Valor do pacote de 36 caças cai quase R$ 4 bi, e governo bate o martelo pelo Rafale
Mesmo com redução, avião fabricado pela França custará quase 40% a mais do que o concorrente mais barato, o sueco Gripen
ELIANE CANTANHÊDE
COLUNISTA DA FOLHA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Nelson Jobim (Defesa) bateram o martelo a favor do caça francês Rafale. A decisão foi tomada depois que a fabricante, Dassault, reduziu de US$ 8,2 bilhões (R$ 15,1 bilhões) para US$ 6,2 bilhões (R$ 11,4 bilhões) o preço final do pacote de 36 aviões para a Força Aérea Brasileira.
Mesmo com a redução, os caças franceses têm preço muito superior ao dos concorrentes. Conforme a Folha apurou, a proposta do modelo Gripen NG, da sueca Saab, foi de US$ 4,5 bilhões, e a dos F-18 Super Hornet, da norte-americana Boeing, de US$ 5,7 bilhões.
Além do custo do pacote, que inclui avião, armas, logística e custo de transferência tecnológica, a Dassault estimou que a manutenção dos aviões por 30 anos custará US$ 4 bilhões.
Mencionando a coluna Radar, a coluna Toda Mídia, do Nelson de Sá, mostra o apelo popular decorrente de uma boa cobertura das enchentes
ANO ANÔMALO
O blog Radar postou que “a cobertura das chuvas em São Paulo levantou o ibope do ‘Jornal da Record’”. Antes em um dígito, na terça-feira “alcançou 13 pontos, melhor resultado desde Agosto de 2008″. Além dos alagamentos, “foi ajudado também pela novela das sete da Globo, que não empolga”. Nem a das nove.
O fato mais importante de ontem, em relação às enchentes da cidade, foi a Defensoria Pública ter reconhecido na falta de desassoreamento do Tietêa responsabilidade central pela inundação generalizada, e acionado o governo do Estado.
Não é novidade para a blogosfera. No início, a velha mídia andou atrás de explicações e a Globonews andou dando voz a técnicos. Quando apontaram a falta de desassoreamento do Tietê como o principal motivo das inundações, montou-se rapidamente o pacto do silêncio. Os técnicos e as explicações sumiram do noticiário.
Tem-se, então, um erro clamoroso de gestão pública – a paralisação total dos trabalhos de desassoreamento do Tietê desde 2004 ou 2005. É decisão que implicou em grave prejuízos para São Paulo, ao jogar pelo ralo parte do bilhão de dólares investido no rebaixamento da calha do Tietê; prejuízos para todas as famílias e empresas que foram invadidas pelas águas; sofrimento a milhares de pessoas desalojadas de suas casas; e, pior, morte de 60 pessoas.
A cidade está em transe com as enchentes.
Em qualquer jornalismo sério seria a manchete principal. Entender as causas do desastre, cobrar dos órgãos públicos, do governador, com espaço amplo para os técnicos que primeiro identificaram o problema, com cobertura extensiva das medidas que não foram tomadas e o que está sendo feito agora.
São momentos como esse que aproximam o jornal de seus leitores, que permitem reconstruir a confiança, recriar a identificação leitor-jornal. Mas os compromissos políticos impedem a Folha de fazer jornalismo. Falta grandeza ao Otávio Frias Filho tomar decisões desse porte. Depois, bastará levantar os dados gerais de queda de jornais no mundo todo para se defender, perante a família, da perda de credibilidade e de tiragem da Folha.
A cobertura da Folha
Confira a cobertura da Folha (clique aqui). O destaque amplo e irrestrito é para as responsabilidades da prefeitura.
Matéria principal: Propaganda de Kassab cobra menos lixo na rua
Nota pequena: Prefeito pede a Lula que PT não explore chuvas
Nota pequena: Então prefeito, Maluf também culpou lixo em 95
Nota pequena: Para Serra, imprensa ignora ações de combate à enchente (Serra diz que a mídia não divulgou a inauguração de UM piscinão).
Matéria grande: Famílias deixam casas com medo de represas
Matéria pequena: Estado não fez limpeza em rios, dizem prefeitos
O que levanta?
Informação dos prefeitos
Os principais rios que escoam a água do sistema Cantareira estão com vazão reduzida à metade, segundo prefeitos dos municípios da região.
Quando o sistema foi implantado, em 1973, um dos rios, o Cachoeira, tinha uma vazão de 30m3/s. Hoje, afirma a Prefeitura de Piracaia (80 km de SP), por onde ele passa, a vazão é de 7m3/s.
Segundo as prefeituras, o trabalho de desassoreamento não é feito pelo Estado desde 2004.
A “apuração” da Folha:
Para a Sabesp, responsável pelo sistema, as represas ajudam a conter as cheias. Segundo a estatal, o volume de água liberado é menor que o volume de chuva dos últimos dias.
O DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica), responsável pelas calhas dos rios, não quis falar sobre o tema. A Secretaria de Saneamento também não quis comentar o caso.
Na parte inferior do post há a matéria de hoje na Folha, sobre a gestão José Roberto Arruda. Mostra que, com um quinto dos funcionários, o governo Arruda tinha 12% de funcionários não concursados a mais do que a União. É um indicador claro de ineficiência administrativa, de utilização da máquina pública para jogadas políticas.
No entanto, em 2005, em uma matéria em que a falta de imaginação da Veja se mostrava no próprio título – “Seis homens, um destino” – a revista o alçava ao panteão dos grandes governadores da atualidade.
É um exemplo claro de como funciona o modelo de criação de reputação pela velha mídia. Basta o governador recorrer a alguns expedientes de impacto – embora irrelevantes para o resultado final da administração. Os jornais não têm metodologia para avaliação de gestão, não analisam indicadores (apenas factóides). Criou-se a lógica de que governador bom é o que coloca a fria lógica administrativa contra os mais fracos. É sinal de firmeza. Por outro lado, evita-se analisar os negócios tenebrosos – porque as publicações também têm interesses em vender publicidade, assinatura e material para as Secretarias de Educação.
Bastaria consultar o pessoal de gestão e qualidade para saber que o governo Arruda era um blefe. Criava fatos de marketing – como colocar todos os secretários em uma sala aberta, a exemplo do que fazem os bancos -, mas apenas para consumo externo. Anunciava um conjunto de medidas descosturadas, sem objetivos maiores, meros slogans que contentavam essa superficialidade absurda com que a velha mídia analisa gestões públicas.
Seu perfil, traçado pela rev ista, era o seguinte:
A Folha mentiu em seu editorial de ontem. Pega na mentira, rebate a carta do Ministério do Desenvolvimento Social com o surrado artifício de destacar o secundário para esconder o principal.
Abaixo a carta e a resposta do jornal:
Bolsa Família
“Ao contrário do que afirma o editorial “Bolsa Gás” (Opinião, ontem), o Bolsa Família tem ampliado, a cada levantamento, o acompanhamento das contrapartidas (educação e saúde) exigidas.
Na educação, nos últimos dois anos, o índice de crianças monitoradas pelo sistema de frequência escolar passou de 69,8% para 85,2%. Na saúde, subiu de 41,8% para 63,1%.
Pesquisas constatam ainda que as crianças e os adolescentes atendidos pelo programa de transferência de renda permanecem por mais tempo na escola.”
JOÃO LUIZ MENDES , assessoria de imprensa do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (Brasília, DF)
Nota da Redação – O governo parece gabar-se de sua própria incúria: cinco anos depois de instituído, o Bolsa Família, oficialmente, ainda deixa de monitorar 15% das crianças na educação e 37% dos beneficiários na saúde.
Comentário
A falta de informação do Otavinho só se rivaliza com esse amadorismo de se deixar levar por idiossincrasias na definição da linha do jornal, trocando análise e jornalismo por birra.
O Bolsa Família tem 19 milhões de famílias cadastradas das quais 12,4 milhões são beneficiárias do programa. Supondo-se (por baixo) duas crianças por família, seriam 24,8 milhões. Logo o acompanhamento de educação é feito sobre 21 milhões de crianças, um desafio que nenhum país do mundo, até hoje, ousou enfrentar. Todas as famílias estão cadastradas, com cartão único, podendo ser localizadas pelo site do Ministério.
Essa história de julgar o programa pelos 15% que ainda não são monitorados, revela apenas má fé. E o fato de se basear exclusivamente nos números da resposta do Ministério do Desenvolvimento, preguiça ou incapacidade mínima de levantar números adicionais para uma análise autônoma.
Quer exercer esse poder de príncipe – de fuzilar de acordo com sua vontade -, dirija seu canhão para o Ministro dos Transportes, das Minas e Energia, para o DNIT, para o Ministério das Comunicações.
Mirar o Bolsa Família invocando avaliações falhas e preguiçosas é covardia.
Nassif: Da série “colhendo o que planta”, olha a Folha aí:
IMPRENSA
Juiz condena a Folha a pagar indenização a Ali Mazloum
DA REPORTAGEM LOCAL
O juiz Fernando Antonio Tasso, da 10ª Vara Cível, condenou a Empresa Folha da Manhã S/A, que edita a Folha, e o jornalista Frederico Vasconcelos a pagar R$ 1,2 milhão ao juiz federal Ali Mazloum, a título de indenização por danos morais pela publicação de reportagem na edição de 4 de novembro de 2003, quando eclodiu a Operação Anaconda.
O juiz determinou a publicação da sentença depois do trânsito em julgado, quando não cabe mais recurso, sob pena de multa diária de R$ 200 mil. O jornal vai recorrer da decisão.
Mazloum alegou que o jornal veiculou uma série de reportagens ofensivas à sua honra e apontou como “fruto de criação mental” do jornalista o texto intitulado “Mudança de sede causou polêmica”, com o subtítulo “Magistrados teriam feito “lobby” para não deixar prédio no centro”.
O texto trata da mudança prevista, na época, do Fórum Ministro Jarbas Nobre, da praça da República para a alameda Ministro Rocha Azevedo, e afirma que a localização anterior, no centro, era melhor para os acusados do esquema de venda de sentenças judiciais, pela proximidade dos escritórios de advogados e doleiros alvo da operação. Cita, ainda, que “atribuiu-se a um “lobby” dos irmãos Mazloum [os juízes Casem e Ali Mazloum] críticas à mudança”.
A reportagem trazia opiniões dos juízes João Carlos da Rocha Mattos, Casem e Ali Mazloum, negando as especulações.
Em sua defesa, o jornal alegou que foi a promotoria quem apontou Ali Mazloum como um dos envolvidos na chamada Operação Anaconda. Sustentou, ainda, que “a reportagem não faz acusações, pré-julgamentos ou juízo de valor, evidenciando, apenas, que havia à época dos fatos especulações quanto ao interesse do autor [da ação, Ali Mazloum]“.
Ontem fui a um jantar da FGV em homenagem aos 50 anos de escola do professor Luiz Carlos Bresser Pereira. Uma boa oportunidade de rever amigos.
Antes, ouvi o voto do Ministro Celso de Mello, do STF, sobre o caso Estadão e a liberdade de imprensa (clique aqui).
Mello recorreu a conceitos genéricos e absolutos, lembrou o Estadão de cem anos atrás e o Estadão que enfrentou a ditadura, citou Thomaz Jefferson e os pilares do pensamento democrático ocidental. Um apego extraordinário à conceitos genéricos e absolutos, sem nenhuma preocupação em analisar a imprensa à luz da conjuntura atual.
No evento da FGV, reencontro velhos amigos que participaram da feitura de planos econômicos, especialmente do Cruzado.
Petropotência com uma imprensa suicida. Ao menos uma parte dela:
LEITURAS DA FOLHA
Jornal chamado às falas
Por Alberto Dines em 7/12/2009
Comentário para o programa radiofônico do OI, 7/12/2009
É inédita a rigorosa cobrança do ombudsman da Folha de S.Paulo na edição de domingo (6/12). A repreensão ao jornal foi motivada pelo inominável gesto de publicar sem qualquer averiguação o artigo do colunista Cesar Benjamin sobre comportamentos pessoais do presidente da República num episódio ocorrido há 15 anos.
Sem qualquer adjetivação, objetivo e firme, Carlos Eduardo Lins da Silva foi duro com o jornal: “Só quem crê dispor de certezas prévias inabaláveis, como os fanáticos religiosos ou políticos (muitas vezes são a mesma coisa), pode se achar capaz de distinguir verdade e mentira com base só em palavras.”
Se o artigo publicado no dia 27/11 foi chocante, sua repercussão foi pior ainda: das 219 mensagens dos leitores dirigidas ao ouvidor, apenas nove elogiaram o jornal pela coragem de publicar a indecência. As 210 restantes condenaram a Folha em termos bem mais veementes (a julgar pelas cartas publicadas pelo próprio jornal) do que os utilizados pelo comedido Lins da Silva. Estes dados são suficientes para dimensionar e qualificar um dos maiores deslizes éticos cometidos pela grande imprensa nos últimos anos [ver, neste Observatório, “A imprensa aloprou”).
Mérito e deméritos
Foi um serial killing, aberração serial cometida arrogantemente ao longo de dez dias consecutivos: a Folha errou ao publicar o texto, errou no dia seguinte, incapaz de desculpar-se perante os leitores, errou quando não prestou atenção à primeira e breve reprimenda do ombudsman (domingo, 29/11), errou quando localizou o pivô do episódio e colocou em sua boca uma condenação ao texto e não à decisão de publicá-lo, e errou ao silenciar por tanto tempo diante de um desvio de conduta destas proporções. O ouvidor identificou outros erros, todos gerados pela mesma onipotência.
A Folha, finalmente, acertou ao honrar o compromisso com o seu ombudsman de publicar suas opiniões sem qualquer constrangimento. É um mérito que não deve ser esquecido em meio a tantos e tão perturbadores deméritos.
O artigo escrito hoje, na Folha, com o porquê do texto anterior, confirma a intenção política do mesmo. Aliás, o de hoje já havia sido escrito por Ferreira Gullar, Danuza Leão, Dimenstein, Barros e Silva, no mesmo jornal. Página virada, meus caros.
DEIXO de lado os insultos e as versões fantasiosas sobre os “verdadeiros motivos” do meu artigo “Os Filhos do Brasil”. Creio, porém, que devo esclarecer uma indagação legítima: “por quê?”, ou, em forma um pouco expandida, “por que agora?”. A rigor, a resposta já está no artigo, mas de forma concisa. Eu a reitero: o motivo é o filme, o contexto que o cerca e o que ele sinaliza.
Há meses a Presidência da República acompanha e participa da produção desse filme, financiado por grandes empresas que mantêm contratos com o governo federal.
Antes de finalizado, ele foi analisado por especialistas em marketing, que propuseram ajustes para torná-lo mais emotivo.
O timing do lançamento foi calculado para que ele gire pelo Brasil durante o ano eleitoral. Recursos oriundos do imposto sindical -ou seja, recolhidos por imposição do Estado- estão sendo mobilizados para comprar e distribuir gratuitamente milhares de ingressos. Reativam-se salas pelo interior do país e fala-se na montagem de cines volantes para percorrerem localidades que não têm esses espaços. O objetivo é que o filme seja visto por cerca de 5 milhões de pessoas, principalmente pobres.
Vamos criar uma igreja e deixar de pagar impostos? A manchete da Folha de S.Paulo de domingo (29/11) foi a mais comentada dos últimos tempos. Nem parecia ser o mesmo jornal que dias antes, na sexta-feira, produziu um lixo jornalístico dos mais repugnantes e que desde então está ocupando a seção de cartas dos leitores quase inteira.
A propósito da estréia do filme Lula, o filho do Brasil, a Folha publicou um depoimento do seu colunista Cesar Benjamin, dissidente do PT, a propósito de um comentário cabeludo feito há 15 anos pelo então candidato à presidência Lula da Silva (FSP, 27/11, pág. A-8).
Aparentemente, a Satiagraha não acabou. Todo o emaranhado de indícios colhidos no inquérito parece estar sendo desdobrado em inquéritos variados, conforme matéria de O Globo de hoje, mostrando que o desembargador carioca que comandou a ação contra a juíza Márcia Cunha – desafeta de Daniel Dantas – mantinha contas no exterior, denunciadas agora em inquérito da Polícia Federal.
O episódio do massacre da juíza Márcia Cunha teve duas pernas: a da mídia, cometendo o assassinato de reputação para preparar o terreno para o Judiciário.
No capítulo “As Relações Incestuosas com a Mídia” conto essa história complicada, mostrando como a Folha – através da repórter Janaína Leite – se dispôs ao trabalho de preparar o terreno para que o TJ carioca desse o golpe final na juíza.
No capítulo “A Imprensa e o Estilo Dantas” mostro como era articulado o esquema de publicidade-plantação de notícias, através de Humberto Braz – que foi preso depois de tentar subornar um delegado da Polícia Federal. Os dois primeiros ataques que sofri de Mainardi- quando comecei a apontar o dedo de Dantas no financiamento do mensalão -vieram acompanhados de 12 páginas de publicidade de empresas de Dantas, metade em cada edição da Veja.
Nesse capítulo e também em “O lobista de Dantas” mostro como Diogo Mainardi era utilizado como perna midiática preparando as manobras para os processos que interessavam a Dantas.
Até agora, em duas das cinco frentes de batalha de Dantas – Judiciário, Polícia Federal, mídia, Ministério Público e escritórios de advocacia – duas tiveram desdobramento: a tentativa de suborno de delegados da PF e, agora, esse inquérito que pega desembargador que beneficiou o empresário.
De O Globo (para assinantes)
Desembargador é acusado de lavar dinheiro
Carpena Amorim, ex-corregedor de Justiça do Rio, depositou US$ 500 mil em paraísos fiscais, segundo a PF
Semi-padrão Veja. Foi atrás do tal rapaz do MEP, hoje um senhor que está no interior. Ele desmentiu a história até nas aspas da Veja. Belo furo. Só que o título enfatiza a acusação. E o furo que desmente fica escondido no texto.
O QUE É ISSO, COMPANHEIRO?
Benjamin e Lula, em 1980, quando foi fichado: o “menino do MEP” seria João Batista dos Santos
A um mês da estréia de Lula, o Filho do Brasil, surge um depoimento que contrasta fortemente com o filme de contornos hagiográficos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na sexta-feira passada, o jornal Folha de S.Paulo publicou um artigo que deixou de olhos arregalados todos os que o leram. Intitulado “Os filhos do Brasil”, o texto é assinado por César Benjamin, um dos mais célebres militantes da esquerda brasileira. Entrou para o movimento estudantil ainda adolescente. Por sua militância política, ficou preso por cinco anos e foi expulso do Brasil em 1976. Quando voltou, empenhou-se na fundação do PT, do qual se desfiliou em 1995. Em 2006, foi candidato a vice-presidente pelo PSOL. Hoje, está sem partido. Cesinha, como é conhecido, relata o que teria sido uma revelação devastadora feita por Lula a ele em 1994.
Na ocasião, o petista iniciava sua segunda campanha a presidente. Benjamin estava na equipe de marketing do candidato. Ele relata: “Lula puxou conversa: ‘Você esteve preso, não é, Cesinha?’ ‘Estive.’ ‘Quanto tempo?’ ‘Alguns anos…’, desconversei (raramente falo nesse assunto). Lula continuou: ‘Eu não aguentaria. Não vivo sem b…’. Para comprovar essa afirmação, passou a narrar com fluência como havia tentado subjugar outro preso nos trinta dias em que ficara detido. Chamava-o de ‘menino do MEP’, em referência a uma organização de esquerda que já deixou de existir. Ficara surpreso com a resistência do ‘menino’, que frustrara a investida com cotoveladas e socos”. Segundo Benjamin, o diálogo foi presenciado pelo publicitário Paulo de Tarso da Cunha Santos. O publicitário, cujos contratos com o governo federal montam a 300 milhões de reais, negou em nota lembrar-se do episódio.
A decisão de Otávio Frias Filho de publicar a carta de César Benjamin com acusações graves, sem conferir, seguiram-se duas outras que mostram a total falta de rumo daquele que foi o mais influente jornal brasileiro dos anos 80 e 90.
No Painel do Leitor, permite um amontoado de cartas que tomam como verdadeiras as afirmações de César Benjamin.
Na página interna, o levantamento – que deveria ter sido feito antes – mostrando que as informações são inverídicas.
Se são inverídicas, qual a razão de se permitir a publicação de cartas de leitores ludribriados pela decisão do jornal de dar espaço a uma versão falsa?
A sucessão na Folha se deu no pior momento da sua história. Nos anos 80, o principal jornal, o Estadão, se perdeu por excesso de sucessores. No caso da Folha, está se perdendo por falta de sucessão. Tem-se um diretor de redação que gosta das prerrogativas do cargo, mas não gosta de jornalismo, não lê jornais (nem mesmo o seu), não tem discernimento para tratar nem com notícias, nem com pessoas, muito menos com questões de maior gravidade, como essa de publicar o artigo de Benjamin.
A perna comercial da família manteve o ritmo. Só que elemento fundamental da sobrevivência era a credibilidade do jornal, ajudando a pavimentar as relações comerciais e políticas do grupo. Por isso, a sucessão de desastres editorais dos últimos tempos -ir a reboque da Veja (tendo um perfil de público diferente), ficha de Dilma, envolvimento do jornal com Dantas, exposição imprudente com Serra e, agora, esse episódio-limite – têm implicações graves sobre a credibilidade do jornal, E, aí, passa a afetar diretamente as estratégias comerciais da empresa.
É uma situação que vai ser resolvida inevitavelmente no âmbito familiar. Aliás, deveria ter sido resolvida logo que seu Frias saiu de cena. Quanto mais tempo demorar, mais sua herança será dilapidada.
Confesso que, como tantos outros cidadãos brasileiros, eu fiquei chocado com o artigo publicado na Folha de São Paulo sobre a suposta tentativa de estupro impetrada pelo atual ocupante do cargo mais importante do país, ao tempo em que esteve preso em 1980.
A acusação é extremamente grave, considerando a importância do cargo ocupado pelo acusado, a natureza do crime a ele imputado e o fato da Folha de São Paulo ser o maior jornal do país.
A prova apresentada pelo artigo são as reminiscências de uma conversa entre o acusado e o autor do artigo, ocorrida há quinze anos, presenciada por outras pessoas, algumas identificadas e outras não.
Das testemunhas identificadas, uma delas, Paulo de Tarso, já desmentiu o autor do artigo.
Em “todos os homens do presidente”, sobre o caso Watergate, há uma cena em que o velho editor do Washington Post, Ben Bradlee, pergunta aos seus jovens repórteres se eles têm noção sobre a gravidade das acusações que eles estão fazendo, e os manda buscar mais provas antes de fazê-lo.
Sempre achei que “Todos os homens do presidente” não é apenas um filme sobre a coragem e a determinação de dois repórteres, Woodward and Bernstein, mas sobre o compromisso com as instituições representado por Bradlee. Que ao final apóia os seus jornalistas quando identifica uma ameaça às instituições por parte da quadrilha reunida em torno de Nixon.
Na verdade, é o velho editor que dá um sentido ético à ação dos dois jornalistas e, ao final, e ele que banca a continuação das investigações, a partir de provas concretas que os jornalistas vão levantando.
Enfim, ao que parece vivemos tempos estranhos nos quais abundam os pretensos Woodwards e Bersteins e escasseiam dramaticamente os Bradlees.
Abaixo seguem dois vídeos com cenas do velho Jason Robards no papel de Bem Bradlee, que lhe deu o Oscar de melhor ator coadjuvante de 1976. É impressionante a dignidade que o ator empresta ao seu personagem. Personagem este que simboliza um tipo de jornalismo que, ao que parece, está chegando ao final; substituído por uma prática que não tem o menor compromisso com as instituições, e no qual a leviandade substituiu qualquer responsabilidade com a ética; qualquer que seja ela.
A Folha dá matéria hoje sobre a questão da banda larga, na regulamentação da Casa Civil. Até então, o jornal vinha defendendo posições que – embora legítimas – interessavam diretamente à sua controlada UOL. O projeto em andamento contempla suas preocupações e os interesses da UOL: a rede física será compartilhada por todas as partes – algo similar ao que ocorre no setor de energia.
É a saída mais democrática e economicamente mais equitativa. Compartilha-se a rede, ganhando escala e permitindo uma competição mais justa entre as partes. O desafio estará na governança dessa rede, para não permitir a preponderância de nenhum grupo. Obviamente a Folha defende que provedores participem da direção. É um bom tema para a Conferência Nacional de Comunicação discutir.
Por coincidência, certamente, Lula finalmente mereceu um editorial elogioso da Folha, por sua participação na conferência de Copenhague (clique aqui).
A Folha “descobriu” que empresas patrocinadoras do filme do Lula têm algum tipo de negócio com o governo. São algumas das maiores empresas brasileiras, como Volkswagen, OAS, JBS Friboi, Odebrecht, e assim por diante. E por “negócios” entenda-se desde compras irrelevantes do governo (R$ 31 milhões que a VW vendeu ao Ministério da Defesa) até obras, financiamentos do BNDES, incentivos fiscais, prestação de serviços.
Pergunto: qual empresa brasileira, dentre as 50 maiores, não têm nenhum negócio com o governo? Abaixo vai uma relação das maiores empresas privadas não-financeiras. Aponte uma que não tenha negócios com o governo. Aliás, pode incluir nesse pacote a Abril (que vende assinaturas e livros didáticos para o MEC), a Globo (através da Fundação Roberto Marinho e dos contratos de publicidade), a Folha (que recebe publicidade oficial, como os demais órgãos da imprensa).
Seria um furo se descobrisse algum grande grupo sem negócios com o governo.
Sete das 17 empresas que ajudaram a bancar o filme receberam R$ 407 milhões neste ano em contratos com o governo
Outras cinco financiadoras da obra sobre a vida de Lula obtiveram financiamentos do BNDES; empresas dizem não ver problema em ajuda
RUBENS VALENTE
DA REPORTAGEM LOCAL
PAULO GAMA
DA REDAÇÃO
A maior parte das 17 empresas patrocinadoras do filme “Lula, o Filho do Brasil”, que deve entrar no circuito comercial em 1º de janeiro, mantém negócios com os ministérios e bancos do governo federal. Apenas em 2009, sete dessas empresas receberam cerca de R$ 407 milhões em pagamentos diretos da União por conta de obras, aquisição de equipamentos e outros serviços.
Depois que Otávio Frias Filho assumiu a Folha – com a morte de Otávio Frias de Oliveira – a Folha se transformou em uma mixórdia ideológica e editorial.
Antes, cultivava uma espécie de anarquismo de centro-esquerda. Atacava todos mas, nos grandes temas, adotava uma posição que se poderia chamar de progressista. Era uma anarquia previsível e aceita por seus leitores.
Com o afastamento do seu Frias, Otavinho decidiu atrelá-la ao pensamento neocon e ultraliberal – vinte anos depois da onda neoliberal ter começado e quando já estava em fase agônica. Terceirizou sua linha editorial para a Veja.
As consequências estão aí, nesse editorial sobre a votação do Supremo.
O STF conclui que a decisão de extraditar ou não é um ato de vontade do Executivo. Simplesmente se curva ao que a Constituição determina. Aliás, talvez Otávio não saiba, mas o STF é o guardião da Constituição. E mesmo nessa composição medíocre atual, a maioria decidiu acatar a Carta Magna.
O que diz o editorial da Folha?
O Supremo diz, simplesmente, que Lula não está obrigado a cumprir a extradição. Pode recusar-se a entregar o extraditando num ato de pura, e ilimitada, discricionariedade. Num passe de mágica, transfere-se a instância julgadora da extradição -papel que a Constituição reserva ao Supremo- para a Presidência da República. A corte máxima de repente se torna um órgão meramente consultivo nessa matéria, contrariando sua tradição centenária de decidir as questões, produzindo efeitos necessários de suas manifestações.
Ou seja, centenas de parlamentares se reúnem e votam uma Constituição, marco legal da República. A Constituição diz que cabe ao Chefe do Executivo a decisão de determinar ou não a extradição. E o editorial da Folha diz que essa determinação – que é da própria Constituição – contraria tradição centenária do STF decidir questões que, segundo a Constituição, não estão entre suas atribuições. Autêntico samba do rábula doido.
Poderia ter explorado esse ridículo do STF deliberar sobre a extradição e concluir que sua deliberação nada vale. Que nada! A Folha é incapaz de analisar isoladamente o princípio constitucional independentemente do personagem Battisti. E transmuda-se, de líder do mercado de opinião, em apenas um boneco de ventríloquo dos slogans neocons.
A Folha de S. Paulo reconheceu que errou em matéria publicada na terça-feira (17/11) sobre a Igreja Universal do Reino de Deus. A correção, veiculada hoje (18/11), afirma que o “título ‘Contas da Universal movimentaram R$ 1,4 bi’ estava errado”, já que a reportagem dizia que as contas abrigavam recursos de “diferentes empresas e pessoas brasileiras”.
“Nem todo o dinheiro está relacionado à Universal”, afirmou a própria reportagem.
O erro foi indicado por matéria publicada na terça no site R7, na qual a Rede Record acusou a Folha de se aliar com a TV Globo numa “campanha difamatória”.
“No meio da reportagem, porém, a própria Folha se desmente. (…) As contas não são ‘da Universal’, segundo a própria matéria. Nem mesmo há provas de que a Igreja Universal enviou dinheiro ilegalmente ao exterior”, apontou a Record.
Práticas desleais na internet colocam em risco as bases que permitem o exercício do jornalismo independente no país
DEMOCRACIAS tradicionais aprenderam a defender-se de duas fontes de poder que ameaçam o direito à informação.
Contra a tendência de todo governo de manipular fatos a seu favor, desenvolveram-se mecanismos de controle civil -caso dos veículos de comunicação com independência, financeira e editorial, em relação ao Estado. Contra o risco de que interesses empresariais cruzados ou monopólios bloqueiem o acesso a certas informações, criaram-se dispositivos para limitar o poder de grupos econômicos na mídia.
“A edição de ontem da Folha contém três informações falsas envolvendo a Casa Civil e a ministra Dilma Rousseff.
1) Na reportagem “TCU recomenda medidas para evitar um apagão”, a Folha afirma que “procurou a Casa Civil para saber o que foi feito (em relação ao relatório do TCU), mas não houve retorno até o fechamento desta edição”. A assessoria de imprensa da Casa Civil registra a origem, o horário e o assunto de todas as ligações recebidas de jornalistas. Na quarta-feira (11/11), não há registro de ligação de repórter da Folha para questionar sobre o relatório do TCU. Da Folha, a assessoria recebeu dois telefonemas da repórter Simone Iglesias -um pela manhã e outro às 21h14, ambos para tratar da agenda da ministra.
2) A reportagem “Serra faz críticas ao apagão; Dilma se cala” afirma que “Dilma tinha encontro com o governador de Santa Catarina, Luis Henrique da Silveira (…), mas desmarcou”. A verdade é que o horário do encontro, para tratar de obras portuárias naquele Estado, foi alterado das 11h para as 15h.
3) A Folha afirma ainda que a ministra não foi ao encontro do presidente de Israel, Shimon Peres, “como era esperado”. Esperado somente pela Folha, uma vez que esse compromisso jamais constou da agenda da ministra, como mostra e-mail enviado aos jornalistas às 9h11 de anteontem (11).”
RENATO HOFFMANN , assessoria de imprensa da Casa Civil (Brasília, DF)
Nota da Redação – As perguntas sobre o alerta do TCU foram enviadas por escrito, por e-mail, para a assessoria de imprensa da Casa Civil. Sobre o encontro com o governador de Santa Catarina, leia a seção “Erramos”.
Comentário
Otavinho devia reescrever o Manual de Redação da Folha e dar uma sistematização nesse estilo de jornalismo. Será útil daqui a algumas décadas, quando for feito o inventário sobre o processo de depreciação da velha mídia, perpetrado por ela própria.
O comentarista Almeida chama a atenção para matéria de O Globo que coloca uma peça a mais no quebra-cabeças da série “O Caso de Veja“. Nesse episódio específico, na sub-série “O Caso da Folha”, especificamente no episódio do massacre da juíza Márcia Cunha.
No capítulo “A Imprensa e o Estilo Dantas” descrevo a maneira como Humberto Braz – presidente da Brasil Telecom, indicado por Daniel Dantas – operava o esquema da imprensa. Uma das chaves era Eduardo Raschkovsky.
Hoje, O Globo narra as percipécias de Eduardo Raschkovsky, lobista incumbido de influenciar o Tribunal de Justiça do Rio. Clique aqui para ler a matéria.
Em maio de 2005, a juíza Márcia Cunha, do Rio, deu ganho de causa aos fundos de pensão para romper com o contrato guarda-chuva, que garantia poderes absolutos a Daniel Dantas.
Logo em seguida, a juíza acusou Eduardo Raschkovsky de ter lhe feito uma proposta de suborno.
Imediatamente, a Folha enviou ao Rio a repórter Janaína Leite, depois de ter recebido um dossiê contra a juíza, preparado provavelmente pelo esquema de Dantas. Foi um dos capítulos mais baixos dessa tenebrosa parceria da mídia com Dantas. Munida de um conjunto de elementos inconsistentes, sem uma acusação fundamentada sequer, Janaína submeteu a juíza a um massacre sem quartel, impiedoso, que mereceu ampla repercussão na Folha, que você pode conferir clicando aqui. Posteriormente, O Globo e a própria Folha (através de Elvira Lobato) narraram as peripécias de Raschkovsky e o massacre de Márcia Cunha.
Posteriormente, Janaína apareceria na Operação Satiagraha conversando com Dantas na intimidade – e inclusive informando-o que tinha “acabado com o Nassif”, após os ataques que sofri de seu Blog.
A atuação de Janaína, durante todo esse períodos de matérias pró-Dantas, foi totalmente avalizada pelo Editor de Dinheiro Sérgio Malbergier e pelo diretor de redação Otávio Frias Filho.
Em visita a novos estúdios da emissora, no Rio, presidente brinca com câmeras e “filma” Dilma e Cabral
RAPHAEL GOMIDE
DA SUCURSAL DO RIO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que a TV Record, ligada à Igreja Universal do Reino de Deus, é “vítima de preconceito”, como ele diz já ter sido. A declaração foi feita durante discurso na inauguração de dois estúdios da rede de televisão no centro de produções RecNov (Record Novelas), em Vargem Grande, na zona oeste do Rio.
Lula mexeu em câmeras e claquetes e, sem saber que microfones à sua volta estavam ligados, perguntou pelo bispo Edir Macedo, fundador da Universal e da Record, que está em viagem à África.
“Por que essa ansiedade?”, afirma governador paulista, que argumenta que Dilma e Ciro ainda não definiram se vão concorrer
Tucano acusou o governo federal de antecipar debate acerca da distribuição dos royalties do pré-sal para fazer exploração política
Joel Silva/Folha Imagem
O governador paulista José Serra durante cerimônia no Hospital do Servidor Público em S. Paulo
CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL
Dizendo-se dono de “nervos de aço na política”, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), recorreu ao exemplo da ministra-chefe da Casa Civil e sua potencial adversária, Dilma Rousseff (PT), para justificar a intenção de só se manifestar sobre a sucessão presidencial no ano que vem.
Aí vai uma reportagem em video sobre a diminuição do número de leitores de jornal no Brasil com destaque especial à Folha de São Paulo, que foi a que mais perdeu leitores. A reportagem levanta questões sobre a crise de credibilidade da Folha, assuntos já bem discutidos aqui no Blog, como a “ditabranda” e a falsa ficha da Dilma. A reportagem dura 13 minutos.
Sem o discernimento do seu Frias, a era Otavinho expôs inutilmente a Folha nos dois episódios agora exaustivamente explorado pela Record: a ditabranda e a ficha de Dilma.
Na série “pega Dilma” a FSP Online saiu-se com esta:
“Geddel, Franklin, governadores e assessores ficaram em um alojamento com 15 suítes de cerca de 8 m2 e um banheiro privativo com chuveiro de 3 m2. Uma suíte de 10 m2 e cama “king size” (diferentemente das outras, com camas de casal) foi reservada a Geddel, que ficou com a de número 15, de seu partido, o PMDB”
O trecho faz parte da matéria com o sugestivo título:
“Alojamento de Lula tem risoto, uísque e roda de viola até a madrugada”
1. Faça uma denúncia insossa ou um factóide em cima do nada.
2. Faça de conta que a Internet não existe e que você não foi desmascarado meia hora depois.
3. Coloque alguns repórteres para recolher frases pré-definidas. Basta escolher a fonte que dirá o que você pretende.
4. No dia seguinte publique a “repercussão”. Conclua, por conta própria, que a notícia foi tão importante que teve o condão de reabrir um caso esquecido.
5. Depois, peça (peloamordeDeus!) para a memória do leitor não chegar até a próxima semana e constatar que o caso não durou dois dias.
6. Se algum leitor escrever solicitando o nome do autor da reportagem, explique que a razão não foi o fato de nenhum repórter querer assinar o mico. É que foi trabalho coletivo, entende?
Declaração de ex-secretária, que teria achado agenda com data de reunião com ministra, reabre caso sobre ação do governo no fisco
Tucano ironiza Lula, que desafiou Lina a mostrar sua agenda com encontro com Dilma, a pedir que a chefe da Casa Civil faça o mesmo
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A declaração da ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira de que achou a agenda com anotação do encontro que diz ter tido com a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) reabre o caso sobre a suposta ação do governo para “agilizar” as investigações sobre a família Sarney, avaliaram ontem senadores e deputados da oposição.
“Dilma terá de vir a público e se explicar”, disse o líder do DEM no Senado, José Agripino (RN). “Está claro que a conversa sempre existiu”, declarou Pedro Simon (PMDB-RS). Outro senador, Osmar Dias (PDT), pré-candidato ao governo do Paraná, disse crer na palavra da ministra, que sempre negou a reunião com a ex-secretária.
José Aníbal (SP), líder do PSDB na Câmara, pediu que Lina Vieira “colabore e venha a público” pessoalmente.
Na agenda que Lina diz ter encontrado, há menção a uma audiência com Dilma na página de 9 de outubro de 2008. Nessa data, há de fato registro no Planalto da entrada de Lina.
Segundo a ex-secretária, o encontro foi chamado por Dilma e teve um só tema: um pedido para “agilizar” a investigação do fisco nos negócios da família de José Sarney (PMDB), aliado do governo Lula e hoje presidente do Senado.
Em 19 de agosto, dez dias depois de ter feito a acusação em entrevista à Folha, Lina depôs no Senado. Ela confirmou sua versão e deu mais detalhes.
Tanto a ministra como Lula desdenharam das acusações e desafiaram a ex-secretária a apresentar provas da data exata do encontro. “Seria tão mais simples e mais fácil se a secretária mandasse a agenda que se encontrou com a Dilma”, disse Lula. “Era só pegar as duas agendas e ver o que aconteceu.”
Ontem o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), ironizou o desafio. “Agora é só fazer o que Lula havia dito. A Dilma tem de mostrar a agenda dela.” Ele defende a ida da ministra ao Senado.
O líder do DEM, deputado Ronaldo Caiado (GO), disse que aguarda cópia do contrato da empresa que faz monitoramento de imagens da entrada no Planalto. Ele quer provar que elas são armazenadas por mais de 30 dias, ao contrário do que alega o governo. “Com o documento em mãos que comprove a existência das imagens, passaria ao governo a tarefa de apresentar esclarecimentos.
Não há limites para esse eixo Veja-Folha que se formou anos atrás e prossegue impávido, mesmo depois do desmoronamento da credibilidade da revista (clique aqui para ler a íntegra das matérias).
Esta semana, Veja apresenta um furo estrambólico: diz que Lina Vieira, a ex-Secretária da Receita Federal, finalmente (dois meses após o escândalo em torno da suporta reunião reservada com Dilma Rousseff) abriu sua mala e, ó surpresa!, encontrou a agenda perdida, onde estava escrito à mão a data da sua reunião com a Ministra Dilma Rousseff.
A reportagem da Veja é um desses primores do antijornalismo:
Em um trecho, admite (ufa!) que a Secretária tinha dito que a tal reunião talvez ocorrera em dezembro.
A ex-secretária, por sua vez, nunca apresentou provas convincentes, além do próprio testemunho, de que a conversa realmente existira. O dia? Lina não se lembrava. O mês? Lina dizia que fora próximo ao fim de 2008, talvez em dezembro. Quando questionada sobre a imprecisão, justificava afirmando que todos os detalhes estavam registrados em sua agenda pessoal.
Agora, a tal agenda apareceu. E, segundo a revista, tem um dado capaz de mudar tudo: uma anotação à mão (!).
Reportagem publicada neste final de semana diz que, tres meses depois da explosão do escândalo, a agenda pessoal da ex-secretaria da Receita Lina Vieira apareceu entre seus pertences transportados para Natal.
Conforme a reportagem, de Alexandre Oltramari, que não teve acesso a própria agenda, mas escreve bom base no relato de uma pessoa próxima da ex-secretária, no dia 9 de outubro a agenda contém a seguinte frase: “Dar retorno a ministra sobre Família Sarney.”
De acordo com Oltramari, teria ocorrido neste dia, portanto, a data da célebre reunião no Planalto na qual, conforme Lina Vieira, a ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff teria lhe solicitado para dar agilidade às conclusões de um inquérito sobre Fernando Sarney.
Não é a primeira vez em que surge, da parte de Lina Vieira, uma referência a essa data como o dia possível para a reunião. Na vez anterior, perguntada sobre 9 de outubro, ela disse: “Não, não.”
Estou fazendo pesquisa de mestrado na PUC – SP, na área de comunicação. Pesquisarei a relação entre imprensa e desigualdade social no Brasil a partir do caso da ficha falsa da Dilma na folha de São Paulo (ver resumo abaixo). Já reuni muito material sobre o caso, incluindo bastante coisa da Blogosfera. Estou postando aqui para caso alguém deseje contribuir com algum elemento para a pesquisa. Quem desejar entrar em contato, meu e-mail é: jfalencar@yahoo.com.br.
Deixa ver se eu entendi: a matéria de capa da edição de domingo da Folha de S. Paulo, tratada como denúncia séria e ares de novo escândalo, acusa o ministro das Minas e Energia de ter uma secretária (Telma) que marca e cancela reuniões “sem avisá-lo previamente”? É isso mesmo? Depois de livrar-se da verdade dos fatos * a Folha de S. Paulo, na sua campanha aberta para devolver o poder ao PSDB paulista, perdeu também a noção do ridículo?
Tudo leva a crer que sim. No sábado retrasado, no inútil esforço de remendar a incrível barriga dos 35 milhões de brasileiros que, segundo o jornal, iriam contrair a gripe A, encomendou ao Datafolha uma pesquisa bizarra: “nos últimos meses de inverno, você sentiu algum sintoma de gripe?”. De posse das respostas, o jornal concluiu que pelo menos 20 milhões de brasileiros tiveram a gripe A, ou seja, o erro da Folha teria sido de “apenas” 15 milhões de doentes. Só que, como a letalidade do vírus é de 0,4%, segundo os cálculos da Folha de S. Paulo, 80 mil brasileiros morreram de gripe A, mas apenas 2 mil foram enterrados. Os outros 78 mil, zumbis insepultos, pelo jeito estão trabalhando na redação do jornal.
* Os exemplos recentes do desapego da FSP à verdade são muitos, incluem a versão do delegado Edmilson Pereira Bruno sobre as fotos do dinheiro dos aloprados, o grampo sem áudio Gilmar/Veja/Demóstenes, a reunião sem data com Lina Vieira, o Picasso do INSS, a fraude da ficha da Dilma no DOPS, os números da gripe A, o dossiê do “uiscão” e da tapioca, etc, etc…
O governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), considera “fantasiosa e leviana” a informação de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva o aconselhou, em encontro na semana passada, a não aceitar ser de vice na chapa do também tucano José Serra.
“Sou adversário político do presidente, mas nos respeitamos. Ele jamais me diria isso”, disse Aécio.
Mais uma mentira.
Comentario
A Folha já deu como favas contadas que Aécio aceitara ser vice de Serra. E não era verdade. Agora vem com essa. É um jogo manjado, que ocorre em todas as eleições. Mas ainda não caiu a ficha do jornal sobre como essas jogadas o expõem, nessa era da Internet.
É incrível como não cai a ficha de que esse modo de fazer jornalismo acabou.
Introdutor do jornalismo de serviços e do jornalismo eletrônico no país. Vencedor do Prêmio de Melhor Jornalista de Economia da Imprensa Escrita do site Comunique-se em 2003, 2005 e 2008, em eleição direta da categoria. Prêmio iBest de Melhor Blog de Política, em eleição popular e da Academia iBest.