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	<title>Luis Nassif &#187; Dora Kramer</title>
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	<description>Sobre economia, política e notícias do Brasil e do Mundo</description>
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		<title>Da cândida inocência dos analistas</title>
		<link>http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/07/03/da-candida-inocencia-dos-analistas/</link>
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		<pubDate>Fri, 03 Jul 2009 13:02:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>luisnassif</dc:creator>
				<category><![CDATA[Eleições]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[crise]]></category>
		<category><![CDATA[Dora Kramer]]></category>
		<category><![CDATA[Sarney]]></category>

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		<description><![CDATA[Continuo não entendendo o raciocínio que se esconde por trás do sempre excelente texto de Dora Kramer.
Vamos à sua análise de hoje:
Sob custódia do Planalto
Dora Kramer,
Muito bem: o presidente Luiz Inácio da Silva intervém no Senado, faz de José Sarney um presidente tutelado pelo Palácio do Planalto, assume a custódia das lixeiras do Parlamento, submete [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Continuo não entendendo o raciocínio que se esconde por trás do sempre excelente texto de Dora Kramer.<br />
Vamos à sua análise de hoje:</p>
<h3><a href="http://notebook.zoho.com/nb/public/luisnassif/page/224186000000010035" target="_blank">Sob custódia do Planalto</a></h3>
<p>Dora Kramer,</p>
<blockquote><p>Muito bem: o presidente Luiz Inácio da Silva intervém no Senado, faz de José Sarney um presidente tutelado pelo Palácio do Planalto, assume a custódia das lixeiras do Parlamento, submete o PT a um vexame ímpar e o que isso influi no processo da sucessão presidencial?</p></blockquote>
<blockquote><p>Ou, antes, o que a eleição de um presidente da República e a boa governança de um País têm a ver com a sustentação de um esquema político obsoleto e moralmente apodrecido?</p></blockquote>
<blockquote><p>A rigor, nada. Bem como a manobra não acrescenta um voto &#8211; podendo tirar muitos &#8211; a candidaturas governistas nem tampouco serve como garantia da adesão do PMDB à chapa com patrocínio oficial.</p></blockquote>
<p>De que país Dora está falando? Deve ser da Inglaterra. Levando seu raciocínio ao extremo, FHC se apoiava em ACM, Luiz Eduardo Magalhães, Jader Barbalho por afinidade. E Lula se apoia em Sarney, Geddel e outros porque participam das partidas de futebol na Granja do Torto. Senado, CPIs, nunca foram fator de instabilidade política por aqui? O jogo acabou. Qual a intenção de Dora com esses argumentos que nada têm a ver com a realidade política do Brasil?</p>
<blockquote><p><span id="more-31437"></span>Não obstante, o argumento por trás dos movimentos do presidente Lula em defesa do presidente do Senado é o de que Lula age em prol da governabilidade e do êxito eleitoral de seus aliados em 2010.</p></blockquote>
<blockquote><p>Alega-se que o presidente da República atua no propósito de preservar a estabilidade política e de evitar uma &#8220;crise sem precedentes&#8221; no Senado que poderia &#8220;comprometer o restante do seu mandato&#8221;.</p></blockquote>
<blockquote><p>Crise sem precedentes o Senado vive há pelo menos oito anos, período em que assiste ao permanente questionamento público dos presidentes escolhidos pelo colegiado, já se vê, por critérios que não levam em conta normas de boa conduta.</p></blockquote>
<p>Que é isso? Seria apenas uma marolinha. E se o Senado vive essa crise há 14 anos, porque Dora se apegou à demissão do atual presidente do Senado como saída e não à cobrança da implementação do projeto da FGV?</p>
<blockquote><p>A intervenção explícita &#8211; de maneira nunca vista &#8211; do Poder Executivo, se influência tiver sobre a crise, será no seu agravamento. Quanto ao comprometimento do mandato de Lula, não é visível o motivo do receio.</p></blockquote>
<p>Nunca vista? FHC se valeu de ACM, quando precisou. Quando o aliado exorbitou, defenestrou-se em dois tempos &#8211; em prol da governabilidade, sim &#8211; de uma maneira nunca vista.</p>
<blockquote><p>São três as possibilidades de solução até agora apresentadas: a licença do presidente Sarney até a conclusão da investigação e desmonte das atividades da rede de ilicitudes montada ao longo dos últimos 14 anos; renúncia e realização de novas eleições; formação de um grupo suprapartidário para encaminhar as soluções, independentemente de Sarney sair ou ficar.</p></blockquote>
<blockquote><p>Objetiva e friamente nenhuma delas configura um problema.</p></blockquote>
<p>Nem o Lobo Mau foi tão convincente assim, ao convencer Chapeuzinho a mudar o caminho (perdão pela comparação, já que nessa história só existem lobos e raposas).</p>
<blockquote><p>Se Sarney pedir licença, assume o primeiro vice, Marconi Perillo, do PSDB. Alega-se que o governo &#8220;não aceita&#8221; entregar a presidência do Senado ao partido que será seu maior adversário em 2010 e que, ademais, Lula &#8220;detesta&#8221; Perillo.</p></blockquote>
<blockquote><p>Questão de gosto. Muita gente no Parlamento também deve &#8220;detestar&#8221; algum ministro do Executivo e nem por isso a nomeação de todos eles deixa de ser prerrogativa do presidente. No tocante à &#8220;entrega&#8221; do Senado à oposição, é de se perguntar por quê. Descontada a hipótese de o PSDB fazer a revolução, de que loucuras seria capaz o partido?</p></blockquote>
<p>Não acredito! Por que razão FHC juntou todas suas forças contra a CPI do Fim do Mundo? Porque o poder desestabilizador de uma CPI é imenso. É óbvio até para os leitores da Dora que o Senado, sob controle da oposição, se transformaria em uma máquina de gerar uma CPI por semana, paralisando o país até as eleições.</p>
<blockquote><p>(&#8230;)  Se Sarney renunciar, realizam-se novas eleições. E daí? Realizaram-se várias. Em quantidade maior que as regulamentares de dois em dois anos, em função de vacâncias anteriores no curso do mandato. Seria apenas mais uma. Com a mesma dificuldade de sempre: ausência de nomes de consenso.</p></blockquote>
<blockquote><p>Desta vez só seria preciso cuidado redobrado no quesito folha corrida.</p></blockquote>
<p>Que cuidado? Dora precisou escolher um campeão apenas e escolheu errado.</p>
<blockquote><p>A terceira possibilidade &#8211; recusada, mas até agora a mais ponderada &#8211; é a do grupo suprapartidário. O PSDB apresentou a sugestão, o PT encampou, mas a Mesa Diretora recusou, também suprapartidariamente, com receio de perder poder.</p></blockquote>
<blockquote><p>Não teria, é verdade, o controle absoluto sobre as investigações e eventuais reformulações, mas manteria suas funções habituais. O grupo administraria a crise e a Mesa continuaria no comando do Senado.</p></blockquote>
<blockquote><p>Falar em perda de poder pontual, deste ou daquele, nessa altura é irrelevante, pois o nome do jogo é a recuperação de um poder já perdido coletivamente.</p></blockquote>
<blockquote><p>Ou o Senado percebe que trata da sua sobrevivência ou os grupos dominantes continuarão a reboque das conveniências do Palácio do Planalto. Hoje ou amanhã, seja Lula ou outro o presidente da República.</p></blockquote>
<p>Ou o Senado continuará à reboque da mídia e da Dora. A transparência que virá tornará o Senado mais limpo &#8211; e também menos vulnerável aos jogos de manipulação da mídia.</p>
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		<title>A análise política oblíqua</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Jul 2009 13:51:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>luisnassif</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Arthur Virgílio]]></category>
		<category><![CDATA[Dora Kramer]]></category>
		<category><![CDATA[Sarney]]></category>

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		<description><![CDATA[Confesso, às vezes, uma profunda dificuldade para entender a lógica de minha colega Dora Kramer. Ela assumiu a defesa intransigente de Arthur Virgilio e está no seu direito. Mas hoje sai com o seguinte jogo retórico:
Se os senadores pretendem continuar simulando indiferença, terão de deixar claro que o fazem com base em um de dois [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Confesso, às vezes, uma profunda dificuldade para entender a lógica de minha colega Dora Kramer. Ela assumiu a defesa intransigente de Arthur Virgilio e está no seu direito. Mas hoje sai com o seguinte jogo retórico:</p>
<blockquote><p>Se os senadores pretendem continuar simulando indiferença, terão de deixar claro que o fazem com base em um de dois pressupostos: ou o senador Arthur Virgílio enlouqueceu ou tenta se defender do abrigo que deu a um funcionário fantasma difamando o restante da Casa.</p></blockquote>
<p>Devolvo a questão à Dora. Pergunto: e os jornalistas, deveriam continuar tratando-o como vestal, como Catão, como senador símbolo, sabendo que sua autocrítica tardia só surgiu depois de revelados seus pecados? É o que Dora faz.</p>
<blockquote><p>Em nenhuma das duas hipóteses ele serviria para ser senador, muito menos líder de um partido que tem chance de ganhar a presidência da República no ano que vem.</p></blockquote>
<blockquote><p>Se está louco e delira, deve ser interditado. Se mente e avilta a instituição, merece abertura de processo no Conselho de Ética por quebra de decoro parlamentar.</p></blockquote>
<p>O que a Dora quer dizer é: quem se aproximar de Virgilio leva tiro de toda a mídia. E depois, completa: Virgilio está certo porque ninguém chega perto dele.</p>
<blockquote><p>Agora, se continua na liderança é porque priva da confiança de sua bancada. Se não é alvo de processo, é porque a Casa recebe seus desafios como adequados e concorda com a divisão do Senado em duas categorias de parlamentares: os que se calam por covardia e os que silenciam por assumida vilania.</p></blockquote>
<p>Só faltava o PSDB tirar Virgilio da liderança e se indispor com seu principal aliado, a mídia. Mas faço uma aposta: duvido que Arthur Virgilio será reconduzido à liderança na próxima indicação do partido. Aliás, Dora se esqueceu de incluir uma terceira categoria: os que saem berrando &#8220;tira esse bicho das minhas costas&#8221; (lembrando a piada do sujeito flagrado roubando um leitão) para conseguir salvo-conduto.</p>
<blockquote><p>Este último grupo não tem jeito. Só sobrevive se jogar na linha do menor prejuízo possível. A indispensável virada estaria, portanto, nas mãos daquela outra ala. Mas, para isso, ela precisaria sair da toca e se dispor a enfrentar as dores de uma ruptura mais profunda.</p></blockquote>
<p>Que virada pretende a Dora? Moralizar o Senado certamente não é. Se fosse não estaria fulanizando as denúncias. Como experiente analista política, morando em Brasília, ela sabe que as catarses servem apenas para as tais &#8220;rupturas mais profundas&#8221;, não para moralização. Aliás, o que mudou o Senado depois da queda de Renan?</p>
<blockquote><p>Desse modo é inusitado que um senador suba diariamente à tribuna para apontar a existência de corruptos e covardes no colegiado sem que se sinta ofendido o suficiente para contestá-lo nem indignado o bastante para apoiá-lo.</p></blockquote>
<p>E é inusitado que continue sendo tratado como sir Galahad, depois de revelado que é apenas mais um na mamata.</p>
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