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	<title>Luis Nassif &#187; Ciro Gomes</title>
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	<description>Sobre economia, política e notícias do Brasil e do Mundo</description>
	<lastBuildDate>Thu, 26 Nov 2009 02:03:11 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Consolida-se aliança Aécio-Ciro</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Nov 2009 15:02:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>luisnassif</dc:creator>
				<category><![CDATA[Eleições]]></category>
		<category><![CDATA[Aécio Neves]]></category>
		<category><![CDATA[aliança]]></category>
		<category><![CDATA[Ciro Gomes]]></category>

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		<description><![CDATA[Da Agência Estado
Aécio se reúne com Ciro e mostra que acordo é possível
AE - Agencia Estado

SÃO PAULO - Num gesto político que busca fortalecer suas pré-candidaturas à Presidência da República e reforçar a hipótese de que poderão estar juntos em 2010, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), e o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2>Da Agência Estado</h2>
<h3><a href="http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,aecio-se-reune-com-ciro-e-mostra-que-acordo-e-possivel,467693,0.htm" target="_blank">Aécio se reúne com Ciro e mostra que acordo é possível</a></h3>
<p>AE &#8211; Agencia Estado</p>
<p>SÃO PAULO &#8211; Num gesto político que busca fortalecer suas pré-candidaturas à Presidência da República e reforçar a hipótese de que poderão estar juntos em 2010, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), e o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) se reúnem hoje em Belo Horizonte. Para aliados do mineiro, que disputa a indicação para presidenciável tucano com o governador paulista José Serra, a agenda pública com Ciro sugere que as articulações para um eventual acordo com a legenda socialista não se esgotaram.</p>
<p>Antes de participar de um almoço oferecido por Aécio no Palácio das Mangabeiras, o deputado do PSB deverá prestigiar o lançamento do portal da organização não-governamental (ONG) Brasil Tem Jeito, idealizada pelo secretário-geral do PSDB, deputado Rodrigo de Castro (MG) &#8211; aliado do governador de Minas. Aécio também deve participar do evento.</p>
<p>&#8220;Eles estão sempre avaliando a possibilidade de estarem juntos&#8221;, disse Castro. &#8220;Acho que ainda há espaço para o diálogo com o PSB. O quadro sucessório ainda não está totalmente fechado.&#8221; As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.</p>
<h2>Comentário</h2>
<p>Vai se completando o ciclo que cantei em junho. Agora o jogo começa a ganhar cores mais nítidas. Aécio tem marca e representa a visão neoliberal com nitidez.</p>
<p>A incapacidade de Serra de analisar o futuro levou a isso. Historicamente, foi alinhado com o pensamento desenvolvimentista. Mas sempre em off, apenas nos meios acadêmicos ou em conversas informais. Conseguiu o feito de não representar o mercadismo e de não conseguir desvencilhar sua imagem do sumo pontífice do mercadismo, FHC.</p>
<p>Já Aécio é muito mais identificado com o mercadismo. Mas livrou sua imagem da pesada herança de FHC.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Ciro Gomes e o fator câmbio do Real</title>
		<link>http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/10/07/ciro-gomes-e-o-fator-cambio-do-real/</link>
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		<pubDate>Wed, 07 Oct 2009 11:22:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>luisnassif</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[câmbio]]></category>
		<category><![CDATA[Ciro Gomes]]></category>
		<category><![CDATA[José Serra]]></category>
		<category><![CDATA[Real]]></category>

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		<description><![CDATA[
Da Folha
ELIO GASPARI
Ciro Gomes precisa reler Ciro Gomes
TUDO INDICA que, se o deputado Ciro Gomes for candidato à Presidência da República, formará com Dilma Rousseff a velha dupla dos filmes policiais. O mau meganha azucrinará o tucano José Serra, enquanto a boa candidata, Dilminha, percorrerá o país com Nosso Guia, falando do Brasil de um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote>
<h2>Da Folha</h2>
<p>ELIO GASPARI</p>
<h3><a href="http://notebook.zoho.com/nb/public/luisnassif/page/224186000000030233?nocover=true" target="_blank">Ciro Gomes precisa reler Ciro Gomes</a></h3>
<p>TUDO INDICA que, se o deputado Ciro Gomes for candidato à Presidência da República, formará com Dilma Rousseff a velha dupla dos filmes policiais. O mau meganha azucrinará o tucano José Serra, enquanto a boa candidata, Dilminha, percorrerá o país com Nosso Guia, falando do Brasil de um novo tempo. É um ardil velho, mas legítimo, desde que Ciro Gomes respeite a inteligência alheia.</p>
<p>Assim como Lula, o tucano precisa de um adversário. Sete anos de pastor serviu Serra a Nosso Guia fazendo tudo, menos oposição, pois não serve a ele, mas à própria candidatura. Se em 2010 alguém exigir contas ao tucanato, todo mundo ganha. Ciro Gomes pretende esse papel, mas deve respeitar os fatos.</p>
<p>(&#8230;)  Mas há outra pergunta: o que fez Ciro Gomes quando o câmbio estava apreciado?</p>
<p>Passados 15 anos, a informação parece nova: nada. É pior. Entre setembro de 1994 e janeiro de 1995 ele foi ministro da Fazenda.</p>
<p>Assumiu com o cambio apreciado e o dólar a R$ 0,80. Deixou o ministério com a moeda americana a R$ 0,84. Fazendo-se justiça ao deputado, no Ministério da Fazenda ele foi mais um animador do que um titular. Quem mandava no país era o grupo de sábios da ekipekonômica.</p>
<p>Eles deixaram o governo e foram felizes para sempre aninhando-se na banca.</p>
<p><span id="more-35106"></span>Ciro Gomes poderia ter ficado quieto, mas cavalgou a ficção do dólar barato: diante de uma ameaça de aumento dos preços dos veículos por conta de um acordo entre trabalhadores e montadoras, baixou a alíquota dos carros importados de 35% para 25%. Um Renault Twingo ficou mais barato que um Corsa GL, e o Omega CD, mais caro que um BMW 318i. Mais: diante de um surto de alta nos preços, amparado no câmbio maluco, reduziu as restrições às importações pelo Correio. As mercadorias com valor inferior a US$ 100 ficaram livres de imposto de importação.</p>
<p>Acima de US$ 500 a alíquota baixou para 10%. Ficava mais barato comprar boas roupas no Brooks Brothers do que nas lojas Marisa.</p>
<p>Em novembro de 1994, quando um grupo de empresários foi ao Ministério da Fazenda para se queixar da apreciação do real, Ciro Gomes disse o seguinte: &#8220;Esqueçam o câmbio. Não falem mais disso&#8221;.</p>
<p><a href="http://notebook.zoho.com/nb/public/luisnassif/page/224186000000030233?nocover=true" target="_blank">Continua</a></p></blockquote>
<h2>Comentário</h2>
<p>No meu livro “Os Cabeças de Planilha” não dou muito destaque ao papel de Ciro Gomes em defesa do câmbio apreciado (no período em que foi Ministro da Fazenda) por considerar que ele foi literalmente levado no bico pelos economistas do Real. Caiu na conversa de que ser contra o câmbio era ser contra o país, não tinha conhecimento suficiente de economia e acabou se tornando o maior defensor do câmbio apreciado no período.</p>
<p>Aliás, no segundo semestre de 1994 entrou em uma espiral maluca de defesa do câmbio. O próprio fato de José Serra ser um crítico (interno) das maluquices do câmbio foi utilizado por Ciro e por Gustavo Franco para pressionar FHC a não nomeá-lo Ministro da Fazenda.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Avaliações sobre a pesquisa</title>
		<link>http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/08/16/avaliacoes-sobre-a-pesquisa/</link>
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		<pubDate>Sun, 16 Aug 2009 14:46:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>luisnassif</dc:creator>
				<category><![CDATA[Eleições]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Ciro Gomes]]></category>
		<category><![CDATA[Dilma Rousseff]]></category>
		<category><![CDATA[eleições]]></category>
		<category><![CDATA[pesquisas]]></category>

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		<description><![CDATA[Atualizado
Nas primeiras pesquisas, Ciro vinha à frente de Dilma. A Ministra cresceu e, na penúltima pesquisa, alcançou Ciro. Na última, ambos mantiveram a mesma preocupação.

O Estadão, mostrando a visível deterioração de sua qualidade editorial nos últimos meses, estampou a seguinte manchete:


Por weden
Esquerdas somam 43% dos votos

Num dos cenários da pesquisa divulgada ontem, Serra cai para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2>Atualizado</h2>
<p>Nas primeiras pesquisas, Ciro vinha à frente de Dilma. A Ministra cresceu e, na penúltima pesquisa, alcançou Ciro. Na última, ambos mantiveram a mesma preocupação.</p>
<p>O Estadão, mostrando a visível deterioração de sua qualidade editorial nos últimos meses, estampou a seguinte manchete:</p>
<p><a href="http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/files/2009/08/pesquisa.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-32314" src="http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/files/2009/08/pesquisa.jpg" alt="" width="500" height="62" /></a></p>
<h2>Por weden</h2>
<p>Esquerdas somam 43% dos votos</p>
<p>Num dos cenários da pesquisa divulgada ontem, Serra cai para 37%, Dilma fica em 16%, Ciro se mantém nos 15% e Heloísa chega de novo a 12%. No cenário com Marina, as esquerdas chegam a 46% dos votos.</p>
<p>O que fica claro na pesquisa é a tendência do eleitor manter a margem de 45%, mais ou menos, de preferência pelos candidatos de esquerda. A questão agora é saber quem carrearia mais votos num eventual segundo turno.</p>
<p>Vou dar uma opinião muito pessoal: Ciro Gomes. Por quê? Porque num outro cenário de pesquisa, sem Ciro, vê-se que boa parte dos votos dele vai para a Serra, mais do que aqueles que vão para Dilma.</p>
<p>È que Ciro não agrada somente às esquerdas. Uma direita progressista está com ele. Além disso é quase impossível que eleitores de Dilma (claramente ainda o eleitor do PT e de Lula) e Heloísa Helena deixariam de <span id="more-32312"></span>despejar seus votos em Ciro. isso por pura rejeição a Serra.</p>
<p>Mas o contrário, em favor de Dilma, não é verdadeiro. O eleitor de Ciro, como mostra a pesquisa, pode realmente ir a Serra, principalmente o eleitor antipático ao PT ou a Lula, ou ainda aquele eleitor que se afina com as direitas.</p>
<p>Dilma e Heloísa têm juntas uma margem considerável de votos: 28%. Se 80% desses votos forem para Ciro, a eleição está ganha. Como são eleitores antipáticos a Serra (de Dilma, porque são pró-Lula ou PT, de Heloísa, porque é um voto &#8220;ideológico&#8221;), isso não é difícil de acontecer.</p>
<p>Outra questão é em relação a Lula: o presidente não deixaria de subir ao palanque por Ciro. A identificação com ele no Nordeste seria natural, e claramente no Sudeste ele encontra trânsito.</p>
<p>Mas a principal questão que pesa a favor de Ciro é uma possível tendência do eleitor ter se saturado das opções PT-PSDB. O teto de Serra parece claro. O PSDB, com toda a mídia, com toda a escandalização, não consegue subir mais do que já tinha, por exemplo, nas eleições de 2002 e 2006. O patamar de Serra hoje é o mesmo do frágil Alckimin.</p>
<p>A aporia em que se meteu a oposição explica isso. O discurso ético está esgotado. O discurso econômico não encontra confirmação nos fatos. O apelo à &#8220;competência&#8221; esbarra em problemas como os do Sul.</p>
<p>Mas, ao mesmo tempo, a falta de fatos novos pró-governo (habitações populares, PACs, bolsa família já foram digeridos, e não há tempo de lançar novos &#8220;produtos&#8221; sociais) impedirá grandes reviravoltas.</p>
<p>A chance para Dilma fica por conta de uma campanha intensa contra Ciro no primeiro turno, caso ele volte a ganhar fôlego. Aí entre uma mudança incerta (por Serra) e um cenário econômico em recuperação e avanço, Dilma retomaria sua força.</p>
<p>E onde entraria o fator Marina? Se bem sucedida, só confirmaria o apelo a uma terceira via, ainda pela esquerda.</p>
<p>Os 16 anos de tensão monopólio PSDB-PT pode estar no fim.</p>
<h2>Por Fernando Gama</h2>
<p>Nassif, acho interessante abordar um aspecto que foi negligenciado nos comentários seus. O fato de a pesquisa colocar dois candidatos governistas na mesma pesquisa (Dilma e Ciro) é uma tentativa clara de manipulação. Os dois acabam dividindo os votos, ao passo que Serra, aparece sozinho na oposição. Uma pesquisa justa deveria incluir o Aécio, para dividir votos com Serra, ou excluir Dilma ou Ciro. Assim teríamos uma exata noção das chances de cada candidato. Da forma como foi feita, deixando Serra sozinho na oposição, e colocando várias forças governistas para disputar voto, é manipulação. Acredito em Serra 37% e Dilma (16+15=31%). Acho que essa que é a verdadeira informação que se pode tirar da pesquisa.</p>
<h2>Por Leonardo M.</h2>
<p>Me desculpa nassif, mas o ponto do Fernando Gama não tem sentido nenhum. A sugestão dele seria um pesquisa de popularidade do gorverno não uma avaliação de cenários eleitorais. Serra e Aécio não vão concorrer juntos, ou é um ou é outro, já quanto a Dilma e Ciro não é só possível e como provável que eles disputem a eleição do ano que vem.</p>
<h2>Comentário</h2>
<p>Tem toda razão. E aí se entra no ponto central da pesquisa. Nesse início de campanha, qualquer pesquisa de primeiro turno colocará José Serra na frente &#8211; pelo recall da campanha presidencial e pelo apoio maciço da mídia &#8211; e diluirá o restante da votação entre os demais candidatos.</p>
<p>A informação relevante, portanto, seriam as pesquisas sobre segundo turno, onde haveria, de fato, a polarização que decidiria as eleições. É esse levantamento que permite avaliar melhor graus de rejeição de candidatos, migração de votos dos candidatos derrotados no primeiro turno etc.</p>
<p>É curioso que a Folha divulgue um dado da pesquisa &#8211; resultados de primeiro turno &#8211; a rigor com pouca novidade jornalística, e não divulgue a pesquisa sobre os resultados das eleições no segundo turno, aí sim testando o embate Serra x Dilma, Serra x Ciro, Aécio x Dilma etc. Inclusive permitindo avaliar muito melhor a tendência de cada candidato.</p>
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		<item>
		<title>O que Ciro disse. E o que quis dizer</title>
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		<pubDate>Mon, 10 Aug 2009 12:51:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>luisnassif</dc:creator>
				<category><![CDATA[Eleições]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[2010]]></category>
		<category><![CDATA[Ciro Gomes]]></category>
		<category><![CDATA[Dilma]]></category>
		<category><![CDATA[eleições]]></category>
		<category><![CDATA[Marina]]></category>
		<category><![CDATA[Serra]]></category>

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		<description><![CDATA[A entrevista de Ciro Gomes, no Valor de hoje, mostra, primeiro, os ciúmes do político que julga não estar recebendo a devida atenção dos aliados. O que não impede de ser uma entrevista interessante - pelo que Ciro diz e pelo que suas declarações não dizem, mas sugerem.

1.	O risco de Dilma concorrer aliada ao PMDB [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A entrevista de Ciro Gomes, no Valor de hoje, mostra, primeiro, os ciúmes do político que julga não estar recebendo a devida atenção dos aliados. O que não impede de ser uma entrevista interessante &#8211; pelo que Ciro diz e pelo que suas declarações não dizem, mas sugerem.</p>
<p>1.	O risco de Dilma concorrer aliada ao PMDB e, principalmente, governar com o PMDB. É um risco real, pelas razões que ele aponta.</p>
<p>2.	Tenta comprovar que não há transferência de votos de presidente popular para seu candidato, dando como exemplo JK e Lott. Nada a ver com Lula e Dilma. JK terminou o governo impopular, devido ao aumento expressivo da inflação e às denúncias de corrupção na construção de Brasília. Sua imagem era a do tocador de obras: a de Lott, a de legalista sem jogo de cintura. Foi colocado para perder. Lula está atrelando a imagem de Dilma às obras de seu governo. Se vai ser bem sucedido ou não na transferência, são outros quinhentos. Mas a comparação com JK-Lott não se sustenta.</p>
<p>3.	Sua avaliação sobre o pragmatismo de Lula é correta: &#8220;Primeiro, o presidente conciliou, na minha opinião de forma muito frouxa, o segundo mandato, para esconjurar essa escalada golpista que o ameaçou no primeiro mandato, e não conseguiu institucionalizar nenhum dos grandes avanços que promoveu&#8221;. Pode-se discutir se conseguiria resistir ao golpismo sem pragmatismo. Mas o preço pago foi esse mesmo.</p>
<p>4.	A retórica de elogiar Lula e condenar o continuísmo faz parte do repertório de Aécio Neves também: vamos manter o que Lula fez de bom e melhorar. A retórica de Ciro é: como Dilma é continuísmo, ela só vai manter, não vai melhorar. Uma ginástica retórica forçada, a não ser na constatação de que, mantido o arco de alianças, Dilma será manietada. Aí o argumento ganha mais consistência.</p>
<p>5.	A afirmação de que a candidatura Marina implode a de Dilma faz parte da estratégia muito adotada por economistas de traçar o mapa do caos se&#8230; Se não me ouvirem. É um óbvio exagero retórico.</p>
<p>6.	Diz que a eleição de Dilma estará perdida se Serra se candidatar à reeleição em São Paulo e apoiar Aécio Neves para a presidência. De fato, é a hipótese mais temida em Brasília.</p>
<p>7.	O elogio que faz a Serra, chamando-o de &#8220;grande governador&#8221; tem três objetivos. O primeiro, o de não confrontar a mídia que, em geral, o tem poupado. O segundo, sinalizar a Serra de que, se sair candidato, Ciro não o atrapalhará. Terceiro, o de tirar Lula do estado de soberba atual e abrir espaço para a capacidade de barganha política do PSB.</p>
<h2>Do Valor Econômico</h2>
<h3><a href="http://www.valoronline.com.br/?impresso/especial/195/5754196/0/marina-implode-candidatura-dilma&amp;scrollX=0&amp;scrollY=3450&amp;tamFonte=" target="_blank">&#8220;Marina implode candidatura Dilma&#8221;</a></h3>
<p>(&#8230;) Nossa avaliação unânime no PSB é que, da forma como as coisas estão postas, hoje a tendência é que esse projeto que defendemos está ameaçado de perder as eleições.</p>
<p><span id="more-32186"></span>Valor: De que coisas o senhor fala?</p>
<p>Ciro: A se dar crédito à notícia média dominante de que o presidente Lula resolveu escolher a Dilma candidata, compor a chapa com o PMDB e convocar os correligionários, parceiros e aliados para um plebiscito contra o candidato do PSDB, que hoje seria o governador José Serra, achamos que o risco de perder a eleição hoje é muito maior do que a possibilidade de ganhar.</p>
<p>Valor: Por que?</p>
<p>Ciro: Há um conjunto de fatores. Primeiro, fadiga de material. Segundo, as contradições, que não são pequenas, desta coalizão PT-PMDB. Essa crise do Senado é só uma caricatura disso. Só quem suporta isso é o Lula, porque tem um capital político único. O risco de perder a eleição é real nessas bases, como de ingovernabilidade para qualquer um de nós, sem o capital político e a interação que o presidente Lula tem com a população. Isso guarda coerência com a história do Brasil. Juscelino não fez o Lott [marechal Henrique Lott, ministro da Guerra no governo Juscelino Kubitschek e candidato a presidente derrotado, em 1960, por Jânio Quadros, candidato da oposição]. Não fez o sucessor, tendo sido o presidente mais popular do país. E as pesquisas são eloquentes na indicação do que estou querendo dizer.</p>
<p>Valor: Mostrando dificuldades da candidatura da ministra?</p>
<p>Ciro: Claramente, porque há um limite para essa coisa da transferência de voto. A eficiência da transferência dos 70% de apoio ao Lula a ela está pela metade. Então, ela pode ir a 35%. Tudo bem, é muita coisa. A Dilma tem grandes virtudes, vai agregar outros atributos além do apoio do Lula. Não tem nenhuma crítica a Dilma. Pelo contrário. Ela é uma pessoa maravilhosa, perfeitamente votável para qualquer tarefa. A questão é que o Brasil mudou. É uma questão delicada, porque somos parceiros. Mas queremos que o presidente nos ouça e pense no que vamos dizer para ele. Eu, especialmente, falarei com a maior clareza e franqueza, porque acho que é um momento crítico para o Brasil. Está marcada uma grave crise política em 2010.</p>
<p>Valor: O senhor pode explicar?</p>
<p>Ciro: É uma maioria amorfa a que temos na base aliada do Congresso e na coalizão partidária, cujo cimento é fisiologia, clientelismo e, infelizmente, muita corrupção. Isto é compensado pela exuberância do Lula, da liderança legítima que ele tem. Qualquer outro vai viver essa crise, se começar em cima de uma estrutura esclerosada como essa, sem renovação, sem nova utopia, sem novos projetos, sem uma nova agenda. O PMDB tem cinco ministros, tem o presidente da Câmara e do Senado e está com Lula. Se o Serra ganhar, no dia seguinte essa gente vai aderir a ele contra seis ministérios, presidência do Senado, da Câmara, do Supremo, da CNBB [Conferência Nacional dos Bispos do Brasil]. A governabilidade será garantida, mas mediante a manutenção desta hegemonia moral e intelectual fisiológica e clientelista.</p>
<p>Valor: Como é que a crise do Senado, que atinge o senador José Sarney (PMDB-AP) e divide a base, pode ser interpretada nesse contexto?</p>
<p>Ciro: Revela com grande força caricatural o que estou tentando dizer. Este segundo semestre será tumultuado para nós. Hoje tem essa novela em cima do Senado e do Sarney. Acabando essa novela, tendo acumulado um desgaste, vem a novela da Petrobras, que será muito quente. Depois virão outros. Vai estourar em 2010. O Lula já precificou isso e aguenta. Está provado. Ele defende o Sarney e aguenta. Defende o Renan e aguenta. Confraterniza com Collor e aguenta. Quero saber se eu aguento, se o Serra aguenta, se a Dilma aguenta. Ninguém mais aguenta.</p>
<p>Valor: O PSB liberou seus senadores para tomar a posição que considerar conveniente na crise do Senado. O senhor acha que o senador Sarney deve ser defendido?</p>
<p>Ciro: Não me sinto obrigado a isso. Apenas lembro que Sarney não é o problema. Pode ser parte dele. O problema é a hegemonia moral e intelectual frouxa que preside hoje o Congresso brasileiro. Não é só o Senado não.</p>
<p>Valor: Essa avaliação sobre os problemas da coalizão será feita ao presidente na reunião desta semana, da qual o PT vai participar?</p>
<p>Ciro: Algumas coisas direi a ele só pessoalmente. Essa questão é a pragmática. Mas tem uma outra, não menos grave, ou mais grave ainda, que deriva de uma constatação que eu tenho de que a presença do Lula no governo brasileiro melhorou o Brasil em todos os aspectos, sem exceção de nenhum. Porém, essa é uma constatação que se faz olhando para o retrovisor. Ou seja, comparado com o que era, tudo melhorou. Porém, o que vai estar em discussão em 2010 não é o Lula, não é a avaliação do Lula, é o futuro do país. E aí você tem graves problemas. Primeiro, o presidente conciliou, na minha opinião de forma muito frouxa, o segundo mandato, para esconjurar essa escalada golpista que o ameaçou no primeiro mandato, e não conseguiu institucionalizar nenhum dos grandes avanços que promoveu.</p>
<p>Valor: Quais foram?</p>
<p>Ciro: Só para citar os mais importantes para a vida do povo: a política de salário mínimo, a estratégia da Petrobras, as políticas compensatórias, a política de crédito (saiu de 13% para 43% a proporção de crédito no PIB brasileiro). Mas era o Lula contra o governo. Nada disso é institucional. A segunda questão é o avanço. É natural um governante, tanto mais do principal partido da esquerda brasileira que está no governo há oito anos, perder um pouco a energia de propor reformas e mudanças. É quase uma contradição em termos. Como é que a Dilma vai falar em mudança, se ela é a continuação? E a questão é: o Brasil pode parar? A educação pública está boa? A saúde pública está boa? A segurança do povo está boa? A mobilidade urbana nas cidades está boa? As essencialidades da vida do povo estão boas? A proporção de manufaturados na plataforma de exportação, a velocidade com que o Brasil supera seu hiato tecnológico-científico está correta? São essencialidades. E aí você pode correr o risco &#8211; provavelmente estamos já correndo o risco &#8211; de a turma que quer voltar ao passado, a turma do Fernando Henrique, assumir esse discurso. Mais do que o pós-Lula: a reforma, a ética, a eficiência do serviço público, as mudanças que o país precisa&#8230; Não é uma mudança para negar nada do Lula. É uma mudança que só se viabilizará porque o Lula avançou extraordinariamente.</p>
<p>Valor: O senhor acha que a ministra Dilma não teria condições de conduzir esses avanços?</p>
<p>Ciro: A Dilma pode. Qualquer um de nós pode. A questão é que tipo de coalizão política, que tipo de debate será feito. Nossa preocupação no PSB é que ela terá grandes dificuldades. Veja como seria, de forma caricata, esse debate: a Dilma, que tem todos os dotes para isso, pode dizer que o Brasil precisa manter o que está bom e avançar em tais e tais mudanças. O Serra, de lá, diz: ´vocês tiveram oito anos, por que não fizeram?´ Aí ela responde de cá: ´e porque vocês em oito anos não fizeram?´.</p>
<p>Valor: O senhor acha, então, que o presidente está errando na estratégia da sucessão?</p>
<p>Ciro: Vou refletir sobre a notícia média. Acho que ele está fazendo de forma genial certo. Por que? Ponto número 1: na contramão da tradição de todo governante, que quer postergar sua sucessão, o Lula antecipou ineditamente. Porque ele, mais do que ninguém, conhece o PT. Se ele não põe a mão numa pessoa que pode dispor politicamente como aliada, para ficar ou para sair, para compor ou descompor, para brigar ou para conciliar, uma hora dessa os diversos grupos em que se reparte o PT estariam tentando, com dossiês e caneladas por baixo da mesa, impor ao Lula nomes. Segundo: naquela data, quando ele fez isso, havia uma cogitação de terceiro mandato. Ele nunca quis, nunca pediu, mas imaginou a possibilidade. Ele era obrigado a imaginar isso. Tinha que ter uma candidatura que poderia, amanhã, dizer que houve uma mudança constitucional e que tenho dever com o país de continuar.</p>
<p>Valor: Com o senhor sendo vice da ministra, mudando o perfil da chapa, seria mais fácil assumir o discurso da mudança?</p>
<p>Ciro: Eu acho temerário. Não há razão, do meu ponto de vista, para que se ponha o país no risco de um mano a mano para deslindar essas coisas no primeiro turno.</p>
<p>Valor: Qual seria o efeito da entrada da senadora Marina Silva (PT-AC) na disputa?</p>
<p>Ciro: Esta variável nova mostra as dificuldades (da candidatura governista) com precocidade. Está na mão da Marina. Se ela aceitar a convocação do PV, ela implode a candidatura da Dilma. Implode. Então, tem muitas variáveis por acontecer. O Serra recua ou não recua? A Marina é candidata ou não?</p>
<p>Valor: É por isso que o senhor diz que a decisão do PSB sobre a candidatura presidencial ou o governo do Estado não deve ser tomada agora?</p>
<p>Ciro: Essa é a posição do PSB. Nós nos reunimos ontem à noite (quarta-feira), fizemos uma avaliação e há uma convergência de percepção do momento. Todos nós achamos que o tempo é essencial para que a gente deslinde essa vontade que nós temos de convergir com o Lula nesta ou naquela direção. Há um ano eu disse que a tendência era a gente perder a eleição. E essa tendência está se consolidando. Há um passo que está na mão do PSDB, que é o Serra resolver ser candidato à reeleição em São Paulo e apoiar o Aécio. Nesse caso, a eleição está perdida, na minha opinião. É simples entender. Não é profecia. O Serra apoiar o Aécio significa que recuou voluntariamente. Dá vitória para Aécio em São Paulo. O Aécio sai com 80% em Minas &#8211; que o Serra não tira nem com apoio do Aécio &#8211; e entra mais fácil no Rio de Janeiro, no Norte e no Nordeste. E no Sul os níveis de aprovação do governo Lula estão bem mais baixo.</p>
<p>Valor: Em que condições o senhor disputaria o governo de São Paulo?</p>
<p>Ciro: Eu estou com a vida ganha. Não preciso ser candidato a nada. Posso ser candidato a presidente ou cumprir uma tarefa como candidato a governador do Rio ou São Paulo &#8211; mas desde que seja dentro de uma estratégia que consulte o melhor interesse do povo brasileiro. Senão eu não topo. A prioridade do partido é a Presidência. Eu não sou candidato a governador de São Paulo. Nunca pretendi. Considero extremamente honroso a lembrança do meu nome, um desafio que não sei sequer se estou à altura, e cumpro tarefas.</p>
<p>Valor: Como, por exemplo, disputar em São Paulo para minar a candidatura de Serra a presidente?</p>
<p>Ciro: Quero dizer isso formalmente: se engana redondamente quem imagina que eu, eventualmente aceitando o desafio de ser candidato a governador de São Paulo, vou cumprir uma tarefa mesquinha de atacar o Serra. Ao contrário: acho ele um grande governador. Já estou adiantando aqui: acho ele um grande governador. E acho que deveria continuar governador. Acho que seria um péssimo presidente da República, não porque tenho animosidade pessoal, mas porque foi ministro do Planejamento por quatro anos do governo FHC, data na qual o país quebrou, a divida pública quase dobrou, a carga tributária explodiu. Depois foi ministro da Saúde e não fez rigorosamente nenhuma transformação institucional, como, a rigor, nós também não fizemos.</p>
<p>Valor: O senhor tem até o fim de setembro para trocar o domicílio eleitoral do Ceará para São Paulo, se quiser disputar a eleição lá. Pode disputar governo, Presidência ou qualquer outro mandato. O senhor admite como opção candidatar-se novamente a deputado federal para puxar uma grande bancada?</p>
<p>Ciro: Não serei. E ponto final.</p>
<p>Valor: Qual a chance de sua candidatura a governador do São Paulo ser definida na reunião desta semana?</p>
<p>Ciro: Nenhuma chance. Pode botar isso com exclamação. E a remota chance de eu ser candidato a governador de São Paulo exige que eu entenda de que grande projeto nós estamos falando.</p>
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		<title>Ciro Gomes e São Paulo</title>
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		<pubDate>Sun, 05 Jul 2009 12:39:00 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Ciro Gomes]]></category>
		<category><![CDATA[São Paulo]]></category>

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		<description><![CDATA[O PT nacional quer a eleição paulista com Ciro Gomes, Paulo Skaf e quem mais der. Considera que bater Geraldo Alckmin será mais fácil; bater Kassab, mais difícil. Mas Ciro poderá desempenhar papel relevante na desconstrução de José Serra no estado.

O PT paulista quer candidatura própria. Mas não tem candidato. Esse é o dilema petista [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O PT nacional quer a eleição paulista com Ciro Gomes, Paulo Skaf e quem mais der. Considera que bater Geraldo Alckmin será mais fácil; bater Kassab, mais difícil. Mas Ciro poderá des<a class="image-link" href="http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/files/2009/07/ciro-gomes-2.jpg"><img class="linked-to-original" style="float: left;margin: 0 10px 10px 0" src="http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/files/2009/07/ciro-gomes-2-thumb.jpg" alt="" width="250" height="320" align="left" /></a>empenhar papel relevante na desconstrução de José Serra no estado.</p>
<p>O PT paulista quer candidatura própria. Mas não tem candidato. Esse é o dilema petista que cerca o apoio ou não à candidatura Ciro.</p>
<p><a href="http://notebook.zoho.com/nb/public/luisnassif/page/224186000000010079?nocover=true" target="_blank">Clique aqui</a> para mais matérias sobre a sucessão paulista.</p>
<p><br class="final-break" /></p>
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		<title>Os bilhetes aéreos de Ciro</title>
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		<pubDate>Tue, 19 May 2009 11:09:17 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Ciro Gomes]]></category>
		<category><![CDATA[Congresso]]></category>
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		<description><![CDATA[Da Folha
TAM admite erro na emissão de passagens para mãe de Ciro
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

A TAM reconheceu ontem que cometeu um erro no registro do pagamento de passagens em nome da mãe de Ciro Gomes (PSB-CE) para Nova York. Segundo a companhia, esses bilhetes foram pagos pelo deputado. Conforme a Folha publicou em abril, duas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2>Da Folha</h2>
<h3>TAM admite erro na emissão de passagens para mãe de Ciro</h3>
<p>DA SUCURSAL DE BRASÍLIA</p>
<p>A TAM reconheceu ontem que cometeu um erro no registro do pagamento de passagens em nome da mãe de Ciro Gomes (PSB-CE) para Nova York. Segundo a companhia, esses bilhetes foram pagos pelo deputado. Conforme a Folha publicou em abril, duas passagens para Maria José Gomes foram emitidas da cota de Ciro.</p>
<p>Na ocasião, o deputado teve uma reação colérica à reportagem. &#8220;Trata-se de leviana e grosseira mentira aquilo que foi feito, envolvendo pelo menos o nome de minha mãe, octogenária.&#8221;</p>
<p>Depois, repetiu a jornalistas que creditavam a informação ao Ministério Público: &#8220;Ministério Público é o caralho! Não tenho medo de ninguém. Da imprensa, de deputados. Pode escrever &#8220;o caralho&#8221; aí&#8221;. Ele disse que havia comprado com recursos próprios o bilhete de sua mãe para acompanhá-lo em missão oficial aos EUA. Segundo Ciro, só o bilhete dele foi emitido da cota.</p>
<p>Ontem, o site Congresso em Foco publicou cópia do recibo dos bilhetes, afirmando que a Câmara pagou dois bilhetes em nome de Maria José Gomes para Nova York.</p>
<p>A TAM esclareceu que houve troca dos documentos de compra dos bilhetes, e os créditos com recursos próprios referentes ao bilhete de Maria José foram registrados em nome de Ciro.</p>
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		<title>A lógica da candidatura Ciro</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Apr 2009 12:20:17 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Maria Inês mostra como o argumento do PSB - de que o lançamento da candidatura Ciro Gomes poderia beneficiar a de Dilma - revelou-se um tiro no pé de José Serra em 2002, quando muitas candidaturas oposicionistas o prejudicaram.
Do Valor
A hipótese de dois candidatos
Por Maria Inês Nassif
O argumento do PSB para bancar a pré-candidatura de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>Maria Inês mostra como o argumento do PSB &#8211; de que o lançamento da candidatura Ciro Gomes poderia beneficiar a de Dilma &#8211; revelou-se um tiro no pé de José Serra em 2002, quando muitas candidaturas oposicionistas o prejudicaram.</p></blockquote>
<h2>Do Valor</h2>
<h3><a href="http://www.google.com/notebook/public/03904464067865211657/BDRlkSgoQ-P7n84ok" target="_blank">A hipótese de dois candidatos</a></h3>
<h3>Por Maria Inês Nassif</h3>
<p>O argumento do PSB para bancar a pré-candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República em 2010, de que ela reforçaria, mais do que enfraqueceria, a candidata de Lula e do PT, Dilma Rousseff, é apenas uma aposta, ou um palpite, mas não é despropositado. O partido cita o que aconteceu nas eleições de 2006 em Pernambuco, quando dois candidatos oposicionistas ao governo, Eduardo Campos (PSB) e Humberto Costa (PT), disputaram contra o governista Mendonça Filho (DEM), apoiado pelo popularíssimo governador que deixava o cargo, Jarbas Vasconcelos (PMDB), e fazia dobradinha com ele como candidato ao Senado. Se tivesse apenas um oponente na disputa, Mendonça Filho ganharia no primeiro turno. A soma dos votos dos dois oposicionistas tirou o Palácio das Princesas das mãos do favorito: ele teve que disputar um segundo turno com Campos, e perdeu.<span id="more-30070"></span></p>
<p>Esse, no entanto, é apenas um exemplo mais próximo de como mais de um candidato disputando no mesmo campo &#8211; oposicionista ou governista &#8211; podem desestabilizar um pleito considerado ganho. Embora movimentos fortes de mudança das forças hegemônicas na sociedade, e mesmo fatores conjunturais, sejam elementos definidores de uma vitória eleitoral, o número e o perfil dos candidatos em disputa são decisões estratégicas que também têm bastante importância.</p>
<p>Um exemplo disso foram as próprias eleições de 2002, quando três candidatos oposicionistas &#8211; o favorito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Ciro Gomes (PPS) e Anthony Garotinho (PSB) &#8211; concorriam contra um único candidato governista, José Serra (PSDB). No campo governista, Serra reinava, solitário, apoiado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso &#8211; que estava no final de um segundo mandato e sofria em sua plenitude o desgaste de políticas econômicas impopulares e de uma crise econômica que veio de fora, na esteira do &#8220;default&#8221; da vizinha Argentina, mas foi agravada pela especulação financeira que chegou com o processo eleitoral e acompanhou-o durante todo o período. O candidato do PSDB também foi prejudicado pelo &#8220;racha&#8221; do então PFL, hoje DEM, que iniciou a disputa com a candidatura de Roseana Sarney (MA) e atribuiu ao tucano uma denúncia de que ela recebia dinheiro &#8220;por fora&#8221; para a campanha eleitoral. Roseana foi torpedeada e o PFL fez campanha contra Serra, e manteve por algum tempo apoio a Ciro Gomes.</p>
<p>O tucano, de qualquer forma, era sozinho no campo governista. Mas, em vez de somar o apoio dos eleitores de centro e de direita &#8211; forças que apoiaram FHC nos seus dois mandatos -, acabou isolado na direita ideológica. Os três candidatos de oposição faturaram o desgaste governista com a crise e o racha pefelista. Além disso, o fato de existirem três com forte rejeição de grupos de eleitores não deixou que Serra capitalizasse totalmente os votos dos grupos que, antes de apoiar alguém, rejeitavam outro candidato &#8211; os votos que vieram de rejeição a algum dos postulantes, portanto, não tiveram um único destino. A divisão da oposição pode, assim, ter garantido o segundo turno e mantido Lula como favorito um candidato que começou como o campeão de rejeição.</p>
<p>Não ser o exclusivo depositário, num primeiro turno, dos votos anti-Lula pode ter enterrado Serra em 2002. Tanto é assim que, ao longo da disputa eleitoral, ele chegou a ficar atrás de Ciro, quando o candidato do PPS teve o seu melhor momento; atrás de Garotinho, quando este conseguiu o segundo lugar, atrás de Lula; e atrás de ambos e de Lula &#8211; isto é, chegou a amargar um quarto lugar na disputa.</p>
<p>No mês de julho de 2002, três meses, portanto, antes do primeiro turno, Ciro Gomes conseguiu sua melhor performance: encostou em Lula nas pesquisas eleitorais e, no segundo turno, venceria o petista por 47% a 40%. A partir disso, Ciro começou a cair, levado por uma forte especulação de que a sua proposta de renegociação da dívida brasileira seria um &#8220;calote&#8221;. Foi uma intensa campanha do mercado &#8211; e dos tucanos &#8211; contra Ciro que acabou puxando para baixo a sua candidatura. Mas, num primeiro momento, em vez de Serra ganhar os seus votos, eles acabaram impulsionando o candidato do PSB. Em agosto, quando Garotinho começou a subir, engoliu primeiro votos de Serra, que chegou a ficar dois pontos abaixo do então candidato da legenda socialista.</p>
<p>Se não tivesse dividido com outros dois candidatos as atenções e os bombardeios vindos das forças governistas e do mercado, seria muito mais difícil para Lula manter-se como favorito praticamente durante todo o processo eleitoral. Nada indica que, em 2010, Dilma seja poupada do mesmo intenso bombardeio. Dividir os ataques da oposição com Ciro pode não ser um mau negócio. Ciro tem mais experiência eleitoral, é agressivo e tem um discurso que, no ataque, se assemelha muito com o que a classe média atraída pelo PSDB e pelo DEM aprova: não mede palavras, o discurso ético é moral e tem um tom incisivo. Apesar de ter provocado mal-estar com a sua proposta de renegociação da dívida, em 2002, exerce uma forte atração sobre um eleitorado mais elitizado que rejeita o PT, mas vê o PSDB com ressalvas.</p>
<p>Um candidato com esse perfil pode, no mínimo, dividir com a candidatura petista as atenções dos partidos oposicionistas, que vão para essas eleições unidos em torno de um único candidato &#8211; o que, neste momento, pode também ser a melhor alternativa para a candidatura tucana.</p>
<p>Maria Inês Nassif é editora de Opinião. Escreve às quintas-feiras</p>
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