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21/04/2009 - 11:51

Como atropelar o jornalismo

Não tem jeito. O menosprezo dos jornais pela inteligência de seus leitores não tem mais limites.

Confira a matéria do Estadão – do previsibilíssimo Fausto Macedo – sobre Paulo Lacerda. A matéria atropela os seguintes princípios jornalísticos básicos:

1. É requentada.

Marcelo Itagiba já deu quinhentas vezes essa declaração. Um jornalismo sério jamais daria destaque a ela, nem que partisse de fonte confiável. Esse recurso é para quem não tem competência para gerar novas pautas.

2. É falsa.

Quem decretou que a colaboração Abin-PF é “criminosa”? A manifestação do TRF3 – no único julgamento sobre o caso – avalizou sua legalidade. Portanto, ao endossar o julgamento de Itagiba, Fausto Macedo demonstra sua vocação de repórter de porta de cadeia – não de porta de Tribunal.

3. Aceitam-se acriticamente declarações de fonte suspeita.

Além de inimigo declarado de Paulo Lacerda, Itagiba é autor de dossiês, montou o esquema Lunnuns, montou o dossiê contra Paulo Renato (quando trabalhava no serviço de inteligência do Ministério da Saúde, de Serra), foi figura-chave no governo Garotinho. Qual sua credibilidade como policial e qual seu conhecimento jurídico para uma afirmação dessas virar título de matéria?

4. É canhestra na tentativa de “ouvir o outro lado”, como maneira de dar consistência a um “cozidão”.

Itagiba repete a mesma abobrinha de sempre. O jornalista diz que Paulo Lacerda foi procurado, mas não foi encontrado… E para quê? Para rebater a mesma abobrinha de sempre.

Leia esse modelo do velhíssimo jornalismo dos anos 50 que ressurge de roupa nova:

Do Estado

Para CPI, Lacerda ordenou crime Leia mais »

Autor: luisnassif - Categoria(s): Justiça, Mídia Tags: , ,
01/04/2009 - 09:31

Os vazamentos e a PF

Andei tratando o corregedor da Política Federal de corregedor-vazador no inquérito sobre o delegado Protógenes. Posso ter sido injusto.

Pelo menos em uma das maiores torneiras abertas – do repórter Fausto Macedo, do Estadão – o vazamento se deu através da Justiça Federal de São Paulo.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Justiça Tags: , ,
22/03/2009 - 15:29

Protógenes e o beque de roça

O Fausto Macedo é um repórter de polícia pertinaz que me lembra muito o zagueiro Brito. Não o Brito jogando bola mas o Brito, se escrevesse e fosse repórter.

Sua reportagem de hoje no Estadão “Protógenes deixa eloquência de lado ao depor à PF” lembra aqueles chutões de beques de roça.

Protógenes vai depor em um inquérito em que ele está, de antemão, condenado. Sua defesa será na Justiça. Nada mais óbvio que nada fale no inquérito e reserve o que tem de falar para a Justiça.

Mas o que escreve nosso zagueirão (clique aqui)?

“Tão loquaz nas entrevistas e palestras que confere quase diariamente pelo País afora, até em carta ao presidente americano Barack Obama, a quem pede ajuda no combate à corrupção, o delegado Protógenes Queiroz calou-se na hora em que teve sua primeira oportunidade, em caráter oficial, de contar tudo o que diz sobre a Operação Satiagraha”.

Fantástico! Não sei como o delegado foi perder uma oportunidade dessas.

Se fosse outro jornalista, diria que estaria querendo fazer o leitor de bobo. Mas acho que o Fausto não chega a tanto.

Comentário

Mesmo com toda essa perseguição a Protógenes, uma coisa é clara: está ficando cada vez mais difícil apostar nele, como lembra o sábio Anarquista nos comentários. Embora o inquérito Satiagraha seja sigiloso, o que garante que, de fato, colheu mais provas, listas com relação de propinas, conforme o delegado afirmou na entrevista à UOL.

O tempo politico do episódio colide com o tempo jurídico. O sigilo de inquérito é invocado para não se avançar em mais informações. Mas, em algum momento – e em breve – Protógenes terá que colocar mais cartas na mesa.

Não estou me referindo, obviamente, ao que foi apresentado até agora, que tem desmentido sistematicamente as acusações de ilegalidade. Mas as tais informações adicionais, o papel de políticos, da midia.

Por LPorto

Precisamos sim,

é pedir que o novo delegado no comando da Operação, Ricardo Saadi, traga o inquérito por inteiro e não parcial.

Afinal, foram 4 anos de trabalhos.

Por que tanta demora ?

Autor: luisnassif - Categoria(s): Mídia Tags: , ,
14/03/2009 - 12:25

Da série Ornitorrinco do Ano

Por Luiz Eduardo Brandão

Matéria jornalística sem pé nem cabeça também é amenidade?

O inefável Fausto Macedo assina hoje no Estadão um artigo em que fala da transcrição de um suposto grampo com o diálogo entre duas pessoas não identificadas falando das queixas de um juiz que não se sabe quem é que estaria preocupado com os rumos do inquérito conduzido por Protógenes. Ah, supõe-se também que o grampo seria clandestino.

Ao bancar esse tipo de parajornalismo, o Estadão vai se amarronzando a cada dia que passa com o que corre nas cloacas do banditismo de colarinho branco.

Comentário

Clique aqui para ler esse clássico do jornalismo investigativo contemporâneo.

Pelas informações dos dois comentaristas abaixo, a fita se refere a uma gravação entre a jornalista Andrea Michel e um jornalista, onde ela teria supostamente revelado a fonte que lhe vazou os dados da Operação Satiagraha.

Mas, curiosamente, o solerte repórter Fausto Macedo preferiu publicar apenas irrelevâncias sem pé nem cabeça.

Por Brutus

Nassif, uma luz ao blog.

Após a publicação de Andrea Michael (em abril/08) alertando DD sobre a investigação, iniciaram-se na Satiagraha procedimentos para a localização do “vazador” (estivesse ele na JF, MPF ou PF).

“Um” jornalista com mais de 20 anos de experiência e atuante em Brasília disse que conseguiria saber de Andrea quem era sua fonte. Esse jornalista (X-9) gravou sua conversa pessoal com Andrea Michael (com pouco mais de sete minutos), sendo ele um dos interlocutores “M1″ (1ª voz identificada como masculina) e Andrea Michael a “F1″ (1ª voz identificada como feminina).

No diálogo Andrea Michael confirma que sua fonte dentro da PF é o “Diretor de Inteligência” Daniel Lorenz. Essa era a prova principal sobre um dos métodos de abordagem de Andrea Michael perante a PF para conseguir informações privilegiadas. Mas o “X-9″ “amarelou” e não quis depor para confirmar a gravação (pois um interlocutor pode gravar a conversa realizada com outra pessoa sem que esta saiba). Então o áudio não foi utilizado no relatório do Protógenes, mas De Grandis e De Sanctis sabiam de sua existência.

E por ansiedade, Fausto Macedo (principal beneficiário das informações sigilosas fornecidas pelo “Corregedor-vazador”), publica referido diálogo sem se atentar para seu conteúdo ou quem seriam os interlocutores; querendo atribuir a qualidade de “interceptação telefônica ilegal” aquilo que é o áudio gravado por um dos interlocutores sem o conhecimento do outro em um encontro pessoal.

Acontece que o “Corregedor-vazador” aliado ao “Diretor de Inteligência-vazador”, queriam mais do que uma investigação contra Protógenes, eles queriam que ele fosse indiciado, demitido, desacreditado, desonrado, humilhado e articularam com Ali Mazlum a busca e apreensão de 05 de novembro p.p., e no pendrive tinha o quê? O aludido áudio, agora apreendido por ordem judicial como prova dentro de uma investigação sobre vazamento.

Xeque.

Por Jeferson Melo

A reportagem “Corregedoria da PF diz que Protógenes vazou operação”, publicada no dia 11 de novembro de 2008 pela Folha (clique aqui), contem um trecho sobre o episódio. No subtítulo “Reportagem”, o jornal informa:

“No decorrer da apuração sobre o vazamento, Amaro tomou o depoimento do diretor de Inteligência Policial da PF, Daniel Lorenz. Segundo o relatório, Lorenz contou ter ouvido do delegado Paulo de Tarso a informação de que Protógenes detinha a gravação de uma conversa da jornalista Andréa feita sem o seu conhecimento, num restaurante em Brasília. Nessa gravação, segundo os comentários ouvidos por Lorenz, havia inferências de que ele estava por trás do vazamento à Folha.

Lorenz, que nega ser o autor do vazamento, disse a Amaro que gostaria que a fita fosse apreendida para que não fosse usada para “descredenciá-lo”. Paulo de Tarso, segundo o relatório, contou ter tomado conhecimento da fita pelo próprio Protógenes. A Folha apurou que essa gravação foi apreendida nas buscas da semana passada. Agora deverá ser degravada e anexada ao inquérito da corregedoria”.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags: ,
16/01/2009 - 19:45

A piada pronta

Matéria do Estadão, sobre a investigação da corregedoria da Polícia Federal em relação à Satiagraha. A matéria diz que o delegado Protógenes espionou o notório advogado Nélio Machado (clique aqui).

Diz a matéria do óbvio Fausto Macedo:

“O inquérito deverá ser concluído em março. Protógenes deverá ser indiciado por quebra de sigilo funcional.”

Na repercussão, quem o Estadão vai ouvir? Surpresa: Delegado e deputado Marcelo Itagiba:

Itagiba afirmou que a Satiagraha, operação da PF que resultou na prisão temporária de Dantas, foi marcada por “abusos de poder”. “O caso é grave pois viola o Estado democrático de direito”, lamentou. “O episódio reforça os abusos de poder praticados no decorrer da Satiagraha tanto por parte da Abin quanto do delegado da PF”, afirmou.

Na avaliação de Itagiba, a revelação de que Protógenes espionou o advogado de Dantas reforça que “o poder precisa ser controlado”. “As pessoas acham que os fins justificam os meios. Os fins não podem justificar os meios. O Estado não pode cometer os mesmos crimes com a justificativa de que está atrás de criminosos.”

O “furo” do Fausto, que lhe permitiu acusar Protógenes de “quebra de sigilo funcional”, se baseou em uma informação vazada de um relatório sigiloso, de um inquérito em andamento, obtida graças à quebra do sigilo funcional. É o país da piada pronta.

Só para que não pairem dúvidas: o inquérito da PF tem o intuito claro de anular a Satiagraha, não de salvá-la, como originalmente anunciado.

Antes disso, até vídeos pornográficos em computadores da ABIN foram utilizados pelo titular do inquérito – imediatamente reverberado pelos deputados da CPI do Grampo.

Dos ataques anônimos

Aí vai um comentário foi colocado no Blog no dia 9 passado. Não entendi o que quis dizer, o que vem a ser “acusados secundários” mas deixo registrado. Pode ser que algum novo episódio esclareça o significado desse “acusados secundários” ou indique novos vazamentos e armações. Obviamente o email é falso.

Ricardo Chaer

rickchaer@ig.com.br

LN,

Diga a seus baba-ovos o porquê não comenta os acusados secundários.
Para não comprometer sua torneira-quente, não? Que o diga Demarco.

Veja as próximas Vejas, e verá!

Essas armações se dão em plena era da Internet, dos Blogs, da circulação ampla da informação. Mas continuam agindo como se vivessem os velhos tempos das armações impunes.

Não é à toa que, com praticamente todos os grandes veículos endossando Gilmar, Dantas e Nélio, tenham perdido tão bisonhamente a batalha da comunicação.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Justiça, Mídia Tags: , , , ,
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