Uma das maiores dificuldades dos “cabeças de planilha” – economistas que analisam a dinâmica da economia exclusivamente através de modelos matemáticos – é não entender o papel da inovação tecnológica no desenvolvimento de um país.
Em defesa do câmbio apreciado (do real caro) sustentam que estimula a importação de equipamentos. E que esses equipamentos importados modernizam o parque fabril e agregam inovação.
Desde os anos 80, os estudos de Michael Porter desmentiram essa lógica da compra de tecnologia como elemento determinante do desenvolvimento de empresas ou países.
Quando o mercado fechou ontem, primeiro dia após o anúncio da demissão de Mário Torós do cargo de Diretor de Política Monetária do Banco Central, os juros futuros tinham caído. De ontem para hoje, o DI (Depósito Interbancário) de janeiro de 2011 caiu de 10,27% ao ano para 10,20% ao ano. O DI de julho de 2010, de 9,14% para 9,10% ao ano.
Qual a lógica? De acordo com a retórica terrorista do mercado, se sai um diretor ortodoxo e há sinais de afrouxamento da política monetária, os juros podem cair no curto prazo, mas deveriam subir no longo – porque, pela leitura do mercado, o afrouxamento da política monetária produziria mais inflação obrigando, mais à frente, a outro movimento de alta nas taxas.
Nada disso ocorreu. Pelo contrário, o mercado sequer reagiu à declaração do Ministro da Fazenda Guido Mantega, de que a taxa ideal para o dólar é em R$ 2,60. Nesse nível, declarou Mantega, não tem China, Coréia ou Japão que segure o Brasil.
Já há algum tempo a diretoria do Banco Central (BC) tem dado mostras de desfaçatez inéditas no mercado financeiro – área em que os melhores se pautam por comportamento discreto e análises técnicas.
No final do ano passado, o Diretor de Política Monetária Mário Torós e o de Política Econômica Mário Mesquita cometeram a imprudência de, em pleno período de tensão do mercado com a crise, darem entrevistas em “off” – isto é, sem revelar o nome, com as declarações sendo atribuídas a “fontes do BC”- ameaçando se demitirem se a Fazenda adotasse determinadas medidas.
Foram desautorizados publicamente pelo presidente do BC, Henrique Meirelles. Mereciam uma denúncia à polícia, por ameaça de perturbação da ordem econômica.
Ainda há enorme confusão sobre o papel da poupança externa no investimento brasileiro. Especialmente sobre o papel do crédito externo para as grandes empresas brasileiras.
Imagine o seguinte:
1. A empresa A é “prime”, isto é, empresa de primeira linha com acesso a financiamentos internos ou externos. Com o dólar a R$ 1,80, ou ela pega US$ 100 milhões e converte em R$ 180 milhões, ou toma emprestado uma linha interna de R$ 180 milhões.
2. O banco com quem ele trabalha pode emprestar R$ 180 milhões de linhas de crédito interno (depósitos à vista ou a prazo) ou tomar um financiamento de US$ 100 milhões no exterior e repassar para o cliente
3. A empresa A opta pelo financiamento externo de US$ 100 milhões, por um ano, a 10% ao ano, com o dólar a R$ 1,80. Pega o financiamento, converte em reais e levanta R$ 180 milhões. Teoricamente, o banco continua com R$ 180 milhões para emprestar para outros clientes.
4. Um ano depois, ela precisa pagar US$ 110 milhões ao banco. Mas se o dólar cair para R$ 1,70. Para quitar o financiamento, agora, necessitará de R$ 187 milhões. Comparando com o que ela levantou um ano antes, o custo do financiamento foi de apenas 3,9%.
Obviamente, para ela foi um negocião. E para a economia e as demais empresas?
A recuperação econômica não se dá de forma homogênea. No caso da última crise, a economia brasileira recuperou-se rapidamente no item consumo das famílias. O setor industrial levou um pouco mais de tempo para pegar ritmo. A arrecadação fiscal demorou mais do que o esperado para começar a se recuperar, assim como o setor de máquinas e equipamentos – que acordou vigorosamente nos últimos meses, depois das quedas mais acentuadas em todos os setores.
Ontem saíram dados sobre o emprego industrial, medido pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em setembro o índice estava 6,5% abaixo de setembro de 2008.
Quando se compara com os meses anteriores, o quadro é de recuperação. Cresceu 0,3% em julho e agosto e 0,4% em setembro em relação ao mês anterior. Ainda é tímida a recuperação, especialmente se comparada aos dados de queda registrados no final do ano passado. De dezembro a fevereiro as quedas mensais foram de 1,9%, 1,4% e 1,3%.
Estudo mostra avanço do consumo das classes D e E do Norte e Nordeste em relação às classes A e B do Sudeste
De Márcia de Chiara:
Os pobres do Norte e Nordeste estão consumindo mais que os ricos do Sudeste. Nos últimos 12 meses até setembro deste ano, as classes D e E das regiões Norte e Nordeste do País gastaram R$ 8,8 bilhões com uma cesta de alimentos, produtos de higiene pessoal e limpeza. Essa cifra é 5% maior que a desembolsada pelas camadas A e B (R$ 8,4 bilhões) que vivem no Sudeste do País no mesmo período com esses itens, revela estudo exclusivo da LatinPanel, maior empresa de pesquisa domiciliar da América Latina.
Em igual período do ano passado, a situação era exatamente inversa: o gasto das camadas que compõem a base da pirâmide social no Norte e Nordeste com bens não duráveis havia sido 5% inferior ao das classes A e B do Sudeste. “Houve uma reversão”, afirma Christine Pereira, diretora da empresa e responsável pela pesquisa.
Ela atribui a mudança a fatores conjunturais. Inflação em baixa, que dá mais poder de compra ao consumidor, ganhos de renda dos trabalhadores que recebem salário mínimo e o fato de a crise não ter afetado as camadas de menor renda explicam, segundo Christine, o avanço do consumo dos bens não duráveis pelos mais pobres. Os dados da pesquisa foram obtidos a partir de visitas semanais a 8,2 mil domicílios para auditar o consumo de 65 categorias de produtos.
A maior burrice da oposição – ao permitir que o debate político fosse comandado pela mídia desembestada – foi ter fechado os olhos para as principais características do alvo a ser criticado: o governo Lula.
Desde que a Bolsa Família surgiu, lá atrás, assim que entendi os conceitos que a moviam, alertei aqui que seria um divisor de águas. Quando o PAC foi anunciado, procurei entender os mecanismos de controle e de gestão, e ficava claro tratar-se de um avanço extraordinário, aproveitando mas avançando experiências embrionárias que acabaram não dando certo na época, mas que deixaram sementes: como o Avança Brasil.
Por não entender a dinâmica da economia e da construção social, pela profunda ignorância na avaliação de situações dinâmicas, os colunistas da Globo – coordenados por Ali Kamel, esse gênio da raça – trataram de avançar contra o Bolsa Família como esses boxeadores bisonhos, que só sabem lutar de cabeça baixa, sem enxergar o inimigo, limitando-se a dar murros ao léu. Três ou quatro anos atrás o Projeto Brasil realizou um Seminário inesquecível, sobre “O Consumidor Invisível”, mostrando o extraordinário potencial que vinha a caminho.
Agora, à medida que os meses vão passando, vai caindo a ficha da parte mais inteligente da oposição, que entende as repercussões sociais e econômicas desse novo modelo. Só que a oposição perdeu quatro anos de discursos inúteis, que a marcaram como anti-social e despreparada.
Nos últimos quinze anos, ocorreu uma guerra surda na política econômica, que está por trás de todas as grandes discussões de ordem econômica: quem lidera a economia.
Em uma ponta, existem os empresários industriais, do setor de serviços, da agricultura. São pessoas que montaram ou herdaram empresas, em geral conhecem seu ofício, enfrentam o custo Brasil, têm dificuldades de acesso a crédito, penam com tributação excessiva – ou transitam na zona cinzenta do caixa dois.
Na outra ponta, os financistas, o detentor do grande capital que, em geral, foi exportado para algum paraíso fiscal e retorna para o país na forma de fundos off-shore ou mesmo em nome dos titulares. São pessoas que acumularam capital financeiro na grande esbórnia dos anos 80, com o modelo implantado pelo Real, com a venda de empresas. etc
Discussão interessante, às vésperas da reunião de Copenhaguen:
Uma entrevista, publicada hoje no Estadão, com Lester Brown, pesquisador amerciano, presidente do “Earth Policy Institute”, que está aqui em SP lançando um livro sobre suas ideias sobre como diminuir o aquecimento global: clique aqui.
Lendo a entrevista, eu fico com a impressão de que as ideias ambientais desse senhor são meio no sentido “preservar os ricos e deixar os pobres pobres” e “faça o que eu falo e não o que eu faço”.
Me preocupa quando ele diz que tem que frear o crescimento da população na Somalia, mas e o ímpeto consumista dos americanos? não tem uma pegada ambiental pior que uma famíla de 20 pessoas no deserto africano?
Concordo com o que ele diz em muitos aspectos, mas como negar a nós, países que estão chegando agora na “divisão principal” do crescimento, as mesmas benesses dos países já desenvolvidos?
Por outro lado, há quem defenda que o planeta está é esfriando e que a atividade humana na emissão de CO2 é insignificante. Vi a entrevista de um professor no jornal da Bandeirantes, algum dia dessa semana:
De cara, achei: doidão que deve trabalhar para petroleiras, herança do Bush, etc.. Mas o professor entrevistado é um pesquisador brasileiro, tem um currículo sério (http://lattes.cnpq.br/5110326514774369 ), e não é o único a defender esta tese.
No fundo, a discussão subjacente é o uso político que diferentes grupos de interesse podem fazer (e já o fazem) para defender seus interesses a partir de pesquisas científicas. Uma pessoa pode interpretar dados de maneira completamente diferente da outra.
Eu confesso que às vezes fico confusa no meio desse barulho…
Abs e bom final de semana
Por Rodrigo Medeiros
Sugiro a leitura de textos do cientista Luiz C. Molion.
Um dos principais objetivos da cobrança do IOF de 2% sobre o investidor estrangeiro é conter o ritmo de valorização do real. Contudo, os fundamentos da economia devem fazer com que a medida não tenha o efeito esperado, reduzindo seu escopo de influência ao longo do tempo, segundo levantou Tatiane Correa, da Agência Dinheiro Vivo.
Isso pode ser visto na bolsa de valores. Embora os estrangeiros tenham retirado do mercado R$ 1,3 bilhão no dia seguinte ao anúncio da medida, já começaram a voltar e a afetar o desempenho da bolsa e do câmbio.
Segundo analistas de mercado, a cobrança pode ter impacto no curtíssimo prazo, não no médio e longo prazo.
Uma apreciação cambial de 4 centavos já compensa os 2% de IOF impostos pelo governo. Além disso, há um conjunto de expedientes a ser adotado por quem pretender contornar o imposto.
O problema da engenharia no Brasil ainda vai ser muito salientado nessa nova fase da nossa economia. E na minha opinião, o PAC ainda não abrange a reconstrução do problema da engenheiria no Brasil destruída por tantos anos.
Crescimento econômico sustentado de mais de 5% ao ano, Pré-Sal, diversificação econômica, agenda de meio-ambiente, etc. não têm como acontecer com o quadro da engenharia atual do país. Falta engenheiros para tudo. Pior, faltam estudantes de engenharia e quem queira fazer engenharia. De uma forma genérica, essa afirmação se sustenta se forem comparados com o resto do mundo os números de engenheiro por habitantes, ou a percentagem de estudantes universitários matriculados em cursos de engenharia no Brasil (faça isso com o BRIC para se assustar ainda mais). “O Brasil tem seis engenheiros para cada 100 mil habitantes. A América do Norte e Europa têm 25 e China e Índia, 22 para cada 100 mil habitantes”, segundo o site (www.eniopadilha.com.br). 15% dos estudantes universitários do Brasil (que por sua vez só são abrange 12% dos jovens brasileiros) são de engenharia ou ciências exatas. 70% dos estudantes univeristários coreanos são de engenharias e ciências exatas. Se alguém quiser analisar esses índices nas áreas de Inovação Tecnológica estratégica (microeletrônica, nanotecnologia, telecomunicações, etc.) verá que o alarme é ainda maior.
Projetos brasileiros de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) podem render US$ 6,5 bilhões em créditos de carbono. Uma nova economia se desenvolve enquanto as questões climáticas são cada vez mais difundidas pelo mundo: a de baixo carbono. Já se fala no deslocamento de parte da demanda consumidora a produtos gerados de maneira sustentável. Mas os ganhos comerciais vão além do público consumidor, podendo ocorrer a partir do estabelecimento de créditos contabilizados da redução de toneladas de Gases de Efeito Estufa (GEE) emitidos.
Dados do Banco Mundial mostram que, em 2008, o mercado de carbono movimentou 128 milhões de euros – de 2005 até aquele ano, as negociações haviam crescido cerca de 1.200%, tendo apresentado queda no final de 2008 por conta da crise econômica global. O assunto foi destaque no 10º Encontro Internacional de Energia, realizado em Outubro, na capital paulista.
O modelo político partidário brasileiro está em meio a mudanças radicais, as mais radicais desde meados dos anos 90, quando o PSDB ganhou corpo e elegeu seu primeiro presidente, Fernando Henrique Cardoso.
Depois da redemocratização, a rigor foram dois os partidos com vocação de poder, o PSDB e o PT. E dois agregados, partidos-ônibus sem discurso para assumir a presidência, mas com importância: o PMDB e o DEM.
Alex Frangos, The Wall Street Journal, de Hong Kong
Como o dólar americano continua a se enfraquecer, crescem as preocupações em boa parte da Ásia em relação a outra moeda declinante: o yuan chinês.
Por mais de um ano, a China manteve o yuan basicamente inalterado em relação ao dólar. Por isso, assim como o dólar, o yuan tem caído de maneira constante ante as moeda dos vizinhos da China, como o ringgit da Malásia, a rupia da Indonésia e o won da Coreia do Sul. Isso torna os produtos fabricados nesses países mais caros em comparação com os da China.
China será o primeiro caso desde a Revolução Industrial em que o poder hegemônico não terá características ocidentais
Cláudia Trevisan, PEQUIM
Autor do livro When China Rules the World (Penguin Books, 2009), o jornalista e acadêmico britânico Martin Jacques acredita que a China assumirá em breve uma posição dominante no mundo, quando exercitará o “complexo de superioridade” desenvolvido nos 2 mil anos de história dinástica. Leia a entrevista concedida ao Estado, de Londres, por telefone:
O País de hoje é totalmente diferente daquele de um ano atrás. O Lula de agora nada tem a ver com o ultracauteloso e ortodoxo presidente do ano passado.
Esses cortes históricos são curiosos. Na música popular, por exemplo, o Brasil de 1930 era totalmente diferente do de 1929, mesmo sendo o mesmo. É como se um conjunto de ideias novas, conceitos novos que estavam encobertos viessem à tona.
No campo econômico, a crise acabou com inúmeros dogmas responsáveis pela anorexia econômica brasileira, por essa maluquice da opinião pública midiática entrar em pânico a cada respiro de crescimento do País.
A cobertura da mídia sobre a taxação de capital externo com o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) permite um bom exercício sobre a arte de defender interesses específicos.
Quase toda medida econômica tem fatores pró e fatores contra. Por exemplo, aumentar juros para combater a inflação tem o pró – de combater a inflação – tem o contra – de encarecer a dívida pública e reduzir o crescimento. O que define se a medida é boa ou não é avaliar se, de fato, é imprescindível para conter a inflação ou, mesmo, se a inflação é uma ameaça real ou fictícia.
A caminhada do país rumo a um papel mais relevante no cenário mundial esbarra em alguns problemas culturais entranhados. Um deles é a visão provinciana, de quem não consegue entender as relações entre governos e grandes empresas.
Grandes multinacionais são extensão dos governos nacionais.
Lembro-me de um episódio, anos atrás, em que um presidente da Volkswagem do Brasil – austríaco – teceu algumas considerações sobre o “apagão” energético. A reação transbordou as críticas contra a Volks e quase se tornou um caso diplomático.
Economista-chefe do Banco Goldman Sachs, Jim O’Neil tornou-se conhecido por ter cunhado a sigla BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) para se referir às novas potências emergentes. Na época, demorou para incluir o Brasil. Agora, pensa-se em tirar a Rússia.
Em palestra em São Paulo, ontem, O’Neil refletiu o entusiasmo atual pela economia brasileira que se alastra pelo mercado mundial. Alguns anos atrás, disse O’Neil, o desafio maior era explicar porque o Brasil havia sido incluído nos BRICs. Após a maneira como o país enfrentou e superou a crise global, as dúvidas dissiparam-se.
Caras/os, no tópico “Eleições 2010 – Programa Político e Ecológico”, em nosso grupo de Meio Ambiente, está acessível a tese de Ana Beatriz Vianna Mendes, defendida no NEPAM/IFCH/UNICAMP, em julho de 2009, e que se ampara, entre outros autores, nas propostas e na teoria defendidas pela Elinor Ostrom.
No final de semana passado, desembarcou no Brasil o diretor de uma companhia austríaca de iluminação, uma das maiores do mundo. Veio atraído pelas Olimpíadas e pela possível Copa do Mundo no Brasil. Mas o mote deflagrador de seu interesse é a nova tecnologia LED que, em breve, será dominante no mundo. Além disso, a implantação da TV de alta definição obrigará maiores cuidados com a iluminação.
O ponto relevante dessa história é que, com o LED, encerram-se cem anos de predomínio das lâmpadas incandescentes. Até agora esse mercado era dominado por gigantes como Osram (controlada pela Siemens), GE, Sylvania (que se associou a um grupo indiano) e a Phillips. Leia mais »
Puxada por PE,CE e BA, região viu seu PIB se expandir 2,2% no primeiro semestre; Brasil encolheu 1,46% no período
Eduardo Nunomura
O Nordeste saiu vitorioso da crise econômica e cresceu 2,2% no primeiro semestre. A estimativa surpreende em um Brasil que encolheu 1,46% no período. O Produto Interno Bruto (PIB) de Pernambuco registrou alta de 3,8%; o de Ceará, 2,8%; e o da Bahia, 1,6%. Juntos eles respondem por dois terços da riqueza local. Segundo a Datamétrica Consultoria, que radiografou o bom momento da região a pedido do Estado, só em uma hipótese teria havido um crescimento nulo: se os outros seis Estados, que não calculam previsões de PIBs, tivessem sofrido uma retração três vezes maior que a da brasileira. Mas outros indicadores de suas economias apontam na direção oposta.
Ao longo de seu processo histórico, as idéias sempre tiveram uma influência defasada sobre a vida do País. Não que o País não tivesse acesso às melhoras teorias do exterior, às experiências mais bem sucedidas, e a uma visão crítica sobre elas. Qual a razão dessa demora em reciclar idéias e conceitos?
Em meados do século 19, o Barão de Mauá mostrava o extraordinário poder mobilizador da poupança empoçada. E já acumulava dinheiro com jogadas cambiais.
Nos anos 1880, a Bolsa do Rio já fervilhava, embora apenas para jogadas especulativas e muito pouco para a capitalização das empresas.
A relação de desconfiança entre o Ministério da Fazenda e o Banco Central (BC), que se arrasta no governo Lula desde a saída de Antônio Palocci da equipe econômica, atingiu o ápice na recente divulgação do Relatório de Inflação. É importante conhecer e analisar a essência dessa disputa para saber até que ponto ela pode provocar a ruptura do modelo macroeconômico vigente nos últimos anos. Em outros momentos, como em abril de 2008, o que esteve em jogo foi uma possível mudança no comando do BC e no rumo da economia.
Em meu livro “Os Cabeças de Planilha”, a partir da observação do dia a dia da economia, procurei desenvolver a tese de como se daria o estalo, o processo que deflagraria a percepção de desenvolvimento nacional e que pudesse vitaminar todo o organismo econômico, tal como ocorreu no governo JK.
Pensava em algo assim:
1. O país vai desenvolvendo, ano a ano, um conjunto cada vez mais amplo de setores modernos.
2. Quando esses avanços são percebidos no seu todo – e por todos os setores -, deflagra-se o movimento modernizador, desperta-se o chamado “espírito animal” na economia.
3. Em algum momento, algum evento político ou econômico daria o tiro de partida, despertando o país para essa nova realidade.
4. Ganharia o galardão de Estadista o político que conseguisse mostrar que o país é composto pela soma de todas as partes, o mercado, o sistema financeiro, as políticas sociais, os movimentos sociais, o agronegócio, a indústria, os cientistas, os gestores, as multinacionais, as pequenas e micro empresas e se transformasse na síntese, conduzindo. Leia mais »
Os carros até 1000cc (a gasolina e flex) pagarão 1,5% de imposto em outubro, 3% em novembro e 5% em dezembro, para retornar ao patamar normal, de 7%, em janeiro de 2010.
Os carros da faixa intermediária, de 1001cc a 2000cc á gasolina pagam 6,5%, a partir de 1ºde outubro pagarão 8%, em novembro, 9,5% em dezembro, 11% e retornam ao patamar anterior em janeiro, 13%. Os até 2000cc flex seguem a seguinte escala: 6,5%, 7,5% e 9%, voltando a 11% em janeiro de 2010.
As caminhonetes continuam recolhendo apenas 1% de IPI até dezembro e em janeiro o imposto volta aos 8%. Os caminhões permanecem isentos até dezembro e voltam a pagar 5% em 2010.
Carros com motor acima de 2000cc, que não foram beneficiados pela medida do governo, continuam pagando 18% (flex) e 25% (gasolina). E as motos retomam o IPI total, de 3,5%, a partir de primeiro de outubro.
Fonte: Auto Informe
Como deveriam ficar as faixas de IPI a partir de janeiro/2010
(Se fosse possível colocar alguma orientação correta no governo)
Vc sabe onde consigo o texto completo da agenda 21 em pdf? Seria uma boa conversar sobre resultados atuaisEstá afim de montar um tópico para falarmos sobre ela? Vou até dar uma olhada aqui no Rio, pois o Bairro de Santa Teresa elaborou uma Agenda 21 local! Abraços!
O Brasil tem uma grande oportunidade de manter o caminho do crescimento e completar a transição de país emergente para desenvolvido, rumo a uma economia desenvolvida, disse o ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco. “Temos que prestar atenção a esta nova fase, agora o desafio é chegar lá em cima”, afirmou, durante o XVIII Congresso Brasileiro de Economia.
“Deixamos para trás um longo processo de industrialização e agora temos inflação normal e somos investment grade”, disse Franco. Ele cita que o Brasil está cumprindo etapas no processo de desenvolvimento, como a implantação de políticas econômicas ortodoxas de controle de déficit, inflação e câmbio.
A entrevista da pesquisadora australiana Linda Weiss, à Folha desta segunda, é essencial.
Título: “Redução do papel do Estado na economia sempre foi mito”
Alguns trechos:
“Para especialista em desenvolvimento, compras militares dos EUA são maior exemplo de política industrial que gerou inovação tecnológica”
“Houve uma opção por não regulamentar. Foi uma opção movida a razões nacionalistas, porque tanto o Reino Unido quanto os EUA viam o setor financeiro como o que liderava a projeção do seu poder na arena econômica internacional. Com Wall Street de um lado e a City do outro, para eles fazia sentido ser liberais.”
“Um fundamental é no campo da inovação e da tecnologia. Na OMC (Organização Mundial do Comércio), os Estados líderes escreveram normas que lhes dão margem para promover sua indústria nascente, ao mesmo tempo em que reduziram essa margem para países em desenvolvimento”
Introdutor do jornalismo de serviços e do jornalismo eletrônico no país. Vencedor do Prêmio de Melhor Jornalista de Economia da Imprensa Escrita do site Comunique-se em 2003, 2005 e 2008, em eleição direta da categoria. Prêmio iBest de Melhor Blog de Política, em eleição popular e da Academia iBest.