Arquivo da Categoria Fome
13/07/2009 - 10:09
É curiosa a forma de edição da Folha. O repórter Pedro Dias Leite entrevistou Anthony Hall, professor da LSE (London School of Economics and Political Science). Ele traz uma crítica importante e uma sugestão para a próxima etapa do Bolsa (clique aqui).
A crítica:
Seu objetivo imediato, obviamente, é amenizar a pobreza, e as avaliações iniciais indicam que o programa foi bastante bem-sucedido. Outro objetivo é acumular capital humano, fazendo os pagamentos condicionais a educação e saúde. E, nisso, o cenário é menos certo no momento. No campo educacional, as matrículas aumentaram, mas isso não necessariamente significa que a qualidade melhorou. Os resultados são melhores na saúde, em campanhas de vacinação e outras frentes.
A sugestão:
O próximo estágio desse tipo de programa é estabelecer uma ligação clara com geração de emprego. Isso também depende da macroeconomia. A avaliação tem de acompanhar o progresso dos beneficiários do Bolsa Família cinco, seis anos depois que deixaram a escola, para checar se há correlação entre ter participado do programa e uma melhor posição no mercado.
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Autor: luisnassif - Categoria(s): Fome, Políticas Sociais
Tags: Anthony Hall, Bolsa Família, clientelismo
06/05/2009 - 07:57
Atualizado
Por Fernando Gomes
Uma certa distribuidora de gás precisou realizar, em meados de 2008, investimentos de um certo valor. Parte dele, ou mais precisamente, R$ 160 milhões, destinavam-se a aquisição de 8.000.000 (oito milhões) de botijas de gás, tanto para substituir aquelas cuja vida útil se esgotara, como para repor as botijas compradas por novos consumidores.
Cada botija custa R$ 200 no fabricante e é repassada ao consumidor final por um preço que varia entre R$ 40/R$50 ( a diferença é subsídio da distribuidora de gás) Cada botija vendida tem um pay back de 4 anos.
Dos 8 milhões de botijas, 2.500.000 destinavam-se exclusivamente a região Nordeste, para repor vasilhames vendidos sem retorno.
Tradução: 2.500.000 de famílias deixaram de consumir lenha para consumir o gás GLP, exclusivamente na região nordeste.
A distribuidora identificou o que estava por trás desse movimento:
a) Bolsa Família
b) poder de compra do salário mínimo
c) empréstimo consignado
d) maior oferta de emprego
O cartão do Bolsa Família serve, entre outras coisas, para comprovar renda. assim, o despossuído que antes dependia de lenha prá cozinhar, para desespero do Ali Kamel consegiu ir até a loja e comprar um fogão por R$ 200, em 18/24 meses, e pela primeira vez comprar um bujão de gás. Daí a necessidade de reposição de 2.500.000 de unidades. Registre-se que isso não aconteceu de repente, foi entre 2003 e 2007. Leia mais »
Autor: luisnassif - Categoria(s): Fome, Políticas Sociais
Tags: Bolsa Família, botijão de gás, fogão
05/05/2009 - 17:00
Há uma enorme incompreensão que ainda remanesce em relação ao Bolsa Família.
A maior delas é em torno de uma dicotomia inexistentes: em vez de dar esmola o Estado deveria dar emprego.
Primeiro, não são políticas excludentes. Dá-se a base de sustentação mínima e oferece-se emprego.
Segundo, políticas de desenvolvimento – e de aumento de emprego – são inócuas sobre a base da pirâmide, se não vier acompanhadas de políticas de inclusão.
Numa ponta, tem-se a questão regional, os bolsões de pobreza. Essas regiões não se desenvolvem porque não tem consumo; não tendo consumo não atraem empresas; não atraindo empresas, não geram empregos.
Esse círculo vicioso está sendo rompido nas regiões mais pobres graças ao Bolsa Família e à Previdência Social. Criaram-se as bases para um consumo popular que estimulou empresas a investirem no atendimento à nova demanda. Em muitos lugares, o passo seguinte já foi dado, de instalação de empresas para atender à região.
Os valores da Bolsa e da aposentadoria são irrisórios mas permitiram uma estabilidade de ganhos. O que caracteriza a renda dos muito pobres, além do pequeno valor, é a inconstância do recebimento. Como não estão no mercado formal, dependem de bicos. Essa instabilidade impedia qualquer forma de comprometimento de renda com crédito. A Bolsa Família e a melhora nos benefícios da Previdência forneceram esse colchão mínimo. Com isso, a baixa renda pode ir às compras – a maior parte dos gastos, aliás, em alimentos e produtos de limpeza, mas parte em bens de consumo durável.
O segundo ponto é a inclusão dos miseráveis no mercado de trabalho. Também aí há uma incompreensão do que seja a miséria absoluta. E reflete a visão preconceituosa de que a miséria é fruto da vagabundagem.
A miséria absoluta é uma questão cultural. O sujeito vive na miséria porque aprendeu a viver apenas na miséria. Não tem noção do que seja sair da miséria. Aceita a condição como se fosse uma inevitabilidade.
O Bolsa investe em portas de saída do programa. A parceria com a CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) mostra isso. Mas não se esperem resultados auspiciosos com os miseráveis. O máximo que se conseguirá, apertando as condicionalidades de colocar os filhos na escola, será salvar dessa tragédia a geração dos filhos.
Portanto espere-se da Bolsa Família o que ela pode dar: impedir a fome (só isso já seria suficiente para legitima-la); impedir a desagregação familiar; estimular a matrícula das crianças na escola.
A consolidação final do Bolsa Família será transformá-la em um ativo do Estado, do atual estágio da civilização brasileira e não um feito pessoal do governo Lula. Caso contrário, se entrar outro partido no poder, a tentação será “refundar” o Brasil. Essa é a verdadeira tragédia brasileira, praticada por todos os partidos independentemente de escolaridade.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Fome
Tags: Bolsa Família, emprego, Fome
04/05/2009 - 13:38
Por tomás angelo
Vila é fantástico. Ele considera um absurdo o número de pobres beneficiado pelo bolsa família, mas parece não se incomodar com o número de pobres em si.
Por Bruno
olhe a opinião de um especialista no globo
‘os pobres sao e votam. o que se fizer pelos pobres rende votos. logo, qualquer medida que favoreça os pobres constitui demagogia autentica compra de votos. ah, se os pobres não pudessm votar, seria ideal, pois poderiamos fazer politicas para os pobres sem que isso deformasse a vontade popular. um (…) desses que sao escolhidos pelo globo para ir ao painel, para dar notica com credibilidade cientifica. e pior um cara desses se diz democrata. Clique aqui.
Comentário
Ah, é o Marco Antonio Villa e o mancheteiro é do Globo.
Repare só. O previsível conservador-em-permanente-disponibilidade declarou o seguinte:
- É um número assustador. Isso vai ter uma influência decisiva em qualquer processo eleitoral, e, como nós temos eleições a cada dois anos, a gente vai poder constatar isso tanto na esfera municipal como nas esferas estadual e federal – disse.
Aí o repórter Adauri Barbosa consulta um especialista que fulmina o argumento do Villa com uma elegância típica dos verdadeiros intelectuais:
Consultor da Organização das Nações Unidas (ONU), o economista Ladislau Dowbor, professor titular no Departamento de Pós-Graduação da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo nas áreas de economia e administração, questiona o argumento de que as políticas sociais são eleitoreiras ou demagógicas por terem como alvo os pobres, que são a maioria da população.
- Os pobres são muitos, e votam. O que se fizer pelos pobres rende votos. Logo, qualquer medida que favoreça os pobres constitui demagogia, autêntica compra de votos. Ah, se os pobres não pudessem votar, seria ideal, pois poderíamos fazer políticas para os pobres sem que isso deformasse a vontade popular e pesasse nas eleições. Mas votam, e, como há eleições a cada dois anos, pode-se fazer política para os pobres uma vez a cada dois anos.
Aliás, a única força capaz de equilibrar o jogo em favor dos pobres é o que Villa deve considerar um absurdo: o pobre exercer sua influência através do voto.
Matéria equilibrada. O que não foi equilibrado foi a manchete.
Por tomás angelo
Vila é fantástico. Ele considera um absurdo o número de pobres beneficiado pelo bolsa família, mas parece não se incomodar com o número de pobres em si.
Por Alexandre Leite
Mas vejam o que diz um tucano de boa sepa hoje no Valor:
O economista Samuel Pessoa, assessor do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), afirmou que o governo Lula não pode ser acusado de gastador na área de custeio. Lembrou, no entanto, que Lula elevou muito as despesas sociais e de pessoal, difíceis de serem revertidas. Na sua avaliação, isso criou um tema para a campanha eleitoral de 2010 e um desafio para o próximo governo. Pessoa não vê, no entanto, risco de insolvência fiscal em 2009 e 2010. [...] Os programas sociais são responsáveis por esse crescimento interno e por um padrão regional de distribuição. Parece que o setor de bens não-duráveis e semiduráveis está segurando o emprego, a indústria está gerando crescimento do PIB, de forma que dá para dizer que neste momento esses programas funcionaram como política fiscal. Uma questão mais sofisticada e de difícil resposta é a continuidade dos aumentos do salário mínimo.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Fome, Políticas Sociais
Tags: Bolsa Família, votos
16/04/2009 - 07:00
Uma tese muito instigante do leitor Guilherme Silva Araújo sobre evasão escolas e Bolsa Família
Por Guilherme Silva Araújo
Nassif,
Para mim, parece que caiu a ficha do professor Marcelo Neri. Gostaria de expor os motivos desta minha conclusão. Atualmente curso mestrado em economia na Universidade Federal de Uberlândia, no triângulo mineiro. Em minha dissertação discuto os possíveis impactos do programa Bolsa-Família sobre o trabalho infanto-juvenil. Por coincidência, utilizo os microdados da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio (PNAD) coletada em setembro de 2006, assim como o professor Neri.
Neste ano, os entrevistadores foram à campo com um questionário que trazia as perguntas tradicionais e com perguntas suplementares em três áreas, a saber, (i) a participação dos domicílios em programas de transferência de renda (PBF, BPC-LOAS, PETI e demais programas municipais, estaduais ou federais), (ii) características relativas à educação e acesso à merenda escolar para as crianças de 0 a 17 anos e (iii) características de trabalho das crianças e adolescentes de 5 a 17 anos.
A hipótese que levantei em meu trabalho era a de que a simples transferência de renda não era suficiente para garantir que as crianças e adolescentes deixassem de trabalhar para estudar. Leia mais »
Autor: luisnassif - Categoria(s): Fome
Tags: Bolsa Família, evasão escolar
26/03/2009 - 15:48
Por Hans Bintje
A questão-chave é: qual a situação das tranferências monetárias para as famílias mais pobres?
Trecho de um excelente trabalho de econometria sobre esse tema (clique aqui):
“Os resultados estimados indicam um efeito positivo das transferências monetárias sobre o consumo das famílias pobres beneficiárias. O fato de os recursos serem prioritariamente destinados a despesas com alimentos, educação, produtos de higiene e vestuário em detrimento de itens como bebidas e cigarros, despesas diversas e bens duráveis significa que, em alguma medida, estes recursos estão sendo gastos de forma ‘eficiente’. Além disso, é bastante provável que o aumento do consumo destas famílias eleva o seu nível de bem-estar, representando um ‘alívio’ imediato sobre a pobreza. Deve-se ressaltar que o aumento do consumo para os itens especificados ameniza as adversidades destas famílias no curto prazo, mas também pode proporcionar efeitos no longo prazo. Leia mais »
Autor: luisnassif - Categoria(s): Fome, Sem categoria
Tags:
16/03/2009 - 15:00
Por José de Abreu
LN
Boa semana a todos!
ótimo trabalho de jornalista, na Carta Capital.
até
zeh
Garçom, procura-se
Urariano Mota, na Carta Capital Leia mais »
Autor: luisnassif - Categoria(s): Fome, Políticas Sociais
Tags: Bolsa Família, Jarbas
13/03/2009 - 07:28
Uma discussão que estou para abrir há tempos: a questão da descentralização da merenda escolar.
Lembro-me que nos anos 90 tomou corpo a importância da descentralização das compras de merenda escolar. Vários argumentos pesavam a favor da tese: os hábitos de consumo em cada região, o fortalecimento dos produtores locais, o barateamento do transporte.
Tenho lido comentários sobre estados ou metrópoles que voltaram a centralizar as compras – o que favorece apenas os grandes negócios por trás dos grandes contratos.
Conto com a ajuda de vocês para um mapeamento do tema.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Educação, Fome
Tags: descentralização, escolas, merenda escolar
09/03/2009 - 09:51
Frei Betto montou seu marketing se anunciando amigo de Fidel; Patrus Ananias, trabalhando duro na periferia.
Betto leva apoio espiritual a políticos ilustres, jornalistas conhecidos, intelectuais afamados; Patrus se dedica aos pobres.
Betto fez sua opção preferencial pelas celebridades; Patrus, pelos anônimos.
Betto procura os holofotes; Patrus a ação discreta.
Betto tem os pecados capitais da soberba e da inveja; Patrus as virtudes da humildade e da sabedoria.
Betto coloca bandeiras a serviço da promoção pessoal; Patrus iça as bandeiras, e se esconde, com pruridos para não se beneficiar da própria obra.
Betto participou de um programa caótico, o Fome Zero; Patrus criou um programa modelo, o Bolsa Família.
Até hoje Betto busca holofotes para celebrar seu fracasso; raramente se vê Patrus celebrando seu sucesso.
O Fome Zero era um esforço de marketing; o Bolsa Família um trabalho que incorpora indicadores avançados, modelos de gerenciamento e parcerias com o setor privado para as chamadas portas de saída dos miseráveis.
Betto critica o Bolsa Família por não ter porta de saída; o Fome Zero não tinha porta de entrada. Era um mero programa que distribuía alimentos, mas nem contribuições conseguia receber por desorganização ampla e geral.
Em suma, é isso o que explica as catilinárias permanentes de Frei Betto, o soberbo, contra a obra de Patrus Ananias, o humilde. Um é candidato a estrela; outro, é candidato a santo.
No Estadão de hoje Betto volta à carga: “Bolsa-Família é política de governo e projeto de poder”. Nas suas memórias ele atribui o fracasso do Fome Zero à pouca vontade do governo em bancar campanhas promocionais. O fracasso não decorreu da falta de holofotes, mas do excesso de preocupação com o brilho.
Quando ambos morrerem, São Pedro os estará aguardando na porta do paraíso. Betto empurrará Patrus, acelerará o passo para chegar na frente: “Eu sou Frei Betto, amigo do Fidel, do Chico Buarque, orientador espiritual da dona Marise, da dona Risoleta, da Milu Vilella, de psiquiatras, escritores e intelectuais famosos”.
Com paciência, São Pedro o afastará educadamente com um braço, enquanto com o outro indicará a Patrus a entrada. Procissões de anjos celebrarão sua chegada.
Betto não receberá o castigo eterno. Apenas passará uma temporadinha no purgatório, para se livrar definitivamente dos pecados da soberba e da inveja.
Aliás, quando vejo Patrus, o irmão leigo, quase volto a acreditar. Aí vejo Betto, o religioso, e caio na real novamente. Leia mais »
Autor: luisnassif - Categoria(s): Fome
Tags: Bolsa Família, Fome Zero. Frei Betto, Patrus Ananias
31/01/2009 - 09:22
”Estamos no Bolsa-Família 2.0”
Do Estadão
Economista defende efeito do benefício contra desigualdade e diz que seu aumento pode compensar contração do crédito
Wilson Tosta
O economista Marcelo Néri, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), afirma que a expansão do Bolsa-Família anunciada esta semana pelo governo federal poderá ajudar no combate à crise econômica entre os mais pobres. Para ele, ao expandir a distribuição de dinheiro em setores em que é mais alta a propensão para gastá-lo, a iniciativa, além de combater a pobreza, estimulará a economia, compensando em parte a redução do crédito. “Essa é uma medida adequada”, diz ele, por e-mail, de Washington. Néri destaca o efeito “direto e potente” do programa sobre a redução da desigualdade no País, mas reconhece que, nas pesquisas sobre o Bolsa-Família, a hipótese de que gere acomodação nos beneficiários não foi afastada. Leia mais »
Autor: luisnassif - Categoria(s): Fome, Políticas Sociais
Tags: Bolsa Família, inclusão social
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