Um dos fenômenos ainda não devidamente analisados nesta etapa do desenvolvimento brasileiro, é o do chamado capitalismo de família.
A privatização criou uma geração de novos financistas, beneficiados pelo modelo de FHC – que teve como principais mentores Gustavo Franco (no planejamento político), André Lara Rezende (no papel de conduto entre o mercado e a política cambial), Pérsio e Edmar Bacha (amoldando a política cambial e monetária ao novo modelo) e Luiz Carlos Mendonça de Barros e Ricardo Sérgio (como operadores).
Daniel Dantas, aliás, surge ainda no governo Sarney e Collor, em parceria com o Citigroup, adquirindo ações da Telebras a preço de banana. Depois, se consolida na era tucana.
Comunico ao povo brasileiro e aos internautas que no dia 15 de janeiro de 2009, por volta das 15:00hs. sofri o primeiro atentado quando dirigia um automóvel deslocando do Jardim Botânico com destino a Niterói, ato contíuno ainda no JB o radiador de água quente explodiu causando uma nuvem de fumaça muito grande e explosão do painel do veículo. Resultado sofri queimaduras de primeiro grau nos pés e lesões pelo corpo. Sai imediatamente do Rio de Janeiro com destino a São Paulo onde fui imediatamente socorrido, por medida de segurança. No momento estou em casa me recuperando do trauma. Tenho como testemunha do ocorrido a fraterna amiga Silvia Calmon ( pisicanalista) , os populares que me socorreram e meus padrinhos Jose Zelman e Nelia Maria Zelman.
Comentário
Assim como nesse caso do pen-drive (vazado pelo corregedor da PF para o Estadão), é melhor aguardar mais informações sobre o episódio. Leia mais »
Venho acompanhando a sua luta contra nossa surreal justiça, manipulada de maneira acintosa por Daniel Dantas e pelo jornalismo comprado por ele.
Aqui vai uma manchete do New York Times sobre uma decisão da Suprema Corte norte-americana que coloca em xeque uma série de procedimentos e chincanas de certos advogados e da imprensa.
A manchete é clara: Justiça diz que provas são válidas apesar de erros da policia na apuração. Clique aqui.
É um caso que tem tudo para estabelecer jurisprudência. E cai como uma luva para o caso de Daniel Dantas, que tenta escapar por meio de equivocos técnicos da investigação, quando se sabe que, boa parte do que foi apurado, é legal e correto.
Há muita dúvida sobre o desfecho do caso Satiagraha, se a indicação de Paulo Lacerda como adido militar em Portugal foi promoção ou afastamento. Se o caso será abafado ou não.
Vou colocar um conjunto de elementos nos quais me baseio para avaliar o caso:
O quadro atual é francamente favorável a Daniel Dantas. Protógenes e Lacerda foram afastados, sim, não resta dúvida. A ida para Portugal foi prêmio de consolação. O que não impedirá que, eventualmente, ele possa atuar na chamada cooperação internacional contra o crime organizado.
Por outro lado, o inquérito da Kroll está totalmente parado, o esquema Dantas na imprensa continua agindo livremente, Gilmar Mendes permanece atuando com desenvoltura, os jornais ainda tratam um suborno filmado e documentado como “suposto” e todas as suposições sobre a ABIN (inclusive a fantástica central de grampos citada pela Veja) como fato concreto, mesmo sem um elemento sequer de prova, e interlocutores do Ministério Público tentando vender a idéia de que a briga na imprensa é fruto de disputa de egos.
Há sinais no ar de mais retaliação contra as pessoas que defendem a Satiagraha.
Na outra ponta, os elementos são os seguintes:
1. Por todas as informações disponíveis, é de primeira ordem a equipe da Polícia Federal que substituiu a equipe de Protógenes. De Sanctis, por exemplo, considera o delegado Ricardo Saady o mais brilhante delegado da PF que ele conheceu. Aparentemente tornou-se questão de honra para a PF levar o caso até o fim.
2. O primeiro relatório de Saady agradou até o delegado Protógenes. Há informações de outros relatórios a caminho. Saady já garantiu que todas as provas colhidas por Protógenes são legais. E há afirmações taxativas de Protógenes – inclusive no Roda Viva – de recolhimento de provas de suborno de jornalistas. Afinal, são quatro anos de investigação.
A conclusão final dependerá da chamada “prova do pudim”. Ou seja, dos resultados dos futuros inquéritos. Neste exato momento, a impressão é que Dantas vence de goleada.
Comentário
Acabo de ser comunicado pelo Gabriel Priolli da não renovação do meu contrato com a TV Cultura. Paulo Markun transferiu a incumbência para o Priolli.
No último prêmio Comunique-se foram três os jornalistas da Cultura indicados para a categoria TV: Heródoto Barbeiro, Markun e eu.
Policiais e funcionários de operadoras rastrearam políticos
Bruno Tavares e Marcelo Godoy
Centenas de pessoas, entre elas políticos e empresários, tiveram os sigilos telefônico, bancário e fiscal quebrados ilegalmente por um esquema de espionagem do qual participavam policiais, executivos de empresas de telefonia, funcionários de bancos e pessoas ligadas à Receita Federal. Essa é a acusação dos promotores do Grupo de Atuação Especial e Controle Externo da Atividade Policial (Gecep) e do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic). Uma das vítimas foi o deputado federal José Aníbal, líder do PSDB na Câmara.
Comentário
Dois pontos relevantes:
1. Segundo a matéria, as investigações duraram quatro anos. Provavelmente contaram com sistemas prolongados de escuta. Comprova o que o mundo jurídico está careca de saber: para desmantelar quadrilhas e crime organizado, há a necessidade de um trabalho pertinaz, demorado.
2. Gilmar Mendes se insurgiu contra essa prática justamente na operação que visa condenar a pessoa que mais recorreu ao esquema clandestino de escutas, Daniel Dantas. Deixou de lado o óbvio, o de que o sistema de escutas ilegal é amplo e irrestrito, com inúmeros exemplos divulgados pela mídia, para concentrar seus ataques justamente na operação de escuta que tinha amparo legal.
Segue abaixo link com trecho da entrevista do Juiz Fausto De Sanctis à Rede TV nesta madrugada.
Ele explica claramente o fundamento jurídico, as novas motivações e provas que deram sustentação à segunda decretação de prisão do Dantas.
Por Kennedy Alencar
Olá, Nassif, boa noite. Vi a nota sobre o De Sanctis. Se vc achar que é o caso de dar, segue o link do programa com a entrevista dele: clique aqui.
A MAIS RECENTE novidade da Operação Satiagraha não se refere a grampo telefônico, não é criminal, não é policial, nem envolve ministro querendo derrubar alguém para dominar o seu cargo. É mais simples do que estes componentes ainda muito obscuros, também não está desvendada de todo, mas não é mais inofensiva do qualquer deles. Ei-la: a condução da Satiagraha orientou-se por uma espécie de sociedade ou fraternidade de fundo religioso, presente nos três âmbitos coordenados para a operação -o policial, o do Ministério Público e o judicial.
Esse vínculo imaterial é a fonte do caráter de missão justiceira e saneadora da sociedade, sobre a qual o delegado Protógenes Queiroz fala com crescente desenvoltura e exaltação, a seu próprio respeito, e o juiz Fausto De Sanctis o faz à sua maneira, com mais comedimento formal, mas total clareza de sua convicção missioneira, inclusive pelo despojamento em relação à carreira no Judiciário. O que o delegado Protógenes Queiroz também faz, agora, com a recusa à oportunidade de passar à política, que lhe é oferecida pela notoriedade e pelo PSOL.
A Satiagraha não é a primeira operação cujas características foram influenciadas pelos propósitos e maneiras da fraternidade. Antes houve ao menos uma em grande escala: a operação que prendeu o banqueiro Edemar Cid Ferreira, do Banco Santos, manteve-o encarcerado por prazo incomum e tomou-lhe, entre outros bens, a estupenda coleção de arte, raridades e arqueologia. A propósito, o juiz De Sanctis determinou agora que as peças sejam expostas, por considerar que a coleção de arte é um bem público, não privado.
O delegado Protógenes Queiroz passou a ostentar na lapela, recentemente, uma imagem de santa.
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Na verdade, o que Jânio chama de fraternidade, são apenas funcionários públicos sérios, empenhados em cumprir corretamente seu trabalho. Assim como existem muitos jornalistas sérios amarrados por esse pacto inominável de defesa de Dantas. Mas poucos deles, como o próprio Jânio, com coragem para enfrentar a maré.
As ótimas observações sobre o comportamento de Protógenes e De Sanctis chamam a atenção para um ponto relevante: para enfrentar esse jogo criminoso, foram buscar forças na fé, na família, na crença no país.
Ninguém (incluindo cientistas e grupos de hackers) conseguiu quebrar criptografia assimétrica com mais de 700 bits, mesmo com prêmio de US$ 200 mil.
O ICP-Brasil, sistema público de criptografia, utiliza 1028 bits; não que o Dantas utilize o ICP Brasil, mas isso mostra como é fácil atualmente implementar criptografia forte.
O tamanho da chave pode ser facilmente alterado (já que o algoritmo, que não se confunde com a chave, é conhecido).
Eu acho que a PF tem plena consciência de que não quebrará a criptografia.
O ministro da Comunicação de Governo, Franklin Martins, chega ao Palácio do Planalto às 8h30, meia hora antes do chefe, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nesse intervalo de 30 minutos, organiza por ordem de importância o noticiário do Brasil e do mundo, que ele já leu. Em seguida, sobe do segundo – onde fica seu gabinete – para o terceiro andar, em que Lula despacha. Ali, os dois comentam a repercussão diária das ações do governo e o que deve ser feito e dito nas próximas 24 horas pelo presidente.
(…) Desde que Franklin assumiu o cargo, em 29 de março de 2007, houve uma mudança radical nas relações entre o governo e a mídia. Arredios ao extremo, o presidente Lula e os ministros mudaram. E muito. “Desde que ele chegou, mudou a comunicação externa e a interna. E o presidente ganhou um conselheiro de peso”, admite Gilberto Carvalho, o chefe de gabinete de Lula.
Comentário
Quando alguém se dispuser a levantar a crônica desses tempos bicudos, de perda de rumo da mídia, da complacência com as atitudes mais canalhas da história contemporânea do jornalismo, capítulo relevante será a saída de Franklin da Globo.
O que o vitimou foi sua insistência no óbvio: a cobertura completa do “mensalão” deveria passar pela identificação das fontes de financiamento. O que bateria inevitavelmente na Telemig Celular, controlada por Daniel Dantas.
Àquela altura, com a Veja fechada com Dantas, coube a Diogo Mainardi – principal instrumento de Dantas na revista – cometer o assassinato de reputação de Franklin, da mesma maneira como me atacou, quando insisti no mesmo tema.
Para isso contou com duas ajudas inestimáveis.
Uma, do jornalista Cláudio Humberto, providenciando o levantamento de informações sobre Franklin, para permitir a escandalização da insignificância, própria de Mainardi. Houve também jornalistas da Globo, colegas de Franklin, empenhados nesse levantamento, provavelmente a serviço de Ali Kamel.
A peça seguinte foi o próprio Kamel, aproveitando a armação para livrar-se de um jornalista com vôo próprio, que não se curvava ao seu dogmatismo ideológico. Ao romper com o contrato de Franklin no momento em que era alvo do ataque de Mainardi, a intenção clara de Kamel foi destruir o jornalista, sem dó nem piedade.
As últimas análises de Franklin, antes de ir para o governo, foram sobre o fim do efeito pedra no lago, pelo qual a imprensa criava um escândalo que, por círculos concêntricos, influenciava amplamente a opinião pública. Leia mais »
Introdutor do jornalismo de serviços e do jornalismo eletrônico no país. Vencedor do Prêmio de Melhor Jornalista de Economia da Imprensa Escrita do site Comunique-se em 2003, 2005 e 2008, em eleição direta da categoria. Prêmio iBest de Melhor Blog de Política, em eleição popular e da Academia iBest.