Meus caros amigos, na última quarta-feira, dia 11 de Novembro, no programa Em cima da hora, das vinte e uma horas, na GloboNews, eu dei a entrevista abaixo.
Li um post seu recentemente, logo após o apagão, que falava dos investimentos do ONS no aperfeiçoamento dos seus sistemas de informações relativos ao SIN (Sistema Interligado Nacional). E esse aperfeiçoamento está passando pelo projeto REGER (Rede de Gerenciamento de Energia), que está sendo desenvolvido pelo consórcio Siemens/CEPEL.
Para entender o “apagão” de ontem do sistema elétrico, é necessário um breve retrospecto do significado do sistema elétrico interligado. Um dos grandes feitos da engenharia brasileira foi essa interligação, que permite com que energia que sobre em uma região seja utilizada em outra. Um sistema dessa complexidade não pode parar se algum elo da corrente se rompe. E sempre é possível que um vendaval ou outro acidente geológico derrube uma torre ou alguma linha.
Para prevenir, há todo um conjunto de sistemas de computação que age rapidamente quando ocorre esse tipo de acidente, redirecionando a energia, montando por computador outros fluxos alternativos para que o sistema não pare.
O Brasil vem trabalhando de forma contínua na adaptação e revisão do marco regulatório do setor elétrico. Embora os ajustes signifiquem importantes avanços, os agentes do setor consideram necessário estabelecer uma política que permita um maior equilíbrio tarifário, o que deverá resultar em contas mais amenas ao consumidor e projetos mais responsáveis do ponto de vista socioambiental.
As sugestões dos representantes do setor foram feitas durante o 10º Encontro Internacional de Energia, realizado neste mês (outubro), em São Paulo, que destacou os avanços relacionados ao planejamento da política energética e a preocupação com o tempo para a obtenção do licenciamento ambiental, considerado muito longo.
Conforme avaliou o diretor-presidente AES/Eletropaulo, Britaldo Soares, os encargos tributários representam 34% da tarifa paga pelo consumidor. O “equilíbrio tarifário” beneficiaria diretamente a expansão do setor.
Agora, na véspera da COP-15, me chama muito a atenção como não se fala na incrível ineficiência dos carros. Parece que ficamos alienados com a beleza dos carros de hoje e esquecemos de fazer as perguntas óbvias.
Se procurarmos no Google as palavras INEFICIÊNCIA, CARROS, MOTOR A COMBUSTÃO INTERNA, pouca coisa relevante aparecerá. Por que escondem a incrível ineficiência dos automóveis?
O grande físico Amory Lovins, fundador da ONG Rocky Mountain Institute e chamado de Guru da Eficiência Energética, há tempo vem chamando à atenção para a ineficiência dos automóveis de hoje.
Rodrigo da Rocha Loures, presidente da Federação das Indústrias do Paraná e pelo programa de inovação da Confederação Nacional da Indústria, admite a dificuldade em se levar a inovação para o conjunto de empresas. E defende que todo o programa de inovação brasileiro seja amarrado às novas energias, envolvendo todos os órgãos que trabalham com inovação.
Alerta para que o pré-sal não reduza a importância das novas energias como fator de inovação e de competitividade do país.
Loures é uma das melhores cabeças industriais surgidas no país nos últimos anos.
Li essa matéria (Dejetos de animais podem gerar uma “Jirau”) na newsletter do Valor e me lembrei desses casos
Vi 2 projetos desses no Paraná, bancados pela prefeitura local (não lembro a cidade, mas era proximo a uma fabrica da Sadia).
Um pequeno biodegestor que o proprietário rural, um moleque de 18 anos, montou da cabeça dele com verba da prefeitura e um grande biodegestor em uma outra propriedade maior
Na pequena propriedade a energia produzida alimentava fogões e chuveiros. Na propriedade maior gereva uma bela energia.
Fico pensando nas possibilidades que existem no Brasil, bioamassa da cana, biomassa de esterco, alcool, biodisel, hidrelétricas. Coisa de loco.
Fora os créditos de carbono que podem ser obtidos
Isso é o Brasil real.
“Dejetos de animais podem gerar uma “Jirau”
Paulo Victor Braga, de Brasília
25/08/2009
O reaproveitamento de matéria orgânica produzida na atividade agropecuária, sobretudo o esterco de animais, pode gerar um bilhão de kilowatts-hora por mês, quantidade equivalente à que será produzida pela usina hidrelétrica de Jirau
Além da energia produzida, o tratamento produz biofertilizantes como subprodutos. O estudo sustenta que esse aproveitamento pode diminuir substancialmente a tradicional dependência brasileira de fertilizantes importados. Com o tratamento do estrume e de outras biomassas residuais, como a vinhaça de cana, pode-se produzir 85% do nitrogênio, 43% do potássio e 15% do fósforo necessários na safra de grãos 2008/09.
A CPI da Aneel, que vai investigar a política tarifária para o setor de energia elétrica, realiza hoje sua primeira audiência. Serão ouvidos o contador Ronaldo da Silva de Abreu e o economista Gustavo Antônio Galvão dos Santos, co-autores de artigo sobre o setor elétrico brasileiro, publicado na Revista do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
No artigo, os dois servidores do BNDES afirmam que o sistema elétrico brasileiro é um dos sistemas mais confiáveis e de mais baixo custo operacional e ambiental do mundo. Eles demonstram, no entanto, que, depois das privatizações, a tarifa se tornou uma das mais caras do mundo. A privatização do sistema, segundo eles, aumentou os custos desnecessários e tornou o sistema menos confiável.
Eles defendem o retorno do sistema de remuneração pelo custo e do gerenciamento e planejamento do sistema pela Eletrobrás.
A audiência está marcada para as 14 horas no plenário 11.
Sergio Leo, de Brasília
20/07/2009
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, confirmou que o governo brasileiro aceita que o Paraguai venda no mercado livre do Brasil parte da energia a que tem direito de Itaipu. No encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Lugo, no fim desta semana, será discutida a proposta brasileira, que estabelece os critérios para aceitar a demanda paraguaia.
“Precisamos encontrar um modelo, há uma preocupação natural com a gradualidade, não pode ser de um dia para o outro”, comentou Amorim. Hoje, o Paraguai, que tem direito ao uso de metade da energia de Itaipu, é obrigado a vender a parcela que não usa à Eletrobrás por um preço fixo. Uma das principais reivindicações do governo de Lugo é a possibilidade de vender no mercado livre, mais caro, a energia excedente – o que aumentaria o custo da energia fornecida no Brasil.
O Brasil deve ao menos triplicar a capacidade instalada em PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas) nos próximos anos, com a liberação dos 6.500 MW em potência hidrelétrica tramitando na Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). É algo equivalente a um complexo hidrelétrico do rio Madeira, em Rondônia, onde são construídos neste momento as usinas de Jirau e Santo Antônio.
Pesquisadores italianos da Universidade Tor Vergata, em Roma, anunciaram ter produzido energia elétrica a partir de painéis solares elaborados com cascas de frutas, verduras e legumes.
Os cientistas trabalham no Polo Solar Orgânico, instituto criado dois anos atrás pela região de Lazio e com a participação da iniciativa privada para estudar o emprego de materiais orgânicos em fontes renováveis de energia.
A nova geração de painéis solares substitui o uso do silício por uma mistura de pigmentos de alimentos que podem ser sintetizados biologicamente…………………….
………..A nova tecnologia poderá aumentar a produção dos painéis solares reduzindo o custo do valor da energia transformada. Hoje, os painéis a base de silício custam entre 6 a 12 euros por watt. Com a revolução a caminho, os preços podem cair para 2 euros por watt através dos painéis orgânicos………………….
…………..Além disso, as máquinas para construção dos painéis devem custar cerca de 1 milhão de euros, contra os 15 ou até mesmo 100 milhões necessários para outras formas de painéis fotovoltaicos. Os novos modelos também serão mais seguros. …………………..
Baseada no artigo do professor Ronaldo Fiani, publicado no Blog do Ronaldo Bicalho, no Portal Luís Nassif
No auge da globalização, se pensava que todos os mercados se integrariam, que cessaria o protecionismo e que a perspectiva de um mundo sem conflitos deixaria de lado a defesa de interesses nacionais.
Era uma ilusão, que se tornou forte em relação ao mercado de energia. Especialmente depois que a Rússia passou a fornecer gás para a Europa, mesmo com o gasoduto passando por zonas conflagradas e mesmo com os problemas políticos que se sucederam ao fim da União Soviética.
Um artigo de Ronaldo Fiani, do Instituto de Economia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) desmistifica esse sonho. E traz de volta a questão da visão geopolítica do petróleo.
Já nos anos 90, diz ele, as sucessivas crises globais não se entendi a contradição de tantos políticos buscarem o controle de algo que estaria com seus dias contatos: o petróleo.
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O alarme soou, diz ele, com a tentativa de aquisição hostil da Unocal (companhia petrolífera da Califórnia) pela CNOOC (China National Offshore Oil Corporation) em 2005. A proposta da CNOOC era de US$ 18,5 bi contra US$ 16,5 bi feita pela Chevron. Houve pressão do Congresso e do governo norte-americano, obrigando a CNOOC a desistir.
Os argumentos eram objetivos: a Unocal detinha reservas de petróleo e gás não-exploradas nos Estados Unidos e na Ásia. Além de não se permitir a uma empresa chinesa prospectar em território americano, também era necessário impedir o acesso a reservas em regiões asiáticas estratégicas. A idéia do mercado global sem restrições ia pelos ares, à luz da nova geopolítica mundial.
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Em agosto de 2007 – prossegue Fiani – o Financial Times publicou um documento interno da Comissão Européia, no qual se advertia que o bloco poderia ficar “vulnerável” aos planos de “outros países” (leia-se, Rússia) de dominar os mercados europeus de energia pela aquisição das redes de infra-estrutura.
A Rússia estava de olho nessas redes e o documento constatava que os objetivos não eram meramente econômicos. O conselho era de que se bloqueassem os investimentos russos.
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Fiani define alguns dos fatores que estarão mais estressados, nos próximos anos, em função dessa relação crítica entre energia e geopolítica:
1) O crescimento acelerado de países que enfrentam déficit de energia e possuem grandes economias (China e Índia), que passam a concorrer com os Estados Unidos, União Européia e Japão pela oferta mundial de energéticos.
2) O retorno da Rússia às disputas internacionais de poder, utilizando para isso essencialmente suas grandes reservas de insumos energéticos como instrumento de barganha.
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A conclusão é que o período de se pensar em mercados globais de energia coincidiu com o vácuo de contestação ao poder norte-americano, após o fim da URSS e enquanto a China não era ainda potência em ascensão.
Agora, energia volta a ser tratada como fator estratégico. O que reforça a tese de que o etanol só irá se impor quando a produção estiver diversificada por outros países.
Tema relevante trazido pela Cristiane Lucchei, no Valor: quais as fontes para financiar novos projetos? No período pre-crise, o mercado era exageradamente criativo. Há que se discipliná-lo. Mas a criatividade fundamentada é essencial para criar ferramentas que ajudem na próxima etapa de investimentos.
Cristiane Perini Lucchesi, de São Paulo 23/03/2009
O mercado busca fontes alternativas para financiar um total de mais de R$ 57 bilhões em projetos de concessões já licitadas no país em meio à maior crise de crédito da história. São R$ 10 bilhões para projetos de linhas de transmissão, R$ 20 bilhões para as duas grandes hidrelétricas do Rio Madeira (Jirau e Santo Antônio) e outros R$ 8,8 bilhões para estradas e o Rodoanel em São Paulo. Há mais de US$ 8 bilhões (cerca de R$ 18 bilhões) necessários para a construção de 12 navios-sonda de perfuração de petróleo e plataformas semissubmersíveis que serão alugadas pela Petrobras.
Da Empresa de Pesquisa Energética – EPE Empresa pública, vinculada ao Ministério de Minas e Energia (http://epe.gov.br/ResenhaMensal/Forms/EPEResenhaMensal.aspx)
Resenha Mensal do Mercado de Energia Elétrica – Fevereiro 2009
20-03-2009 ANO II | Número 18
http://epe.gov.br/ResenhaMensal/20090320_1.pdf
O consumo de energia elétrica no país continuou a apresentar evolução negativa em fevereiro. De acordo com a pesquisa mensal realizada pela EPE junto aos principais agentes de consumo, o montante de energia demandado nesse mês atingiu 30.700 GWh, queda de 4,4% em relação a igual período de 2008.
Essa queda aparentemente grande deve ser relativizada por conta dos 29 dias de fevereiro de 2008 (efeito base). Caso fevereiro do ano passado tivesse 28 dias, como ocorreu este ano, a queda seria de 1,0%……………
Segundo Djalma Moraes, presidente da Cemig, em janeiro o consumo de energia caiu 12% em relação a janeiro do ano passado. Em fevereiro, a queda foi menor – de 7%.
Em Minas Gerais a crise foi mais sentida devido aos efeitos sobre o agronegócios e a siderurgia – dois setores fortes no Estado. Nos demais estados pode ser que a queda tenha sido menos, diz Djalma. Mas a curva é igual: redução no ritmo da queda.
Comentário
A queda na arrecadação em Minas Gerais fez acender forte luz amarela no governo.
Atenção, estados: há uma defasagem de até dois meses entre a venda de produtos e a arrecadação de ICMS e IPI. Portanto, essa queda brutal da arrecadação, agora, reflete o que aconteceu em outubro a dezembro.
Por Roberto São Paulo/SP
Da Empresa de Pesquisa Energética do Ministério de Minas e Energia
Boletins de Análise do Mercado de Energia
Resenha Mensal do Mercado de Energia Elétrica – Janeiro 2009
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