Pesquisando o doutor Sobral Pinto na rede, chego a resultado esplêndido, para começar a página do “Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro – FGV”, neste endereço é possível pesquisar uma boa documentação sobre nossa história :
Ao final de sete anos de governo e à véspera de uma eleição em que a sua simples presença de um lado da disputa pode definir a sua sucessão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está dando um nó na cabeça da oposição. Não só pela sua popularidade, mas pela forma como conseguiu usar essa popularidade para mudar completamente uma agenda política e econômica à qual, no primeiro mandato, parecia amarrado.
À direita e à esquerda, essa mudança de agenda está sendo colocada como autocrática. Todavia, como definir historicamente uma mudança de agenda política e econômica num regime democrático sem a suposição de que existe apoio popular a ela? O apoio é a um presidente ou a um outro projeto de poder? Como desvincular o presidente Lula do seu partido político, o PT, quando a história política de ambos é a mesma (e isso é um fato mesmo se constatando que, depois de quase dois mandatos como presidente num regime presidencialista, Lula tornou-se maior que o PT)? Se projetos políticos não se sucederem no poder, em alternância, o que se pode querer de uma democracia? É personalismo ou projeto político diferenciado uma inversão completa de agenda em relação aos governos anteriores?
A definição – ou acusação – imputada a Lula pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em artigo recente publicada em dois jornais paulistas (”Folha de S. Paulo” e “Estado de S. Paulo”), e reiterada em entrevista ao colunista Vinicius Torres Freire, ontem, na “Folha”, de exercer uma “Presidência imperial”, ou ser o artífice de um estado de “apatia com autoritarismo popular”, não parece plausível. Não dá para “acusar” alguém de ser popular. FHC também o foi no seu primeiro mandato e venceu as eleições para a reeleição no primeiro turno, em 1998. Não dá para “acusar” alguém por estar no poder, se essa pessoa foi eleita. FHC também foi, duas vezes. E, como Lula, também tentou, embora não com tanto empenho, fazer o seu sucessor.
A constitucionalização dos Estados Nacionais teve pleno êxito no Século XX e, se a globalização foi o grande arranque da universalização de valores democráticos, que trata legalmente iguais como iguais, ela também é parte da reprodução de um sistema desigual. A formação de uma sociedade global conseguiu levar a idéia de democracia e direitos aos cantos mais recônditos do mundo, mas os Estados nacionais que assimilaram conceitos de democracia também foram dialeticamente submetidos por normatizações globais – ou por ações políticas que passam ao largo das institucionalizações nacionais e internacionais, como a base americana de Guantânamo, em Cuba -, que funcionam acima das democracias. A institucionalidade do executivo global é falha e faz prevalecer liberdades que fogem ao controle, segundo o alemão Hauke Brünkhorst, da Universidade de Flensburg, da Alemanha.
O que vem acontecendo com você leva-nos a duas conclusões relativas ao papel social da grande mídia nas sociedades modernas e ao novo contexto inaugurado pela rede.
No mesmo dia em que o tal juiz resolveu, sabe-se lá com quais argumentos, “esquecer” todos os abusos cometidos pela revista Veja, com o sentido explícito de tentar silenciar seu trabalho…nesse mesmo momento, distante milhares de quilômetros daqui, nos EUA, Obama abria o verbo contra a postura absolutamente partidária, desrespeitosa e interesseira da Fox.
Na mesma semana, soubemos, também, dos resultados de uma auditoria internacional sobre a atividade dos barões da midia no Equador; da reação selvagem à lei de imprensa na Argentina, e continuamos vendo a defesa indecente do golpe em Honduras por alguns órgãos de comunicação brasileiros.
BRASÍLIA – Símbolo da democracia e da busca pelo fim das desigualdades sociais, a Constituição brasileira completa hoje 21 anos. Criada como uma carta rígida e de princípios sólidos, já foi alterada 58 vezes nesse período. A última ocorreu em 23 de setembro deste ano, quando foi promulgada a emenda que aumentou o número de vereadores nas câmaras municipais. Outras 934 propostas de emendas à Constituição tramitam na Câmara e aguardam votação.
Ao fazer uma avaliação histórica de 1988 até hoje, o líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), disse que as atualizações ao texto – as emendas constitucionais – são importantes para o aprimoramento da democracia. Mas criticou o excesso delas. Segundo ele, algumas tratam de assuntos que não deveriam estar na Constituição, mas sim, em leis complementares e ordinárias.
“Existem pontos que têm de se adequar à realidade, mas não com essa voracidade que alguns desejam”, afirmou, lembrando o grande número de propostas de emenda à Constituição que tramitam na Casa e a diversidade de assuntos que abordam.
Por isso, defendeu outra revisão da Constituição, a exemplo da que foi feita em 1993, conforme previsto do texto constitucional. “Mas isso quando houver um novo presidente e não um presidente em meio ou em fim de mandato”, disse. “Defendo uma Constituição mais enxuta e uma legislação mais contemporânea”, completou Caiado.
O líder do PT na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP), disse que a Assembleia Constituinte e a Constituição que dela resultou são passos fundamentais para a estabilização da democracia. “Tem pessoas que criticam num ponto ou outro, mas é um marco.”
Para ele, o excesso de emendas constitucionais é prova de que a democracia no país está sendo aprimorada. “O maior período de democracia que estamos vivendo é esse. Prova que estamos aprimorando a democracia. E estamos construindo essa democracia, mas ainda temos de avançar”, comentou.
1. Repita comigo: os Sarney representam o que de mais atrasado existe na política regional brasileira.
2. Desde a Presidência, a biografia política de Sarney está recheada de episódios obscuros, de ligações com empresários polêmicos a operações escandalosas com grupos de mídia.
Cumprido o ritual, leia o comentário abaixo e, depois, o discurso de José Sarney. É uma apologia da democracia grega aos dias atuais – com a volta da democracia direta proporcionada pelas novas tecnologias. Diz que foi a política quem moldou o Brasil (digo eu, para o bem e para o mal) e tenta entender, sociologicamente, as raízes dos conflitos entre mídia e instituições.
E analisa a reforma política sob o prisma dessa revolução nas comunicações, ângulo ainda não abordado em nenhuma dessas discussões sobre reforma política. É um enfoque fundamental para nortear qualquer reforma política contemporânea.
O único trecho que os jornais extraíram do discurso:
A tecnologia levou os instrumentos de comunicação a tal nível que, hoje, a grande discussão que se trava é justamente esta: quem representa o povo? Diz a mídia: somos nós; e dizemos nós, representantes do povo: somos nós. É por essa contradição que existe hoje, um contra o outro, que, de certo modo, a mídia passou a ser uma inimiga do Congresso, uma inimiga das instituições representativas. Isso não se discute aqui, não estou dizendo isso aqui, estou repetindo aquilo que, no mundo inteiro, hoje, se discute.
Compare, agora, com as matérias escritas sobre o discurso.
Feito isso, repita comigo: Sarney é representante do atraso político; é o homem que protegeu Edemar Cid Ferreira, que articulou a venda da Cemar.
Cumprido o ritual, admita: foi um belo discurso.
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Clique aqui para um conjunto de matérias mostrando José Sarney como inimigo da imprensa
Pessoal, eis uma rede de experiências que congrega ações práticas em Democracia Participativa (penso que devemos beber da fonte):
O Observatório Internacional da Democracia Participativa é um espaço aberto a todas as cidades do mundo, entidades, organizações e centros de investigação que queiram conhecer, intercambiar e aplicar experiências sobre democracia participativa no âmbito local para poder ter mais conhecimento sobre democracia no governo das cidades.
A rede nasce em 2001 no âmbito dos Projectos de Cooperação Descentralizada do Programa URB-AL da Comissão Europeia. Porém, a sua constituição oficial é em Novembro do mesmo ano durante a I Conferência anual do OIDP celebrada em Barcelona, onde tem lugar a aprovação do Regulamento de funcionamento. Desde 2006 o OIDP trabalha em colaboração com a organização Cidades e Governos Locais Unidos, nomeadamente na articulação de um quadro de cooperação com a Comissão de Inclusão Social e Democracia Participativa. Site do OIDP
A imprensa brasileira tem sido adversária histórica das instituições representativas do País.”
Essa frase, um dos mais duros veredictos já feitos sobre a imprensa brasileira, é de Wanderley Guilherme dos Santos, professor aposentado de teoria política da UFRJ, fundador do Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro (Iuperj) da Universidade Candido Mendes, e consagrado pela Universidade Autônoma do México, em 2005, um dos cinco mais importantes cientistas políticos da América Latina.
Ela é parte do começo de uma conversa em torno da histórica tendência golpista da imprensa brasileira, que começa assim: “Com o fim da Segunda Guerra Mundial terminou também o Estado Novo brasileiro, ditadura civil que se iniciara em 1937. No mundo todo, mas em particular no Brasil, as elites políticas tradicionais se viram acompanhadas por um eleitorado em torno de 7 milhões, mais de dez vezes superior ao da Primeira República, e um movimento sindical legalizado e participante de algumas estruturas estatais, como os institutos de pensões e aposentadorias dos trabalhadores urbanos”.
Aqui do Alto Xingu, os índios reproduzem o artigo “A crise da mídia e a democracia”, originalmente publicado no site http://www.guiaglobal.com.br:
Por Emir Sader
A inquestionável crise da mídia brasileira se choca com um processo de maior democratização da sociedade brasileira o que, por si só, deveria levar a pensar o caráter tanto da imprensa no Brasil, quanto da própria democracia entre nós.
O que está em crise é a forma de produzir notícias, a forma de construção da opinião pública. Seria grave se a dimensão da crise que afeta a mídia refletisse, nas mesmas dimensões, a democracia no Brasil. Ao ler alguns órgãos da imprensa, pode-se ter a impressão que a democracia retrocede e não avança entre nós, que estamos à beira de uma ditadura, ao invés de um processo – lento, mas claro – de democratização da sociedade brasileira.
A atuação do Itamarati no caso hondurenho – suspendendo todos os programas com o país, por não reconhecer o novo governo – mostra uma faceta nova da diplomacia brasileira. Até agora, o Itamarati atuava como fator de equilíbrio no continente, ajudando a administrar as tensões geradas por vizinhos neófitos – como a Venezuela e a Bolívia.
Agora, age decididamente contra o golpe em Honduras.
Nos dois casos, a mesma medida de defesa da democracia no continente. Inclusive, agora, reforçado pela condenação da ONU e de Barack Obama ao golpe perpetrado.
Ou é o modelo das democracias ocidentais. Ou toda alternativa é imprópria.
É lógico que ninguém quer as teocracias árabes, ou o autoritarismo chinês. Mas estamos condenados a acreditar que, pelo menos conceitualmente, só haverá eternamente um modelo de democracia pensável?
A primeira iniciativa que temos que tomar para ultrapassar as mitologias fundadas na modernidade é: discutir a forma como se constituiu esta (e não A) democracia. Leia mais »
Introdutor do jornalismo de serviços e do jornalismo eletrônico no país. Vencedor do Prêmio de Melhor Jornalista de Economia da Imprensa Escrita do site Comunique-se em 2003, 2005 e 2008, em eleição direta da categoria. Prêmio iBest de Melhor Blog de Política, em eleição popular e da Academia iBest.