui, um trecho da reportagem, com legendas em espanhol. O âncora tenta consolar o médico dizendo que talvez o Exército israelense possa ajudá-lo. É incrível! O médico pergunta, aos prantos, quem deu a ordem que matou sua família e qual o motivo.

Assassinos!

Autor: luisnassif - Categoria(s): Internacional Tags: ,
17/01/2009 - 12:30

O (eterno) milagre do nascimento

Da Folha

Nascimento de minha filha é luz no escuro

FARES AKRAM
DO “INDEPENDENT”, EM GAZA

A quinta-feira foi o mais sangrento e violento dos dias na Cidade de Gaza. Mas mesmo em meio ao sangue derramado e ao caos que nos cerca, estamos repletos de alegria.

Doze dias depois de meu pai ser morto por um ataque aéreo israelense, nasceu nossa primeira filha, com 3,8 quilos e ótima saúde. Mal pude acreditar nos meus olhos, quando a vi pela primeira vez.

Na noite de quarta-feira, enquanto Alaa estava em trabalho de parto, houve alguns sinais de esperança quanto ao final do conflito. “Talvez nosso bebê e a paz cheguem juntos”, pensei.

Mas, durante a noite, os israelenses reforçaram seus ataques, dirigidos a uma área da cidade conhecida como Tel al Hawa, que definitivamente não é um baluarte do Hamas.

Alaa estava muito assustada diante da perspectiva do parto e, para tornar a situação ainda mais apavorante, o bombardeio era audível quando entramos no táxi que nos levou ao hospital Shifa.

Eu sabia que o parto demoraria muito tempo; os médicos tiveram de induzi-lo. Por isso, fui até a entrada do hospital, onde as ambulâncias continuavam a chegar. Vi oito feridos removidos de um caminhão de bombeiros; os feridos eram todos trabalhadores da defesa civil, identificados por casacos fluorescentes. Era uma visão terrível. A maioria dos feridos tinha as pernas decepadas abaixo do joelho e apresentava cortes severos por estilhaços.

Na ala de emergência do hospital Shifa, as ambulâncias chegavam sem parar. A maioria das vítimas pareciam ser mulheres, meninas e crianças, entre as quais um bebê muito pequeno envolto em cobertores brancos. Todos os dias foram ruins, desde que a guerra começou, mas aquele era o pior.

Fomos removidos de nossa casa no começo desta semana, e em seguida o apartamento foi seriamente danificado por explosões. Já não sinto que estejamos seguros nem no hospital.

Só espero que o nascimento de Somaya venha acompanhado pelo final da violência e da matança. Para nossa família, se não para o resto de Gaza, o nascimento dela é como uma luz brilhando no escuro.

Comentário

Como diz Shimon Peres, Israel cuida melhor de suas crianças.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Internacional Tags: , ,
17/01/2009 - 09:33

Assassinatos em massa

Por Claudia

Nassif

Uma TV israelense transmitiu ao vivo o desespero de um médico palestino, Dr. Abu El-Aish, pacifista que trabalhou em Israel e acabara de ter sua casa bombardeada. Era comum sua participação pelo telefone contando a situação em Gaza. Suas três filhas morreram e outras duas foram feridas.

Clique aqui.

O vídeo está no you tube, em hebraico com legendas em inglês:

Leia mais »

Autor: luisnassif - Categoria(s): Internacional, Política Tags: , , ,
15/01/2009 - 16:29

Sem limites

Do Último Segundo

Israel diz ter respondido a tiros disparados do prédio da ONU
15/01 – 13:44 – AFP

TEL AVIV – O primeiro-ministro israelense Ehud Olmert afirmou que Israel havia bombardeado nesta quinta-feira um prédio da agência da ONU para a ajuda aos refugiados palestinos (Unrwa) em Gaza em resposta a tiros disparados desse complexo.

“Não queremos que incidentes desse tipo aconteçam e lamento. Mas o Hamas atirou a partir de uma dependência da UNRWA”, declarou Olmert, durante um encontro com o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, em viagem pela região, como parte das discussões para um cessar-fogo na Faixa de Gaza.

O ataque ao prédio da ONU, fortemente criticado, destruiu a ajuda humanitária que tinha entrado na Faixa de Gaza nos últimos dias, após os depósitos das Nações Unidas onde o auxílio estava armazenado serem atingidos pelos bombardeios israelenses. Leia mais »

Autor: luisnassif - Categoria(s): Internacional Tags: , ,
15/01/2009 - 14:53

As crianças de Gaza

Por Marcos

Um documentário que vocês nunca verão em uma TV Brasileira, seja ela pública, privada ou mesmo em canais da TV paga especializada em documentários: clique aqui. Blog Biscoito Fino e a Massa.

Prestem atenção na revolta da menina palestina (por volta de 1 h 09 min )

Comentário

Copiei alguns minutos do documentário e coloquei na Comunidade, com o trecho mencionado pelo Marcos. Mas vale a pena asistir a íntegra.

Ache outros vídeos como este em Comunidade do Blog de Luis Nassif

Por Uwe

Deixo outro vídeo impressionante aqui

http://www.youtube.com/watch?v=E2UE4GWfB58&NR=1

Autor: luisnassif - Categoria(s): Internacional Tags: , ,
14/01/2009 - 18:07

Análises do historiador

Por José Olavo

ILAN PAPPE, historiador judeu, deu uma entrevista a Silio Boccanera, no programa Milenio na Globo News que vale a pena ser visto. Impressiona isenção do hitoriador, ao virar a moeda pra vero outro lado. Este programa pode ser visto no site abaixo: clique aqui.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Internacional Tags: ,
14/01/2009 - 17:04

A trégua em Gaza

Por Henrique Marques Porto

Nassif,

Leio no “El Pais” a informação de que o Hamas aceitou o plano egípcio de cessar fogo na Faixa de Gaza. Os pontos principais do plano são: 1) trégua de três dias para ajuda humanitária; e 2) Retirada das tropas de Israel em 48 horas. Em clique aqui.

Israel ainda está analisando a proposta. E enquanto analisa segue bombardeando impiedosamente. Um dos últimos alvos foi o principal cemitério da cidade de Gaza!

Violação por atacado de túmulos! E, provavelmente, para impedir ou dificultar o sepultamento dos mortos que seus ataques produzem. O horror tem agora a companhia do macabro.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Internacional Tags: ,
14/01/2009 - 10:00

A direitização de Israel

Por Andre Araujo

A atual conta de mortos civis em Gaza já supera a dos massacres punitivos emblemáticos da Segunda Guerra executados pelos amlemães.. Em Oradour-sur-Glane a 2ª Divisão SS “Das Reich” liquidou com 642 civis, a maioria mulheres e crianças, em represalia a ções da Resistência. Em Lidice, na Tchecoslovaquia, o massacre para vingar o atentado a Reinhard Heydrich custou a vida de 340 civis. Na Guerra Civil Espanhola, a Legião Condor, unidade aerea alemã, comandada por Hugo Sperrle, arrasou Guernica, produzindo a morte de 600 civis.

Nessas manifestações da diaspora, fiquemos com a representação humanistica da valorosa cultura judaica, que nos deu Marx, Freud e Einstein., as vozes de Gideon Levy, principal editorialista do “Haaretz”, jornal simbolo de Israel, de Naomi Klein, ilustre escritora canadense, de Naom Chomsky, celebre linguista, , de Norman Finkenstein, escritor americano, todos condenando essa ação de uma direita militar destemperada que choca o mundo.

Lembremos as grandes mudanças demograficas ocorridas em Israel desde a fundação do Estado em 1948. No passado estão os descendentes da elite do judaismo europeu, dos alemães, franceses e austriacos. que foram os pais intelectuais da ideia sionista.

Foram largamente superados primeiro pelos safaraditas, judeus da Siria, do Libano, do Egito, da Africa do Norte, do Iraque, muito menos cultos e que nada representavam em termos de uma visão humanista judaica. Depois da queda da URSS ocorreu um grande influxo de judeus da Europa do Leste e especialmente da Russia, mais belicosos, acostumados a regimes autoritários, que fortaleceram substancialmente os partidos da direita , enfraquecendo o lado laico, humanista, de esquerda e mais propenso a um Estado palestino, que era a ideia original de 1948.

Enquanto agora o Hamas é apontado como a raiz do conflito, lembremos que até há poucos anos não existia o Hamas e nem porisso os palestinos conseguiram resultado melhor.. Com ou sem Hamas o destino dos palestinos parece traçado, devem sair do territorio onde foi outrora a Palestina e se virar pelo mundo, todos os atos e passos de Israel caminham nessa direção desde 1948 e só quem pode decidir em contrário são os EUA, que até agora não deram qualquer sinal que o queiram.

Autor: luisnassif - Categoria(s): História, Internacional Tags: , ,
14/01/2009 - 09:40

Um país a favor da guerra

Da Folha

Apoio de israelenses a ofensiva é quase integral

DO “NEW YORK TIMES”, EM JERUSALÉM

Para os críticos de Israel no exterior, a situação não poderia estar mais clara: a guerra na faixa de Gaza é uma resposta totalmente desproporcional aos foguetes disparados pelo Hamas, está causando sofrimento humano indescritível, e é preciso pôr um ponto final nela.

Em Israel, muito poucas pessoas veem a guerra dessa maneira. Os protestos contra a guerra têm tido dificuldade em atrair mil participantes.

Um editorial do “Jerusalem Post” disse que o mundo deve estar se perguntando se os israelenses realmente acreditam que todo o resto do mundo está enganado e apenas eles estão com a razão. A resposta é “sim”.
“É muito frustrante para nós não sermos compreendidos”, diz Yoel Esteron, editor do jornal “Calcalist”. “Quase 100% dos israelenses sentem que o mundo é hipócrita. Onde estava o mundo quando nossas cidades foram alvejadas por foguetes por oito anos? Por que deveríamos nos importar com a opinião do mundo agora?”

Israel converteu-se nas últimas semanas num paradigma de unidade e apoio mútuo. Pergunte a pessoas em qualquer parte do país, hoje, sobre o fato de o Exército ter barrado a entrada de jornalistas na faixa de Gaza, e a resposta é “deixem o Exército fazer seu trabalho”.

Com ou sem razão, os israelenses acreditam que seus soldados se esforçam para poupar vidas. Como seus combatentes se escondem entre pessoas comuns, o Hamas é visto como responsável pelas vítimas civis.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Internacional Tags: , ,
13/01/2009 - 15:51

De Varsóvia a Gaza

Do Valor Econômico

Do Gueto de Varsóvia ao Gueto de Gaza

Maria Inês Nassif

08/01/2009

O Gueto de Varsóvia foi o maior enclave judaico estabelecido pelos alemães na Polônia, durante a ocupação nazista. Chegou a atingir a marca de 380 mil habitantes, ou 30% da população de Varsóvia, e ocupava 2,4% de seu território, separado da cidade por muros. A partir da construção do muro, em novembro de 1940, e pelo ano e meio seguinte, os judeus poloneses das cidades e vilas menores eram levados para lá – depósito dos judeus que iriam para o campo de extermínio de Treblinka e que podiam ter a sorte de escapar das câmaras de gás se morressem antes de tifo ou fome, ou simplesmente fossem atingidos nas ruas, como animais, caça dos soldados nazistas. Lá dentro, três grupos, no entanto, resistiram com pistolas, bombas caseiras e coquetéis molotov – um deles até com umas armas um pouco melhores, fornecidas pela resistência polonesa que as contrabandeava para dentro dos muros – dizem que até por túneis. Depois de seis meses de resistência, os judeus poloneses do gueto foram transferidos maciçamente para Treblinka ou simplesmente assassinados em Varsóvia.

Ao longo da história, vários guetos confinaram judeus. Existiram guetos judaicos na Alemanha e na Península Ibérica no Século XIII; o Gueto de Veneza é do Século XIV. Dependendo da circunstância histórica, eram mais ricos, ou mais pobres, mas todos eles traziam o sentido metafórico do isolamento, da exclusão, do preconceito.

A primeira vez que ouvi a expressão “Gueto de Gaza” foi na minha casa. É uma expressão forte – e invertida. Nesse caso, a população judaica está fora do gueto, não dentro. Quem me chamou atenção para essa terrível inversão foi o meu companheiro, descendente de judeus poloneses. Leia mais »

Autor: luisnassif - Categoria(s): Internacional, Política Tags: , ,
13/01/2009 - 14:53

Diplomacia de fachada

Atualizado às 14:53

Da Folha

Por Ricardo Melo

SÃO PAULO – É patético. No mesmo momento em que Israel avança para a guerra urbana em Gaza, o presidente Lula usa seu programa de rádio para pedir respeito à decisão do Conselho de Segurança da ONU sobre um cessar-fogo.

Mera saudação à bandeira. A ONU, desde a sua fundação, só tem feito referendar a vontade dos países ricos. Ninguém sério, ou que se leve a sério, acredita que as Nações Unidas exerçam algum poder de fato para arbitrar conflitos, interromper guerras e promover a paz.

Ao contrário. O que a ONU tem feito ao longo de sua história é chancelar as guerras ao dar poder de veto a um único país para impedir ações mandatórias. A ONU que votou pelo cessar-fogo em Gaza é a mesma que assistiu, aprovando documentos parecidos, à invasão do Iraque, do Afeganistão (pela URSS e pelos EUA), à Guerra do Vietnã, da Coreia e a outras tantas tragédias.

A retórica é o refúgio preferido da hipocrisia diplomática. O Brasil tem sido criticado por alguns por “condenar” o ataque à faixa de Gaza. Fachada pura. Pergunte qual iniciativa concreta o Itamaraty ou o Planalto tomaram para incomodar o governo israelense. Prepare-se para o silêncio absoluto. Mas, no mundo das representações, soa importante mandar nosso chanceler excursionar pelo Oriente Médio, aparecer em fotos com o presidente do Egito e apertar as mãos da ministra israelense que “não vê crise humanitária” na faixa de Gaza.

Em relação ao que interessa, a posição brasileira é, na verdade, oposta. Compare: por muito menos, se é que vidas importam alguma coisa, o Brasil chamou de volta o embaixador em Quito, até se certificar que o governo Correa honraria compromissos financeiros com uma empreiteira. Já em Gaza, trata-se de civis lançados à própria sorte, manipulados por extremistas islâmicos e vítimas da brutalidade da máquina de guerra de Israel. Que tal, presidente, também chamar nosso embaixador para conversar? Leia mais »

Autor: luisnassif - Categoria(s): Diplomacia, Internacional Tags: , ,
13/01/2009 - 07:16

Argumentos desproporcionais

Há um campo amplo para o exercício contumaz da asneira. Mas poucas vezes li tolice igual à brandida pelos que minimizam a questão da desproporção entre as forças de Israel e a dos palestinos de Gaza.

Hoje, na Folha, os simpaticíssimos (sem ironia) Salomão Schvartzan e Zevi Ghivelder perguntam: “Como medir proporção?” (clique aqui)

E respondem:

(…) Hoje, até mesmo os mais ferrenhos opositores do Estado judeu reconhecem que a atual operação militar em Gaza é uma resposta aos ataques do Hamas, mas veem nas decorrentes ações bélicas uma “desproporção”.

O que vem a ser proporção em um conflito armado? Há algum critério, alguma tabela, que a caracterize? Será que existe um consenso universal segundo o qual Israel teria o direito de matar “y” palestinos se contasse “x” mortos por foguetes?

É inacreditável. Em qualquer conflito, a medida que separa a batalha do massacre é a proporção de morte de lado a lado. Se, de um lado, morrem mil, dos quais grande número de crianças; do outro presumivelmente morrem 13 (já que o número é questionado até pelas agências internacionais), a desproporção é nítida. E é o sentido de proporção que separa as batalhas dos massacres. Ou não?

Quando, no Rio de Janeiro, a Polícia Militar invade um morro com 500 homens para caçar meia dúzia de traficantes, que também recorrem aos escudos humanos, faz um ataque desproporcional?

Faz, é evidente! Principalmente se deixa vítimas civis pelo caminho.

Quando os EUA, após o 11 de Setembro, lançaram milhares de toneladas de bombas sobre o Afeganistão dos talibãs, incluindo um hospital atingido, houve proporção?

Aplicou-se a lei de Talião que, segundo os defensores da democracia ocidental (entre os quais me incluo) significa ceder à barbárie. Aliás, o argumento lembra um velho personagem do Chico Anísio: sou, mas quem não é?

E quando os russos entraram com tudo para esmagar os rebeldes da Tchetchênia, a ação foi desproporcional?

É evidente que foi.

No dia 7 de junho de 1981, quando Israel bombardeou o que seria uma instalação nuclear no Iraque, houve protestos em todas as partes do mundo. Na Casa Branca, durante uma reunião de emergência, o vice-presidente George Bush propôs sanções contra Israel. O mesmo George Bush que, dez anos mais tarde, viria a desencadear a primeira Guerra do Golfo contra o Iraque.

E daí? Essa é outra peça gasta da retórica neocon, a de julgar que a desqualificação do crítico é suficiente para qualificar o criticado.

(…) O grande psicanalista brasileiro Hélio Pellegrino costumava dizer que a síntese da injustiça está na seguinte proposição: “O senhor tem toda a razão, mas vai preso assim mesmo”. É o que o mundo está fazendo agora com relação a Israel. Por isso, vale lembrar um conceito de Golda Meir, quando primeira-ministra: “Prefiro receber protestos a receber condolências”.

Ou Israel em relação aos mortos civis. “O senhor tem toda razão em protestar pela mortge das crianças e velhos, pelo bombardeio de escolas e hospitais, mas guerra é guerra, e os sábios neocons brasileiros aboliram a proporcionalidade na análise de conflitos.”

Autor: luisnassif - Categoria(s): Internacional, Mídia Tags: , ,
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