O dinheiro do crime organizado
Com a matéria do Leandro Fortes, na Carta Capital desta semana (mostrando esquentamento de dinheiro em operações de desapropriação do governo Cabral, no Rio) e com a de Rubens Valente, da Folha (que publico abaixo) a situação do Opportunity torna-se insustentavel.
Na de Valente tem-se as evidências de algo sobre o qual se vem escrevendo a tempos: o fato dos fundos offshore terem passado a disputar a clientela do crime organizado. E uma informação relevante, sobre o funcionário do Banco Central, acusado de levar propinas por aplicar as reservas em ouro no Desdner Bank. É a primeira vez que leio a confirmação de algo que era bastante comentado na época, especialmente na gestão pré-Armínio no Banco Central: os critérios do banco para a aplicação das reservas.
É importante anotar que há muitos anos era de conhecimento público a existência de investidores brasileiros nos fundos offshore do Opportunity – o que contrariava a legislação do mercado de capitais, do Banco Central e da Receita Federal. Nem a imprensa, nem as autoridades se mexeram para sequer investigar as denúncias.
Apenas uma dúvida: esse material constava do inquérito original do Satiagraha ou foi agregado agora, de outros inquéritos sobre lavagem de dinheiro que já corriam na Polícia Federal?
Lembro que a Teletime e a Carta Capital ficaram sozinhas nessa fronteira. Na grande imprensa, apenas eu escrevi sobre o tema. O Teletime foi processado pelo Luiz Leonardo Cantidiano (ex-presidente da CVM e diretor de empresas offshore de Dantas), com apoio dos grandes escritórios de direito societário do Rio, e quatro vezes por Daniel Dantas. A Carta Capital, por Dantas.
Da Folha
PF aponta lavagem de dinheiro por meio de fundo do Opportunity
Perícia descreve como doleiros brasileiros teriam enviado US$ 19 mi para Cayman em sistema fora do controle do BC
Relatório da Satiagraha diz que pelo menos 15 cotistas do fundo respondem por crimes financeiros; grupo nega as acusações da PF
RUBENS VALENTE
DA REPORTAGEM LOCAL

