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20/11/2009 - 08:45

As falácias sobre o real valorizado

Do Último Segundo

Coluna Econômica – 19/11/2009

Um dos maiores disparates, na avaliação da taxa de câmbio, é considerar que dólar mais desvalorizado aumenta os investimentos, por baratear as importações de máquinas.

Em artigo recente, a colunista Mirian Leitão – de O Globo – entrevistou o economista Affonso Celso Pastore, que saiu-se com essa jóia do pensamento de planilha:

— No Brasil, a formação bruta de capital fixo é muito dependente das importações. As importações se elevam com a valorização do câmbio real, e isto significa que esta valorização reduz o preço relativo das máquinas importadas, que são fundamentais para a realização dos investimentos — disse.

***

Vamos entender o significado desse “reduzir o preço relativo”. O professor confundiu o conceito do preço absoluto e relativo e a colunista não percebeu.

Quando decide sobre um novo investimento, a questão mais relevante para o empresário não é o valor da máquina em si (o preço absoluto), mas a relação entre o valor da máquina e o que ela gerará de lucro adicional (o preço relativo).

Em um exemplo simples:

1. Uma empresa adquire uma máquina importada por R$$ 1 milhão e com ela gera um lucro anual de R$ 200 mil. A relação entre o lucro e o investimento é de 1/5. Simplificadamente, significa que ele levará 5 anos para amortizar a máquina.

2. Ai o dólar cai de R$ 2,00 para R$ 1,70 e o valor da máquina cai para R$ 700 mil. Mas como a empresa é exportadora, a queda do dólar reduz seu faturamento para R$ 100 mil. A relação lucro/investimento subiu para 7 vezes. Ou seja, em termos relativos a máquina ficou mais cara, porque passou a exigir mais anos de lucros para ser amortizada.

***

Vamos para um modelo mais complexo.

1. A empresa adquire uma máquina por US$ 10 milhões, com financiamento de 10 anos de prazo e 12% ao ano. O valor anual da prestação será de US$ 1.770.000. Com o dólar a R$ 2,00, serão R$ 3.540.000 por ano.

2. Com essa máquina a empresa faturará R$ 30 milhões por ano, 60% no mercado interno (R$ 18 milhões), 40% nas exportações (R$ 12 milhões ou US$ 6 milhões, com o dólar a R$ 2,00). A margem de lucro seja de 15% e o custo de produção respectivamente de R$ 15,3 milhões para a produção interna e R$ 10,2 milhões para a externa.

3. Tirando o custo da produção, o lucro final será de R$ 4,5 milhões – R$ 2,7 milhões nas vendas internas e R$ 1,8 milhão nas externas. Como o valor da prestação anual é de R$ 3,54 milhões, a operação renderá ainda um lucro de R$ 960 mil, depois de amortizada a prestação.

Agora, suponha que o dólar caia para R$ 1,70.

1. O valor da prestação (em reais) cairá de R$ 3,5 milhões para R$ 3 milhões – uma economia aparente de R$ 500 mil.

2. No entanto, o faturamento das exportações cairá de R$ 12 milhões para R$ 10,2 milhões. Como o custo de produção das exportações ficou em R$ 10,2 milhões, as exportações não geraram lucro algum.

3. Como consequência, o lucro total gerado pela máquina caiu de R$ 4,5 milhões para R$ 2,7 milhões, ficando inferior ao valor do financiamento. Em termos relativos, ficou inviável a aquisição da máquina, mesmo com a redução do seu preço em reais.

***

Por aí fica demonstrada essa falácia do preço absoluto do equipamento. O real apreciado pode baratear máquinas, mas desestimula investimentos.

Clique aqui para ir à planilha.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Coluna Econômica Tags: , ,
19/11/2009 - 16:03

Importações e investimento

Por Alexandre Leite

Nassif,

vc poderia comentar dois pontos;

1 – A Miriam Leitão publicou um gráfico mostrando a relação dos investimentos X importações:

2 – Não discuto os efeitos de um real sobrevalorizado, mas questiono os custos para se tentar desvalorizá-lo sem nenhuma garantia que a tarefa seria bem sucedida.

Controlar capitais numa economia tão diversificada como a nossa é no mínimo enxugar gelo. Pode dar certo no Chile, no Peru, na Venezuela, mas no Brasil … só traria problemas sem solução.

Comentário

A Mirian reproduziu um dos sofismas do campeão dos sofismas do mercado: o professor Affonso Celso Pastore. Na Coluna Econômica de amanhã mostrarei os furos no raciocínio do Pastore.

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19/11/2009 - 08:12

Porque o câmbio é fundamental

Do Último Segundo

Coluna Econômica 19/11/2009

Vamos entender de forma simplificada o efeito câmbio sobre a economia brasileira.

Os personagens do jogo:

* Empresa Interna

* Empresa Externa

* Fornecedor Interno (que vende para a Empresa Interna)

* Fornecedor Externo

* Consumidor Interno (que é o trabalhador da Empresa Interna)

* Consumidor Externo

O que ocorre nesse universo quando a moeda nacional (o real) se valoriza em relação à moeda internacional (o dólar):

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13/11/2009 - 17:02

O câmbio e a devastação chinesa

Por AF

Mandaguari é uma cidadezinha de 32 mil habitantes no norte do PR, entre Londrina e Maringá. A cidade ‘vive’ em função da Romagnole, tradicional fabricante brasileiro de materiais elétricos.

Tive notícia ‘quente’ hoje que a empresa prepara um agressivo plano de demissões, em função de não estar tendo sucesso em competir com produtos similares chineses, bem mais baratos.

A empresa foi criada na cidade em 1962 e cresceu junto com Mandaguari. É daquelas empresas profundamente presente na comunidade.

O país tem que conseguir proteger de alguma forma uma indústria e uma cidade como esta de concorrencia predatória de empresas que estáo do outro lado do mundo, senão vamos pagar um preço bem caro em um futuro próximo.

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08/11/2009 - 10:22

Os sofismas em torno do câmbio

Do Último Segundo

Coluna Econômica – 08/11/2009

As discussões sobre o câmbio, em geral, vêm eivadas de sofismas que, pela força da repetição, acabam se transformando em falsas verdades.

No comércio mundial, há manufaturados de baixo, médio e alto valor agregado. Para competir em cada área tem que se ter o nível tecnológico adequado e preços competitivos.

Há vários fatores que interferem no preço.

O principal é o câmbio, a relação de preços entre duas moedas. Veja o exemplo:

Um determinado produto custa R$ 200,00 no Brasil. Com o dólar a R$ 2,00, irá custar US$ 100,00 (200 / 2). Se o dólar cai para R$ 1,70, irá custar US$ 117,65 – ou 17% mais caro, apenas com o movimento do câmbio. Portanto, a apreciação do real tem efeito direto sobre o preço final da mercadoria, em dólares.

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06/11/2009 - 09:23

Os preparativos para a guerra do câmbio

Do Último Segundo

Coluna Econômica – 06/11/2009

O último grande desafio do governo Lula será romper com a lógica da política monetária e cambial. Há uma série de sinais no ar, mostrando que em breve haverá um ataque mais consistente contra o encarecimento do real.

Para Lula, a lógica política sempre teve prevalência sobre a lógica econômica. Não é prerrogativa sua: com FHC também foi assim. Essa lógica fez com que, no seu governo, Lula sempre procurasse minimizar as zonas mais sensíveis de atrito, dentre as quais a principal era o mercado financeiro. Esse poder desestabilizador ficou nítido nas eleições de 2002.

***

Não se trata de uma conspirações, mas de circunstâncias que tornam o mercado mais sensível. Esse quadro surge sempre que aumenta a vulnerabilidade externa – isto é, quando o país passa a necessitar do mercado financeiro para fechar suas contas.

Em 2002 houve refluxo da crise internacional, o Brasil não disponha de superávits comerciais robustos, manifestou-se mais forte a crise das montadoras norte-americanas afetando o mercado internacional de crédito. Foram esses fatos, mais alguns erros de política monetária por parte do Banco Central, que criaram o clima para a explosão do dólar e a ansiedade que dominou os mercados. Mais que a eleição de Lula.

Em 2005, com as contas externas em ordem, o país atravessou a mais prolongada crise política da história – em função do mensalão -, e os mercados ficaram absolutamente tranquilos.

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06/11/2009 - 07:58

A proposta brasileira para o câmbio

Por Roberto São Paulo/SP

Do Estadão

Brasil quer câmbio flutuante no G-20

Alvo maior da iniciativa é a China, que atrela moeda ao dólar

Andrei Netto, ENVIADO ESPECIAL, LONDRES, O Estado de S.Paulo, Sexta-Feira, 06 de Novembro de 2009

O governo brasileiro vai defender hoje, na reunião ministerial do G-20, na Escócia, um padrão único de gestão do câmbio por todas as maiores economias do mundo. Mais: pregará que o modelo escolhido seja o câmbio flutuante, adotado pelo País desde 1999. O objetivo é “homogeneizar” o fluxo global de moeda, evitando a sobrevalorização excessiva, da qual o real tem sido vítima nos últimos meses, se comparado com o dólar, o yuan e até o euro.

A iniciativa tem como alvo maior a China, que atrela a valorização da moeda ao dólar.

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06/11/2009 - 07:00

Receitas para o próximo tempo econômico

Por Gunter – SP

Acho que grandes desafios para o Brasil serão o câmbio, o sistema tributário, a defasagem tecnológica.

Não podemos esquecer que a desvalorização cambial deve ter como objetivo reindustrialização, substituição de importações ou novos mercados para exportações. Caso contrário não gerará empregos internamente e apenas se transferiria renda para o exterior (como a China sistematicamente faz.) Não deve ser um fim em si mesmo.

Se houver reforma tributária que distribua custos do setor industrial para o setor de serviços, parte do problema cambial se resolve. Se houver maior taxação do setor agrário ou extrativista, idem, pois o Brasil têm vantagens comparativas nestes.

Como Keynes já faleceu e Mendonça de Barros, Delfim Netto e outros já confessaram não ter a fórmula mágica, passa a ser interessante todos darem suas ideias para ver se um caminho surge.

Desvalorizar em economia altamente produtiva não é necessário. Mas não é o caso brasileiro. Desvalorizar em economia com falta de divisas é fácil. Também não é o caso.

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05/11/2009 - 10:34

A taxa de equilíbrio no câmbio

Por Roberto São Paulo/SP

Taxa de equilíbrio no câmbio é R$ 2,10, diz secretário

05/11 – 04:02 – Agência Estado, Último Segundo do iG

A taxa de câmbio está em um nível que tende a prejudicar o crescimento econômico no médio prazo, disse o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa.

Ao falar a investidores e empresários em Nova York, ele acrescentou que há possibilidade de adoção de mais medidas para reduzir a valorização do real e reconheceu que o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) também está ajudando na arrecadação……………

……………. Barbosa disse que o governo “está satisfeito” com os efeitos da adoção do IOF para a entrada de capital estrangeiro nas aplicações em renda fixa e variável no Brasil, já que reduziu a pressão sobre o real. Ele, no entanto, avisou que outras medidas relacionadas ao câmbio podem ser adotadas.

Barbosa reiterou, porém, que o “câmbio é flutuante” e nenhuma medida teria o objetivo de torná-lo fixo……………

…………….Aos jornalistas, Barbosa explicou que a arrecadação gerada pelo IOF deve auxiliar no front fiscal para que “sejam mantidos estímulos já implementados”, mas procurou destacar que este foi um “efeito colateral” do tributo, uma vez que o propósito era conter a valorização da moeda……….

………O secretário acrescentou ainda que a valorização do real está empurrando a inflação para baixo e ponderou que, apesar da aceleração do crescimento, o índice está dentro da meta do governo.

Segundo ele, será possível ver queda do juro real no Brasil, mesmo se houver aumento do juro real no mundo. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo….

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05/11/2009 - 09:45

Os pólos políticos pós-Lula

Do Último Segundo

Coluna Econômica 05/11/2009

Uma grande discussão, no cenário político atual, é saber de que maneira irá se articular uma oposição ao que se poderia chamar de lulismo. Grosso modo, são três grupos de temas em torno dos quais podem ser articulados os discursos políticos:

O primeiro engloba as políticas irreversíveis que considera, entre outros, as políticas sociais includentes, o pacto do desenvolvimento, a manutenção da estabilidade inflacionária e fiscal, o biocombustível, a nova política industrial, ancorada no pré-sal, e o fortalecimento da agricultura.

O segundo são as sementes que vêm sendo lançadas, mas sem muita ênfase, como a prioridade na saúde (focalizado no recurso), o avanço na tecnologia e inovação, o aprimoramento da gestão pública, a desoneração dos investimentos e a racionalização tributária e o apoio às pequenas e microempresas.

O terceiro, onde se dará o embate ideológico, refere-se ao controle do fluxo de capitais.

***

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29/10/2009 - 13:48

BC e a política cambial

Do Valor

BC muda política de atuação no câmbio

Luiz Sérgio Guimarães

O Banco Central alterou sua forma de intervenção no mercado de câmbio. A política de retirada de moeda superior ao excedente diário do fluxo foi substituída por aquisição de volume inferior ao superávit. Essa alteração desestimula a formação de posições “vendidas” à vista por parte dos bancos.

A essas posições eram atribuídas as pressões destinadas a derrubar a cotação do dólar, pois o movimento contínuo de desvalorização da moeda americana era essencial para a geração de ganho. Essas pressões foram estancadas. Os bancos estão agora “comprados” à vista. Até o dia 9 deste mês, estavam “vendidos” à vista em US$ 4,934 bilhões. Pelo dado oficial relativo ao dia 23, estão agora “comprados” em US$ 3,05 bilhões. Essa inversão de posições, favorecida pelo espetacular ingresso de capitais estrangeiros às vésperas do início da cobrança do IOF, e o cenário externo ruim provocaram uma reviravolta na tendência do dólar. A moeda fechou ontem em alta de 0,92%, cotada a R$ 1,7550. Nesta semana, o dólar já subiu 2,45%.

O IOF não pode ser responsabilizado integralmente pela arrancada recente do dólar. Embora a média diária de ingresso de dólares para operações financeiras tenha caído 73% após o início da taxação, na semana passada o fluxo cambial foi positivo em US$ 2,353 bilhões.

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29/10/2009 - 09:30

O IOF ainda é insuficiente

Do Último Segundo

Coluna Econômica – 29/10/2009

Um dos principais objetivos da cobrança do IOF de 2% sobre o investidor estrangeiro é conter o ritmo de valorização do real. Contudo, os fundamentos da economia devem fazer com que a medida não tenha o efeito esperado, reduzindo seu escopo de influência ao longo do tempo, segundo levantou Tatiane Correa, da Agência Dinheiro Vivo.

Isso pode ser visto na bolsa de valores. Embora os estrangeiros tenham retirado do mercado R$ 1,3 bilhão no dia seguinte ao anúncio da medida, já começaram a voltar e a afetar o desempenho da bolsa e do câmbio.

Segundo analistas de mercado, a cobrança pode ter impacto no curtíssimo prazo, não no médio e longo prazo.

Uma apreciação cambial de 4 centavos já compensa os 2% de IOF impostos pelo governo. Além disso, há um conjunto de expedientes a ser adotado por quem pretender contornar o imposto.

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27/10/2009 - 07:54

A casa da Mãe Joana do Banco Central

Do Último Segundo

Coluna Econômica – 27/10/2009

No final do ano passado, em pleno burburinho da crise, um diretor do Banco Central deu uma entrevista em “off” alertando que, se a Fazenda decidisse tomar qualquer medida para conter fluxos de capital, a diretoria do banco se demitiria em bloco.

Na ocasião, sugeri que a Polícia Federal abrisse um inquérito e processasse o irresponsável que se escondia atrás do sigilo de fonte para cometer essas irresponsabilidades.

O BC atua em área de alta sensibilidade a notícias e a boatos. Exige de seus diretores maturidade, responsabilidade, espírito público. Mas não ocorre. A extrema auto-suficiência do banco acabou consolidando em sucessivos diretores a idéia de que só devem prestar contas ao mercado.

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23/10/2009 - 09:03

O câmbio e o Banco Central

Da Folha

LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS

Ainda a questão do real valorizado

Finalmente o governo agiu para tentar estancar, ou ao menos reduzir, a queda do dólar em relação ao real

VOLTO MAIS uma vez à questão da valorização do real. Finalmente o governo resolveu agir para tentar estancar -ou pelo menos reduzir- a queda do dólar em relação à nossa moeda. O leitor da Folha já conhece meu pensamento em relação a esse assunto. Discordo dos analistas que não consideram isso um problema e me preocupo muito com o fortalecimento do real. Principalmente enquanto durar a posição atual da China em relação à sua moeda e a política monetária do Federal Reserve nos Estados Unidos.

Portanto parece-me correta a posição do ministro Guido Mantega de tentar interferir na formação da taxa de câmbio. Vivemos um período em que as autoridades de economias importantes estão atuando nos mercados de câmbio. O yuan chinês, mantido artificialmente constante em relação ao dólar, é, de longe, o fator externo mais relevante por trás da valorização do real e de outras moedas de países emergentes.

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17/10/2009 - 06:39

Caindo a ficha no câmbio?

Da Folha

Lula autoriza taxação de capital externo

Presidente dá sinal verde para a elaboração de uma medida provisória criando imposto para tentar conter alta do real

Ideia é taxar mais o capital de curto prazo e aliviar tributação sobre os dólares que permanecem mais tempo no país

KENNEDY ALENCAR

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer taxar a entrada de capitais estrangeiros no país. Autorizou a equipe econômica do governo federal a redigir uma medida provisória para implementar a tributação.

O objetivo é desestimular o ingresso de capital de curto prazo, chamado de especulativo. O governo tem dados mostrando que cresceu muito esse tipo de entrada de dinheiro, que valoriza o real e encarece as exportações do país. Só neste ano, o dólar se desvalorizou 26,8% ante o real.

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16/10/2009 - 09:15

A volta do círculo vicioso do câmbio

O círculo vicioso do câmbio está dado mais uma vez.

Tem-se o seguinte quadro internacional:

1. Excesso de liquidez e propensão a novas bolhas especulativas.

2. Dúvidas de monta sobre o fim da crise internacional.

3. Desalinhamento das taxas de juros nacionais, com alguns países puxando a alta de juros antes de outros.

Todo esse clima induz à volatilidade cambial no mundo.

Nesse cenário, o Brasil é a bola da vez dos movimentos especulativos. Há fundamentos sólidos para se apostar no Brasil, o reconhecimento de que saiu da crise antes dos demais, o mérito de ter sabido dosar medidas ortodoxas e anticíclicas, a percepção mundial de que será um dos países líderes da economia global nas próximas décadas.

Sobre essa base fundamentalista, ocorre o movimento especulativo que, nos próximos meses, inundará o país de dólares.

Em qualquer país racional, o Banco Central alteraria sua maneira de atuar sobre o câmbio e a política monetária. Por aqui, não só tem reforçado a visão ortodoxa, como tem atuado claramente visando estimular esse jogo especulativo.

Duas manifestações do BC, em países como os Estados Unidos, no mínimo ensejariam a abertura de um processo de responsabilização.

O primeiro, a declaração de um diretor do BC de que a compra de reservas cambiais não reduz a apreciação do real. O segundo, o relatório do BC apontando a possibilidade de elevação dos juros no próximo ano, como reflexo do aumento de despesas públicas – uma afirmação que não tem nenhuma base factual, ainda mais levando-se em conta de que a apreciação do real funciona como elemento anti-inflação.

Nos dois casos, o BC atuou como agente estimulador desse movimento de apreciação cambial.

Agora, se entra em período eleitoral, no qual a apreciação cambial conta votos. Haverá volatilidade no câmbio atrapalhando exportações e investimentos. Mas será contida, no início, pelas reservas cambiais.

No final do ano que vem, os economistas dos candidatos favoritos estarão estudando como sair da armadilha cambial que lhes foi deixada.

Em fins de 1998, o país começava a recuperar o ímpeto reformista, atropelado pelas jogadas cambiais do início do Real. Na ocasião escrevi que a imprudência com o câmbio mataria qualquer veleidade de FHC de fazer um bom governo.

Espero que essa desgraça não se repita agora.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Crise, Economia Tags: , , , ,
09/10/2009 - 08:10

A irresponsabilidade cambial de Lula

Do Último Segundo

Coluna Econômica – 09/10/2009

Mesmo com todo sua intuição e pragmatismo, no ano passado Lula só não jogou o Brasil em uma nova crise das contas externas graças à crise mundial. O Brasil foi salvo pela crise, que provocou uma redução nas importações e permitiu, pela primeira vez, que a Fazenda tirasse o comando da política econômica das mãos do Banco Central.

No primeiro semestre a deterioração das contas externas era óbvia, nítida. Qualquer projeção mostraria o País indo para a sinuca de bico. Mesmo assim, o Banco Central prosseguiu impassível em sua política de juros acima dos internacionais, permitindo a apreciação do real.

Passada a crise, o jogo volta com força total. E o sucesso internacional de Lula poderá torná-lo mais autista ainda em relação ao câmbio.

***

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Coluna Econômica, Economia Tags: , , , ,
07/10/2009 - 09:05

O segundo tempo da crise mundial

O mundo vive outro momento de irracionalidade.

No auge da crise, os Bancos Centrais ampararam as instituições financeiras, mas não desarmaram a bomba dos fundos hedge.

Sua característica principal é radicalizar qualquer movimento da economia – para cima ou para baixo.

Nos próximos meses, esses movimentos se tornarão cada vez mais voláteis, a partir de tendências que já se delinearam:

1. Recuperação da economia global, permitindo a recuperação nos preços das commodities.

2. Liquidez internacional empoçada, já que o dinheiro injetado pelos Bancos Centrais (inclusive no Brasil) não se transformou em crédito para o setor real da economia.

3. Volatilidade cambial extrema, ainda mais agora que os países recomeçam o movimento de alta dos juros, de maneira não sincronizada, abrindo espaço para arbitragens.

4. A euforia desenfreada com algumas economias, especialmente a brasileira.

Tudo conspira para uma nova bolha, seguida de uma nova crise, na qual velhos governos, já desgastados pelo insucesso em aproveitar a primeira onda para medidas eficazes, terão que enfrentar a segunda.

Conselho aos investidores: pé no freio. Esse movimento irracional poderá permitir algum ganho com esses novos IPOs, mas a possibilidade de micar com a ação é grande.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Crise Tags: , , ,
07/10/2009 - 08:22

Ciro Gomes e o fator câmbio do Real

Da Folha

ELIO GASPARI

Ciro Gomes precisa reler Ciro Gomes

TUDO INDICA que, se o deputado Ciro Gomes for candidato à Presidência da República, formará com Dilma Rousseff a velha dupla dos filmes policiais. O mau meganha azucrinará o tucano José Serra, enquanto a boa candidata, Dilminha, percorrerá o país com Nosso Guia, falando do Brasil de um novo tempo. É um ardil velho, mas legítimo, desde que Ciro Gomes respeite a inteligência alheia.

Assim como Lula, o tucano precisa de um adversário. Sete anos de pastor serviu Serra a Nosso Guia fazendo tudo, menos oposição, pois não serve a ele, mas à própria candidatura. Se em 2010 alguém exigir contas ao tucanato, todo mundo ganha. Ciro Gomes pretende esse papel, mas deve respeitar os fatos.

(…)  Mas há outra pergunta: o que fez Ciro Gomes quando o câmbio estava apreciado?

Passados 15 anos, a informação parece nova: nada. É pior. Entre setembro de 1994 e janeiro de 1995 ele foi ministro da Fazenda.

Assumiu com o cambio apreciado e o dólar a R$ 0,80. Deixou o ministério com a moeda americana a R$ 0,84. Fazendo-se justiça ao deputado, no Ministério da Fazenda ele foi mais um animador do que um titular. Quem mandava no país era o grupo de sábios da ekipekonômica.

Eles deixaram o governo e foram felizes para sempre aninhando-se na banca.

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Brasileira, Eleições, História Tags: , , ,
01/10/2009 - 07:39

O papel do câmbio

Do Valor

Taxa de câmbio e projeto de desenvolvimento

João Sicsú

A taxa de câmbio é um elemento-chave de um projeto de desenvolvimento. Essa constatação é fundamental: além de ser essencial para auxiliar o esforço de crescimento econômico, a administração cambial deve ser compreendida como um instrumento nevrálgico que deve fazer parte de um projeto de desenvolvimento. A macroeconomia e seus preços básicos, isto é, juros e câmbio, podem definir os rumos de uma sociedade, se esta está caminhando em direção ao progresso ou ao atraso.

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Novo Modelo Tags: , ,
22/09/2009 - 12:37

Poupança se faz em casa

Em sua exposição, Luiz Carlos Bresser-Pereira reforçou o discurso que desenha há tempos, sobre a incapacidade de se aumentar investimentos internos com poupança externa.

Mostrou gráficos que comprovam que, nos 6 primeiros anos do governo FHC, 55% dos capitais externos entravam na forma de investimento. No entanto, não aumentou em nada a taxa de investimento da economia, que continuou estacionada em 17% do PIB.

A partir de 2002, com o superávit nas contas correntes, aumenta o crescimento e o investimento.

Com os dados apresentados, Bresser procura desmontar a identidade contábil na qual se baseia os cabeças-de-planilha, de que o país precisa de déficit nas contas externas, como contrapartida ao aumento do investimento.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Novo Modelo Tags: , , ,
22/09/2009 - 09:43

Desvalorização cambial e investimentos

Uma das apresentações mais interessantes, no 6o Forum de Economia da FGC-SP, foi a do economista Paulo Gala. A pedido de Luiz Carlos Bresser-Pereira, Gala relacionou o nível da taxa de câmbio, com poupança interna e investimento.

A intenção era comprovar (ou não) através das estatísticas, se câmbio desvalorizado ajudava a aumentar investimento e emprego.

A lógica é simples: com o câmbio desvalorizado há uma melhora pontual no poder aquisitivo do trabalhador. Em um primeiro momento, ele compra mais com o salário. Em um segundo momento, como o aumento do poder aquisitivo do salário não se deveu a ganhos de produtividade da empresa, o câmbio apreciado reduz a competitividade das empresas, em comparação com os concorrentes internacionais. Com isso, reduz investimentos e emprego.

Na ponta oposta, com o real desvalorizado, os produtos nacionais ficam mais baratos que os internacionais, melhorando as vendas e aumentando os investimentos.

Gala trabalhou em cima dessa hipótese e encontrou correlações robustas entre desvalorização cambial e nível de investimentos.

Não coloquei o trabalho dele aqui porque acho que preparou correndo o PPT e esqueceu de dar nomes às séries apresentadas (na exposição, o PPT estava completo).

Autor: luisnassif - Categoria(s): Novo Modelo Tags: , ,
21/09/2009 - 07:00

Desafios para o próximo governo

Do Último Segundo

Coluna Econômica – 21/09/2009

Na entrevista dada ao jornal “O Valor”, Lula sintetizou de forma objetiva princípios que deverão nortear a política econômica brasileira na próxima década, independentemente de quem for seu sucessor.

Mas ainda há lacunas importantes no seu pensamento.

Um dos pontos centrais é o câmbio. Lula defende o papel do Estado no fortalecimento das empresas brasileiras, chamando à responsabilidade os grandes grupos, valendo-se do pré-sal para estimular a produção interna etc.

Só que esse modelo de desenvolvimento é incompatível com um câmbio valorizado. Na verdade foi o mesmo erro cometido no pós-guerra, quando o Brasil ingressou no Tratado de Breton Woods com o câmbio apreciado. Depois disso, qualquer impulso de crescimento esbarrava no problema das contas externas. E o crescimento do país se fez para dentro, para o mercado interno apenas, sem conseguir desenvolver áreas tecnologicamente mais sofisticadas e competitivas – como os coreanos e japoneses, que usaram o câmbio para crescer.

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Autor: luisnassif - Categoria(s): Coluna Econômica Tags: , ,
04/09/2009 - 13:10

A crítica consistente

Do Valor

Mendonça de Barros teme efeitos do real valorizado

Ana Paula Grabois, do Rio
04/09/2009

O economista Luiz Carlos Mendonça de Barros criticou ontem o governo pela ausência de alternativas para os problemas que podem acontecer devido ao real valorizado, especialmente sobre a indústria nacional. Na sua avaliação, o dólar continuará em desvalorização no mundo com o aumento do déficit fiscal americano depois dos gastos nos pacotes anti-crise.

“A crise traz mudança estrutural muito forte no mundo e o Brasil vai ser arrastado. Minha grande preocupação para os próximos anos é o Brasil se transformar em um país exportador de commodities e perder toda a base industrial que foi criada depois das dificuldades que sabemos”, disse Mendonça de Barros, durante seminário promovido pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Políticas Públicas, Estratégia e Desenvolvimento, na UFRJ.

O economista, ex-ministro das Comunicações do governo Fernando Henrique Cardoso, não poupa o atual governo na condução da política econômica. Vê a ausência de uma política industrial voltada para absorver os impactos negativos do câmbio valorizado. “Há uma certa euforia, diria até incontida, no governo de que nós estamos a salvo. A ignorância econômica que grassa no governo não nos faz ver os problemas que vamos enfrentar no futuro”, disse.

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01/09/2009 - 07:30

Como o câmbio afeta a produção de leite

Por Jose Ronaldo Borges

Vou dar um exemplo de como a valorização do cambio prejudica o setor primario de produção de leite.

O preço internacional de leite em pó está hoje em 2300 dolares por tonelada, o que corresponde a um preço do leite em 0,23 centavos de dolar. O custo de produção de leite no Brasil está hoje em torno de 0,30 centavos de dolar.

Nestes valores é muito mais barato para as grandes processadoras de leite importar leite do que comprar no mercado interno, prejudicando centenas de milhares de produtores. Em 2008, com o cambio mais favorárel o Brasil exportou 500 milões de dolares em produtos lácteos e em 2009 somos deficitários na balança externa de lácteos.

Para o Brasil ser novamente competitivo no mercado internacional o cambio teria que ser entre 2,30 a 2,40 reais por dolar.

Caso não se altere o cambio, há duas alternativas para voltar a ser competitivo:

1) Subsidiar a produção, solução esta adotada pela União Europeia e pelo EUA, mas muito improvável de ser implementada no Brasil.

2) Redução do Custo de Produção. Há três componentes principais na composição dos custo.

- Mào de Obra. Obrigaria o produtor a reduzir substancialmente os salários dos funcionarios, com reflexos negativos na economia.

- Ração para alimentaçào. Ã raçào é formada principalmente por farelo de Soja e Milho, comodities internacionais com grande demanda e sem perpectivas de redução de custo.

-Energia Eletrica, sem a minima possibilidade de redução de custo.

Ou seja, a única variável que possibilitaria aumentar a competitividade do setor lácteo no mercado internacional é pelo cambio. Corremos o risco de nos tornamos novamente o maior importador de lácteos do mundo, a exemplo do que ocorreu na década de 90, quando o cambio foi fortemente apreciado.

Por raul

Nassif,

sou médico veterinário e produtor de leite no interior de SP.

Acho que vc poderia enriquecer muito este debate se incluir mais uma variante, que não foi colocada e que a meu ver foi e será a mais importante. O que é e quem é o leite consumido pela população hoje?

É o leite longa vida, com prazos de validades de até 6 meses, possibilitando estas grandes compras de leite importado em pó.

A qualidade deste leite alem de ser duvidosa, perde em muito para o leite tradicional pasteurizado, pois este é esterilizado, matando todas as bactérias, inclusive os lactobacilos indispensáveis para as crianças e as pessoas idosas se manterem saudáveis.

Na minha opinião, esta mistura em que se torna não deveria nem ter o nome de leite.

Proponho uma campanha educativa, inclusive para os médicos pediatras e geriatras e um debate nacional, sendo é claro que vamos bater de frente de interesses mlhionários, como a industria de embalagem Tetra Pack (Klabin) e os super mercados.

Resumindo, aumentaríamos o consumo de leite pasteurisado, aumentando a margem de manobra do produtor (valorizando o nacional), pois este LEITE é perecível e precisa ser consumido em um prazo muito curto.

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31/08/2009 - 09:39

Uma discussão inócua sobre o câmbio

O caderno Dinheiro, da Folha, traz matéria sobre as causas da apreciação cambial (clique aqui).

É uma discussão velhíssima. Os exportadores atribuem ao diferencial de juros, que atrai dólares de fora. Os mercadistas rasos atribuem ao preço das commodities, que influenciaria o câmbio. Os exportadores rebatem, dizendo que é o preço do dólar que baliza as cotações de commodities.

No fundo, uma discussão inútil, ótima para o professor-de-Deus fazer firulas no meio do campo, embaixadas sem chutar a gol.

A questão central é: o real apreciado tira a competitividade da economia brasileira, beneficia apenas especuladores que fazem arbitragem de moedas, impede a consolidação de novos setores, com maior valor agregado. Logo, pouco importa a razão. A discussão relevante é sobre como impedir a valorização do real.

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17/08/2009 - 07:51

A Folha e as reservas cambiais

Na sexta-feira passada, longo artigo da Cláudia Safatle, do Valor, com Mário Torós, do Banco Central, mostrando a inutilidade da compra de reservas cambiais para segurar o câmbio. Não comentei ainda o assunto por falta de tempo – devo fazê-lo hoje.

É um anúncio extravagante. A mais alta autoridade monetária – o BC – vem a público e avisa o mercado: pode continuar apostando na apreciação do real, porque minha política de compra de reservas não reverterá a queda. Um anúncio insólito, para dizer o mínimo.

Aí vem a Folha, no segundo editorial do dia (clique aqui):

Violentas oscilações do dólar são, sem dúvida, prejudiciais à gestão financeira das empresas, mas no atual cenário o Banco Central adota estratégia adequada para lidar com a questão. O BC ampliou suas aquisições de dólar à vista, o que atenua o efeito de queda da moeda norte-americana e amplia o colchão representado pelas reservas internacionais -política que já se mostrou eficaz para mitigar o impacto de crises financeiras globais no ambiente doméstico.

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09/08/2009 - 08:27

Câmbio mata

Da Folha

Câmbio mata

YOSHIAKI NAKANO

Permitir uma apreciação e a flutuação excessiva é uma escolha entre consumo imediato ou crescimento
“INFLAÇÃO ALEIJA , câmbio mata” -alerta de Mario Henrique Simonsen que continua válido para o grupo de países dependentes de condições internacionais para seu crescimento. São dependentes porque não conseguem traçar a própria trajetória; têm horizonte temporal curto, portanto não planejam a longo prazo, privilegiando sempre o consumo imediato em detrimento da poupança, ou seja, investimento com recursos próprios. Incorrem em déficits em transações correntes, endividamento externo e crises de balanço de pagamento, interrompendo repetidamente o seu crescimento. Com essa nova apreciação excessiva da taxa de câmbio, cabe alertar: por que mata o crescimento?

Parece fora de propósito falar em crise de balanço de endividamento externo e de balanço de pagamento quando o Brasil tem mais de US$ 200 bilhões de reserva cambial, a situação das contas externas é boa e o risco Brasil está num nível muito baixo. Mas o Brasil ainda não tem a característica fundamental de países que crescem persistentemente para alcançar os países desenvolvidos: horizonte temporal longo para tomada de decisões de política econômica. Não respeitamos ensinamentos básicos da teoria econômica: para crescer é preciso elevadas taxas de investimento e poupança.

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07/08/2009 - 08:49

As propostas para o câmbio

Por Túlio Carvalho

Era isto que ia perguntar: qual é alternativa? Taxar a entrada de câmbio proporcionalmente ao tempo de estadia? E o controle de tempo, que pode fazer?

Nassif, por favor, seja mais claro na proposta. Do diagnóstico, das comparações com a Coréia e Japão já estamos cientes.

Comentário

Vamos aos pontos centrais.

O câmbio é um dos preços fundamentais da economia. Precisa ser previsível, adequado ao grau de competitividade da economia. É elemento essencial para as decisões de investimento das empresas e têm impacto direto sobre nível de atividade, de emprego e de arrecadação. Cada produto brasileiro substituído por importado gera desemprego e queda de atividade.

Não se pode ter um câmbio que sufoque a produção nacional, assim como não se pode ter um câmbio que elimine a competição externa.

Há diversas maneiras de controlar o câmbio:

1. IOF ou qualquer outro imposto sobre a entrada de capitais. Quanto menor o prazo de permanência, maior será o impacto sobre a rentabilidade do capital. Já existe o IOF. É só aumentar as alíquotas.

2. Tempo de permanência. Condicionar a entrada de capitais a um tempo mínimo de permanência.

3. Definição de bandas cambiais. A partir de determinado nível do dólar, o Banco Central adquire, impedindo sua desvalorização.

Não existe mistério no controle dos capitais. A receita é conhecida. É possível apresentar contraindicações para qualquer uma delas. Um leitor, no post abaixo, diz que o controle do câmbio acaba levando a uma explosão futura. Ora, ele está falando em controle do câmbio com apreciação cambial – como ocorreu com o Real – provocando desequilíbrio nas contas externas. Outra ressalva é que vai se colocar nas mãos de burocratas a decisão sobre o melhor nível da taxa de câmbio. Ora, em qualquer país do mundo, é função precípua do Banco Central e da Fazenda essa definição – assim como fazem com a política monetária.

No quadro atual, o câmbio está ao sabor dos ventos do mercado internacional. Se os fundos hedge se reorganizam e decidem voltar a especular em países emergentes, o real se aprecia. Se entram em pânico e saem correndo, o real se desvaloriza. Se percebem um movimento de alta do real, entram correndo para ganhar com a apreciação. Quando percebem que bateu no limite, saem em debandada, provocando nova desvalorização.

Ora, que economia do mundo consegue se planejar (não digo o planejamento do Estado, mas do setor privado) sem um mínimo de previsibilidade sobre o preço futuro da sua moeda?

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07/08/2009 - 07:53

Porque o câmbio é importante

Do Último Segundo

Coluna Econômica – 07/08/2009

Há uma discussão retórica em torno do câmbio. No pano de fundo, estão dois modelos de desenvolvimento, beneficiando grupos distintos. O que importa para a discussão é saber qual modelo é mais adequado para o país como um todo.

No modelo livre-cambista, deixa-se a porteira aberta para a entrada e saída de capitais. Beneficia os detentores desses capitais internacionais – a maior parte dos quais capital brasileiro que saiu do país por diversas vias, inclusive por doleiros.

O principal argumento dos defensores desse modelo é que o Brasil não teria poupança interna suficiente para investir, necessitando assim de recursos externos.

É argumento capcioso por diversos motivos. O primeiro deles é que o capital de investimento, de fato, aquele que traz indústrias, moderniza a economia, não é de curto prazo. É um capital que aposta no longo prazo e não gosta de variações constantes do câmbio – como ocorre com economias expostas a esses fluxos de curto prazo. Portanto, os fluxos de curto prazo prejudicam a entrada de capitais de longo prazo.

Continua

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