A proposta de transferência tecnológica do Ministério da Defesa traz à tona discussões e temas ligados à indústria da defesa e ao desenvolvimento tecnológico do país.
Um tema interessante é a apropriação de tecnologias, inicialmente desenvolvidas para fins militares, para a produção de bens e serviços para uso civil. A isso se dá o nome de spin- off, cujo exemplo mais conhecido é a Internet.
Então, vai aqui um desafio: elencar os principais modelos de spin-off conhecidos – nacionais e internacionais.
A Estratégia Nacional de Defesa, aprovada pelo governo federal, aponta para a retomada do setor e deve movimentar toda a cadeia produtiva. Representantes da indústria nacional de defesa apostam no crescimento econômico do segmento e afirmam que o país tem capacidade para alcançar a soberania nacional, entretanto, reforçam a necessidade de ajustes e acompanhamento permanente das ações para garantir a continuidade dos projetos.
Aprovado em 2008, pelo decreto nº 6.703, o plano traça as diretrizes para modernizar o arsenal de defesa do país. No que tange à indústria, o documento deixa claro um estímulo ao parque nacional, principalmente para não se tornar dependente de importações. Os principais pontos que cabem a indústria, conforme apontado do documento, são:
SÃO PAULO – Tentemos uma olhar brasileiro sobre a decisão do presidente Barack Obama de cancelar o escudo antimísseis que seu antecessor queria erguer na Polônia e na República Tcheca. Ontem, Obama anunciou que, em vez dele, adotará uma nova “arquitetura de defesa” que garante ser mais segura, de mais rápida implantação e mais barata.
A nova “arquitetura” será formada por sensores e interceptadores tanto a bordo de navios como em terra. Motivo da troca: a mais recente avaliação da inteligência norte-americana informa que o Irã -contra o qual se ergueria o escudo e se erguerá o novo modelo- desenvolve mais rapidamente do que o previsto seus mísseis de alcance curto e médio, e mais lentamente os intercontinentais.
(…) Passemos então às perguntas, que, juro, não carregam implícita nenhuma resposta.
Vamos a elas: o novo modelo, informa a Casa Branca, se tornou possível graças ao desenvolvimento tecnológico tanto na área de detecção de mísseis como de interceptação. Pergunta: essa tecnologia não seria muito mais interessante e mais orientada para o futuro do que os submarinos convencionais e nucleares ou os aviões que estão para ser comprados para a Força Aérea, seja qual for o modelo afinal escolhido?
Explico a pergunta: transferência de tecnologia é a chave para o negócio com a França, certo? Se os EUA topam transferi-la, quanto mais moderna a tecnologia, melhor, certo? Dois: para defender o pré-sal e a Amazônia, como se alega, um sistema moderníssimo de sensores e interceptadores não é a arma mais conveniente?
Comentário
Será promovido a general. As tropas chegarão ao local conflagrado de asa delta, se por ar, com pés de pato, se por mar. Aliás, seria conveniente ler algo a respeito do projeto Sivam, se a intenção é monitoramento da Amazonia.
Quanto à transferência de tecnologia dos EUA, simples. Aliás, tão simples que não entendo porque as Forças Armadas estão quebrando a cabeça desde 2000.
Basta mandar um email para o Obama, pedindo para que mande a tecnologia escolhida. Ele vai mandar na hora tudo. Sem problema. Ele é o cara.
PS – A análise foi considerada tão relevante, que a Folha deu chamada de primeira página.
Suecos se manifestam sobre a compra pelo Brasil dos caças:
“Sarkozy é realmente um grande vendedor”
Klécio Santos
Zero Hora
Bengt Janér, Diretor da SAABDiretor-geral no Brasil da SAAB, que fabrica o caça sueco Gripen, Bengt Janér, rompeu ontem o silêncio. Em entrevista a Zero Hora, falou das vantagens do seu avião em relação ao francês Rafale e ao americano F-18. Se mostra resignado com o favoritismo francês, mas põe em xeque a escolha de uma empresa que estaria abalada financeiramente pela crise. A seguir, os principais trechos:
Outro trabalho importante disponível no Portal e que foi apresentado no 62o Fórum de Debates do Projeto Brasil: as dificuldades em adquirir tecnologia, equipamentos ou meras peças para o setor militar.
O trabalho foi apresentado pelo Brigadeiro Engenheiro Venâncio Alvarenga Gomes, do Comando Geral de Tecnologia Aeroespacial.
Um exemplo deste bloqueio ocorreu durante o desenvolvimento do radar Saber M60 da Orbisat, quando os EUA não permitiram exportação de uma cerâmica utilizada na fabricação dos filtros.
“Salvação – O engenheiro João Moreira afirma que filtros produzidos com esta cerâmica representam uma solução de vida ou morte para a empresa. “Nós compramos filtros dos Estados Unidos, mas eles proíbem sua utilização para fins de defesa. Concordaram em nos fornecer para fins experimentais, mas deverão suspender a autorização para exportação no futuro próximo, quando nossos radares forem produzidos em escala”.
Por André Borges Lopes
Alem dos casos de embargo tecnológico relatados no slideshow acima, há quatro outros casos emblemáticos envolvendo a Embraer e FAB:
Um bom apanhado de como o Centro de Tecnologia do Exército trabalha. Esse material foi apresentado no 52o Fórum de Debates do Projeto Brasil. Mais trabalhos estão neste endereço: clique aqui.
uma entrevista com Nelson Jobim, Ministro da Defesa, feita em fins de 2007. Nela, ele descreve o processo de definição da nova estratégia de defesa.
E aqui, provavelmente a última gravação do grande engenheiro Verdi, o fundador da Avibrás, que pouco depois desapareceria em um acidente de helicóptero.
Clique aqui para ir à página com os vídeos do Seminário.
Clique aqui para uma aula completa sobre a indústria da defesa: o 51o Fórum de Debates do Projeto Brasil, ocorrido no ano passado. Os melhores especialistas civis e militares discutindo o tema.
Marinha já encontrou terreno para sediar estaleiro que vai construir o primeiro modelo nuclear do Brasil
Alexandre Rodrigues, RIO
A Marinha do Brasil já encontrou o lugar ideal para a construção do complexo industrial naval de onde deve sair, em pelo menos 12 anos, o primeiro submarino nuclear brasileiro. Trata-se de uma área de 95 mil metros quadrados encravada na Ilha da Madeira, às margens da Baía de Sepetiba, litoral sul do Rio. A Marinha negocia a cessão do terreno, próximo ao Porto de Itaguaí, com a Companhia Docas, atual proprietária, enquanto faz os últimos ajustes no projeto. Se forem obtidas as licenças ambientais, serão erguidos ali a nova base da Força de Submarinos da Marinha, que atualmente fica em Niterói, e um estaleiro de grandes proporções, capaz de abrigar as dimensões da futura linha de produção da prioridade número um da Marinha. Leia mais »
Brasil busca alinhamento militar na América do Sul
CLAUDIO DANTAS SEQUEIRA
enviado especial da Folha de S. Paulo a Santiago
O governo Lula trabalha para fixar os parâmetros de uma nova agenda de segurança regional e busca disseminar na Unasul (União de Nações Sul-Americanas) as diretrizes militares da Estratégia Nacional de Defesa -lançada em dezembro pelos ministros Nelson Jobim (Defesa) e Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos).
Há dois objetivos principais no esforço conjunto do Itamaraty e do Ministério da Defesa. O primeiro é consolidar uma doutrina comum que estimule a cooperação, integre as políticas de defesa e reduza possibilidades de conflitos bilaterais. Leia mais »
Fora do âmbito da Defesa, existem poucas análises na mídia sobre o significado estratégico do Plano de Defesa do país.
Wilson Tosta, da sucursal do Estadão no Rio, monta uma matéria com especialistas, situando o pensamento estratégico, como complemento do chamado “soft power” da diplomacia brasileira.
Compras recentes devem equiparar capacidade à de países como Espanha e Itália, levando a maior protagonismo
Especialistas em defesa ouvidos pelo Estado afirmam que as compras de material militar recentemente fechadas pelo governo não apenas repõem a capacidade bélica do País, mas também apontam para uma alteração, a longo prazo, do peso político-estratégico do Brasil no mundo. Segundo esses pesquisadores, as Forças Armadas brasileiras continuarão distantes de países líderes no setor, como Estados Unidos, Rússia e China, e das potências europeias, como Reino Unido, França e Alemanha. Mas o País poderá aspirar a uma capacidade próxima da de outras nações da Europa, como Espanha e Itália, e assumir maior protagonismo internacional – exigível de um membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, desejo da política exterior brasileira.
“É um processo de reposição e ao mesmo tempo de modernização”, diz Geraldo Cavagnari, do Núcleo de Estudos Estratégicos da Universidade de Campinas (Unicamp). “Desde 1995, as Forças Armadas vêm sofrendo um processo de desmonte. Ficamos desatualizados em termos de tecnologia militar.”
A movimentação na área estratégico-militar foi intensa nos últimos três meses. Incluiu a compra de 63 helicópteros – 12 da Rússia e 51 da França -, a aquisição, também dos franceses, de quatro submarinos Scorpène e da tecnologia do casco do submarino nuclear, além da construção de um estaleiro para montar as embarcações e uma nova base naval no Rio. Também foi lançada a Estratégia Nacional de Defesa, documento de 64 páginas que lista 19 ações a serem iniciadas entre 2009 e 2010, para dinamizar a área.
Por sugestão do ministro Jobim, encaminhamos o documento da Estratégia Nacional de Defesa, que será lançada oficialmente hoje pelo presidente Lula. Leia mais »
Introdutor do jornalismo de serviços e do jornalismo eletrônico no país. Vencedor do Prêmio de Melhor Jornalista de Economia da Imprensa Escrita do site Comunique-se em 2003, 2005 e 2008, em eleição direta da categoria. Prêmio iBest de Melhor Blog de Política, em eleição popular e da Academia iBest.