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21/11/2009 - 14:27

O editorialista do Estadão abandona o rigor

Por laercio monteiro

Caro Nassif, observe o editorial do Estadao: “Surrupio de Dinheiro Público”, pag A3 do Estadao de hoje. Com a chamada “Com mercadorias roubadas e dinheiro público, o MST faz sua féria”.

O editorial é apelativo e mentiroso. Lendo o texto vemos que ele abrange dois assuntos diferentes.

Primeiro a condenação  de dois membros do MST, flagrados vendendo mercadorias que teriam sido roubadas em uma invasão. Imaginemos por exemplo, que dois funcionarios da Agência Estado sejam flagrados  vendendo mercadoria roubada; a manchete dos jornais seria “Com mercadorias roubadas o Estadão faz sua féria”?

Depois, apresenta o caso da Agência Nacional de Apoio à Reforma Agrária (Anara), dirigida pelo “militante petista” Bruno Maranhão, condenado pelo TCU a devolver R$2,2 milhões que não teriam sido utilizados para os fins estabelecidos. Segundo o próprio editorial, a Anara é ligada ao Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST), e não ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). A acusação do jornal não tem pé nem cabeça.

A discussão do assunto no é importante. A grande imprensa continua na sua  cruzada contra os movimentos sociais.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Mídia Tags: ,
11/11/2009 - 14:34

O Estadão e a doença infantil do jornalismo

Leia a matéria abaixo, do Estadão, em que diz que a “imprensa mundial”está questionando a Copa e as Olímpíadas.

A matéria identifica a “imprensa mundial”:

1. Diz que o Financial Times noticiou o blecaute. Não informa onde estava o questionamento sobre a Copa e as Olimpíadas.

2. Cia a Reuters, mas não mostra o questionamento.

3. Finalmente, identifica onde ocorreu o questionamento mais explícito às Olimpíadas no Rio: no CBBC, o site para crianças da BBC.

4. Meu Deus, dr. Júlio, dr. Julinho, é injusto para com a história do Estadão.

Do Estadão

Apagão faz imprensa mundial questionar Copa e Olimpíada

Por outro lado, COI e Fifa minimizam o incidente, acreditando em soluções até 2014 e 16, respectivamente

Jamil Chade – O Estado de S. Paulo

GENEBRA – A imprensa internacional levantou dúvidas sobre a capacidade do Brasil de organizar a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 diante do blecaute elétrico que paralisou metade do país na noite de terça-feira. Mas tanto o Comitê Olímpico Internacional (COI) como a Fifa optaram por minimizar o incidente.

O porta-voz do COI, Mark Adams, deixou claro que a entidade não estava preocupada que o apagão fosse um sinal de fragilidade na infra-estrutura brasileira. “Não estamos preocupados com incidentes isolados como esse. O que ocorreu no Brasil poderia ter ocorrido em qualquer lugar do mundo”, disse Adams.

Desde a eleição do Rio para os Jogos de 2016, essa já é a segunda grande polêmica sobre a cidade. Alguns dias após a escolha do COI, o Rio foi tomado por uma onda de violência. O presidente da entidade, Jacques Rogge, chegou a dizer que a situação o “inquietava”. Mas que estava confiante de que o tema seria resolvido até 2016.

Na Fifa, relacionar o apagão a eventuais problemas em 2014 foi considerado como “um absurdo” por pessoas próximas ao presidente da entidade, Joseph Blatter. “A Copa do Mundo ocorrerá em cinco anos”, disse uma fonte da entidade. “Não há sequer porque se preocupar”, afirmou.

Mas jornais e agências de notícia em diferentes parte do mundo – como a Reuters – fizeram questão de lembrar que o apagão ocorre nas cidades que seriam jogos da Copa de 2014 e no Rio, sede da Olimpíada de 2016.

O blecaute também foi notícia no prestigioso jornal britânico Financial Times. O diário destacou que o caos havia atingido o Rio, “uma cidade turística que receberá os Jogos Olímpicos de 2016 e deve receber a final da Copa do Mundo de 2014″.

No site para crianças da BBC, a CBBC, os comentário foram ainda mais explícitos. “Vamos esperar que os problemas de luz estejam resolvidos até 2016 quando a Olimpíada ocorre no Rio de Janeiro”.

O jornal argentino Clarín também fez menção ao fato de que o apagão havia atingido três cidades que estão cotadas para receber a abertura ou a final da Copa de 2014.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Mídia Tags: , , ,
03/11/2009 - 14:11

Quem desmoraliza o Supremo?

Do Estadão

Caixa paga festa de Toffoli e STF amarga desgaste

Christiane Samarco e Carol Pires, BRASÍLIA

Mal tomou posse no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro José Antonio Dias Toffoli já causa desgaste à imagem da instituição, por conta do patrocínio de R$ 40 mil da Caixa Econômica Federal à sua festa de posse. “É claro que é um desgaste para ele e para a instituição também, mas só posso presumir que ele não estava a par disso”, observa o ministro Marco Aurélio Mello.

“Isso desvaloriza o Supremo, que deveria ser preservado como uma instituição acima de qualquer suspeita”, completa o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), um dos maiores críticos da indicação de Toffoli.

Em sua defesa, o ministro afirma que não tinha conhecimento do patrocínio da Caixa à recepção organizada por associações ligadas à magistratura, caso que foi revelado pelo jornal Folha de S. Paulo. “A festa não foi iniciativa minha nem do Supremo. Eu fui apenas um convidado”, argumenta o ministro.

“Não pedi festa nenhuma e não sei onde obtiveram o dinheiro. Supus que os recursos vieram dos associados, mas de onde veio o dinheiro não é problema meu”, reagiu o ministro. “É problema de quem ofertou, e não meu.”

O líder do PT na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP), lembra que a Caixa está disputando mercado com todos os bancos e patrocina eventos em vários ramos. Ele até reconhece que a oposição está no seu papel legítimo de criticar. “O errado é dizer que aí tem problema legal e ético, porque não tem”, contesta, enfatizando que não há nada na lei que impeça a Caixa de “financiar” a posse de um ministro. Mas as críticas persistem.

“É um absurdo desnecessário a Caixa, um banco público, financiar festa de ministro. Para que festa de posse?”, argumenta o senador Pedro Simon (PMDB-RS).

Comentário

Da série “Estadão sem medo do ridículo”. Nem o Pedro Simon.

O IDP de Gilmar consegue contratos exclusivos com o setor público, consegue com o Senado, tem clientes privados grandes grupos com demandas no Supremo; Gilmar abre os salões do Supremo para lançamentos comerciais de site jurídico que funciona como sua assessoria de imprensa e vende seus livros.

E a festa de posse do Toffoli desmoraliza o Supremo.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags: , ,
29/10/2009 - 08:36

O fracasso da Nova Luz

Os jornais não tomam jeito. Aqui, matéria do Estadão decretando o fracasso do projeto Nova Luz – um sistema de desapropriações que permitiria ao setor imobiliária a reconstrução do centro de São Paulo.

O fracasso é debitado na conta do prefeito Gilberto Kassab. E se tivesse sido um sucesso?

Clique aqui para Blog do vereador Floriano Pessaro (do PSDB) mostrando que a Nova Luz era comandada por Andréa Matarazzo e o pai era Serra.

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Cidades, Gestão Tags: , , , , , ,
26/10/2009 - 10:41

O Poder da China

Do Estadão

”Poder da China irá além da economia”

China será o primeiro caso desde a Revolução Industrial em que o poder hegemônico não terá características ocidentais

Cláudia Trevisan, PEQUIM

Autor do livro When China Rules the World (Penguin Books, 2009), o jornalista e acadêmico britânico Martin Jacques acredita que a China assumirá em breve uma posição dominante no mundo, quando exercitará o “complexo de superioridade” desenvolvido nos 2 mil anos de história dinástica. Leia a entrevista concedida ao Estado, de Londres, por telefone:

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , ,
23/10/2009 - 09:35

Estadão: a arte de ser conduzido

O governador José Serra tem seu passado de grande homem público, economista influente, intelectual sólido. E de ampla indecisão, ainda mais em temas que exijam definições políticas.

A indecisão deixou o campo aberto para os novos ideólogos da oposição: a Mídia, isso, o Kamel, Otavinho, o Civita com toda aquela sofisticação política e analítica já conhecida. E o Estadão correndo atrás.

Aí eles descobrem a grande sacada: a menção de Lula a Judas e ao papel da imprensa. Manipula-se a declaração de Lula, para servir de bandeira oposicionista. Eureka! Genial! Descoberta a pedra filosofal a orientar daqui para frente a oposição. A ordem unida ecoa por todos os cantos. Ouve-se CNBB aqui, deputados ali, Fenaj acolá, repercutamos, repercutamos.

E o Serra – que pode ter muitos defeitos, mas morre de medo do ridículo – é obrigado a ir atrás.

Daí o Estadão – que vive correndo atrás do eixo Veja-Globo-Folha invertendo a frase símbolo de São Paulo (não conduzo, sou conduzido)-, chega resfolegante para a repercussão, cerca Serra daqui, cerca dali e arranca uma declaração bombástica:

‘A entrevista mostra bem o que é o Lula. De ponta a ponta, na forma e no conteúdo’, disse o governador de SP

Bela frase, que não quer dizer absolutamente nada.

Aí o repórter insiste sobre o tema Judas:

Questionado se concordava que uma aliança entre Jesus e Judas seria necessária para 2010, Serra respondeu: “Não sei. Quem fala com Cristo pode perguntar a ele”.

Ou seja, para uma pergunta tola, uma resposta que não quer dizer nada.

Não falou nada, nada disse. Mas o Estadão solta a manchete exultante:

Serra ironiza presidente Lula sobre aliança entre Jesus e Judas

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Eleições, Política Tags: , ,
13/10/2009 - 21:20

O jus sperniandi do Estadão

Por EDSON MEDEIROS

Qualquer leigo vai supor que depois de ter passado por um conselho (que entendo ser mais de 1 juiz, o jornal nao diz qtos) a decisão do TJ-DF tem algum embasamento técnico. Fica dificil sustentar sem algum tipo de censura.

Do Estadão

Conselho do TJ mantém jornal sob censura

MARIÂNGELA GALLUCCI – Agencia Estado

BRASÍLIA – O jornal O Estado de S.Paulo continua sob censura. Os desembargadores do Conselho Especial do TJ rejeitaram hoje um recurso no qual era contestada a manutenção da liminar que impede a publicação de reportagem sobre a operação Boi Barrica, da Polícia Federal, que investigou o empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

Ao contrário do ocorrido nos julgamentos anteriores, a discussão hoje foi aberta. Dois desembargadores do tribunal questionaram o fato de o julgamento não ter sido sigiloso, como nas outras oportunidades. A explicação foi a de que o TJ estava seguindo uma determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão que exerce o controle externo do Judiciário e que nesta semana está fazendo uma inspeção no tribunal do Distrito Federal. Em setembro, o corregedor nacional de Justiça, Gilson Dipp, pediu explicações ao TJ sobre os julgamentos secretos.

Na votação, os desembargadores confirmaram decisão tomada em setembro pelo Conselho Especial que afastou do processo o desembargador Dácio Vieira, autor da decisão que censurou o jornal. Mas o Conselho manteve a censura.

Os desembargadores também decidiram rejeitar um pedido para que Dácio Vieira fosse obrigado a pagar as custas do recurso no qual ele foi considerado suspeito para continuar a atuar como relator. Essas custas são estimadas em R$ 38. Esse pagamento está previsto no Código de Processo Civil.

A polêmica censura ao jornal foi decretada em julho pelo desembargador Dácio Vieira. Em decisão tomada em setembro, os desembargadores do Conselho Especial já tinham resolvido afastar Vieira do caso por considerar que ele deixou de ser isento ao atribuir ao jornal “ação orquestrada mediante acirrada campanha com o nítido propósito de intimidação”. (…)

Comentário

Pergunto: o Estadão pretende se colocar acima da lei? Qual a diferença entre a campanha do Estadão contra a sentença (reconfirmada agora) e a posição do MST em relação às leis?

Autor: luisnassif - Categoria(s): Justiça, Mídia Tags: , ,
12/10/2009 - 09:34

Os intelectuais delivery

Por Jotavê

É uma falta de vergonha que o Estadão “paça” a intelectuais que dêem sua opinião a respeito da suposta “censura” a que o jornal estaria sendo submetido. E é uma falta de vergonha maior ainda que esses intelectuais “aceitem” colaborar com o jornalão em sua “campanha” – pois é disso que se trata. Temos aqui claramente uma troca de favores – escreva aquilo que queremos que você escreva agora, e você continuará tendo espaço no jornal.

Mesmo os que acreditam naquilo que escrevem estão tendo uma atitude indigna. A razão é simples. Não há espaço algum para veiculação de opiniões contrárias e, além disso, a “troca” a que me referi acima está claramente posta sobre a mesa.

Quem a aceita se rebaixa, e permite que façamos mentalmente a seguinte pergunta: “O que contou mais, neste caso? A crença na justeza da tese? Ou a vontade de preservar relações amistosas com jornalistas que ocupam postos de direção num órgão influente?” Quem faz esta pergunta uma vez a respeito de uma pessoa, sentir-se-á no direito de fazê-la novamente no futuro, em quaisquer circunstâncias.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Mídia Tags: , , ,
11/10/2009 - 12:17

A autocompaixão do Estadão

Por Alexandre Leite

Em mais uma ação de marketing contra a suposta ‘censura’ o Estadão entrevista hoje a ‘especialista’ Lourdes Sola que vê um conjunto de tentativas para calar oposição.

Clique aqui.

Ela cita:

Censura contra o jornal desde o dia 31 de julho, por decisão do desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF);

Questionamentos do papel investigatório do Ministério Público por setores da Polícia Civil;

Ataques ao Tribunal de Contas da União (TCU)

Apenas a questão do TCU se refere ao governo federal e ao menos que se considere o TCU como tal, não se trata de tentar ‘calar oposição’. Defende-se apenas formas alternativas de punir irregularidades, já que parar obras por indícios tem um custo muito caro para todos.

Comentário

Esta campanha de autocomiseração do Estadão entrou em um nível tão ridiculo que, esta semana, publicou matérias de organizações internacionais cobrando a interferência do Lula na Justiça, na questão da censura ao jornal.

Como assim? O Estadão cobrando do presidente da República a atitude autoritária de interferir em uma questão do Judiciário.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , ,
02/10/2009 - 10:07

As investigações sobre o caso ENEM

Vamos a algumas considerações sobre o caso do furto das provas do ENEM, a partir do que saiu hoje nos jornais.

Primeiro, as conclusões. Depois, o raciocínio por trás delas:

  • A probabilidade maior foi a de uma operação política. O pedido de dinheiro foi despiste.
  • Quem atuou foi uma quadrilha organizada, que procurou dois veículos não estigmatizados por dossiês – Estadão e Record – para passar o furo.
  • Dois trombadinhas-laranja foram escalados para oferecer o material para a Folha no mesmo momento. Mas foi uma óbvia manobra de despiste.
  • Os bandidos deixaram claro que o sigilo de fonte era a maior garantia de impunidade para essas jogadas, reafirmando aquilo que detalhei à exaustão em “O Caso de Veja”: todo esquema de quadrilha especializada em dossiês tem, na ponta, a contraparte jornalística.
  • Foi uma operação paulistana, não brasiliense, embora não se descarte a possibilidade dos bandidos terem vindo de Brasília.

Vamos ao detalhamento, a partir das matérias publicadas (clique aqui).

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Justiça, Mídia, Política Tags: , , ,
29/09/2009 - 08:34

O Estadão contra grampos (dos outros)

Acabei de ser lembrado pelo Estadão – em matéria de uma página – que hoje é aniversário da censura que consagrou a gestão do Ricardo Gandour. Uma página inteira de celebração.

Nesse período, o Estadão abusou de gravações clandestinas contra políticos, fez pactos com arapongas da Polícia Federal, que lhe permitiram divulgar a perigosa conversa de José Sarney com a neta, assumindo um padrão Folha incompatível com o histórico de seriedade do jornal.

Para completar esse ciclo cívico, o editorial de hoje reclama contra o vazamento seletivo de informações por arapongas lotados na Polícia Federal.

Auto-crítica? Não, não, que é isso. O editorial é seletivo na análise dos vazamentos seletivos: o protesto é contra o vazamento que ocorreu há dois anos, vitimando Gilmar Mendes (confundido com um Secretário de um estado nordestino), não contra o grampo na neta de Sarney, que permitiu ao Estadão ser a Folha.

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Mídia Tags: , ,
25/09/2009 - 10:47

Ciência avança contra Aids

Do Estadão

Pela 1ª vez, vacina reduz risco de aids

Apesar de preliminar, resultado apresentado ontem aponta queda de 31% na possibilidade de contrair a doença

Jamil Chade, GENEBRA

Pela primeira vez uma vacina contra a aids teve sua eficácia mensurável, diminuindo o risco de infecção. Os resultados foram divulgados ontem. Cientistas combinaram duas vacinas que isoladamente haviam fracassado e descobriram que, juntas, elas podem reduzir em 31,2% o risco de uma pessoa ser infectada pelo HIV, vírus causador da aids.

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Ciência Tags: , , , ,
04/09/2009 - 12:20

A escuridão do Estadão

Não adianta. Quando se coloca a partidarização como único direcionador da análise, ninguém é poupado, nem os editorialistas do Estadão. A análise que fazem do pré-sal, no editorial de hoje, é bisonha, não está à altura da experiência dos editorialistas.

Deveriam deixar esse papel das análises desinformadas para os focas.

Do Estadão

A escuridão do pré-sal

Não adianta perguntar ao presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, qual será o valor da capitalização da empresa para a exploração do pré-sal. Ele ainda não conhece a resposta, embora o presidente Lula cobre do Congresso a votação de um projeto a respeito do assunto. Tudo isso parece muito complicado, muito estranho e muito diferente do procedimento normal em qualquer negócio conduzido com boa-fé e transparência, mas a história é essa mesma. Só se conhecerá o valor, segundo Gabrielli, depois de fixado o preço para cada 1 dos 5 bilhões de barris prometidos pelo governo à estatal como reforço financeiro.

Má fé haveria se, antes de saber o valor, a Petrobras definisse a fatia de participação dessas reservas aportadas ao seu capital.

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Energia, Mídia Tags: ,
03/09/2009 - 08:36

O Estadão quer privatizar o fundo soberano

Manchete de primeira página do Estadão

Governo criará fundo para ampliar controle do pré-sal

Bancos e investidores privados serão impedidos de participar do empreendimento

Fui ler a matéria intrigado. Nela, o repórter questionando o Ministro das Minas e Energia Edison Lobão sobre o tratamento privilegiado dado a um fundo público, em detrimento do privado. E o Lobão dando umas explicações meio capengas.

Pensei, que raios de fundo é esse, que não foi mencionado até agora em nenhum trabalho ou matéria?

Levou um tempo para descobrir que o jornal estava falando do “fundo soberano”, um instituto criado em todos os países que têm grandes saldos em exportação – e todos eles sendo fundo estatais e geridos pelo Estado, para projetos intergeracionais (isto é, que aproveitem a riqueza finita proporcionada pelo petróleo para garantir o bem estar das futuras gerações, quando o petróleo acabar).

O Estadão estava questionando o caráter estatal do fundo soberano – que, por definição é estatal – e sugerindo a participação do capital privado. E o Ministro Lobão, explicando direitinho – e inutilmente – a natureza dos fundos soberanos.

O Estadão pensou em privatizar o fundo soberano. Matéria campeã!

Fonte: Booz

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia, Energia Tags: , ,
01/09/2009 - 09:27

A cobertura do pré-sal

Clique aqui para várias matérias sobre o pré-sal.

É insuperável a incapacidade de alguns jornais de abordar de forma consistente temas relevantes.

A cobertura segue invariavelmente o padrão da exploração de conflitos, a ideia do jogo de futebol, em que se tem um vencedor e um perdedor, um acusador e uma vítima. É um jornalismo da Candinha, que, em cada entrevista, escolhe a frase que pode gerar fofoca.

Ontem foi anunciado o plano do governo para o pré-sal. É um tema que conquistou interesse mundial. Praticamente o mundo inteiro acompanhando esse evento, analisando as medidas, suas consequências para o país e para a indústria do petróleo.

Quando se entra no índice da Folha, quais são os temas principais:

A Eliane Cantanhêde abordando a importantíssima parte do discurso de Lula em que ele critica o modelo de FHC. Em um evento que – para o bem ou para o mal – entrará para a história do país, selecionou a parte que amanhã já terá sido esquecida.

A matéria principal do caderno Dinheiro é: “Lula lança pré-sal com ataque a tucanos”.

A incapacidade de entender os impactos no longo prazo, a ignorância sobre o fator tempo na vida das nações é estonteante. Olha a autoridade com que Valdo Cruz definiu o evento:

No fundo (a discussão sobre royalties), um grande teatro, já que o pré-sal começará a produzir em escala comercial lá por volta de 2015. Até lá, mudar ou não mudar o sistema de royalties pouca importa, porque não haverá cobrança significativa desses impostos no petróleo do pré-sal.

Ou seja, presidente, governadores, saindo do espaço exíguo de seu mandato para batalhar pelo que irá para o país ou para seus estados pelas próximas décadas, e a análise prospectiva do Valdo dizendo que é bobagem, porque os royalties só serão pagos no distantíssimo ano de… 2015.

Outro visionário de meio metro é Alexandre Garcia, em seu comentário na Globo:

O presidente chegou a relacionar os beneficiários com a riqueza da profundeza: além da pobreza, educação, ciência e tecnologia, cultura e meio ambiente. Isso é que é planejamento. Como o pré-sal vai começar a produzir em 2015, na melhor hipótese, são planos para quem suceder à pessoa que suceder ao presidente Lula.

Inacreditável! Está-se falando em benefícios inter-geracionais – isto é, que vão atingir as próximas gerações – e nosso visionário Alexandre não consegue enxergar além de 2015.

O Estadão

Ao contrário das futilidades da Folha, o Estadão deu uma cobertura bem mais consistente, identificando os pontos centrais do projeto:

• tom nacionalista;

• fortalecimento do Estado

• a capitalização da Petrobras;

• o fato de que as regras não deverão afugentar os estrangeiros;

• a queda nas cotações da Petrobras, com as novas regras de capitalização

E mais um conjunto relevante de matérias, mostrando que o diretor da sucursal Ruy Nogueira conseguiu um salto de qualidade relevante.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia Tags: , ,
31/08/2009 - 11:00

Deu no New York Times

Por Gunnar Kelsch

O NYT de hoje noticía, com um certo atraso, a “censura” ao Estadão e expõe ações similares de outros países do nosso continente. Clique aqui.

Comentário

No almoço de sexta-feira, conhecio Ricardo Gandour, diretor de redação do Estadão. Ao contrário do Turquinho da Veja, é árabe do interior e não se envergonha da ascendência, cumprimenta as pessoas com um “firme?” que nem eu. Em suma, uma simpatia.

Veio me cumprimentar, disse-lhe que estava pegando no seu pé com a história de que o Estadão estava sofrendo uma censura similar à do Estado Novo. Fez uma veemente defesa da liberdade de imprensa contra a censura prévia.

Argumentei que, se não der ao atacado um dos direitos fundamentais – o de resposta – a imprensa fica sem legitimidade para combater o veto prévio às matérias. Qual a defesa do atacado, a não ser recorrer à Justiça.

Lembrei que, no debate na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), um dos advogados, palestrante, levantou as novas linhas do direito de imprensa, que defendem inclusive o direito de resposta simultâneo ao da publicação da notícia. Ou seja, em qualquer notícia com ataques a terceiros, eles deveriam ser previamente comunicados e ter o espaço assegurado junto da própria matéria publicada.

Gandour considerou que inviabilizaria o modelo de produção jornalística. Pergunto: com os abusos cometidos pela mídia, sem permitir o direito de resposta, os jornais não estariam induzindo a esses movimentos de defesa mais radicais?

Tomo meu caso. Há mais de um ano sofri um ataque do parajornalista da Veja. Entrei com o pedido de direito de resposta na improvável Vara de Pinheiros. A juíza não deu provimento à queixa, alegando erros na inicial. Foi a mesma juíza que considerou que os ataques do parajornalista a Paulo Henrique Amorim faziam parte do seu estilo, não se configurando injúria – posteriormente, o Tribunal de Justiça de São Paulo condenou penal e civilmente o parajornalista, comprovando uma diferença abissal de interpretação em relação à juíza.

Meu caso foi para o TJSP, a esta altura decorrido quase um ano. Os advogados da Abril, por sua vez, solicitando que, em vista do tempo decorrido, o processo deveria ser extinto. A 11a Câmara de Direito Criminal do TJSP considerou que a juíza estava errada, a partir do voto do presidente e relator Guilherme Strengler, de 17 de junho passado.

A juíza errou em uma interpretação básica da lei, básica. É direito dela errar. E é especialista na matéria, caindo para ela quase todas as ações de direito de resposta contra a Abril. Mas perdi um ano nessa brincadeira. Agora, o processo volta para a juíza, que terá que proferir sua sentença.

Se não tivesse um histórico jornalístico e o espaço aberto pela blogosfera, teria sido destruído por essa irresponsabilidade.

Agora, pergunto: se para conseguir fazer valer direitos básicos, uma pessoa tem que cumprir essa maratona, bancando custos de advogado e sem ter a menor garantia de que o pleito será atendido, qual a legitimidade da mídia para questionar o embargo de matérias?

A maior ameaça à liberdade de imprensa é a insensibilidade da mídia para com os direitos básicos dos atingidos.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Mídia Tags: , ,
26/08/2009 - 07:30

A arte de manipular notícias

Por WIllian Gonçalves

Como distorcer uma notícia

Dêem uma olhada nessa manchete:

Registros podem confirmar reunião entre Lina e Dilma, dizem fontes

O título dessa matéris induz ao erro. O típo de leitor que para nas chamadas e não se aprofunda no texto vai entender tudo errado. No princípio achei que era uma notícia bomba, porque funcionários da presidência estariam admitindo o tal do encontro, e no entanto ao ler a matéria o que se vê é que afirmam que, na verdade, todos os visitantes são registrados. Como já foi dito que não existe registro da visita da Lina, então isso comprovaria na verdade que ela está mentindo.

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Mídia Tags: , , , ,
26/08/2009 - 07:30

O cozidão do jornalismo pátrio

Quando Lina Vieira assumiu a Receita, os jornalões acusaram a nomeação de “aparelhamento” do órgão. Bastou se tornar um instrumento da oposição para sua saída ser anunciado como início do “aparelhamento”.

Em plena era da informação, vai de ridículo a ridículo essas manobras retóricas.

Por Deise

Nassif, encontrei a matéria toda do Estadão, com título:

quarta-feira, 29 de outubro de 2008, 07:47 | Online

Chefe da Receita loteia cargos entre sindicalistas

AE – Agencia Estado

BRASÍLIA – Com seis anos de atraso, os sindicalistas chegaram ao poder na Receita Federal. Desde que assumiu o cargo, no dia 31 de julho, a nova comandante do órgão, Lina Maria Vieira, vem discretamente substituindo os ocupantes dos principais cargos. O processo tem o seguinte padrão: para as superintendências regionais, preferencialmente sindicalistas; para a estrutura central da Receita em Brasília, técnicos.

Para a superintendência de São Paulo, Lina escolheu Luiz Sérgio Fonseca Soares, até então presidente da delegacia sindical do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais (Unafisco) em Belo Horizonte. Subordinada a ele, comandando a Delegacia Especial de Instituições Financeiras, está Clair Maria Hickman, ex-diretora de Estudos Técnicos da Unafisco.

A superintendência em Minas Gerais foi entregue a Eugênio Celso Gonçalves, que era o secretário de Contabilidade da Unafisco em Belo Horizonte. Antes, Eugênio presidiu o sindicato em meados dos anos 80 e foi chefe da delegacia sindical de Belo Horizonte entre 1991 e 1993. Para chefiar a 4ª Região Fiscal, que abrange os Estados de Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Rio Grande do Norte, o escolhido foi Altamir Dias de Souza, ex-presidente da delegacia sindical da Unafisco em Salvador e vice-presidente da diretoria nacional do sindicato entre 1999 a 2001.

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Mídia Tags: , , ,
24/08/2009 - 07:52

As faces da mentira

A esta altura, até pela leitura da Época – que pertence ao mesmo grupo – O Globo sabe que a tal reunião entre Lina e Dilma não existiu. A Folha sabe, o Estadão sabe.

Mas a intenção do jogo não era chegar à verdade. Era mentir sistematicamente até que a pecha de mentirosa pegasse na vítima. Em plena segunda, com a trama desvendada, prosseguem mentindo.

Matéria de capa de hoje de O Globo (na foto, o diretor de redação Rodolfo Fernandes):

Dilma sai de cena para evitar desgaste

Matéria interna:

Já o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) disse que a ministra se enfraqueceu muito com o episódio de Lina Vieira e não se sustenta mais como candidata do governo à sucessão de Lula.

- Ela mentiu muito, foi mentindo, mentindo, mentindo, e agora querem tirá-la de cena para repaginar seu currículo. Por conta dela mesma, despencou, e é irreversível. Esse remendo em pneu velho não surte efeito, tem que trocar o pneu. Se o governo não trocar de candidato, vai perder por antecipação. O brasileiro não quer um presidente mitômano – avalia.

Demóstenes é o sujeito que participou da mentira com Gilmar Mendes em torno do grampo falso da Veja.

Na Folha (na foto, o diretor de redação Otávio Frias Filho), o grande pensador Fernando Rodrigues cria o conceito de “patrimonialismo da informação” para abordar exclusivamente a falta de imagens no sistema do Palácio. Dias antes, escreveu um artigo inteiro chamando a Ministra de mentirosa – com base em uma mentira. Anos atrás, passou um mês dando sobrevida a uma armação de sua fonte preferida – Gilberto Miranda – o dossiê Cayman.

Internamente, nenhuma matéria do jornal sobre o desmascaramento de Lina.

No Estadão (na foto, o diretor de redação Ricardo Gandour), também nenhuma menção ao dia 19 – dia que Lina dava como sendo da suposta reunião. A matéria fala que a base se mobiliza para evitar a convocação de Dilma.

Pergunto, em que mundo estão? Graças à Internet, esse factóide foi desmontado. Centenas de milhares de leitores de Internet – dentre os quais, os melhores leitores do Estadão, Folha e Globo – sabem que estão sendo enganados, ludibriados, sabe que mentiram para eles.

Onde se pretende chegar? O Estadão faz um drama com a decisão do desembargador em proibir a divulgação de um tema sob sigilo da notícia. Pergunto ao Gandour: qual o direito que tem um jornal de manipular a informação, de mentir e, depois de descoberta a mentira, não se corrigir?

Como se pretende alçar a liberdade de imprensa ao panteão das grandes liberdades civis, com essa desmoralização persistente? Não percebem que estão fazendo o jogo dos inimigos da democracia, que estão legitimando o chavismo? Quando irá cair a ficha desses destrambelhados?

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21/08/2009 - 14:00

Os excessos do Plano Diretor de São Paulo

Do Estadão

Revisão do Plano Diretor

Urbanistas e associações de bairro conseguiram convencer vereadores e o governo municipal de que foram cometidos excessos na proposta de revisão do Plano Diretor Estratégico (PDE). O projeto de revisão enviado à Câmara Municipal modificou substancialmente o plano, o que é vedado pela Lei do Plano Diretor. Ao ser aprovada, em 2002, essa lei estabelecia que a sua revisão fosse feita a cada quatro anos. Seu artigo 293 limita a revisão à inclusão de programas e obras que apenas acompanhem o crescimento da cidade sem, no entanto, desestruturar o conjunto de diretrizes do Plano Diretor, que só devem produzir resultados a longo prazo.

O Plano Diretor foi elaborado a partir de objetivos como o repovoamento do centro da cidade, a instalação de um sistema de transporte coletivo integrado e de qualidade, a preservação das áreas de proteção ambiental, a urbanização de zonas precariamente ocupadas e a geração de empregos na periferia que desestimulem os grandes deslocamentos.

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18/08/2009 - 12:25

Direito de Resposta

Direito de Resposta do Ministro do Meio Ambiente Carlos Minc a uma matéria do Estadão sobre o boi-pirata. Segundo a assessoria de MInc, o jornal vem postergando a publicação do Direito de Resposta.

O Estadão e o boi pirata

O jornal Estado de S. Paulo não publicou até agora resposta do Ministério do Meio Ambiente (MMA) à reportagem falsa publicada no domingo 31 de maio de 2009. Nada menos que a manchete de primeira página dominical afirmando que o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, mandara o Ibama engavetar por nove meses uma multa de R$ 3 milhões contra o Grupo Bertin S/A, por degradação ambiental na Amazônia, numa espécie de troca de favores para que o grupo adquirisse, em leilão, 3.100 cabeças de gado de bois piratas que estavam encalhadas no Pará, sem compradores.

Prontamente determinamos que o Ibama averiguasse quem realmente havia arrematado os bois piratas no leilão, promovido pela Conab por determinação da Justiça Federal. E ao contrário do que foi divulgado pelo Estadão, não foi o frigorífico Bertin que comprou esses bois. Aliás, esse frigorífico já recebeu não uma, mas seis multas do Ibama por degradação ambiental na Amazônia. Segundo documentação da Conab, esses bois piratas foram comprados pela empresa Laluc, com pagamento à vista, conforme consta no ofício 247, de 23 de junho, do presidente da Conab.

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18/08/2009 - 08:59

Da série jornalismo engajado sofre

O envolvimento dos jornais com a campanha eleitoral, sua evidente tomada de posição, somados à perda de prática do exercício do jornalismo, têm produzido alguns malabarismos curiosos.

Clique aqui para duas matérias.

A primeira, o editorial de hoje da Folha, em que ela sustenta – com base nas últimas pesquisas do Datafolha – que Ciro Gomes deve se candidatar à presidência da República, não ao governo do Estado. E escreve como  se desejasse apenas o bem-estar do candidato. Ciro deve ter ficado comovidíssimo com o interesse da Folha por seu futuro político.

Conhecido pelo estilo trovejante, que às vezes acaba por prejudicá-lo, o ex-governador do Ceará atua agora com desembaraço. Recolhe os dados de pesquisas como o Datafolha e os estampa para Lula, tentando convencer o presidente de que é arriscado demais fiar-se numa só candidatura situacionista no ano que vem.

O editorial trata Dilma como “a aspirante inventada por Lula”. E diz que “persiste, de resto, a dúvida sobre até que ponto um governante muito bem avaliado pela população, como Lula, consegue transferir apoio a uma candidata sacada do anonimato.”

Aí, o leitor lê o editorial, com todas essas posições engajadas e idiossincráticas, lembra-se do episódio da falsificação da ficha de Dilma no DOPS e se vê no direito de indagar: pode-se confiar em uma pesquisa feita por um Instituto ligado a um jornal claramente engajado em uma campanha eleitoral e que não teve pejo em falsificar uma denúncia para atingir seus objetivos?

Ainda não caiu a ficha do Otavinho de que idiossincrasias e partidarismo são adversários da credibilidade jornalística.

Cirurgia plástica em Marina

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Mídia Tags: , , ,
14/08/2009 - 09:01

Oba! continuamos censurados

Depois de dar destaque a instituições que cobram de Lula interferência no Poder Judiciário, o Estadão respira aliviado: o Tribunal de Justiça do Distrito Federal manteve a proibição ao jornal de divulgar inquéritos sigilosos.

E quem o Estadão vai ouvir para celebrar a continuação da centusa? O indefectível professor Marco Antonio Villa (clique aqui), que já tinha comparado a situação atual com o Estado Novo. Agora, Villa consulta seus alfarrábios e refaz a profunda avaliação histórica:

Não é uma censura truculenta, como a que se viu na ditadura do Estado Novo, quando o Estadão foi invadido e tomado, nem no regime militar, quando enviaram censores para a Redação, mas é censura. Apenas mais refinada.

Refinada, veja só. Como se houvesse um poder central hoje em dia capaz de censurar e definir a seu bel prazer o estilo da censura. No mundo espertamente maniqueísta do historiador, não há autonomia entre os poderes. Há um ser superior que define: ora censura-se com a política, ora através de meios mais “refinados”.

Para Villa, a lei é uma forma refinada de censura. Como diria Getúlio Vargas, “a lei, ora a lei”.

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09/08/2009 - 09:15

Dize-me quem enfrentas…

Mede-se alguém pela dimensão de quem a pessoa ousa enfrentar.

Júlio Mesquita Filho foi para o exílio com Armando de Salles por enfrentar Getúlio Vargas. Júlio Mesquita Neto sofreu censura por enfrentar Costa e Silva e Garrastazu Médici. Ricardo Gandour, atual diretor de conteúdo do Estadão, enfrenta o desembargador quem: Dácio Vieira.

Neste domingo, mais uma página inteira do neo-Estadão, celebrando a censura de que foi alvo e que permitiu ao jornal voltar aos tempos de glória da família Mesquita, nesses tempos de show da mídia, em que os riscos são apenas virtuais. E o velho esquema da “repercussão”: procure uma fonte qualquer (jogador de futebol, artista, advogado) peça uma declaração em nome da liberdade de imprensa (quem poder ser contra?), garanta um espaço no jornal e pose para a foto, como um novo herói da liberdade.

E de quem é a melhor declaração? Do Marco Antonio Villa, é claro, que compara a situação atual com a censura no Estado Novo.

Dia desses conversava com um amigo, que, por sua vez, conversara com pessoas da sucursal da Folha em Brasília. Os competidores estavam eufóricos com o neo-Estadão. Diziam que a Folha já tinha quebrado a cara durante todos os anos 90 e aprendido a lição, os riscos dessa criação sucessiva de factóides seguidos de auto-louvação. O Estadão ainda iria quebrar muito a cara, até entender a armadilha em que se meteu, me dizia o interlocutor.

O efeito será muito pior, porque a velha Folha tinha licença poética para aprontar, sua linha era provocativa, inquisidora, quase adolescente, seus leitores tinham fugido da excessiva sobriedade do Estadão.

Apelar para essa estratégia em um jornal que sempre se caracterizou pela sobriedade, é suicídio editorial.

Na linha de sucessão: Júlio de Mesquita Filho, Júlio de Mesquita Neto e Ricardo Gandour

E aqui, seus respectivos adversários: Vargas, Costa e Silva e desembargador Dácio Vieira

Autor: luisnassif - Categoria(s): Mídia, Sem categoria Tags: , ,
08/08/2009 - 08:38

O neo Estadão e o teatro burlesco

“Claro que não há censura. Trata-se de uma decisão judicial, que ainda é um ato monocrático do juiz e precisa ser analisado mediante recurso”, afirmou Mendes.

Desde o primeiro momento antecipei aqui o ridículo ao qual o Estadão estava sendo levado pelo neo-Estadão, ao tentar se vitimizar  como herói da liberdade no caso da liminar dada pelo desembargador – para que parasse de publicar trechos de inquéritos sigilosos.

Nesse mundo de shows e espetáculos da mídia – no qual o Estadão era o único jornal que parecia mais sóbrio -, tem que se ter um mínimo de informação histórico, jurídica e semancol para trabalhar com algo tão delicado: a imagem consolidada de um veículo centenário.

O resultado é isso: o neo-Estadão conseguiu de Gilmar Mendes algo raríssimo: uma declaração que vai contra os interesses da mídia.

Da Folha

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Presidente do STF e ministro não veem censura contra jornal

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04/08/2009 - 09:58

O drible dos meios de comunicação

Do Estadão

Rádio fechada passa a transmitir da rua

Várias emissoras desafiam governo venezuelano e operam pela internet

REUTERS, AFP E AP

Várias das 34 emissoras de rádio venezuelanas que tiveram sua programação interrompida pelo governo conseguiram ontem romper o silêncio imposto pela Comissão Nacional de Telecomunicações da Venezuela (Conatel), passando a transmitir pela internet. Outras, como a cadeia CNB, uma das mais populares do país, que perdeu a licença de cinco emissoras, decidiu desafiar o governo e montou alto-falantes na rua.

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04/08/2009 - 09:57

Perspectivas para o segundo semestre

Ai vai o artigo do Ilan Goldfjan, publicado hoje no Estadão, com minhas observações sublinhadas – apenas para enriquecer o debate, mostrando o conjunto de variáveis que deve ser acrescida àquelas levantadas por Ilan.

A ida de Ilan para o Itaú melhorou substancialmente sua análise – talvez por dispor de um universo maior de informações, de uma equipe maior e de uma interlocução de alto nível com outros economistas do banco. Ao contrário de alguns “professores de Deus”, o raciocínio é claro e levanta as relações relevantes de causalidade.

Do Estadão

Recuperação no Brasil

Ilan Goldfajn

O trimestre de abril a junho deste ano foi bom para a economia brasileira. A recuperação do produto interno bruto (PIB) deve ter alcançado um crescimento entre 1,5% e 2% em relação ao trimestre anterior. Se “anualizarmos” (ou seja, assumirmos a mesma taxa de crescimento para os próximos trimestres), a economia brasileira cresceria a uma taxa de 6% a 8%. Mas será que faz sentido pensar nesse ritmo de crescimento para a frente? (Por exemplo, anualizado, o PIB do último trimestre do ano passado teve queda de 15%, impensável para o ano todo). O que justifica essa recuperação no Brasil? O que podemos esperar?

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia Tags: , ,
04/08/2009 - 09:50

Maluf e Eucatex

Do Estadão

Promotoria quer repatriar R$ 303 milhões da Eucatex

Além de Maluf e da empresa, são alvos de ação do Ministério Público Estadual a mulher do ex-prefeito, seus filhos, a ex-nora e três offshores

Bruno Tavares e Marcelo Godoy

O Ministério Público Estadual ajuizou ontem ação civil pública contra o ex-prefeito de São Paulo e atual deputado Paulo Maluf (PP-SP). Desta vez, o foco dos promotores Silvio Marques e Saad Mazloum, da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público da capital, é a Eucatex, empresa controlada pela família Maluf. A ação pede o bloqueio de US$ 166 milhões (R$ 303,7 milhões) da Eucatex, dos quais US$ 13 milhões permanecem depositados em uma conta na Ilha de Jersey, paraíso fiscal no Canal da Mancha.

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03/08/2009 - 13:17

A bala perdida

Um pequeno exemplo de como a brava classe política coloca suas conveniências acima dos interesses do país.

Do Estadão

A bala perdida no Senado

Jerson Kelman

Estive recentemente na Índia, a convite do Banco Mundial, para falar sobre a experiência brasileira na construção do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SNGRH), que começou a tomar forma a partir de 2001, com a criação da Agência Nacional de Águas (ANA). Trata-se de um dos dois sistemas previstos na Constituição federal de 1988. O outro é o Sistema Único de Saúde (SUS).

É grande o interesse dos indianos na experiência brasileira, porque ambos os países são federações e têm bacias hidrográficas de grandes dimensões, estendendo-se por diversos Estados. Há similaridade também na coexistência de diversas entidades governamentais, tanto na esfera federal quanto na estadual, atuando de forma concorrente na administração dos rios.

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Meio Ambiente, Política, Sem categoria Tags: , , , ,
02/08/2009 - 08:43

O novo Estadão: “Eu sou terrível”

A cobertura sobre o caso Sarney continua do mesmo modo. Vamos aproveitar algumas matérias para mostrar as armas da mídia para criar pressões continuadas.

Um dos expedientes mais utilizados pela mídia, para ampliar a importância de seus próprios feitos, é a repercussão. Entrevistam-se fontes que possam reforçar o que foi dito e se dá uma esquentada nas declarações ou nas conclusões, para dizer a todos que o jornal é terrível

É típico desse processo atual de “folhanização” do Estadão.

Confira a manchete:

Censura ao ”Estado” aumenta pressão por renúncia de Sarney

Se aumentou, significa que outras pessoas vieram se somar ao coro que pede a renúncia de Sarney. Quem são os novos centuriões? Não tem. O jornal estava apenas contando papo, para se credenciar como responsável pela provável renúncia de Sarney.

A matéria informa que as seguintes fontes, abaixo, pediram a renúncia:

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Mídia Tags: , ,
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