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17/11/2009 - 10:10

Delfim e o movimento dos sem propostas

Por comentador

Acho que o Brasil vai desembarcar é do PSDB. Vejam o que Delfim Netto diz sobre Lula x FHC no Valor Econômico de hoje.

(favor enviar o link)

Do Valor Econômico

Antonio Delfim Netto

Palavrório assustador

Um brasileiro que tivesse adormecido em 2002 e só acordado em 2009 teria enorme dificuldade para entender o que está acontecendo. O presidente Fernando Henrique Cardoso, que governara oito anos (1995-2002) graças a uma mudança constitucional cavada a duras penas e por métodos muito pouco recomendáveis havia realizado uma série de reformas que iniciavam um processo de governança responsável.

As dificuldades de 1998 que levaram o país ao FMI (e as condicionalidades do seu empréstimo), exigiram uma mudança da política fiscal: 1º ) a construção de um superávit fiscal primário adequado para; 2º ) redução da relação dívida/PIB e sua manutenção em níveis aceitáveis; 3º ) a aprovação de uma lei de responsabilidade fiscal que colocaria um pouco de ordem nas finanças da Federação; e 4º ) reduzir o tamanho do Estado com privatizações aceleradas. Na política monetária mudou-se a direção do Banco Central e escolheu-se um sistema de metas inflacionárias com câmbio flutuante. Nenhuma dessas medidas era novidade ou foi “inventada” pelo governo brasileiro. De fato, a parte fiscal é a “receita do FMI” para todos os países emergentes que por dificuldades externas acabariam (sem o seu apoio) tendo de declarar-se insolventes. Os detalhes de como esse empréstimo foi aprovado no FMI são hoje conhecidos. Ficou evidente que a vontade do governo americano (presidente Clinton) foi decisiva para superar as “objeções técnicas” dos europeus. Estávamos em plena campanha eleitoral e um “default” certamente produziria uma desintegração do governo.

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Política Tags: , , , ,
17/11/2009 - 09:50

FHC se compara a Lula

Por comentador

Nassif, eu já havia proposto que você nos propusesse a oportunidade de fazer uma comparação democrática aqui no blog entre os governos Lula e FHC. Aproveitando que FHC nos brindou com essa pérola de dizer que não há diferença entre os seu governo e o de Lula,que tal fazermos uma comparação entre todos os pontos, que, penso, irão balizar o próximo governo? (cá para nós, se não houvesse diferença, o país teria se quebrado com essa crise)

FH: ‘Que diferença há entre o meu governo e o de Lula? Muito pouca’

Ao “El País”, ex-presidente diz “faltar gás” a Dilma e que Marina é “interessante”

Em entrevista publicada domingo no jornal espanhol “El País”, o ex-presidente Fernando Henrique disse que não vê diferenças entre a política econômica de sua gestão e a do governo Lula. “Que diferença há entre o meu governo e o de Lula no modelo econômico? Muito pouca. É basicamente social-democrata, com respeito ao mercado, sabendo que o mercado não é o todo, e políticas sociais eficazes.

Todos aprendemos a fazer políticas sociais, o Chile aprendeu, o México aprendeu, o Brasil aprendeu, o Uruguai já tinha…”, disse, em entrevista concedida em 14 de setembro, em São Paulo, mas só publicada anteontem, após sua participação na Conferência Anual do Clube de Madri, do qual é membro.

Temas polêmicos ficaram de fora, mas comentários foram registrados: “Cardoso prefere o ‘off the record’ ao falar das por vezes complicadas relações de Lula e seu partido com (Hugo) Chávez; da necessidade de que o Brasil assuma a liderança regional e global que lhe corresponde, ‘mesmo que tenha que tomar decisões antipáticas’; das chances do candidato de seu partido, José Serra, nas eleições de 2010 — ‘se fossem hoje, ganharia sem dúvida’ — e das dificuldades da pré-candidata do governo, Dilma Rousseff, para ter a mesma capacidade de mediação de Lula nas distintas correntes do PT. Por sinal, está custando muito deslanchar nas pesquisas: ‘Já está em campanha há tempos, mas não tem gás, e lhe complica a candidatura de Marina Silva, que é uma ecologista interessante’”.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Política Tags: , ,
16/11/2009 - 08:29

FHC e a não-arte de ser pai

O comandante Rolim teve um filho fora do casamento. Informado, foi até a esposa, colocou um papel na sua frente dando procuração para que ficasse com todas as ações da TAM. E lhe disse:

- Tive um filho, vou assumir e quero que tenha todos os direitos dos nossos filhos. Se você não aceitar, pode ficar com todas as ações da TAM que eu vou recomeçar a vida.

O menino foi aceito. Temporão, foi a alegria dos últimos anos do comandante. Pelas informações, tornou-se um rapaz sério, responsável, empreendedor e amigo de seus irmãos.

Rolim era uma figura pública. De algum modo, o episódio poderia afetar a imagem da TAM, os investimentos, já que incluiria algum fator de instabilidade no núcleo de controle da companhia. Mas nem vacilou.

Essa história de que todo exercício de poder necessita de mesquinharias contra terceiros – até contra um filho! -, do exercício diuturno e obsessivo do personalismo é masturbação sociológica

No fundo – e, no futuro, será tema de bons estudos sobre FHC, quando a psicanálise se aproximar mais das ciências políticas -, o egocentrismo exacerbado cria uma insensibilidade ampla que impede ao candidato a Estadista entender o ponto central das mudanças de um país: a alma do seu povo.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Política Tags: , , ,
15/11/2009 - 09:10

FHC reconhece o filho

Da Folha

FHC decide reconhecer oficialmente filho que teve há 18 anos com jornalista

MÔNICA BERGAMO

COLUNISTA DA FOLHA

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso decidiu oficializar o reconhecimento do filho que teve coma jornalista Mirian Dutra, da TV Globo.

Tomas Dutra Schmidt tem hoje 18 anos. O tucano já consultou advogados e viajou na semana passada a Madri,onde vive a jornalista, para cuidar da papelada.

A Folha falou com FHC no hotel Palace, na Espanha, onde ele estava hospedado. O ex-presidente negou a informação e não quis se alongar sobre o assunto. Disse que estava na cidade para a reunião do Clube de Madri.

Mirian também foi procurada Pela Folha, que a consultou a respeito do reconhecimento oficial de Tomas por FHC. “Quem deve falar sobre este assunto é ele e a família dele. Não sou uma pessoa pública”, afirmou a jornalista.

O ex-presidente e Mirian tiveram um relacionamento amoroso na década de 90, quando ele era senador em Brasília. Fruto desse namoro, Tomas nasceu em 1991. FHC e Mirian decidiram, em comum acordo, manter a história no âmbito privado, já que o ex-presidente era casado com Ruth Cardoso, com quem teve os filhos Luciana, Paulo Henrique e Beatriz.

No ano seguinte, a jornalista decidiu sair do Brasil e pediu à TV Globo, onde trabalhava havia sete anos, para ser transferida. Foi correspondente em Lisboa. Passou por Barcelona e Londres e hoje Trabalha para a TV em Madri.

Quando FHC assumiu o ministério da Fazenda, em1993, a informação de que ele e Mirian tinham um filho passou a circular entre políticos e jornalistas.

Procurados mais de uma vez, eles jamais se manifestaram publicamente.

Em 1994, quando FHC foi lançado candidato à Presidência, Mirian passou a ser assediada por boa parte da imprensa.

E radicalizou a decisão de não falar sobre o assunto para, conforme revelou a amigos, impedir que Tomas virasse personagem de matérias escandalosas ou que o assunto fosse usado politicamente para prejudicar FHC.

Naquele ano, a colunista se encontrou com ela em Lisboa e a questionou várias vezes sobre FHC. “Nem o pai do meu filho pode dizer que é pai do meu filho”, disse Mirian.

Em 18 anos, o ex-presidente sempre reconheceu Tomas como filho, embora não oficialmente, e sempre colaborou com seu sustento. Nos oito anos em que ocupou a Presidência, os dois se viam uma vez por ano. Tomas chegou a visitá-lo no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República.

Depois que deixou o cargo, FHC passou a ver o filho, que na época vivia em Barcelona, com frequência. Mirian o levava para Madri, Lisboa e Paris quando o ex-presidente estava nessas cidades. No ano passado, FHC participou da formatura de Tomas no Imperial College, em Londres.

Neste ano, Tomas mudou para os EUA para estudar Relações Internacionais na George Washington University.

Comentário

Sempre me recusei a divulgar essa notícia do filho de FHC, talvez por respeito a dona Ruth e ao filho não reconhecido. Acompanhei algumas vezes o drama de uma mulher forte, tendo que se preparar para programas de TV, para a eventualidade de alguém levantar essa questão.

Mas, obviamente, tratava-se de uma questão de Estado. Um presidente da República tinha um caso semi-secreto e devia favores a uma rede de TV concessionária do Estado. Sem qualquer sombra de dúvida, é um caso muito mais grave que o de Renan Calheiros, muito. Envolve uma emissora de TV que recebeu favores do governo.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Política Tags: , , ,
12/11/2009 - 09:09

Dos mestres para o aluno FHC

Por Jose de Abreu

Da Folha

ANTONIO DELFIM NETTO

Lulismo?

SURPREENDIDA COM a recuperação da economia brasileira e o imenso protagonismo de Lula no cenário internacional, cuja visibilidade interna é a aprovação de sua administração por três de cada quatro brasileiros, a oposição parece presa a um quadro de catalepsia.

Isso certamente não ajuda a continuidade do progresso institucional que conseguimos desde a Constituição de 1988 e que começa a nos distinguir claramente de alguns de nossos parceiros da América Latina. Estes insistem em repetir velhos erros do passado. Tentam curto-circuitos que a história mostrou levar a incêndios, mas não ao crescimento econômico sustentável.

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Política Tags: , , ,
09/11/2009 - 10:11

O resultado do fracasso do modelo fernandista

Por Heber/DF

Da Folha Online

No Brasil, 64% quer maior controle do governo na economia

A pesquisa feita a pedido da BBC em 27 países e divulgada nesta segunda-feira revelou que 64% dos brasileiros entrevistados defendem mais controle do governo sobre as principais indústrias do país.

Não apenas isso: 87% dos entrevistados defenderam que o governo tenha um maior papel regulando os negócios no país, enquanto 89% defenderam que o Estado seja mais ativo promovendo a distribuição de riquezas.

A insatisfação dos brasileiros com o capitalismo de livre mercado chamou a atenção dos pesquisadores, que qualificaram de “impressionante” os resultados do país.

“Não é que as pessoas digam, sem pensar, ’sim, queremos que o governo regulamente mais a atividade das empresas’. No Brasil existe um clamor particular em relação a isso”, disse Steven Kull, o diretor do Programa sobre Atitudes em Políticas Internacionais (Pipa, na sigla em inglês), com sede em Washington.

O percentual de brasileiros que disseram que o capitalismo “tem muitos problemas e precisamos de um novo sistema econômico” (35%) foi maior que a média mundial (23%).

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Novo Modelo Tags: , , ,
08/11/2009 - 21:39

Guilherme Motta e a arte de não juntar as peças

Atenção, pessoal, a comentarista Simonse trouxe o link de uma entrevista do Guilherme Motta ao Valor onde suas idéias, mesmo sendo questionáveis, seguem linhas de raciocínio mais claras. A nota está no pé deste post.

Confesso um certo desânimo em analisar entrevistas do tipo da que o professor Carlos Guilherme Motta concedeu hoje ao Estadão.

Motta fez sucesso nos anos 70 ou 80, quando pretendeu escrever uma obra monumental, uma espécie de enciclopédia do pensamento intelectual brasileiro. Era uma obra arraigadamente uspcentrista, na qual se permitia idiossincrasias pessoais – especialmente contra ninguém mais do que Sérgio Buarque de Hollanda, contra quem mantinha uma certa competição.

No afã de desmerecer Buarque de Hollanda e consagrar a USP, chegou a considerar a “História da Literatura Brasileira”, de Antônio Cândido como uma brasiliana de nível superior. Depois, estimulou uma falsa competição entre Antonio Cândido e Gilberto Freyre, visando desqualificar o pensador nordestino – visto por ele como “de direita”.

Nos dois casos, deixou Antonio Cândido em má situação, por pretender usá-lo como aríete justamente contra duas de suas maiores admirações intelectuais. O professor Antônio Cândido é cioso da sua relevância intelectual e suficientemente crítico para não pretender ombrear-se com suas duas admirações.

Na entrevista ao Estadão, Guilherme Motta mostra uma dificuldade comum a historiadores que, vindos de uma visão tradicional da matéria, não conseguem entender as novas dinâmicas do momento, em cima da bucha. Relaciona uma série enorme de conceitos, definições, fatos descosturados, incapaz de alinhavá-los e organizar o todo.

Não sejamos injustos: talvez não tenha conseguido o espaço necessário porque a entrevista visava obviamente cumprir uma pauta pré-determinada. Recentemente saiu uma entrevista assim com o Renato Lessa – que, desde o primeiro momento, duvidei que tivesse sido fiel ao seu pensamento (e não havia sido, de fato).

A entrevista fica isso, então:

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Brasileira Tags: , , ,
07/11/2009 - 14:00

O fator Salieri na política

Por Eduardo Ramos

Nassif, por favor, faça um post sobre a entrevista no Estadão, com o ministro Paulo Bernardo, onde ele fala com todas as letras, que FHC tenta acordar a oposição, por causa da mediocridade do PSDB e do DEM, e diz que o FHC está parecendo o Sallieri, aquele maestro invejoso, em relação ao Mozart. PS – Adivinha quem é Mozart? rs rs rs – Tá excelente a entrevista, li lá no Conversa Afiada! Abração!

Bernardo compara FHC a desafeto de Mozart

Da Agência Estado

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse hoje, em Curitiba, que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, com o artigo publicado domingo no jornal O Estado de S.Paulo , em que criticou o governo Luiz Inácio Lula da Silva, está tentando “suprir a deficiência da oposição”. “Como ele é uma pessoa brilhante, de grande talento, e a oposição está numa mediocridade imensa, colossal, ele está tentando suprir isso”, concluiu. “Agora, o risco que corre é ele ficar parecendo o Salieri (maestro Antonio Salieri), que ficava criticando o talento de Mozart (músico Wolfgang Amadeus Mozart) porque ele não conseguia ter o mesmo talento, não conseguia ter o mesmo reconhecimento.”

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Política Tags: , ,
05/11/2009 - 17:52

O autoritarismo popular, segundo FHC

Do Valor Econômico

Autoritarismo popular pelo voto direto

Maria Inês Nassif

05/11/2009

Ao final de sete anos de governo e à véspera de uma eleição em que a sua simples presença de um lado da disputa pode definir a sua sucessão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está dando um nó na cabeça da oposição. Não só pela sua popularidade, mas pela forma como conseguiu usar essa popularidade para mudar completamente uma agenda política e econômica à qual, no primeiro mandato, parecia amarrado.

À direita e à esquerda, essa mudança de agenda está sendo colocada como autocrática. Todavia, como definir historicamente uma mudança de agenda política e econômica num regime democrático sem a suposição de que existe apoio popular a ela? O apoio é a um presidente ou a um outro projeto de poder? Como desvincular o presidente Lula do seu partido político, o PT, quando a história política de ambos é a mesma (e isso é um fato mesmo se constatando que, depois de quase dois mandatos como presidente num regime presidencialista, Lula tornou-se maior que o PT)? Se projetos políticos não se sucederem no poder, em alternância, o que se pode querer de uma democracia? É personalismo ou projeto político diferenciado uma inversão completa de agenda em relação aos governos anteriores?

A definição – ou acusação – imputada a Lula pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em artigo recente publicada em dois jornais paulistas (”Folha de S. Paulo” e “Estado de S. Paulo”), e reiterada em entrevista ao colunista Vinicius Torres Freire, ontem, na “Folha”, de exercer uma “Presidência imperial”, ou ser o artífice de um estado de “apatia com autoritarismo popular”, não parece plausível. Não dá para “acusar” alguém de ser popular. FHC também o foi no seu primeiro mandato e venceu as eleições para a reeleição no primeiro turno, em 1998. Não dá para “acusar” alguém por estar no poder, se essa pessoa foi eleita. FHC também foi, duas vezes. E, como Lula, também tentou, embora não com tanto empenho, fazer o seu sucessor.

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Política Tags: , , , ,
05/11/2009 - 10:23

Lula, segundo Mendonça de Barros

Por Calbercan

Em entrevista à revista Viver, de Belo Horizonte, o tucano Luiz Carlos Mendonça de Barros rasga elogios ao governo Lula. E espeta FHC. Sobre sua ida ao Senado para responder sobre as acusações de ter beneficiado a Telemar, diz: “Eu tomei a decisão de ir ao Senado e aí inovei, porque ao invés de fugir, eu fui lá. Eu tive uma orientação do Fernando Henrique para viajar, sumir, mas eu quis enfrentar.”

Sobre a interferência do governo Lula em empresas privatizadas (outro ponto que FHC critica no seu famoso último artigo), diz: “Se é o custo que nós temos que pagar para o Lula manter a política macroeconômica, eu pago. Vamos nos preocupar com problemas gordos. Com alguns assuntos a gente não pode ser crircri e ficar questionando tudo”.

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Novo Mundo Tags: , ,
04/11/2009 - 07:58

FHC: como matar um projeto de oposição

O Vinicius Torres Freire, do caderno Dinheiro da Folha, entrevistou o ex-presidente FHC, para entender o significado do seu artigo de domingo passado, na Folha em O Globo. É curioso o artigo, apenas devido ao fato de Vinicius ter captado bem a falta de rumo de FHC. Fala da desarticulação da oposição, da falta de eco do Congresso, do fato dos grupos de discussão da sociedade civil estarem mais preocupados com temas específicos, do que com a política em geral.

Constata uma situação, na qual ele – como líder maior da oposição – é o grande responsável. E constata como um intelectual que analisa uma situação do lado de fora, sem nenhuma responsabilidade sobre os eventos analisados.

Quando se olha para trás e se vê a formação das idéias no PSDB de FHC, percebe-se como o partido jogou fora todas as bandeiras renovadoras que ajudaram a construir sua reputação.

Na época, parecia ser o único partido racional, as melhores idéias caíam no seu colo quase que por gravidade. Ganhou o apoio de um número significativo de pensadores que garimpavam o novo, por sua aparente disposição em ouvir propostas, em aplaudir a modernidade que emergia. Afinal, era um partido de intelectuais, acadêmicos, egressos da Universidade, aparentemente racionais e visando o bem comum.

Mas era só da orelha para fora, apenas jogo de cena visando exclusivamente ganhar aliados para tarefas bem mais comezinhas: a montagem do grande sistema de apoio econômico que surge da privatização.

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , ,
28/10/2009 - 07:00

O PAC e a reconstrução da economia

Por Mário Mota

Nassif e Blogueiros,

Sou projetista da área de hidráulica e saneamento, com formação em engenharia sanitária e engenharia civil (nesta ordem).

A engenharia nacional sofreu fortes danos nas três últimas décadas. No início dos anos 80 houve uma quebradeira violenta, com o fim do sonho do “Milagre Econômico”, que causou o desmantelamento de muitas empresas de projeto, principalmente as que atuam no amplo setor da construção civil, no qual se insere o saneamento. Marcou essa fase o declínio do PLANASA – Plano Nacional de Saneamento, com o BNH sem recursos para aplicar no setor.

A partir de 90, com o governo Collor, os recursos da construção civil surgiram de forma tímida, porém parecia que estavam apenas nas mãos de grandes construtoras, pois recebíamos muitas solicitações do tipo “contrato de risco” (só te pago quando receber da obra) e os órgãos públicos não tinham um centavo para fazer projeto. Aviltaram muito os valores dos projetos e os salários dos profissionais, o que causou uma primeira evasão de gente de boa qualidade do mercado.

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia Tags: , , , ,
26/10/2009 - 13:14

O PSDB e a herança maldita

Por daSilvaEdison

Nassif,

Veja essa do Roberto Freire:

“PSDB terá de renegar FHC, diz presidente do PPS”

“O presidente nacional do PPS, Roberto Freire, disse que a política econômica adotada por FHC não será exemplo a ser lembrado durante a campanha do PSDB à Presidência, em 2010.”

“Já prevendo comparações que podem vir à tona nas próximas eleições, entre a chamada Era FHC e a gestão de Lula, Freire defendeu que a política econômica de Fernando Henrique não é a do PSDB.

Não vamos associar isso ao programa de José Serra, por favor!, insistiu, em referência à pré-candidatura do governador de São Paulo ao Palácio do Planalto. ”

http://opovo.uol.com.br/opovo/politica/922364.html

Comentário

Quando Serra foi eleito governador, escrevi no Blog que o único caminho viável para ele e o PSDB seria romper com o fernandismo e instaurar o serrismo – isto é, um conjunto novo de conceitos que sepultasse o malanismo que havia se tornado marca registrada do partido.

Mais: disse que a hora era dos pacificadores, não dos guerreiros. A guerra só interessava a quem não tinha mais expectativa de poder – no caso, FHC e os senadores de último mandato. Que os novos tempos exigiriam estadistas que promovessem a pacificação e a política em alto nível, que consolidassem os avanços e defendessem os upgrades.

Serra me ligou na época, foi das últimas conversas que tivemos. Disse que FHC era seu amigo e que discordava de que esse rompimento fosse necessário. Àquela altura, ele estava mergulhando de cabeça na parceria com o jornalismo da Veja e com os guerreiros do neoliberalismo.

E era tão óbvio para quem tivesse um mínimo de sensibilidade política.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags: , ,
24/10/2009 - 07:00

O discurso de Lula

Por Ricardo Amaral

O problema com Lula não é falar demais; é ser ouvido por milhões

Como se esperava, a boa entrevista do Lula ao Kennedy Alencar repercute na imprensa por causa de duas irrelevâncias, destacadas pela edição da Folha: uma frase descontextualizada sobre jornalismo e uma comparação exagerada com Jesus Cristo. É mais do mesmo. Esse pessoal acha que Lula fala demais e fala bobagem. Só este ano já foram 220 entrevistas e outros tantos discursos nas mais diversas circunstâncias. É natural que deixe escapar frases infelizes, comparações inadequadas, exageros e injustiças. E daí? O dado objetivo é outro: Lula fala para dezenas de milhões, com objetividade e clareza; é ouvido e assimilado como nenhum outro presidente foi antes dele. Por isso incomoda tanto; por isso tentam repercutir o acessório e escamotear o conteúdo.

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , , ,
23/10/2009 - 14:00

Os 12 Apóstolos de FHC

Por Neves

Quanta blasfêmia. Toda essa polêmica começou pelo acerto antecipado do PMDB com a candidatura Dilma. Então, para descobrir quem são os judas na jogada, fui pesquisar o governo FHC e alguns apóstolos que o acompanharam. É certo que Jesus não faria acordo com ateu, principalmente um que se associa aos Demos mas, por enquanto, Lula também não fechou acordo com o Fariseu Henrique Cardoso:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Categoria:Ministros_do_Governo_FHC

“… com a reforma ministerial implementada por Fernando Henrique Cardoso, Renan Calheiros foi indicado pelo senador Jader Barbalho (PMDB-PA) para ocupar o Ministério da Justiça, em substituição a Íris Resende, que se desincompatibilizara para concorrer ao governo do estado de Goiás. Apesar das resistências ao seu nome, uma vez ter sido ele líder do ex-presidente Fernando Collor, a indicação foi mantida e Renan tomou posse no dia 7 de abril de 1998″.

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags: , ,
16/10/2009 - 09:15

A volta do círculo vicioso do câmbio

O círculo vicioso do câmbio está dado mais uma vez.

Tem-se o seguinte quadro internacional:

1. Excesso de liquidez e propensão a novas bolhas especulativas.

2. Dúvidas de monta sobre o fim da crise internacional.

3. Desalinhamento das taxas de juros nacionais, com alguns países puxando a alta de juros antes de outros.

Todo esse clima induz à volatilidade cambial no mundo.

Nesse cenário, o Brasil é a bola da vez dos movimentos especulativos. Há fundamentos sólidos para se apostar no Brasil, o reconhecimento de que saiu da crise antes dos demais, o mérito de ter sabido dosar medidas ortodoxas e anticíclicas, a percepção mundial de que será um dos países líderes da economia global nas próximas décadas.

Sobre essa base fundamentalista, ocorre o movimento especulativo que, nos próximos meses, inundará o país de dólares.

Em qualquer país racional, o Banco Central alteraria sua maneira de atuar sobre o câmbio e a política monetária. Por aqui, não só tem reforçado a visão ortodoxa, como tem atuado claramente visando estimular esse jogo especulativo.

Duas manifestações do BC, em países como os Estados Unidos, no mínimo ensejariam a abertura de um processo de responsabilização.

O primeiro, a declaração de um diretor do BC de que a compra de reservas cambiais não reduz a apreciação do real. O segundo, o relatório do BC apontando a possibilidade de elevação dos juros no próximo ano, como reflexo do aumento de despesas públicas – uma afirmação que não tem nenhuma base factual, ainda mais levando-se em conta de que a apreciação do real funciona como elemento anti-inflação.

Nos dois casos, o BC atuou como agente estimulador desse movimento de apreciação cambial.

Agora, se entra em período eleitoral, no qual a apreciação cambial conta votos. Haverá volatilidade no câmbio atrapalhando exportações e investimentos. Mas será contida, no início, pelas reservas cambiais.

No final do ano que vem, os economistas dos candidatos favoritos estarão estudando como sair da armadilha cambial que lhes foi deixada.

Em fins de 1998, o país começava a recuperar o ímpeto reformista, atropelado pelas jogadas cambiais do início do Real. Na ocasião escrevi que a imprudência com o câmbio mataria qualquer veleidade de FHC de fazer um bom governo.

Espero que essa desgraça não se repita agora.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Crise, Economia Tags: , , , ,
11/10/2009 - 12:04

O novo capitalismo de família no Brasil

Um dos fenômenos ainda não devidamente analisados nesta etapa do desenvolvimento brasileiro, é o do chamado capitalismo de família.

A privatização criou uma geração de novos financistas, beneficiados pelo modelo de FHC – que teve como principais mentores Gustavo Franco (no planejamento político), André Lara Rezende (no papel de conduto entre o mercado e a política cambial), Pérsio e Edmar Bacha (amoldando a política cambial e monetária ao novo modelo) e Luiz Carlos Mendonça de Barros e Ricardo Sérgio (como operadores).

Daniel Dantas, aliás, surge ainda no governo Sarney e Collor, em parceria com o Citigroup, adquirindo ações da Telebras a preço de banana. Depois, se consolida na era tucana.

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Novo Modelo Tags: , , ,
10/09/2009 - 10:00

O PSDB e o pré-sal

Por Filipe Mazzini

Parece que o PSDB entendeu a sinuca de bico que foi colocado no caso do Pre Sal. Se fizer oposição cega corre o risco de ser acusado de anti nacionalista, ou entreguista, nas próximas eleições.

Abaixo notícia da Agência Estado:

PSDB decide não fazer oposição radical a projeto

O PSDB anunciou a decisão de não fazer oposição radical no Congresso aos projetos do governo que definem as regras para a exploração do petróleo do pré-sal. Em vez de se opor à adoção do novo modelo de partilha ou à criação da nova estatal do petróleo – a Petro-Sal -, o partido exigirá do PT que explique as vantagens concretas da mudança, anunciando, por exemplo, quando a Petrobras “capitalizada” baixará os preços da gasolina e do gás de cozinha.

Embora sem fazer oposição ao modelo de partilha, o PSDB assumirá a defesa do sistema atual de concessão, adotado no governo Fernando Henrique Cardoso, mas admite rever o modelo. Os tucanos lembrarão, durante as discussões do pré-sal, que o sucesso do modelo de concessão, de 1998 para cá, foi tão grande que a capacidade de investimento da Petrobras saltou de US$ 4 bilhões anuais para US$ 29 bilhões ao final do ano passado.

“Vamos defender o modelo que julgamos absolutamente exitoso, mas consideramos a hipótese de atualizá-lo e vamos insistir em uma discussão democrática”, declarou o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). Foi o que ficou acertado em reunião da Comissão Executiva Nacional com líderes do partido da Câmara e do Senado.

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Eleições, Política Tags: , ,
07/09/2009 - 08:45

O fracasso da guerra contras as drogas

Por Marcos Doniseti

Nassif, em entrevista ao jornal britânico ‘The Observer’, o ex-Presidente FHC disse que a guerra contra as drogas fracassou. Então, isso significa que o bilionário ‘Plano Colômbia’, que supostamente visa combater o narcotráfico, é um desperdício de dinheiro e, logo, esse acordo militar feito pela Colômbia, permitindo que os EUA usem 7 bases militares instaladas em seu territorio, é uma inutilidade, correto?

Da BBC

Guerra contra as drogas fracassou, defende FHC em jornal britânico

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu em um artigo publicado neste domingo pelo jornal britânico The Observer que a guerra contra as drogas fracassou e que deveria haver um esforço internacional para promover a descriminalização dos usuários de maconha.

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Crime Tags: , , , ,
23/07/2009 - 10:38

Sobre grampos

Do Jornalismo dos anos 90

Fitas. Não acredite no jornalista que, ao mencionar determinadas gravações,
use adjetivos tonitruantes para qualificá-las (“explosivas”, “impactantes”),
mas não mostre nem a cobra nem o pau. Só acredite nos trechos entre aspas,
e só acredite naquilo que você está lendo. Se o trecho mencionado não
significar nada para você, é porque não tem significado algum mesmo.
Qualquer conclusão que a matéria apresente, que não for aquela que você
pode tirar objetivamente da frase entre aspas, é cascata. Se os trechos do
“grampo” que foram publicados não tiverem importância, é porque o que
não foi publicado tem menos importância ainda.

Comentário

Duas jogadas manjadas desse jornalismo-espetáculo:

1. Transformar algo banal – eticamente condenável, mas inserido nas práticas e costumes gerais – em algo criminoso, meramente porque gravou-se uma conversa igualmente banal. Esses diálogos do Sarney com parentes é de um ridículo atroz. Configura práticas nas quais incorre toda a classe política (de Sarney a FHC).

2. Todo dia vir com uma manchete tipo “agora vai”, “agora não tem jeito”. Abaixo, a manchete do Estadão e a da Folha.

A

Suponha a seguinte conversa entre FHC e Heráclito Fortes (que nomeou sua filha funcionária-fantasma):

FHC – Caro Heraclito, preciso de um favor seu.

HF – Diga, meu presidente.

FHC – Minha filha quer ficar em Brasília e precisa de algum lugar aí para garantir seu salário. Poderia arranjar uma vaga para ela:

HF – Algum lugar específico?

FHC – Não. Pode ser até como assessora pessoal sua, sem o compromisso de vir diariamente ao Senado para não expô-la.

HF – Pois não, senhor presidente, aqui o senhor manda.

É um diálogo imaginário, porém verossímil. Se a conversa não foi assim, foi parecida. A única diferença do Sarney, é que não foi gravada – e a mídia quer o pescoço do Sarney, não a moralização dos costumes. Mas tentar incriminar FHC por isso é algo tão ridículo quanto essa criminalização da boquinha – à qual recorre o mundo político em massa.

Em vez de atacar a boquinha e discutir formas de eliminá-la, usa-se o vício para objetivos escusos: derrubar o presidente do Senado e transformar a casa em fator de instabilidade política.

Por Rafael

A frase do Lula, quase uma constatação balzaquiana do jornalismo, é comprovada pelos fatos. O último escândalo do clã maranhense foi justamente deflagrado por gravação da Polícia Federal, o Sarney de meses atrás. Hoje, quando a PF espiona o inimigo da grande mídia, ninguém mais fala em Estado policial, em prender o policial que prendeu o bandido, nas maletas de escutas da PF, em aparelhamento, em Stasi, em SS, não apareceu ninguém que se auto-intitula “bem-informado” chamando o Tarso Genro de Beria… Nada como um dia após o outro e nenhum comentário sobre a atuação da PF. Lamentável, esse “esquecimento”.

Por celio mendes

Há pouco tempo atrás uma suspeita pra lá de suspeita de que o telefone do Ministro Gilmar Dantas(royalties para o Noblat) havia sido grampeado gerou o afastamento do então diretor da ABIN, o áudio do tal grampo jamais veio a público, a discussão na mídia era a farra das escutas telefônicas, pois bem agora varias conversas da atual Geni da mídia o senador Sarney são divulgadas amplamente em todos os canais sem a menor cerimonia, ora bolas quem fez essas escutas? Foi um grampo legal? Se legal quem vazou? Ou sera que vazar escutas não tem mais a mesma importância que tinha alguns meses atrás? Haja óleo de peroba.

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16/07/2009 - 12:22

O custo do apagão

Do Valor

Apagão de energia elétrica custou ao país R$ 45 bilhões, conclui TCU

BRASÍLIA – O apagão de energia elétrica, ocorrido entre 2001 e 2002, custou R$ 45,2 bilhões. A conclusão é do Tribunal de Contas de União (TCU) que divulgou, ontem, um relatório sobre os efeitos daquela crise nas empresas, no governo e para os consumidores. Segundo o TCU, a maior parte do prejuízo foi paga pelos contribuintes. Os consumidores pagaram 60% do prejuízo do apagão de energia por meio de aumentos nas contas, o chamado repasse tarifário. Esse percentual equivale a R$ 27,12 bilhões.

O restante foi custeado pelo Tesouro Nacional, o que também onerou os contribuintes. O relatório lembra que o Tesouro fez aportes em diversas companhias através do BNDES e pela Comercializadora Brasileira de Energia Emergencial (CBEE) – empresa criada durante a crise para administrar o valor do ” seguro apagão ” , quantia cobrada dos consumidores para fazer frente a eventuais dificuldades no setor. O tribunal verificou ainda que os R$ 45,2 bilhões permitiriam a construção de seis usinas como a hidrelétrica de Jirau, que será erguida no rio Madeira.

” A população brasileira sofreu com o racionamento de energia ” , disse o ministro Walton Alencar Rodrigues, relator do processo no TCU. Ele lembrou que a atividade econômica teve uma redução no período do apagão. A taxa de crescimento da economia caiu de 4,3%, em 2000, para 1,3%, em 2001. ” Com ela adveio problemas como desemprego, redução da competitividade do produto nacional, diminuição do ritmo arrecadatório, entre outros ” , afirmou o ministro.

O relatório contém recomendações para evitar que ocorram apagões no futuro. Para Rodrigues, o governo deveria aumentar o orçamento da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), órgão responsável por fiscalizar as empresas do setor. ” Cabe a essa importante agência regular e fiscalizar esse mercado que movimenta anualmente cerca de R$ 90 bilhões somente em compra e venda de energia elétrica ” , advertiu. No entanto, a Aneel obteve orçamento de apenas R$ 365 milhões para 2008, dos quais R$ 150 milhões foram gastos, pois o restante foi contingenciado (retido) pelo governo para outras atividades.

O TCU recomendou à Casa Civil que faça uma análise geral das condições de trabalho no Ministério das Minas e Energia (MME), na Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e na Aneel. O objetivo é verificar se esses órgãos possuem estrutura organizacional, física e de pessoal adequadas para fiscalizar o setor. Segundo o tribunal, a Casa Civil deve promover ” melhoramentos, se for o caso, de forma a mitigar os riscos futuros de uma crise energética ” . As recomendações serão enviadas à ministra Dilma Rousseff, que ocupou o comando do MME durante o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entre 2003 e 2005. O ministro José Jorge, hoje, no TCU foi, durante a crise, titular da pasta de Minas e Energia. Ele participou do julgamento e endossou o voto a favor dos alertas à Casa Civil. ( Juliano Basile | Valor Econômico)

Comentário

O trabalho estimou apenas o custo direto. Há um custo muito maior, que foram os pontos de crescimento do PIB perdidos com a crise.

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12/07/2009 - 09:58

O exercício imemorial da “boquinha”

Da Folha

Coluna da Mônica Bérgamo

O democrata (Heráclito Fortes) diz que Luciana foi “injustiçada”. “A menina precisava trabalhar pra viver. Quando o Fernando Henrique foi embora do Palácio da Alvorada, me disse: “Nossa maior preocupação é a Luciana, que precisa ficar em Brasília”. O marido dela é funcionário público, trabalha no Itamaraty, entende? Então, eu disse: “Não se preocupe, presidente”. Ela organizava recortes para montar uma biografia minha. A Luciana é tão correta que, quando a dona Ruth estava muito mal, em São Paulo, ela pediu autorização para ficar com a mãe. Depois da morte, ela me ligou perguntando se podia ficar mais uns dias. Numa situação daquelas, ainda perguntou se podia, entende?”

Tião Viana (PT-AC), um dos mais atuantes do “grupo ético”, atende ao chamado de “um minutinho” do repórter e prega, pela enésima vez, o afastamento do maranhense José Sarney da presidência do Senado. Quando se pergunta como sua filha conseguiu gastar R$ 14 mil em telefonemas de celular, disparados do México e pagos pelo Senado, Viana faz uma expressão de quem acabou de comer um pirarucu estragado. “Já disse o que tinha de dizer sobre isso. Deixa cicatrizar. O Jarbas Vasconcellos passou dois meses sem falar, eu também tenho direito. O dinheiro não é do Senado, é meu.” Vai pagar em quantas vezes mesmo? 72? “Depois a gente fala, amigo…” Na galeria atapetada, o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) dá entrevista para uma TV e defende a saída de Sarney. A reportagem aproveita o ensejo. Senador, ficou a dúvida: foram R$ 10 mil ou US$ 10 mil (emprestados a ele por Agaciel Maia)? “R$ 10 mil”, diz ele, com a bochecha intumescida e vermelha. “Eu estava numa situação, mestre, em que você faria a mesma coisa [pedir R$ 10 mil a um assessor que pediu ao diretor-geral do Senado]. Naquela situação, não existe santo. Qualquer ser humano faria. Já está tudo saldado.”

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03/07/2009 - 09:38

Toma que o filho é teu

Da Folha

Petista foi leviano ao criticar PSDB, diz FHC

CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso chamou ontem de levianas as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de que o PSDB quer “ganhar o Senado no tapetão” ao defender o afastamento de José Sarney da presidência do Senado -o vice-presidente é o tucano Marconi Perillo (GO). “O presidente Lula, às vezes, abusa das palavras. Sabe que, se o presidente do Senado eventualmente renunciar, haverá uma nova eleição (…) Lamento que o presidente diga coisas tão levianas”, disse o ex-presidente durante homenagem a Ruth Cardoso, morta há um ano. FHC se recusou a comentar a hipótese de renúncia de Sarney, limitando-se a lamentar a “desagregação” da Casa.

E reiterou que “Lula, especialmente quando está fora do Brasil, não presta atenção às palavras”. Convidado para o encerramento do encontro, o governador José Serra foi sutilmente irônico: “O PSDB apoiou o candidato do PT na eleição na qual Sarney foi eleito. Não estou enganado. Pelo que me lembre, o PSDB apoiou o candidato do PT. Não vejo essa gula”.

Em Belo Horizonte, o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, disse que o partido pediu o afastamento de Sarney porque o Senado precisa ser reformado, mas ele “não tem demonstrado energia suficiente para enfrentar o problema”. “Não é uma questão de moral. Eu não estou dizendo que José Sarney não tem moral.

A questão é que o presidente Sarney, neste momento, não está governando o Senado como gostaríamos que ele governasse, e isso cria uma situação que de fato tem que ser resolvida.” (…)

Da Dora Kramer sobre Arthus Virgílio

Agora, se continua na liderança é porque priva da confiança de sua bancada.

Essa história do PSDB se permitir ser levado por esses jogos oportunistas de mídia é veneno na veia, conforme demonstrado nessa tática de tentar se desvencilhar do cadáver a bordo.

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01/07/2009 - 10:06

A receita de FHC para a crise

Para os que acham que com Lula ou Fernando Henrique Cardoso a reação à crise internacional seria a mesma.

Leia aqui entrevista da Folha com FHC sobre o Plano Real (clique aqui). A propósito de nada – era para um balanço histórico -, o entrevistador Guilherme Barros pede análises de FHC sobre a política atual de Lula e de Obama.

FHC mostra claramente qual teria sido sua reação à crise: cortes de gastos, arrocho fiscal.

O que comprova claramente o que sempre coloquei em minhas análises: as quatro ou cinco crises que sacudiram o país no seu governo não são álibi, são agravantes. Eram crises nas contas externas. Após a primeira crise, o país deveria ter sido preparado para evitar as seguintes.

Mas, em todas elas, recorria apenas ao receituário fiscal, jamais à solução das contas externas. E aí entram os elementos políticos que abordei em meu “Os Cabeças de Planilha”. Em qualquer circunstância, todas as medidas do governo FHC eram no sentido de preservar os ganhos dos investidores. Ajuste cambial significaria impor perdas a quem trouxe dólares, mas prevenir de maneira definitiva futuras crises. Com as contas externas em ordem, não haveria obstáculos ao crescimento da economia.

Para não penalizar os investidores, não se permitia o ajuste no câmbio. Não havendo, o ajuste nas contas externas só se podia dar via recessão. Aí, toca aumentar o arrocho fiscal (para reduzir o déficit comercial) e as taxas de juros (para manter o fluxo de investimentos externos). O especulador ganhava nas duas pontas. O país perdia em ambas.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Crise Tags: , , , ,
13/06/2009 - 10:18

FHC e o erro da causalidade

Em seu depoimento como testemunha de defesa de Roberto Jefferson, Fernando Henrique Cardoso afirmou que, em seu tempo como presidente, o PT transformava tudo em escândalo. Estava certo. E sua afirmação não foi uma contestação, mas uma crítica.

O tiro no pé foi ter recorrido – como figura maior do PSDB – a uma lógica binária, tiro no pé. Se o PT fez e ganhou, se fizermos, ganharemos.

O PT não ganhou pelo exercício reiterado da escandalização. Essa era a face mais condenável e negativa do partido. Não sei se a face de oposição civilizada garantiria a vitória ao PSDB. Mas certamente seria muito mais legítima e eficaz do que essa visão carbonária, que fez com que a cara do partido fosse Jungman, Itagiba, Virgilio, Álvaro Dias e a parte mais podre do jornalismo.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Política Tags: , , , ,
02/06/2009 - 11:30

O PSDB que poderia ter sido

O aturdimento do editorial do Estadão com o aturdimento do PSDB é curioso. O grande erro do PSDB foi ter embarcado na onda midiática da guerra sem quartel.

O Estadão

O aturdimento do PSDB

A reportagem no Estado de domingo, Para voltar ao poder, PSDB aposta até na neurociência, é um retrato desalentador da desorientação que os anos Lula infligiram à legenda oposicionista que em dias melhores se distinguia por reunir um patrimônio intelectual incomum para os padrões partidários nacionais. Com dois presidenciáveis de peso, o governador paulista José Serra e o seu colega mineiro Aécio Neves, mas desprovido de “discurso”, o sinônimo corrente de mensagem, os tucanos também tateiam em busca de um caminho para chegar ao eleitorado que decidirá a sorte da sucessão de 2010 – os 58 milhões de brasileiros, ou 45% do total de votantes potenciais, que podem escolher tanto um candidato do PT como do PSDB, segundo as pesquisas. Leia mais »

Autor: luisnassif - Categoria(s): Eleições Tags: , , , ,
23/05/2009 - 10:35

A culpa é de FHC

É sabido que o jornalismo político não abre mão de intrigas. Aprecia-se principalmente quando determinada frase pode provocar brigas de grandões. Por exemplo, pegar cada frase de Lula ou FHC e colocar como se fosse crítica de um ao outro.

O jogo ideológico também não prescinde de bordões, da mesma forma que qualquer tipo de análise minimamente sofisticada os abomina. Por exemplo, a questão da herança maldita ou da herança bendita de FHC é um caso clássico.

Quando o governo Lula atribui determinado mal à herança de FHC, quando se deve utilizar a ironia?

Há uma regra básica:

1. Tudo o que aconteceu no período FHC é responsabilidade de FHC. Por exemplo, a apreciação do câmbio de 1994/1999 é culpa de FHC.

2. Tudo o que ocorreu depois de 2003, e que não tem relação de dependência com o passado, é culpa de Lula. Por exemplo, a apreciação do câmbio no período 2003/2008 é culpa de Lula.

A partir daí, pode-se criar um manual de bordões primários a ser utilizado, quando se falar na herança de FHC:

1. Quando o assunto for a política monetária do BC. Pode usar a ironia. Desde 2003 é responsabilidade total de Lula.

2. Quando tratar da dívida pública, não pode utilizar a ironia. Dïvidas se herdam.

3. Quando se criticam as agências reguladoras como herança maldita de FHC, pode-se utilizar a ironia, porque o perfil das agências de hoje foi definido pelo governo Lula.

4. Quando se fala em desmonte do setor público, não se pode usar a ironia, porque leva anos para se recompor.

Quando Dilma Rousseff diz que que até 2.000 a Petrobrás foi uma caixa preta, não pode ser ironizado. Primeiro, porque a empresa, presidida por Joel Rennó, era uma caixa preta, não tinha avançado nas normas de transparência nem da Bovespa nem da Bolsa de Nova York, não havia planejamento estratégico. O novo modelo começou a ser montado na gestão Phelippe Reischstull, ainda no governo FHC.

Se a Ministra se refere à caixa preta do período 1994-2000 (gestão Joel Rennó) e exclui o período 2000-2002, quando a Petrobrás começa a tomar rumo, na gestão Phelippe Reichstull e ambos foram do governo FHC, é evidente que não está falando em herança maldita nem demonizando o antecessor.

Aí o Globo pega o primarismo de alguns blogs de ideia fixa e resolve aplicar a fórmula banalizada:

Seis anos depois, a culpa ainda é de FHC

Vinte anos depois, continuará sendo. Ou se julga que erros podem ser prescritos da história?

Do Portal Luís Nassif

FHC e o período negro da Petrobrás

Como todo mundo sabe, o governo de Fernando Henrique Cardoso queria vender a Petrobrás, que quase virou “Petrobrax”. Mas estava evidente que a venda do mais rico, estratégico e promissor patrimônio brasileiro não seria um projeto fácil como foi a venda das outras estatais. Pois havia o maior entrave: a opinião pública.

http://blogln.ning.com/forum/topics/fhc-e-o-periodo-negro-da

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24/04/2009 - 07:00

O pacto de poder do Real

Coluna Econômica – 24/04/2009

Nas duas colunas anteriores, abordei a questão da chamada tomada do poder – o sistema de alianças que candidatos a presidente montam com forças econômicas, mídia, outros poderes. Tentei mostrar como as eleições são apenas o ponto final de um sistema de alianças que, se não for bem conduzido, acaba derrubando presidentes. E de como, muitas vezes, essas alianças acabam comprometendo as próprias políticas que poderiam melhorar a situação do país.

****

O Plano Real foi o exemplo mais bem sucedido de uma aliança que permitiu a chamada tomada do Estado – mas que acabou jogando fora uma das grandes oportunidades de desenvolvimento do país. Trato da questão em meu livro “Os Cabeças de Planilha”, lançado há dois anos. Leia mais »

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25/03/2009 - 09:15

Mitomania, a doença dos ex

Não adianta. O PSDB continuará eternamente presoaos sentimentos menores de Fernando Henrique Cardoso.

Alguns trechos da matéria de O Valor, sobre sua palestra na Fecomercio acerca dos quinze anos do Plano Real.

FHC ataca PAC e loteamento da máquina pública

Sergio Lamucci, de São Paulo

(…) “O governo Lula está dando passos atrás no processo de profissionalização da administração pública e de separação entre o interesse partidário e o público, entre o interesse privado e o público”, disse, atacando também a atitude do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ante a corrupção.

1. Entregou o Ministério dos Transportes do PMDB de Eliseu Padilha (que está sendo processado por corrupção).
2. Entregou todo o setor elétrico ao PFL.
3. Entregou os fundos de pensão a Daniel Dantas.
4. Entregou o Banco Central aos fundos offshore.
5. Entregou o sistema de livros didáticos às grandes editoras.
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18/03/2009 - 11:00

O Sistema Brasileiro de Inteligência e o jogo político

Desenvolvendo melhor o post anterior.

Quando FHC saiu do governo, escrevi o artigo “Uma obra de arte política”, descrevendo a habilidade da sua estratégia de governabilidade – e o desperdício de não ter sido utilizada para um plano de desenvolvimento amplo.

A estratégia consistia em cooptar chefes regionais com migalhas do poder, mantendo incólumes os pilares centrais do governo.

Mas esta era apenas a perna conhecida do modelo criado por FHC.

A peça central, obscura, era o controle estrito sobre o Ministério da Fazenda e toda a estrutura debaixo dele – Banco Central, CVM (Comissão de Valores Mobiliários), Secretaria da Receita Federal (SRF).

Não se tratava apenas de manter o controle técnico sobre a economia. Era nesses ambientes que se fortalecia a perna oculta do sistema de poder que estava sendo montado: a criação de um modelo sistêmico de aliança com o crime organizado (de colarinho branco), que se expandia na indústria de offshores, de bancos de investimentos, de gestores de recursos. Leia mais »

Autor: luisnassif - Categoria(s): Política Tags: , , ,
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