O Estadão teve acesso a esse material, como se pode conferir em algumas notas publicadas sem muito destaque. Obviamente o diretor de redação Ricardo Gandour proibiu que o levantamento continuasse.
Esse falso dossiê foi divulgado pelo Diogo Mainardi – que parece ter se conformado com função única na Veja de ser colunista-sela para jogadas barra-pesadas – e repercutido pelo Ali Kamel no Jornal Nacional. Quando Nelson de Sá, na Folha, apontou a forçada de barra do Jornal Nacional em cima da matéria, Kamel escreveu para o jornal protestando.Aliás, a presteza com que Kamel expõe o jornalismo da Globo a qualquer jogada da Veja mereceria uma análise à parte.
Depois de desmascarada a farsa, o JN se calou.
É evidente que há, por trás, um pesado jogo de interesses econômicos. Quem bancou mais essa jogada?
Por Marco Aurélio Mello
O calvário de Carlos Dorneles no Jornal Nacional continuou quando, num sábado, ele se recusou a repercutir uma das tantas falsas denúncias, a partir de dossiês apócrifos.
Por Heber/DF
Revista Caros Amigos
Veja usa dossiê falso de araponga para incriminar diretor da ANP
Wilson Ferreira Pinna ex agente da Polícia Federal e funcionário da
Assessoria de Inteligência da Agência Nacional do Petróleo, grampeou seu diretor Victor de Souza Martins. Apesar de a ditadura militar ter acabado há 25 anos, as escutas clandestinas continuam a todo vapor no país.
Por Lúcia Rodrigues
Mais uma vez a revista Veja dá eco a histórias que não se comprovam depois. Foi assim no episódio publicado em 2005 sobre os dólares de Cuba, que teoricamente teriam financiado parte da campanha de Lula à Presidência da República, que conduziu o ex metalúrgico ao Planalto pela primeira vez, em 2002. O semanário também publicou em 2005 reportagem que insinuava que candidatos ligados ao Partido dos Trabalhadores teriam recebido recursos das Farc, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, para o financiamento de suas campanhas.
As fitas com o áudio do diálogo entre o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) reproduzido nas páginas de Veja, também nunca apareceram. Investigação da Polícia Federal não identificou esses grampos que a revista insinuava existir. Segundo a reportagem, essas gravações teriam sido produzidas pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e seriam repassadas a Lula, apesar de afirmar que não necessariamente o presidente tivesse conhecimento disso.
Matéria do Jornal Nacional sobre o dossiê falso da Agência Nacional de Petróleo (ANP). A matéria informa que o Ministério Público considerou as acusações falsas e investiga agora se o agente aposentado recebeu dinheiro ou não para divulgar o dossiê.
O valor de um dossiê é diretamente proporcional à repercussão que ele tenha na imprensa. Um dossiê divulgado pelo Giba Um tem valor ínfimo. Pela Veja e pelo Jornal Nacional, valor alto. Se o dossiê foi financiado por alguém e se tionha a expectativa de emplacar em ambos os veículos, o valor certamente foi elevado.
O JN admite, também, que na matéria que deu em maio – repercutindo a Veja – informou que o relatório era da Polícia Federal e não tinha tido sequencia.
Toda essa armação, do lado da Globo, foi de Ali Kamel – que sempre trabalhou estreitamente ligado com o sistema Veja. Na época, foi criticado pelo Nelson Sá, na Folha, que apontou a malícia de colocar a armação de Diogo Mainardi no ar, para poder atingir o Franklin Martins. Kamel rebateu, disse que a imagem ficou “apenas” alguns segundos. “Apenas”… para milhões de telespectadores do Jornal Nacional.
Nenhum jornalista sério do país endossaria as acusações de Mainardi, nenhum. Kamel endossou, sabendo que era alta a possibilidade de ser uma armação. Como endossou a campanha macartista contra livros didáticos, conduzida pela Abril.
São sempre os mesmos personagens e sempre o mesmo jogo de favores recíprocos.
Ao determinar que José Simão se abstenha de fazer referências à atriz Juliana Paes, confundindo-a com a personagem “Maya”, da novela “Caminho das Índias”, o juiz João Paulo Capanema de Souza, do Rio de Janeiro, afirmou em despacho não ver “ofensa ou aspecto pejorativo” nas considerações do colunista “sobre a ‘poupança’ da atriz ou sobre o fato de sua bunda ser grande”, já que “sua imagem esteve e está à disposição de quem quisesse e ainda queira ver”, e qualificá-la “nos limites do tolerável”.
Mas o magistrado considerou que o colunista ofendeu “a moral da mulher Juliana Couto Paes, seu marido, sua família”, ao “jogar com a palavra “casta” e dizer que Juliana “não é nada casta”.”
“É censura. A pessoa não pode determinar quando e o que falar dela. Isso tolhe totalmente a liberdade de expressão”, afirmou o colunista. “Na hora em que estava escrevendo, achava que estava elogiando a atriz. Não quero me retratar”, disse.
Segundo Simão, “a imagem que Juliana Paes passa para o Brasil é que ela é a ‘gostosa’, e que todo homem fica ‘babando’. Não vejo por que o termo ‘casta’ ofende uma mulher moderna, liberada, atriz da Globo. Para mim, casta é pudica, e eu não admiro pessoas castas. É coisa medieval”, afirmou.
As advogadas Taís Gasparian e Mônica Galvão, que representam a Folha, consideram que a decisão do juiz “trata o humor como ilícito e, no fim das contas, é a mesma coisa que censura”.
Comentário
É um tema delicado. Obviamente o que o Zé Simão fez é uma brincadeira em cima daquilo que é o maior patrimônio da Juliana Paes para os inúmeros comerciais para os quais é contratada: ser gostosa. Só agora está se revelando, além de bonita, uma boa atriz.
A denúncia protocolada pelo Ministério Público Federal contra o banqueiro Daniel Dantas revelou que ele tramou, em e-mails trocados com o consultor de empresas Roberto Amaral, pagamentos para dois jornalistas que teriam divulgado notícias de interesse de seu grupo empresarial.
Amaral foi alto executivo da empreiteira Andrade Gutierrez. Já reconheceu ter trabalhado como “consultor” de Dantas entre 2000 e 2005. A Polícia Federal apreendeu diversos e-mails arquivados em computador de Amaral.
Nos e-mails, Dantas se identifica como DVD, OVS ou “Olhos Verdes Sensuais”. Amaral responde como “Rogério”.
Em 2001, Dantas diz a Amaral que precisa ser publicada na imprensa uma nota contra seu desafeto, o empresário Luís Roberto Demarco, com quem travava disputa judicial. A nota, que colocava Demarco como um denunciante de propinas na polícia, saiu no dia 4 de dezembro daquele ano na coluna on-line do jornalista Claudio Humberto, ex-porta-voz do presidente Fernando Collor (1990-1992).
O outro jornalista citado na denúncia é Gilberto Pierro, o “Giba Um”, que tem blog na internet. Em abril de 2002, Amaral cobra o pagamento de R$ 50 mil, dos quais iriam R$ 25 mil para “CH” (Claudio Humberto) e R$ 5.000 para “Giba Um”.
No dia 12, Amaral pede R$ 117 mil para pagar Claudio Humberto e quitar “dois anúncios publicados no “Jornal de Brasília’”.
A denúncia do procurador também traz detalhes sobre o papel do consultor Guilherme Martins, o Guiga. Em depoimento, o presidente da Santos Brasil, da qual o Opportunity é acionista, Wadi Jasmin, disse que Guiga foi contratado “apenas para agendar reuniões com políticos”. Ele citou encontros com o senador Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA), morto em 2007, e o ex-deputado Sigmaringa Seixas (PT-DF).
Seixas, segundo Jasmin, “é advogado contratado pela Santos Brasil para atuar na discussão envolvendo a questão de portos privativos”.
O advogado de Amaral, José Luis Oliveira Lima, disse que seu cliente é “dos mais respeitados do país”. Segundo o advogado, Amaral “é fonte não apenas de Humberto e Giba Um, mas também de diversos outros jornalistas importantes”. A consultoria de Amaral ocorreu “dentro de princípios éticos e legais”. Humberto negou qualquer irregularidade na sua conduta. Giba Um não foi localizado. (RV, FF E AF)
Comentário
Conhecendo o modo de operação de Dantas, que vocês avaliem agora a campanha estrepitosa do esquema Dantas na mídia, a orquestração dos ataques, para passar a impressão de que todos eram bandalhos como eles, a última onda – o tal relatório italiano, mais uma vez levantado pelo Conjur, Diogo Mainardi, IstoÉ e a própria Veja, sem que nada aparecesse, justamente às vésperas do novo indiciamento.
Eu gostaria de entrevistá-lo por cerca de quatro minutos para um podcast da Veja. O assunto é a imprensa. Eu me comprometo a não cortar a entrevista. Ela será apresentada integralmente.
Muito obrigado, Diogo Mainardi
Marco Aurélio Garcia
Sr. Diogo Mainardi,
Há alguns anos – da data não me lembro – o senhor dedicou-me uma coluna com fortes críticas.
Minha resposta não foi publicada pela Veja, mas sim, sua resposta à minha resposta, que, aliás, foi republicada em um de seus livros.
Desde então decidi não mais falar com sua revista.
Seu sintomático compromisso em não cortar minhas declarações não é confiável. Meu infinito apreço pela liberdade de imprensa não vai ao ponto de conceder-lhe uma entrevista.
Sobre a fundamentação ou não da denúncia do Diogo Mainardi, na Veja, contra o Silvio Martins (irmão do Franklin Martins) não tenho a menor ideia.
Já o recado dos lobistas que cavalgam Mainardi consegue ser mais óbvio e tosco que o lobby que ele fazia pró-Daniel Dantas: parem a investigação sobre as doações da Camargo Correia, senão abriremos a CPI da Petrobrás.
É mais uma ofensiva chantagista, valendo-se do espaço que Veja mantem disponível para esse tipo de jogadas. Os lobistas preparam o material, entregam e o colunista assina. Depois conversa-se.
Nesse momento em que se discute a nova Lei de Imprensa, os limites da liberdade de imprensa, momento em que a sentença do juiz Abrão – podendo virar jurisprudência – aprofunda a questão do jornalismo associado a negócios cinzentos, é inacreditável a imprudência da Veja em permitir a continuidade desse jogo típico de panfletos da imprensa de esgoto ou de blogs de quinta categoria.
Comentário
Já escrevi várias vezes sobre o tema, especialmente nas últimas semanas. Mas se não sair uma reforma política em breve, acabando com o financiamento de campanha e criando condições que estabeleçam limites aos pactos fisiológicos que assegurem a governabilidade, o país para. Leia mais »
Não sei se o afastamento de Nélio Machado da defesa de Daniel Dantas – conforme matéria de hoje do Mário César Carvalho na Folha (clique aqui) – é factóide ou para valer. Ou seja, se ele sai de cena e continua agindo nos bastidores ou se sai de cena definitivamente.
De qualquer modo, a matéria comprova o que escrevi várias vezes aqui: a maior besteira de Daniel Dantas foi ter recorrido a um tipo truculento, barra pesada como a face pública da defesa.,
O meio jurídico é carregado de lendas. Uma delas era que Nélio era o maior criminalista do país. Ora, só se fosse para os bicheiros que defendia, pois nem para Dantas ele é mais. Esse tipo de advogado barra-pesada funciona no submundo, quando o lixo que defende não vem à tona.
Sua atuação foi fundamental para comprometer definitivamente a imagem de Dantas junto à opinião pública e para expor a articulação montada com lobistas de Dantas na imprensa: especialmente Diogo Mainardi.
Na série “O Caso de Veja”, no capítulo “O lobista de Dantas”, entre outros, relacionei uma a uma as matérias de Mainardi que tinham ligação direta com a estratégia de defesa de Dantas, a tese da contaminação do inquérito brasileiro com o italiano e várias outras.
Agora, Mainardi voltou ao que era: um cronista raso, cujas grosserias já se tornaram gastas, não chocando mais a ninguém. Quando suas tramas foram reveladas – sobre o material que recebia de Dantas e da advogada Aninha, certamente orientada por Nélio -, apareceu em pânico em São Paulo com o advogado Roberto Podval, para tentar limpar a barra junto ao Ministério Público. Depois, parou, em um caso estranho de um Dr. Fausto que vendeu a alma e agora não quer entregar.
Enquanto isto ocorria, o brilhante “maior criminalista do país” inundava a imprensa com declarações que corroboravam todos os argumentos da série – sobre as ligações entre as colunas de Mainardi e as táticas da defesa – expondo totalmente seus lobistas.
Os argumentos para o afastamento de Nélio, levantados por Mário César, são os mesmos que expus aqui várias vezes. Que sua demissão sirva de alento para os criminalistas de alto nível. Leia mais »
Introdutor do jornalismo de serviços e do jornalismo eletrônico no país. Vencedor do Prêmio de Melhor Jornalista de Economia da Imprensa Escrita do site Comunique-se em 2003, 2005 e 2008, em eleição direta da categoria. Prêmio iBest de Melhor Blog de Política, em eleição popular e da Academia iBest.