04/11/2009 - 07:53
Coluna Econômica – 04/11/2009
Nos últimos quinze anos, ocorreu uma guerra surda na política econômica, que está por trás de todas as grandes discussões de ordem econômica: quem lidera a economia.
Em uma ponta, existem os empresários industriais, do setor de serviços, da agricultura. São pessoas que montaram ou herdaram empresas, em geral conhecem seu ofício, enfrentam o custo Brasil, têm dificuldades de acesso a crédito, penam com tributação excessiva – ou transitam na zona cinzenta do caixa dois.
Na outra ponta, os financistas, o detentor do grande capital que, em geral, foi exportado para algum paraíso fiscal e retorna para o país na forma de fundos off-shore ou mesmo em nome dos titulares. São pessoas que acumularam capital financeiro na grande esbórnia dos anos 80, com o modelo implantado pelo Real, com a venda de empresas. etc
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Autor: luisnassif - Categoria(s): Coluna Econômica, Economia
Tags: crédito, Economia, setores, tributos
27/08/2009 - 07:35
Do Último Segundo
Divulgado ontem, o relatório de crédito do Banco Central mostrou leve aumento da inadimplência, de 0,2 ponto percentual, elevando o total a 5,9% em julho. Em 12 meses, o aumento foi de 1,7 ponto. Considera-se inadimplência mais de 90 dias de atraso no compromisso.
Entre as pessoas físicas houve estabilidade, com a inadimplência permanecendo em 8,6%. Já as operações com pessoas jurídicas alcançaram 3,8% do total da carteira, alta de 0,4 ponto percentual em relação ao mês anterior e maior percentual desde o início da série histórica, em 2000.
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No caso das PJs, a inadimplência se concentrou em duas modalidades: desconto de duplicatas – que passou de 7,7% em junho para 8,5% em julho – e conta-garantia, que avançou de 4,5% para 4,7%.
Já para PFs, o único segmento com aumento de inadimplência foi o cheque especial, que subiu de 10,5% em junho para 11,3% em julho. No caso do crédito pessoal, os dados ficaram estáveis em 5,4%, mas houve queda na compra de veículos (de 5,4% para 5,3%) e na compra de outros bens (de 15,6% para 15,2%).
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Autor: luisnassif - Categoria(s): Coluna Econômica
Tags: Bacen, crédito
14/08/2009 - 08:31
As maiores empresas varejistas estão concentrando cada vez mais o crédito do setor, apontou a Serasa Experian. Conforme estudo baseado nas informações de 9.800 empresas, o índice de Theil-L padronizado atingiu 0,931 em 2008. Em uma escala de 0 a 1, o 0 representa igualdade total (todas as lojas tem a mesma participação no mercado) e 1 concentração total (apenas um estabelecimento detém todo o mercado). O setor com maior concentração foi o de Móveis e Eletroeletrônicos.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia
Tags: crédito, varejo
13/08/2009 - 09:47
Da Folha
Expansão na crise leva o Banco do Brasil a passar o Itaú no ranking dos bancos
Fazenda se queixa de declarações do presidente do Itaú sobre expansão dos bancos públicos na crise; lucro do BB cresce 43%
GUILHERME BARROS
COLUNISTA DA FOLHA
Nove meses após ter perdido a liderança para o Itaú Unibanco, o Banco do Brasil retomou o posto de maior banco em ativos do Brasil e da América Latina. Segundo o balanço do segundo trimestre do ano, divulgado na madrugada de hoje, os ativos do Banco do Brasil chegaram a R$ 598,8 bilhões, ante R$ 596,4 bilhões do Itaú Unibanco.
O Banco do Brasil salta da 10ª para a 7ª posição no ranking dos maiores bancos da América Latina e dos EUA, segundo a consultoria Economática. O Bank of America se mantém na liderança, seguido por JPMorgan Chase e Citigroup. O Itaú Unibanco cai de 7º para 8º.
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Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia
Tags: BB, Brasil, crédito, Economia
05/08/2009 - 13:10
Por Edmar Roberto Prandini
NASSIF:
NOTA DE ESCLARECIMENTO URGENTE!
O comentarista JCC fez uma observação sobre a PortoSol (www.portosol.com) em sua participação no link http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/08/04/o-debate-entre-renan-e-simon/#comment-711225.
Ele aponta a PortoSol como uma “empresa de crédito consignado” cujo presidente é o filho do Senador Pedro Simon, Tiago.
A informação está equivocada. Foi extraída do site do jornalista Cláudio Humberto.
PortoSol não é uma empresa. É uma ONG, qualificada como OSCIP pelo Ministério da Justiça e habilitada ao Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado desde 2005.
A organização foi fundada em 1996, e seu nome completo é Instituição Comunitária de Crédito Portosol. Na sua fundação, a Prefeitura de Porto Alegre, à época sob comando do PT, atendeu a uma demanda proveniente do Orçamento Participativo, de 1994, que determinava a criação de um “banco do povo” para o financiamento das microempresas da cidade de Porto Alegre. Numa solução inovadora, a Prefeitura promoveu um acerto com o Sebrae, o governo do Estado e outros parceiros para iniciarem um projeto de microcrédito, autônomo operacionalmente.
A POrtosol é uma entidade sem fins lucrativos e todos os recursos gerados com os empréstimos de microcrédito são revertidos para a própria entidade ampliar os serviços prestados aos empreendedores informais. Não há distribuição de lucros.
A gestão da Portosol é profissional e há um Conselho de Administração, em que cada uma das instituições fundadoras possui um representante, a Prefeitura Municipal de Porto Alegre, inclusive.
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Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria
Tags: crédito, microcrédito, Portosol
15/07/2009 - 10:07
A desalavancagem é um processo doloroso e ainda mal começou.
Martin Wolf
15/07/2009
A parte boa
(…) Comecemos, contudo, pelas boas notícias. A crise financeira, como se define estritamente, acabou: os mercados acionários estão em alta; a liquidez volta aos mercados; os bancos conseguem levantar capital; e os spreads extremos vistos em 2008 nos mercados financeiros desapareceram. Quando enfrentado com força, o pânico acaba. O compromisso das autoridades para resgatar o sistema financeiro em frangalhos não teve precedente. E teve os resultados almejados.
O pior da crise econômica também está passando. Como a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) destacou em seu Panorama Econômico mais recente, “pela primeira vez desde junho de 2007, as projeções [...] foram revisadas para cima na região da OCDE como um todo em comparação com a edição anterior”. Da mesma forma, o FMI atesta em seu mais recente Panorama Econômico Mundial que “o crescimento econômico durante 2009/10 agora é projetado em cerca de meio ponto porcentual acima da previsão do FMI em abril, atingindo 2,5% em 2010″.
Tal virada nas previsões é indicador de uma recuperação iminente. Isso se sobressai claramente a cada mês nas previsões gerais para 2010. A melhora das projeções pode ser vista nos Estados Unidos, Japão e Reino Unido, embora, de forma preocupante, não na região do euro. As previsões sobre a China mostram grande resiliência. A confiança na Índia também está em ascensão.
A parte pendente
Precisamos, entretanto, contextualizar essas notícias, ainda que bem-vindas. O pior da crise financeira pode ter ficado para trás, mas o sistema financeiro continua subcapitalizado e sobrecarregado com um fardo, ainda desconhecido, de ativos duvidosos. Também está longe de ser um sistema financeiro verdadeiramente “privado”. Ao contrário, é sustentado por escoras maciças dos contribuintes, implícitas e explícitas. A probabilidade de problemas na estrada mais à frente é próxima a 100%. (…)
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Autor: luisnassif - Categoria(s): Crise, Economia
Tags: consumo EUA, crédito, crescimento, crise, deflação, desalavancagem
26/05/2009 - 10:09
China enfrenta crédito represado

O Banco Popular da China tornou-se mais cauteloso, embora as orientações do governo (de injetar liquidez) permaneçam inalteradas, disse o presidente do Banco da China, Xiao Gang, O banco é o maior emprestador de divisas. “As taxas de juros estão em um nível comparativamente elevado, considerando os impactos negativos no índice de preços ao consumidor, mas não há sinal de que o banco central vá baixá-los”, disse Xiao, no relatório divulgado no domingo. Xiao acrescentou que os mais de cinco trilhões de iuanes (US$ 730 bilhões) em novos empréstimos que os bancos comerciais disponibilizaram desde o início do ano, ainda não foram totalmente canalizados para a economia real. Xiao não disse onde acha que os empréstimos foram concedidos de forma desobediente, mas analistas acreditam que uma parte pode ter sido afunilada para o mercado de ações para lucros rápidos, de acordo com o relatório.
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Autor: andreinohara - Categoria(s): Economia
Tags: Banco Popular da China, China, crédito
19/04/2009 - 10:08
Com a economia começando a se estabilizar, voltará a lógica absurda do Banco Central: acenar com inflação futura novamente, manter juros elevados, atrair capitais externos de novo, devido à queda acentuada dos juros internacionais e à perspectiva do duplo ganho no Brasil: com juros elevados e com apreciação cambial.
Voltará o mesmo jogo de sempre e provavelmente Lula nada fará para não prejudicar as eleições de 2010. É a maldição brasileira, que poderia ser rompida agora, com a ajuda da crise internacional, mas que voltará a se repetir.
E, repetindo-se, comprovará a máxima: partidos e governos não tem projeto de país, mas apenas projeto de poder. Leia mais »
Autor: luisnassif - Categoria(s): Crise
Tags: apreciação cambial, Banco Central, crédito
09/04/2009 - 13:32
Por vera lucia venturini
O Banco do Brasil agiu como qualquer banco particular na crise anunciada no ano passado. De imediato reduziu crédito para os pequenos empresários. Sou testemunha disso. Não teve postura de um banco que poderia trabalhar para minorar a crise.
Na época eu escrevi um post para este blog reclamando da redução de crédito para troca de duplicatas e cheques. O governo enxergou este problema muito tarde e tem empresas bem complicadas por esta postura. Para garantir meu capital de giro tive que vender um imóvel.
Enquanto isso o BB gastou uma fortuna para adquirir o banco da família Ermirio de Morais. Aliás, nesta crise o governo Lula e a imprensa só focou a macro economia. Pra variar os pequenos ficaram à deriva.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Crise
Tags: Banco do Brasil, crédito, pequenos
08/04/2009 - 07:00
Coluna Econômica – 08/04/2008
Nos últimos anos, quinze cidades americanas passaram a ter moeda própria, parte delas após a crise para vender os problemas de liquidez. Recentemente, a China propôs ao Brasil e à Argentina o uso das moedas nacionais no comércio bilateral.
Na crise da Argentina, sob Domingo Cavallo, muitas províncias criaram suas próprias moedas – no fundo, títulos de dívida -, para rolar compromissos mensais. Esse expediente foi aplicado por Ademar de Barros em São Paulo, quando interventor, criando um passivo monumental.
Nos próximos meses, é possível que a escassez de crédito – especialmente em dólares – leve ao surgimento de soluções criativas para contornar o problema. Principalmente porque Europa e Estados Unidos vivem uma situação de quase guerra – em relação aos estragos produzidos nos seus respectivos sistemas bancários. Leia mais »
Autor: luisnassif - Categoria(s): Coluna Econômica, Economia
Tags: crédito, novas moedas, Plano Marshall
26/02/2009 - 11:55
Do Departamento Econômico da Dinheiro Vivo
Destaques da Nota de Crédito
1) Estoque total de crédito expansão de 0,2% em janeiro ante dezembro/08.
2) Recursos livres (PF e PJ) tiveram contração de -0,2% no mês, primeira contração desde jan/2004.
3) Crédito Livre PJ total contração de -1,4%, somente recursos domésticos contração de -1% e os referenciais para taxa de juros -1,5%.
4) Crédito PF para financiamento de veículos subiu 0,1% e o leasing (arrendamento mercantil 1,1%.
5) O crédito para a indústria caiu -0,8% e para o comércio -1,7%. Enquanto que para a Habitação o crédito subiu 1,7%, Rural 0,2% e Pessoas Físicas 1,3%. O crédito ao setor privado teve alta de 0,2% enquanto que para o setor público teve alta de 1,6%.
6) Por faixa de valor destacam as operações de crédito para pessoa física entre R$ 5 mil e R$ 50 mil com alta de 2,4% entre dezembro/novembro e as operações entre R$ 100 mil e R$ 10 milhões com crescimento de 1,5% para pessoas jurídicas.
7) As Concessões de novos créditos para PJ teve redução de -24,8% em janeiro frente a dezembro e para PF a queda foi de -1,6%.
O prazo médio dos empréstimos teve redução de 5 dias para PJ e de 6 dias para PF.
9) A taxa de juros dos empréstimos para pessoa física caiu 3 pontos percentuais em janeiro e para pessoa jurídica subiu 0,3 ponto percentual.
10) Para PJ as modalidades que mais retraíram foram Desconto de Duplicatas com queda de -11,4% e Vendor com queda de -9%, em janeiro. Em contrapartida aumentou a procura por Hot Money que subiu 21,2% no mês. O ACC teve queda de -1,1%.
11) Para PF destacam o crescimento do Cheque Especial de 6,6%, Cartão de crédito com alta de 3,8% e Crédito pessoal teve alta de 1,8%. O Financiamento imobiliário teve queda de -1,7% e Aquisição de bens total queda de -0,4%.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Crise, Economia
Tags: BC, crédito, relatório
27/01/2009 - 09:35
Hoje, no Valor Econômico, a coluna do Luiz Sérgio Guimarães entrevista o economista André Modenesi explicando as relações entre Selic e spread. Como o pensamento não é linear, é possível que os cabeções do mercado tenham alguma dificuldade em entender as relações de causalidade apontadas:
(…) O economista André Modenesi, professor do Ibmec, lembra que o debate sobre as altas taxas de juros se dá em duas frentes. O primeiro é o elevado nível da Selic. O segundo é o caro spread bancário. Isso, de forma alguma, significa que variações na Selic não afetem o spread. A literatura tradicional enfatiza os determinantes microeconômicos do spread: inadimplência, tributação, custos operacionais. No entanto, é equivocado postular que a Selic não afeta o spread bancário. Mas há uma relação entre os determinantes macro e micro do spread. “Não é por acaso que no país onde se pratica uma das maiores taxas básicas de juros do planeta também se verificam spreads bancários exorbitantes”, diz Modenesi. A razão é muito simples: as LFT (títulos indexados à Selic) constituem um ativo especial ao possuir alta liquidez, elevada rentabilidade e risco desprezível. Com isso, diz o economista, os bancos brasileiros não precisam emprestar – apesar de a relação crédito/PIB ter crescido muito ela ainda é pequena – para gerar resultado; basta comprar LFT. “É por isso que os bancos brasileiros são altamente rentáveis apesar de não realizarem a contento sua função primordial: produzir empréstimos. Os bancos não precisam competir entre si na concessão de empréstimos para dar lucro”, diz. Ou seja, um problema macro – o elevado nível da Selic – tem repercussões micro, a baixa concorrência. E a baixa competição na concessão de empréstimos possibilita que os bancos sejam altamente seletivos na oferta de crédito, fazendo racionamento pelo preço. Conseqüentemente, a margem de intermediação é muito elevada. E, num momento marcado pelo aumento da incerteza e da aversão ao risco, é natural que os bancos aumentem ainda mais o racionamento do crédito, por meio de uma elevação de spread.Praticamente forçado por Lula a reduzir a taxa Selic, o presidente do Banco Central Henrique Meirelles defendeu-se dizendo que o problema do custo do dinheiro era o spread bancário, não a Selic – como se o BC não fosse responsável pelo sistema bancário como um todo.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Crise, Economia
Tags: André Modenesi, bancos, crédito, Selic, spread
26/01/2009 - 10:56
Por João
Nassif,
Sou um pequeno empresario do ramo da metalurgia de São Paulo e senti dificuldades durante o ano passado inteiro….o aço teve aumentos que nunca vi antes chegando a 70% durante o ano…junho veio o pior aumento….quando consegui repassar alguma coisa já estava dentro da crise….me pegou em cheio…..justo na hora que mais precisamos faturar pois Novembro e Dezembro são meses que temos que ,alem de pagar 13º, fazer alguma reserva para passar Janeiro e Fevereiro que são meses de poucas vendas (no meu ramo)…O que mais me impressionou era que ,quando assistia tv parecia que estava em outro país…Nos olhos dos tecnocratas não estava acontecendo absolutamene nada….NINGUEM SE MEXEU…..FICOU TODO MUNDO PARADO,ESPERANDO…..O mundo se movimentou e parecia que o governo brasileiro estava em estado de choque…..parece que o planeta só tem 2 segmentos….bancos e montadoras….Parece que só se percebeu a crise quando um dos dois gritou….Talvez de agora em diante se pense melhor sobre as reformas e prestem mais atenção no sistema financeiro ficando atentos aos aventureiros e gananciosos que simplemente balançaram o planeta….Parabéns pela sua lucidez….forte abraço…
Comentário
Concordo integralmente: para o governo, a economia se resume ao sistema financeiro e às grandes corporações.
Por Maria Lucia
Nassif, tb. sou pequena empresaria do ramo de metalurgia junto com meu marido em Salvador. Estamos no ramo ha quase 20 anos. Temos 5 funcionarios que estao desde o inicio da empresa. O ano de 2008 foi muito dificil… esse ano, nao sabemos o que vai acontecer. Todos somos pais de familia, os clientes nao aparecem… so se fala na crise das montadoras e dos bancos. Tenho orado fortemente ao sr. Jesus pedindo a sua misericordia! Um abraco.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Crise, Economia
Tags: crédito, crise, PME
26/01/2009 - 07:00
Por alavancagem (comentarista)
Eu sinto falta de um debate mais detalhado sobre o problema do modelo atual de intermediação financeira e da atividade econômica com crescimento sustentado pelo crédito/endividamento.
Li hoje (domingo) no New York Times – que pediu uma ajudazinha pro Slim – um artigo sobre as intenções de Obama na seara da regulação do sistema financeiro.
Tudo meio óbvio e inócuo, sem qualquer proposta que realmente ataque o problema da emissão de moeda escritural pelos bancos…Nem tocam na alavancagem no sistema atual, o que dizer numa mudança no papel dos bancos, de criadores de moeda para intermediários, gestores de recursos de terceiros.
É só aquele papinho cansativo das auditorias e agências de risco – que já deviam ter sido exemplarmente punidas há muito tempo – e coisas rídiculas em sua relevância, como a questão dos bônus para os executivos das IFs
O debate se empobreceu rapidamente. No começo, estávamos a discutir a possibilidade de uma moeda internacional, de substituição do dólar. Estávamos a vislumbrar uma profunda mudança no modelo de sistema financeiro.
Entretanto, com a situação se deteriorando e a depressão, não mais a mera recessão, se tornando cada vez mais provável, rapidamente a coisa voltou ao “business as usual”… É essa falta de aptidão para de fato lidar com o que releva que me assusta mais.
Capacidade propositiva nula… Muito perigoso isso… Leia mais »
Autor: luisnassif - Categoria(s): Crise, Economia, Novo Modelo
Tags: crédito, crise, sistema financeiro
24/01/2009 - 13:38
Esse aporte do Tesouro ao BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) está sendo alvo das mesmices analíticas de sempre: comparar o custo de captação do Tesouro com o que será cobrado do banco jogando na rubrica de prejuízo.
Segundo as contas dos óbvios Raul Velloso e Armando Castelar, repetidas obviamente pela Mirian, esse aporte de R$ 100 bi custará R$ 4 bi ao Tesouro.
Primeiro, vamos a uma análise do custo das reservas cambiais:
1. O BC compra os dólares. Depois emite títulos para enxugar o excesso de liquidez. Paga em taxas brasileiras e aplica em taxas americanas. O custo é de, no mínimo, o dobro do custo desse aporte no BNDES.
2. O aporte no BNDES será carreado para investimentos. Cada investimento movimenta a cadeia produtiva. Exerce um efeito multiplicador que precisa ser avaliado em vários níveis: quanto de imposto o governo arrecadará a mais; quanto de riqueza será produzida a mais; quanto de emprego será criado ou preservado. Os analistas, em questão, divulgam a conta DEVE e escondem a conta HAVER.
3. O analista absoluto Armando Castellar disse que esses recursos provocarão apenas um efeito-substituição. As empresas trocarão o crédito privado por esse novo crédito, mais barato. Com isso, não haverá aumento na oferta de crédito na economia. Esqueceu de analisar apenas o que farão os bancos privados com o crédito que será disponibilizado por essas empresas que recorrerem ao BNDES.
4. A rigor, a única crítica consistente – aliás, mais um alerta do que uma crítica – foi do ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyolla, que acenou para a possibilidade de concessão indiscriminada de crédito, em nome da crise.
Em suma, essas contas não colam mais. Eram eficientes na fase do pensamento único, em que esses analistas selecionavam um conjunto de pontos a favor de suas teses e ignoravam solenemente os demais.
Em plena era da informação, ou aprimoram os argumentos ou poderão optar: são incapazes de uma análise mais complexa; ou são intelectualmente adaptáveis, digamos assim.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria
Tags: BNDES, crédito, custo fiscal
24/01/2009 - 10:47
Por Roberto São Paulo/SP
Avançando na proposta de estatização temporária do crédito no Brasil.
Aproveitando a mesma engenharia financeira de capitalização do BNDES, o Governo do Presidente Lula poderia fazer o mesmo para financiar o capital de giro dos fornecedos do governo federal, das empresas públicas federais e das estatais, com juros bem menores que o praticado no mercado atualmente.
Nos LEILÕES DE TÍTULOS PÚBLICOS o Tesouro Nacional consegue captar LTN com juros pré-fixados que hoje estão em torno 11,3% ao ano com prazo de 8 a 24 meses para resgaste.
O Governo poderia criar uma linha de crédito para capital giro cobrando O custo de captação mais 10% ao ano e assim mesmo seria 50% mais barato do que hoje é cobrado no sistema financeiro.
O dinheiro seria liberado mediante o aceite dos empenhos e duplicatas, portanto o risco de insolvência seria zero.
E o governo teria um bom lucro para diminuir a dívida pública, com a diminuição do custo financeiro os fonerneedores podriam alongar os prazos de pagamentos de 30 dias, para 30/60/90 dias.
Isto seria uma modalidade crédito dirigido, que poderia usar os bancos publicos e privados.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Crise, Economia
Tags: crédito
23/01/2009 - 09:48
Proposta audaciosa de Luiz Gonzaga Belluzzo, mas em linha com a gravidade da crise de crédito: estatizar temporariamente o crédito. Leia mais »
Autor: luisnassif - Categoria(s): Crise, Economia
Tags: Belluzzo, crédito, estatização
21/01/2009 - 09:09
O agravamento da crise financeira internacional é um problemaço. Uma das pré-condições para a recuperação da economia global era a recomposição do crédito bancário. E, para tanto, a estabilização do sistema financeiro internacional – com apoio dos governos centrais ou estatizado, pouca importa, desde que o crédito voltasse a fluir.
A terceira etapa da crise financeira adia essa recomposição, prejudicando as economias centrais e o comércio internacional.
Hoje sai a informação de que o Banco Central já reduziu em mais de US$ 10 bi as reservas cambiais, em leilões para financiamento de exportações.
Há duas circunstâncias em que são necessários dólares no comércio exterior: para financiar importações, que serão utilizadas nas exportações; ou para financiar o comprador externo.
O financiamento da produção exportada pode ser feito em reais, com o exportador se precavendo com hedge cambial.
Vamos tentar entender melhor, ao longo do dia, onde estão sendo aplicadas as linhas de comércio exterior com os dólares do BC.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Crise, Economia
Tags: crédito
12/01/2009 - 09:49
O IEDI (Instituto de Estudos de Desenvolvimento Industrial) traz um bom diagnóstico sobre a crise da indústria (clique aqui).
Critica a atuação do Banco Central especialmente em dois pontos: a política de injetar liquidez na economia, sem criar mecanismos para que o dinheiro chegue às empresas; e sua incapacidade de trabalhar a alta volatilidade do câmbio.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Crise, Economia
Tags: Banco Central, crédito
09/01/2009 - 08:47
Vamos entender melhor esse embate entre o presidente do Bradesco, Márcio Cypriani, e o do Banco Central, Henrique Meirelles, em torno das taxas Selic.
O conjunto de operações de um banco comercial é muito maior do que aplicar em títulos do governo ou montar operações de IPO. Esse papel cabe à sua Tesouraria ou banco de investimento. O crescimento de um banco comercial depende, em grande parte, do crescimento e da modernização da economia real.
Embora os bancos comerciais tenham sido beneficiários do modelo implantado a partir de 1992 – e consolidado a partir de 1994 – o setor hegemônico do jogo foram os gestores de recursos, atuando de forma independente ou dentro da estrutura maior dos bancos comerciais.
Esse sistema que consolidou o poder ideológico do Banco Central é integrado pelos seguintes personagens:
1. Os gestores de recursos.
2. Economistas, analistas e operadores de mesa, em geral tendo a maior parte de sua remuneração através de bônus de desempenho.
3. Membros dessa comunidade servindo provisoriamente no Banco Central.
A rede de relacionamentos do BC é com esse escalão. Fosse um BC sério, iria buscar o pulso da economia com o Márcio Cypriani, o Abilio Diniz, o Jorge Gerdau, a CUT e a Força Sindical, as Federações estaduais, os grandes atacadistas.
Mas, em vez de falar com o Cypriani, eles falam com o Otávio de Barros; em vez do Fábio Barbosa, com o “professor de Deus”. Os mais seletivos falam com Luiz Carlos Mendonça (que representa o interesse dos gestores).
É um clube fechado, que se autoprotege. A Pesquisa Focus – que visa ascultar as expectativas do mercado – passa ao largo da economia real. Todas as decisões do BC não visam beneficiar os bancos em si, mas a atividade dos bancos diretamente relacionada com arbitragens de taxas, captação de investidores externos.
Os bancos comerciais aceitavam esse jogo porque ganhavam pesadamente com a Tesouraria. Quando retomaram a função de emprestar, acabou o pacto ideológico.
Com a economia ameaçada pela recessão, o risco de inadimplência aumenta substancialmente, criando um círculo vicioso. Selic alta aumenta as taxas de captação, reduz o spread dos bancos e os torna muito mais seletivos na concessão de crédito, espremendo gradativamente os clientes para fora do mercado de crédito. Quanto maior a recessão, maior o aumento da inadimplência.
Para o BC, pouco importa. Nos últimos anos, o BC permitiu a expansão das atividades offshore, fechou os olhos a atividades criminosas – exemplos típicos, os dez anos de lambança de Edemar Cid Ferreira, as aventuras em Foz do Iguaçu, o caso Banestado – e toda análise de juros levava em conta a relação custo x benefício para os gestores de recursos.
O jogo acabou mundialmente. A quebra do sistema americano de bancos de investimento, os bancos suiços sob investigação internacional, a estatização do sistema bancário europeu decretaram o fim do ciclo.
No Brasil, como tudo chega atrasado, ainda se terá que aturar por algum tempo essa poder do BC. Leia mais »
Autor: luisnassif - Categoria(s): Crise, Economia
Tags: Banco Central, crédito, Febraban, Selic
07/01/2009 - 09:14
Por Roberto São Paulo/SP
Da Agência Brasil
Tesouro Nacional volta ao mercado externo e capta US$ 1 bilhão
Wellton Máximo Repórter da Agência Brasil
(…) Desde o final de 2006, o governo brasileiro havia feito outras duas emissões de títulos de dez anos. Em abril de 2007, o Tesouro lançou papéis com juros de 5,88% ao ano. Em maio do ano passado, semanas após o Brasil conquistar o grau de investimento (garantia de que o país é seguro para os investidores estrangeiros), a taxa havia sido de 5,29%, a menor da história. Leia mais »
Autor: klinger.portella - Categoria(s): Crise, Economia, Sem categoria
Tags: captação, crédito
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