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03/07/2009 - 10:02

Da cândida inocência dos analistas

Continuo não entendendo o raciocínio que se esconde por trás do sempre excelente texto de Dora Kramer.
Vamos à sua análise de hoje:

Sob custódia do Planalto

Dora Kramer,

Muito bem: o presidente Luiz Inácio da Silva intervém no Senado, faz de José Sarney um presidente tutelado pelo Palácio do Planalto, assume a custódia das lixeiras do Parlamento, submete o PT a um vexame ímpar e o que isso influi no processo da sucessão presidencial?

Ou, antes, o que a eleição de um presidente da República e a boa governança de um País têm a ver com a sustentação de um esquema político obsoleto e moralmente apodrecido?

A rigor, nada. Bem como a manobra não acrescenta um voto – podendo tirar muitos – a candidaturas governistas nem tampouco serve como garantia da adesão do PMDB à chapa com patrocínio oficial.

De que país Dora está falando? Deve ser da Inglaterra. Levando seu raciocínio ao extremo, FHC se apoiava em ACM, Luiz Eduardo Magalhães, Jader Barbalho por afinidade. E Lula se apoia em Sarney, Geddel e outros porque participam das partidas de futebol na Granja do Torto. Senado, CPIs, nunca foram fator de instabilidade política por aqui? O jogo acabou. Qual a intenção de Dora com esses argumentos que nada têm a ver com a realidade política do Brasil?

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Eleições, Política Tags: , ,
02/07/2009 - 10:51

A análise política oblíqua

Confesso, às vezes, uma profunda dificuldade para entender a lógica de minha colega Dora Kramer. Ela assumiu a defesa intransigente de Arthur Virgilio e está no seu direito. Mas hoje sai com o seguinte jogo retórico:

Se os senadores pretendem continuar simulando indiferença, terão de deixar claro que o fazem com base em um de dois pressupostos: ou o senador Arthur Virgílio enlouqueceu ou tenta se defender do abrigo que deu a um funcionário fantasma difamando o restante da Casa.

Devolvo a questão à Dora. Pergunto: e os jornalistas, deveriam continuar tratando-o como vestal, como Catão, como senador símbolo, sabendo que sua autocrítica tardia só surgiu depois de revelados seus pecados? É o que Dora faz.

Em nenhuma das duas hipóteses ele serviria para ser senador, muito menos líder de um partido que tem chance de ganhar a presidência da República no ano que vem.

Se está louco e delira, deve ser interditado. Se mente e avilta a instituição, merece abertura de processo no Conselho de Ética por quebra de decoro parlamentar.

O que a Dora quer dizer é: quem se aproximar de Virgilio leva tiro de toda a mídia. E depois, completa: Virgilio está certo porque ninguém chega perto dele.

Agora, se continua na liderança é porque priva da confiança de sua bancada. Se não é alvo de processo, é porque a Casa recebe seus desafios como adequados e concorda com a divisão do Senado em duas categorias de parlamentares: os que se calam por covardia e os que silenciam por assumida vilania.

Só faltava o PSDB tirar Virgilio da liderança e se indispor com seu principal aliado, a mídia. Mas faço uma aposta: duvido que Arthur Virgilio será reconduzido à liderança na próxima indicação do partido. Aliás, Dora se esqueceu de incluir uma terceira categoria: os que saem berrando “tira esse bicho das minhas costas” (lembrando a piada do sujeito flagrado roubando um leitão) para conseguir salvo-conduto.

Este último grupo não tem jeito. Só sobrevive se jogar na linha do menor prejuízo possível. A indispensável virada estaria, portanto, nas mãos daquela outra ala. Mas, para isso, ela precisaria sair da toca e se dispor a enfrentar as dores de uma ruptura mais profunda.

Que virada pretende a Dora? Moralizar o Senado certamente não é. Se fosse não estaria fulanizando as denúncias. Como experiente analista política, morando em Brasília, ela sabe que as catarses servem apenas para as tais “rupturas mais profundas”, não para moralização. Aliás, o que mudou o Senado depois da queda de Renan?

Desse modo é inusitado que um senador suba diariamente à tribuna para apontar a existência de corruptos e covardes no colegiado sem que se sinta ofendido o suficiente para contestá-lo nem indignado o bastante para apoiá-lo.

E é inusitado que continue sendo tratado como sir Galahad, depois de revelado que é apenas mais um na mamata.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Política Tags: , ,
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