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03/11/2009 - 14:11

Quem desmoraliza o Supremo?

Do Estadão

Caixa paga festa de Toffoli e STF amarga desgaste

Christiane Samarco e Carol Pires, BRASÍLIA

Mal tomou posse no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro José Antonio Dias Toffoli já causa desgaste à imagem da instituição, por conta do patrocínio de R$ 40 mil da Caixa Econômica Federal à sua festa de posse. “É claro que é um desgaste para ele e para a instituição também, mas só posso presumir que ele não estava a par disso”, observa o ministro Marco Aurélio Mello.

“Isso desvaloriza o Supremo, que deveria ser preservado como uma instituição acima de qualquer suspeita”, completa o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), um dos maiores críticos da indicação de Toffoli.

Em sua defesa, o ministro afirma que não tinha conhecimento do patrocínio da Caixa à recepção organizada por associações ligadas à magistratura, caso que foi revelado pelo jornal Folha de S. Paulo. “A festa não foi iniciativa minha nem do Supremo. Eu fui apenas um convidado”, argumenta o ministro.

“Não pedi festa nenhuma e não sei onde obtiveram o dinheiro. Supus que os recursos vieram dos associados, mas de onde veio o dinheiro não é problema meu”, reagiu o ministro. “É problema de quem ofertou, e não meu.”

O líder do PT na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP), lembra que a Caixa está disputando mercado com todos os bancos e patrocina eventos em vários ramos. Ele até reconhece que a oposição está no seu papel legítimo de criticar. “O errado é dizer que aí tem problema legal e ético, porque não tem”, contesta, enfatizando que não há nada na lei que impeça a Caixa de “financiar” a posse de um ministro. Mas as críticas persistem.

“É um absurdo desnecessário a Caixa, um banco público, financiar festa de ministro. Para que festa de posse?”, argumenta o senador Pedro Simon (PMDB-RS).

Comentário

Da série “Estadão sem medo do ridículo”. Nem o Pedro Simon.

O IDP de Gilmar consegue contratos exclusivos com o setor público, consegue com o Senado, tem clientes privados grandes grupos com demandas no Supremo; Gilmar abre os salões do Supremo para lançamentos comerciais de site jurídico que funciona como sua assessoria de imprensa e vende seus livros.

E a festa de posse do Toffoli desmoraliza o Supremo.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags: , ,
29/10/2009 - 08:36

O fracasso da Nova Luz

Os jornais não tomam jeito. Aqui, matéria do Estadão decretando o fracasso do projeto Nova Luz – um sistema de desapropriações que permitiria ao setor imobiliária a reconstrução do centro de São Paulo.

O fracasso é debitado na conta do prefeito Gilberto Kassab. E se tivesse sido um sucesso?

Clique aqui para Blog do vereador Floriano Pessaro (do PSDB) mostrando que a Nova Luz era comandada por Andréa Matarazzo e o pai era Serra.

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Cidades, Gestão Tags: , , , , , ,
26/10/2009 - 10:41

O Poder da China

Do Estadão

”Poder da China irá além da economia”

China será o primeiro caso desde a Revolução Industrial em que o poder hegemônico não terá características ocidentais

Cláudia Trevisan, PEQUIM

Autor do livro When China Rules the World (Penguin Books, 2009), o jornalista e acadêmico britânico Martin Jacques acredita que a China assumirá em breve uma posição dominante no mundo, quando exercitará o “complexo de superioridade” desenvolvido nos 2 mil anos de história dinástica. Leia a entrevista concedida ao Estado, de Londres, por telefone:

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , ,
23/10/2009 - 09:35

Estadão: a arte de ser conduzido

O governador José Serra tem seu passado de grande homem público, economista influente, intelectual sólido. E de ampla indecisão, ainda mais em temas que exijam definições políticas.

A indecisão deixou o campo aberto para os novos ideólogos da oposição: a Mídia, isso, o Kamel, Otavinho, o Civita com toda aquela sofisticação política e analítica já conhecida. E o Estadão correndo atrás.

Aí eles descobrem a grande sacada: a menção de Lula a Judas e ao papel da imprensa. Manipula-se a declaração de Lula, para servir de bandeira oposicionista. Eureka! Genial! Descoberta a pedra filosofal a orientar daqui para frente a oposição. A ordem unida ecoa por todos os cantos. Ouve-se CNBB aqui, deputados ali, Fenaj acolá, repercutamos, repercutamos.

E o Serra – que pode ter muitos defeitos, mas morre de medo do ridículo – é obrigado a ir atrás.

Daí o Estadão – que vive correndo atrás do eixo Veja-Globo-Folha invertendo a frase símbolo de São Paulo (não conduzo, sou conduzido)-, chega resfolegante para a repercussão, cerca Serra daqui, cerca dali e arranca uma declaração bombástica:

‘A entrevista mostra bem o que é o Lula. De ponta a ponta, na forma e no conteúdo’, disse o governador de SP

Bela frase, que não quer dizer absolutamente nada.

Aí o repórter insiste sobre o tema Judas:

Questionado se concordava que uma aliança entre Jesus e Judas seria necessária para 2010, Serra respondeu: “Não sei. Quem fala com Cristo pode perguntar a ele”.

Ou seja, para uma pergunta tola, uma resposta que não quer dizer nada.

Não falou nada, nada disse. Mas o Estadão solta a manchete exultante:

Serra ironiza presidente Lula sobre aliança entre Jesus e Judas

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Eleições, Política Tags: , ,
13/10/2009 - 21:20

O jus sperniandi do Estadão

Por EDSON MEDEIROS

Qualquer leigo vai supor que depois de ter passado por um conselho (que entendo ser mais de 1 juiz, o jornal nao diz qtos) a decisão do TJ-DF tem algum embasamento técnico. Fica dificil sustentar sem algum tipo de censura.

Do Estadão

Conselho do TJ mantém jornal sob censura

MARIÂNGELA GALLUCCI – Agencia Estado

BRASÍLIA – O jornal O Estado de S.Paulo continua sob censura. Os desembargadores do Conselho Especial do TJ rejeitaram hoje um recurso no qual era contestada a manutenção da liminar que impede a publicação de reportagem sobre a operação Boi Barrica, da Polícia Federal, que investigou o empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

Ao contrário do ocorrido nos julgamentos anteriores, a discussão hoje foi aberta. Dois desembargadores do tribunal questionaram o fato de o julgamento não ter sido sigiloso, como nas outras oportunidades. A explicação foi a de que o TJ estava seguindo uma determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão que exerce o controle externo do Judiciário e que nesta semana está fazendo uma inspeção no tribunal do Distrito Federal. Em setembro, o corregedor nacional de Justiça, Gilson Dipp, pediu explicações ao TJ sobre os julgamentos secretos.

Na votação, os desembargadores confirmaram decisão tomada em setembro pelo Conselho Especial que afastou do processo o desembargador Dácio Vieira, autor da decisão que censurou o jornal. Mas o Conselho manteve a censura.

Os desembargadores também decidiram rejeitar um pedido para que Dácio Vieira fosse obrigado a pagar as custas do recurso no qual ele foi considerado suspeito para continuar a atuar como relator. Essas custas são estimadas em R$ 38. Esse pagamento está previsto no Código de Processo Civil.

A polêmica censura ao jornal foi decretada em julho pelo desembargador Dácio Vieira. Em decisão tomada em setembro, os desembargadores do Conselho Especial já tinham resolvido afastar Vieira do caso por considerar que ele deixou de ser isento ao atribuir ao jornal “ação orquestrada mediante acirrada campanha com o nítido propósito de intimidação”. (…)

Comentário

Pergunto: o Estadão pretende se colocar acima da lei? Qual a diferença entre a campanha do Estadão contra a sentença (reconfirmada agora) e a posição do MST em relação às leis?

Autor: luisnassif - Categoria(s): Justiça, Mídia Tags: , ,
12/10/2009 - 09:34

Os intelectuais delivery

Por Jotavê

É uma falta de vergonha que o Estadão “paça” a intelectuais que dêem sua opinião a respeito da suposta “censura” a que o jornal estaria sendo submetido. E é uma falta de vergonha maior ainda que esses intelectuais “aceitem” colaborar com o jornalão em sua “campanha” – pois é disso que se trata. Temos aqui claramente uma troca de favores – escreva aquilo que queremos que você escreva agora, e você continuará tendo espaço no jornal.

Mesmo os que acreditam naquilo que escrevem estão tendo uma atitude indigna. A razão é simples. Não há espaço algum para veiculação de opiniões contrárias e, além disso, a “troca” a que me referi acima está claramente posta sobre a mesa.

Quem a aceita se rebaixa, e permite que façamos mentalmente a seguinte pergunta: “O que contou mais, neste caso? A crença na justeza da tese? Ou a vontade de preservar relações amistosas com jornalistas que ocupam postos de direção num órgão influente?” Quem faz esta pergunta uma vez a respeito de uma pessoa, sentir-se-á no direito de fazê-la novamente no futuro, em quaisquer circunstâncias.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Mídia Tags: , , ,
11/10/2009 - 12:17

A autocompaixão do Estadão

Por Alexandre Leite

Em mais uma ação de marketing contra a suposta ‘censura’ o Estadão entrevista hoje a ‘especialista’ Lourdes Sola que vê um conjunto de tentativas para calar oposição.

Clique aqui.

Ela cita:

Censura contra o jornal desde o dia 31 de julho, por decisão do desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF);

Questionamentos do papel investigatório do Ministério Público por setores da Polícia Civil;

Ataques ao Tribunal de Contas da União (TCU)

Apenas a questão do TCU se refere ao governo federal e ao menos que se considere o TCU como tal, não se trata de tentar ‘calar oposição’. Defende-se apenas formas alternativas de punir irregularidades, já que parar obras por indícios tem um custo muito caro para todos.

Comentário

Esta campanha de autocomiseração do Estadão entrou em um nível tão ridiculo que, esta semana, publicou matérias de organizações internacionais cobrando a interferência do Lula na Justiça, na questão da censura ao jornal.

Como assim? O Estadão cobrando do presidente da República a atitude autoritária de interferir em uma questão do Judiciário.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , ,
02/10/2009 - 10:07

As investigações sobre o caso ENEM

Vamos a algumas considerações sobre o caso do furto das provas do ENEM, a partir do que saiu hoje nos jornais.

Primeiro, as conclusões. Depois, o raciocínio por trás delas:

  • A probabilidade maior foi a de uma operação política. O pedido de dinheiro foi despiste.
  • Quem atuou foi uma quadrilha organizada, que procurou dois veículos não estigmatizados por dossiês – Estadão e Record – para passar o furo.
  • Dois trombadinhas-laranja foram escalados para oferecer o material para a Folha no mesmo momento. Mas foi uma óbvia manobra de despiste.
  • Os bandidos deixaram claro que o sigilo de fonte era a maior garantia de impunidade para essas jogadas, reafirmando aquilo que detalhei à exaustão em “O Caso de Veja”: todo esquema de quadrilha especializada em dossiês tem, na ponta, a contraparte jornalística.
  • Foi uma operação paulistana, não brasiliense, embora não se descarte a possibilidade dos bandidos terem vindo de Brasília.

Vamos ao detalhamento, a partir das matérias publicadas (clique aqui).

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Justiça, Mídia, Política Tags: , , ,
29/09/2009 - 08:34

O Estadão contra grampos (dos outros)

Acabei de ser lembrado pelo Estadão – em matéria de uma página – que hoje é aniversário da censura que consagrou a gestão do Ricardo Gandour. Uma página inteira de celebração.

Nesse período, o Estadão abusou de gravações clandestinas contra políticos, fez pactos com arapongas da Polícia Federal, que lhe permitiram divulgar a perigosa conversa de José Sarney com a neta, assumindo um padrão Folha incompatível com o histórico de seriedade do jornal.

Para completar esse ciclo cívico, o editorial de hoje reclama contra o vazamento seletivo de informações por arapongas lotados na Polícia Federal.

Auto-crítica? Não, não, que é isso. O editorial é seletivo na análise dos vazamentos seletivos: o protesto é contra o vazamento que ocorreu há dois anos, vitimando Gilmar Mendes (confundido com um Secretário de um estado nordestino), não contra o grampo na neta de Sarney, que permitiu ao Estadão ser a Folha.

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Mídia Tags: , ,
25/09/2009 - 10:47

Ciência avança contra Aids

Do Estadão

Pela 1ª vez, vacina reduz risco de aids

Apesar de preliminar, resultado apresentado ontem aponta queda de 31% na possibilidade de contrair a doença

Jamil Chade, GENEBRA

Pela primeira vez uma vacina contra a aids teve sua eficácia mensurável, diminuindo o risco de infecção. Os resultados foram divulgados ontem. Cientistas combinaram duas vacinas que isoladamente haviam fracassado e descobriram que, juntas, elas podem reduzir em 31,2% o risco de uma pessoa ser infectada pelo HIV, vírus causador da aids.

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Ciência Tags: , , , ,
04/09/2009 - 12:20

A escuridão do Estadão

Não adianta. Quando se coloca a partidarização como único direcionador da análise, ninguém é poupado, nem os editorialistas do Estadão. A análise que fazem do pré-sal, no editorial de hoje, é bisonha, não está à altura da experiência dos editorialistas.

Deveriam deixar esse papel das análises desinformadas para os focas.

Do Estadão

A escuridão do pré-sal

Não adianta perguntar ao presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, qual será o valor da capitalização da empresa para a exploração do pré-sal. Ele ainda não conhece a resposta, embora o presidente Lula cobre do Congresso a votação de um projeto a respeito do assunto. Tudo isso parece muito complicado, muito estranho e muito diferente do procedimento normal em qualquer negócio conduzido com boa-fé e transparência, mas a história é essa mesma. Só se conhecerá o valor, segundo Gabrielli, depois de fixado o preço para cada 1 dos 5 bilhões de barris prometidos pelo governo à estatal como reforço financeiro.

Má fé haveria se, antes de saber o valor, a Petrobras definisse a fatia de participação dessas reservas aportadas ao seu capital.

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Energia, Mídia Tags: ,
03/09/2009 - 08:36

O Estadão quer privatizar o fundo soberano

Manchete de primeira página do Estadão

Governo criará fundo para ampliar controle do pré-sal

Bancos e investidores privados serão impedidos de participar do empreendimento

Fui ler a matéria intrigado. Nela, o repórter questionando o Ministro das Minas e Energia Edison Lobão sobre o tratamento privilegiado dado a um fundo público, em detrimento do privado. E o Lobão dando umas explicações meio capengas.

Pensei, que raios de fundo é esse, que não foi mencionado até agora em nenhum trabalho ou matéria?

Levou um tempo para descobrir que o jornal estava falando do “fundo soberano”, um instituto criado em todos os países que têm grandes saldos em exportação – e todos eles sendo fundo estatais e geridos pelo Estado, para projetos intergeracionais (isto é, que aproveitem a riqueza finita proporcionada pelo petróleo para garantir o bem estar das futuras gerações, quando o petróleo acabar).

O Estadão estava questionando o caráter estatal do fundo soberano – que, por definição é estatal – e sugerindo a participação do capital privado. E o Ministro Lobão, explicando direitinho – e inutilmente – a natureza dos fundos soberanos.

O Estadão pensou em privatizar o fundo soberano. Matéria campeã!

Fonte: Booz

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia, Energia Tags: , ,
01/09/2009 - 09:27

A cobertura do pré-sal

Clique aqui para várias matérias sobre o pré-sal.

É insuperável a incapacidade de alguns jornais de abordar de forma consistente temas relevantes.

A cobertura segue invariavelmente o padrão da exploração de conflitos, a ideia do jogo de futebol, em que se tem um vencedor e um perdedor, um acusador e uma vítima. É um jornalismo da Candinha, que, em cada entrevista, escolhe a frase que pode gerar fofoca.

Ontem foi anunciado o plano do governo para o pré-sal. É um tema que conquistou interesse mundial. Praticamente o mundo inteiro acompanhando esse evento, analisando as medidas, suas consequências para o país e para a indústria do petróleo.

Quando se entra no índice da Folha, quais são os temas principais:

A Eliane Cantanhêde abordando a importantíssima parte do discurso de Lula em que ele critica o modelo de FHC. Em um evento que – para o bem ou para o mal – entrará para a história do país, selecionou a parte que amanhã já terá sido esquecida.

A matéria principal do caderno Dinheiro é: “Lula lança pré-sal com ataque a tucanos”.

A incapacidade de entender os impactos no longo prazo, a ignorância sobre o fator tempo na vida das nações é estonteante. Olha a autoridade com que Valdo Cruz definiu o evento:

No fundo (a discussão sobre royalties), um grande teatro, já que o pré-sal começará a produzir em escala comercial lá por volta de 2015. Até lá, mudar ou não mudar o sistema de royalties pouca importa, porque não haverá cobrança significativa desses impostos no petróleo do pré-sal.

Ou seja, presidente, governadores, saindo do espaço exíguo de seu mandato para batalhar pelo que irá para o país ou para seus estados pelas próximas décadas, e a análise prospectiva do Valdo dizendo que é bobagem, porque os royalties só serão pagos no distantíssimo ano de… 2015.

Outro visionário de meio metro é Alexandre Garcia, em seu comentário na Globo:

O presidente chegou a relacionar os beneficiários com a riqueza da profundeza: além da pobreza, educação, ciência e tecnologia, cultura e meio ambiente. Isso é que é planejamento. Como o pré-sal vai começar a produzir em 2015, na melhor hipótese, são planos para quem suceder à pessoa que suceder ao presidente Lula.

Inacreditável! Está-se falando em benefícios inter-geracionais – isto é, que vão atingir as próximas gerações – e nosso visionário Alexandre não consegue enxergar além de 2015.

O Estadão

Ao contrário das futilidades da Folha, o Estadão deu uma cobertura bem mais consistente, identificando os pontos centrais do projeto:

• tom nacionalista;

• fortalecimento do Estado

• a capitalização da Petrobras;

• o fato de que as regras não deverão afugentar os estrangeiros;

• a queda nas cotações da Petrobras, com as novas regras de capitalização

E mais um conjunto relevante de matérias, mostrando que o diretor da sucursal Ruy Nogueira conseguiu um salto de qualidade relevante.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia Tags: , ,
31/08/2009 - 11:00

Deu no New York Times

Por Gunnar Kelsch

O NYT de hoje noticía, com um certo atraso, a “censura” ao Estadão e expõe ações similares de outros países do nosso continente. Clique aqui.

Comentário

No almoço de sexta-feira, conhecio Ricardo Gandour, diretor de redação do Estadão. Ao contrário do Turquinho da Veja, é árabe do interior e não se envergonha da ascendência, cumprimenta as pessoas com um “firme?” que nem eu. Em suma, uma simpatia.

Veio me cumprimentar, disse-lhe que estava pegando no seu pé com a história de que o Estadão estava sofrendo uma censura similar à do Estado Novo. Fez uma veemente defesa da liberdade de imprensa contra a censura prévia.

Argumentei que, se não der ao atacado um dos direitos fundamentais – o de resposta – a imprensa fica sem legitimidade para combater o veto prévio às matérias. Qual a defesa do atacado, a não ser recorrer à Justiça.

Lembrei que, no debate na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), um dos advogados, palestrante, levantou as novas linhas do direito de imprensa, que defendem inclusive o direito de resposta simultâneo ao da publicação da notícia. Ou seja, em qualquer notícia com ataques a terceiros, eles deveriam ser previamente comunicados e ter o espaço assegurado junto da própria matéria publicada.

Gandour considerou que inviabilizaria o modelo de produção jornalística. Pergunto: com os abusos cometidos pela mídia, sem permitir o direito de resposta, os jornais não estariam induzindo a esses movimentos de defesa mais radicais?

Tomo meu caso. Há mais de um ano sofri um ataque do parajornalista da Veja. Entrei com o pedido de direito de resposta na improvável Vara de Pinheiros. A juíza não deu provimento à queixa, alegando erros na inicial. Foi a mesma juíza que considerou que os ataques do parajornalista a Paulo Henrique Amorim faziam parte do seu estilo, não se configurando injúria – posteriormente, o Tribunal de Justiça de São Paulo condenou penal e civilmente o parajornalista, comprovando uma diferença abissal de interpretação em relação à juíza.

Meu caso foi para o TJSP, a esta altura decorrido quase um ano. Os advogados da Abril, por sua vez, solicitando que, em vista do tempo decorrido, o processo deveria ser extinto. A 11a Câmara de Direito Criminal do TJSP considerou que a juíza estava errada, a partir do voto do presidente e relator Guilherme Strengler, de 17 de junho passado.

A juíza errou em uma interpretação básica da lei, básica. É direito dela errar. E é especialista na matéria, caindo para ela quase todas as ações de direito de resposta contra a Abril. Mas perdi um ano nessa brincadeira. Agora, o processo volta para a juíza, que terá que proferir sua sentença.

Se não tivesse um histórico jornalístico e o espaço aberto pela blogosfera, teria sido destruído por essa irresponsabilidade.

Agora, pergunto: se para conseguir fazer valer direitos básicos, uma pessoa tem que cumprir essa maratona, bancando custos de advogado e sem ter a menor garantia de que o pleito será atendido, qual a legitimidade da mídia para questionar o embargo de matérias?

A maior ameaça à liberdade de imprensa é a insensibilidade da mídia para com os direitos básicos dos atingidos.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Mídia Tags: , ,
26/08/2009 - 07:30

A arte de manipular notícias

Por WIllian Gonçalves

Como distorcer uma notícia

Dêem uma olhada nessa manchete:

Registros podem confirmar reunião entre Lina e Dilma, dizem fontes

O título dessa matéris induz ao erro. O típo de leitor que para nas chamadas e não se aprofunda no texto vai entender tudo errado. No princípio achei que era uma notícia bomba, porque funcionários da presidência estariam admitindo o tal do encontro, e no entanto ao ler a matéria o que se vê é que afirmam que, na verdade, todos os visitantes são registrados. Como já foi dito que não existe registro da visita da Lina, então isso comprovaria na verdade que ela está mentindo.

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Mídia Tags: , , , ,
26/08/2009 - 07:30

O cozidão do jornalismo pátrio

Quando Lina Vieira assumiu a Receita, os jornalões acusaram a nomeação de “aparelhamento” do órgão. Bastou se tornar um instrumento da oposição para sua saída ser anunciado como início do “aparelhamento”.

Em plena era da informação, vai de ridículo a ridículo essas manobras retóricas.

Por Deise

Nassif, encontrei a matéria toda do Estadão, com título:

quarta-feira, 29 de outubro de 2008, 07:47 | Online

Chefe da Receita loteia cargos entre sindicalistas

AE – Agencia Estado

BRASÍLIA – Com seis anos de atraso, os sindicalistas chegaram ao poder na Receita Federal. Desde que assumiu o cargo, no dia 31 de julho, a nova comandante do órgão, Lina Maria Vieira, vem discretamente substituindo os ocupantes dos principais cargos. O processo tem o seguinte padrão: para as superintendências regionais, preferencialmente sindicalistas; para a estrutura central da Receita em Brasília, técnicos.

Para a superintendência de São Paulo, Lina escolheu Luiz Sérgio Fonseca Soares, até então presidente da delegacia sindical do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais (Unafisco) em Belo Horizonte. Subordinada a ele, comandando a Delegacia Especial de Instituições Financeiras, está Clair Maria Hickman, ex-diretora de Estudos Técnicos da Unafisco.

A superintendência em Minas Gerais foi entregue a Eugênio Celso Gonçalves, que era o secretário de Contabilidade da Unafisco em Belo Horizonte. Antes, Eugênio presidiu o sindicato em meados dos anos 80 e foi chefe da delegacia sindical de Belo Horizonte entre 1991 e 1993. Para chefiar a 4ª Região Fiscal, que abrange os Estados de Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Rio Grande do Norte, o escolhido foi Altamir Dias de Souza, ex-presidente da delegacia sindical da Unafisco em Salvador e vice-presidente da diretoria nacional do sindicato entre 1999 a 2001.

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Mídia Tags: , , ,
24/08/2009 - 07:52

As faces da mentira

A esta altura, até pela leitura da Época – que pertence ao mesmo grupo – O Globo sabe que a tal reunião entre Lina e Dilma não existiu. A Folha sabe, o Estadão sabe.

Mas a intenção do jogo não era chegar à verdade. Era mentir sistematicamente até que a pecha de mentirosa pegasse na vítima. Em plena segunda, com a trama desvendada, prosseguem mentindo.

Matéria de capa de hoje de O Globo (na foto, o diretor de redação Rodolfo Fernandes):

Dilma sai de cena para evitar desgaste

Matéria interna:

Já o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) disse que a ministra se enfraqueceu muito com o episódio de Lina Vieira e não se sustenta mais como candidata do governo à sucessão de Lula.

- Ela mentiu muito, foi mentindo, mentindo, mentindo, e agora querem tirá-la de cena para repaginar seu currículo. Por conta dela mesma, despencou, e é irreversível. Esse remendo em pneu velho não surte efeito, tem que trocar o pneu. Se o governo não trocar de candidato, vai perder por antecipação. O brasileiro não quer um presidente mitômano – avalia.

Demóstenes é o sujeito que participou da mentira com Gilmar Mendes em torno do grampo falso da Veja.

Na Folha (na foto, o diretor de redação Otávio Frias Filho), o grande pensador Fernando Rodrigues cria o conceito de “patrimonialismo da informação” para abordar exclusivamente a falta de imagens no sistema do Palácio. Dias antes, escreveu um artigo inteiro chamando a Ministra de mentirosa – com base em uma mentira. Anos atrás, passou um mês dando sobrevida a uma armação de sua fonte preferida – Gilberto Miranda – o dossiê Cayman.

Internamente, nenhuma matéria do jornal sobre o desmascaramento de Lina.

No Estadão (na foto, o diretor de redação Ricardo Gandour), também nenhuma menção ao dia 19 – dia que Lina dava como sendo da suposta reunião. A matéria fala que a base se mobiliza para evitar a convocação de Dilma.

Pergunto, em que mundo estão? Graças à Internet, esse factóide foi desmontado. Centenas de milhares de leitores de Internet – dentre os quais, os melhores leitores do Estadão, Folha e Globo – sabem que estão sendo enganados, ludibriados, sabe que mentiram para eles.

Onde se pretende chegar? O Estadão faz um drama com a decisão do desembargador em proibir a divulgação de um tema sob sigilo da notícia. Pergunto ao Gandour: qual o direito que tem um jornal de manipular a informação, de mentir e, depois de descoberta a mentira, não se corrigir?

Como se pretende alçar a liberdade de imprensa ao panteão das grandes liberdades civis, com essa desmoralização persistente? Não percebem que estão fazendo o jogo dos inimigos da democracia, que estão legitimando o chavismo? Quando irá cair a ficha desses destrambelhados?

Autor: luisnassif - Categoria(s): Mídia Tags: , , , , ,
21/08/2009 - 14:00

Os excessos do Plano Diretor de São Paulo

Do Estadão

Revisão do Plano Diretor

Urbanistas e associações de bairro conseguiram convencer vereadores e o governo municipal de que foram cometidos excessos na proposta de revisão do Plano Diretor Estratégico (PDE). O projeto de revisão enviado à Câmara Municipal modificou substancialmente o plano, o que é vedado pela Lei do Plano Diretor. Ao ser aprovada, em 2002, essa lei estabelecia que a sua revisão fosse feita a cada quatro anos. Seu artigo 293 limita a revisão à inclusão de programas e obras que apenas acompanhem o crescimento da cidade sem, no entanto, desestruturar o conjunto de diretrizes do Plano Diretor, que só devem produzir resultados a longo prazo.

O Plano Diretor foi elaborado a partir de objetivos como o repovoamento do centro da cidade, a instalação de um sistema de transporte coletivo integrado e de qualidade, a preservação das áreas de proteção ambiental, a urbanização de zonas precariamente ocupadas e a geração de empregos na periferia que desestimulem os grandes deslocamentos.

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Política Tags: , , , ,
18/08/2009 - 12:25

Direito de Resposta

Direito de Resposta do Ministro do Meio Ambiente Carlos Minc a uma matéria do Estadão sobre o boi-pirata. Segundo a assessoria de MInc, o jornal vem postergando a publicação do Direito de Resposta.

O Estadão e o boi pirata

O jornal Estado de S. Paulo não publicou até agora resposta do Ministério do Meio Ambiente (MMA) à reportagem falsa publicada no domingo 31 de maio de 2009. Nada menos que a manchete de primeira página dominical afirmando que o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, mandara o Ibama engavetar por nove meses uma multa de R$ 3 milhões contra o Grupo Bertin S/A, por degradação ambiental na Amazônia, numa espécie de troca de favores para que o grupo adquirisse, em leilão, 3.100 cabeças de gado de bois piratas que estavam encalhadas no Pará, sem compradores.

Prontamente determinamos que o Ibama averiguasse quem realmente havia arrematado os bois piratas no leilão, promovido pela Conab por determinação da Justiça Federal. E ao contrário do que foi divulgado pelo Estadão, não foi o frigorífico Bertin que comprou esses bois. Aliás, esse frigorífico já recebeu não uma, mas seis multas do Ibama por degradação ambiental na Amazônia. Segundo documentação da Conab, esses bois piratas foram comprados pela empresa Laluc, com pagamento à vista, conforme consta no ofício 247, de 23 de junho, do presidente da Conab.

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Mídia Tags: , ,
18/08/2009 - 08:59

Da série jornalismo engajado sofre

O envolvimento dos jornais com a campanha eleitoral, sua evidente tomada de posição, somados à perda de prática do exercício do jornalismo, têm produzido alguns malabarismos curiosos.

Clique aqui para duas matérias.

A primeira, o editorial de hoje da Folha, em que ela sustenta – com base nas últimas pesquisas do Datafolha – que Ciro Gomes deve se candidatar à presidência da República, não ao governo do Estado. E escreve como  se desejasse apenas o bem-estar do candidato. Ciro deve ter ficado comovidíssimo com o interesse da Folha por seu futuro político.

Conhecido pelo estilo trovejante, que às vezes acaba por prejudicá-lo, o ex-governador do Ceará atua agora com desembaraço. Recolhe os dados de pesquisas como o Datafolha e os estampa para Lula, tentando convencer o presidente de que é arriscado demais fiar-se numa só candidatura situacionista no ano que vem.

O editorial trata Dilma como “a aspirante inventada por Lula”. E diz que “persiste, de resto, a dúvida sobre até que ponto um governante muito bem avaliado pela população, como Lula, consegue transferir apoio a uma candidata sacada do anonimato.”

Aí, o leitor lê o editorial, com todas essas posições engajadas e idiossincráticas, lembra-se do episódio da falsificação da ficha de Dilma no DOPS e se vê no direito de indagar: pode-se confiar em uma pesquisa feita por um Instituto ligado a um jornal claramente engajado em uma campanha eleitoral e que não teve pejo em falsificar uma denúncia para atingir seus objetivos?

Ainda não caiu a ficha do Otavinho de que idiossincrasias e partidarismo são adversários da credibilidade jornalística.

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Mídia Tags: , , ,
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