Guerra diz que PT quer comparar o governo atual com o de FHC para esconder fraquezas da candidata petista
Ana Paula Scinocca
O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra, afirmou que o PT do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da ministra Dilma Rousseff, pré-candidata ao Planalto, quer comparar seu governo com o do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para “esconder” a ministra candidata. “Eles (petistas) reconhecem que a candidata é fraca, que não tem suficiente currículo, que não tem experiência feita”, afirmou. Guerra disse que o candidato tucano, José Serra, não fará o papel de anti-Lula na eleição de outubro e que espera do PT “terrorismo e mentira”. A seguir, os principais trechos da entrevista ao Estado.
O jogo para colocar o Aécio Neves de vice de José Serra já transbordou para o ridículo. A última é que Aécio analisará as pesquisas em abril. Se Serra tiver decolado, ele aceitará a vice.
Ora, se Serra tiver decolado, Aécio será jogado ao mar. A pressão para que se candidate agora é para salvar uma candidatura ameaçada. E, se Serra naufragar, no dia 15 de novembro o PSDB cairá no colo de Aécio, colocando fim à fase FHC-Serra.
É esse o jogo por trás dessa movimentação toda para cooptar Aécio, na qual todas as armas estão sendo empregadas, desde as suposições fantasiosas do Estadão até o uso reiterado, por Serra, dos mesmíssimos blogueiros barras-pesadas para ataques contra o adversário-aliado.
Aliás, Serra não se emenda. O uso desses assassinos de reputação já lhe custou desgaste interno no próprio PSDB, pelas baixarias perpetradas contra Geraldo Alckmin, contra o Gabriel Chalitta e contra o próprio Aécio.
Do Estadão
Aécio espera pesquisas de abril para definir se aceita ser vice de Serra
Se avaliar que paulista sustenta dianteira, é provável que abrace a causa; do contrário, investirá na eleição mineira
Plano de governo do PT para Dilma reforça papel do Estado na economia
Vera Rosa, BRASÍLIA
Ancorado pelo mote de um novo “projeto nacional de desenvolvimento”, o programa de governo do PT vai situar a candidatura presidencial da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à esquerda da gestão Lula. Documento com as diretrizes que nortearão a plataforma política de Dilma, intitulado A grande transformação, prega maior presença do Estado na economia, com fortalecimento das empresas estatais e das políticas de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal para o setor produtivo.
O texto a ser apresentado no 4º Congresso Nacional do PT, de 18 a 20 de fevereiro – quando Dilma será aclamada candidata ao Palácio do Planalto num megaencontro em Brasília – diz que a herança transmitida à “próxima presidente” será “bendita”, após duas décadas de estagnação e avaliações “medíocres”. Em 2003, quando assumiu o primeiro mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ter recebido uma “herança maldita” do então presidente Fernando Henrique Cardoso.
Na tentativa de esvaziar o mote do pós-Lula entoado pelo PSDB, o documento obtido pelo Estado sustenta que só o herdeiro do espólio lulista pode oferecer as bases para a formulação de um “projeto nacional de desenvolvimento”, que mescla incentivos ao investimento público e privado com distribuição de renda.
“O Brasil deixou de ser o eterno país do futuro. O futuro chegou. E o pós-Lula é Dilma”, diz um trecho da versão preliminar da plataforma. No diagnóstico que antecede a apresentação dos eixos programáticos, o PT afirma que “o Brasil foi programado para ser um país pequeno, cujo crescimento não poderia nunca ultrapassar os 3%, e que teria de se conformar com a existência de 30 ou 40 milhões de homens e mulheres para os quais não haveria espaço”.
Serra precisa começar já a sua campanha, diz ‘Economist’
A revista britânica The Economist traz na sua última edição, publicada nesta quinta-feira, um artigo em que diz que o governador de São Paulo, José Serra, precisa iniciar já a sua campanha à Presidência da República para ter chances de vencer.
No texto, intitulado Serra espera, um pouco pacientemente demais, pela Presidência, a revista traça um perfil do governador, destacando que ele “é certamente um forte candidato a ocupar a vaga” de Luiz Inácio Lula da Silva.
Paulino: Transferência de Lula para Dilma é comprovada
Sociólogo de formação, Mauro Paulino, há mais de 20 anos vasculha e divulga anseios e intenções do eleitorado brasileiro. No instituto de pesquisa Datafolha, coordena a realização de pesquisas eleitorais desde 1988. Em entrevista a Terra Magazine, ele fala do “tabuleiro de xadrez” em que estão a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), e o governador José Serra (PSDB-SP) no pleito presidencial de outubro.
Pergunta – Porém já existem pesquisas que colocam Dilma Rousseff na casa dos 20% das intenções de voto.
A Dilma, em qualquer situação, teria 1% dos votos. Com o apoio de Lula, seu índice sobe para esse patamar já demonstrado pelas pesquisas, entre 15% e 20%. Esse talvez seja o teto dela. A transferência de votos ocorre apenas no eleitorado mais humilde. Mas isso não vai decidir a eleição. Foi-se o tempo em que um líder muito popular elegia um poste. Isso acontecia quando não havia reeleição. Os eleitores achavam que quatro anos era pouco e queriam mais. Aí votavam em quem o governante bem avaliado indicava, esperando mais quatro anos de sucesso.
Tem alguns petistas/lulistas alienados que acham que Lula e o PT seriam incapazes de cometer erros estratégicos, por isso não veem a eleição plebiscitária como um erro estratégico.
Só para reavivar a memória lembro aqui de uma série de erros( muitos infantis):
Em 1989, Lula/PT não aceitou o apoio de Brizola no segundo turno. Brizola que quase teve o mesmo número de votos que Lula, no primeiro turno. Erro infantil.
Em 1994, os erros foram atirar contra o plano real e a chapa puro sangue.
Em 1998 não havia nada o que fazer.
Em 2002, não houve erros.
Em 2006, misturar a eleição presidencial com a eleição a estadual em SP( Ufa, por pouco!). E não é que tão tentando de novo!!!!
Eleições municipais em SP, sendo quem as comandam é o mesmo PT nacional:
Em 2004, chapa puro sangue. Marta estava crente que ganharia sem precisar de apoio de outro partido. Existem muito petistas afobados. Isto me lembra a questão de agora, imaginar que podem vencer Serra sem precisar da ajuda de Ciro.
Em 2008, o marqueteiro da campanha de Marta, que é o mesmo do presidente Lula, e os figurões que são os mesmos que comandam o PT em nível nacional, tiveram a capacidade de questionar a vida sexual de Kassab. Chamar isto de erro infantil é elogio. Esta abaixo de tudo que se possa imaginar: burrice, falta de ética, cegueira coletiva etc.
O PT é um bom partido quanto a mostrar planos de governo, projetos, mas em estratégia eleitoral a história mostra que é um zero à esquerda.
Portanto quem já cometeu aqueles erros infantis que comentei acima, pode cometer um erro muito mais sofisticado, que ao meu ver é a estratégia da eleição plebiscitária.
Outro defeito de muitos petistas/lulistas é o afobamento. Eles querem, veja só, ganhar já no primeiro turno. Se não for no primeiro turno, não tem graça. Faltam-lhes humildade. E subestimam demais o adversário. Nem o Lula conseguiu ganhar no primeiro turno.
Ps: Queria explicitar, antes que pensem ao contrário, que sou Dilma.
Diante das recentes pesquisas eleitorais, bateu o desespero.
Mais do que nunca verificamos as mãos se voltando para Minas Gerais na súplica para Aécio ser vice de Serra.
Mas Aécio deu o golpe de misericórdia ontem.
“Aécio lamenta falta de empenho do PSDB com plano alternativo”
Governador mineiro diz ter faltado ‘mobilização’ para que sua pré-candidatura ao Planalto fosse discutida Eduardo Kattah, de O Estado de S.Paulo
BELO HORIZONTE – O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), lamentou nesta terça-feira, 2, que seu partido não tenha feito a “mobilização necessária” para que sua pré-candidatura fosse discutida como uma alternativa para o partido na eleição presidencial. Embora tenha ressaltado que “quem faz vida pública não conduz o seu o próprio destino”, Aécio reafirmou que no momento seu “caminho natural” é uma candidatura ao Senado.
Para ele, moral da aliança PT-PMDB ‘é um roçado de escândalos já semeados’ e pode deixar governistas ‘com a brocha na mão’
Eugênia Lopes, BRASÍLIA
JUSTIFICATIVA – “Pretendo ser candidato à Presidência para explorar ao máximo a complexidade e a riqueza do sistema de dois turnos”
Entrevista
Ciro Gomes: pré-candidato do PSB à Presidência
Depois de um périplo de um mês por Berlim e Paris, onde passou férias, o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) voltou à ribalta decidido, aparentemente, a manter sua candidatura à Presidência. Sem fumar há três meses e com um tom variando entre o irônico e o irritado, Ciro disse que “o santo Lula está errado” ao defender que ele desista de disputar o Planalto em favor da ministra Dilma Rousseff.
Derrotado duas vezes na corrida presidencial (1998 e 2002), Ciro garantiu que só deixará de ser candidato ao Planalto se seu partido assim quiser. Disse que não será candidato ao governo de São Paulo e considerou “golpistas” as articulações do ex-ministro José Dirceu na promoção de alianças estaduais. Ex-ministro de Lula, Ciro qualificou como “frouxa” a coalizão PMDB-PT em torno da candidatura Dilma.
O senhor desistiu de ser candidato à Presidência da República?
Mantenho minha candidatura. Pretendo ser candidato à Presidência para explorar ao máximo a complexidade e a riqueza do sistema de dois turnos. Minha intenção é ser candidato para valorizar e proteger o cidadão brasileiro do malefício que é a volta ao passado. Só eu posso sinalizar para o futuro. Vou conservar o rumo extraordinário que o Lula iniciou no País. Só eu posso fazer a justa transição com a necessária e indispensável dose de renovação no País.
Em letras menores: “CNT/Sensus mostra Serra com 33,2% das intenções de voto ante 27,8% da ministra, em quadro de empate técnico”
No corpo do texto: “O levantamento, que tem margem de erro de três pontos porcentuais para mais ou para menos(…)”
Mais: “O empate técnico entre Dilma e Serra desaparece quando o nome de Ciro é retirado da simulação. No cenário traçado sem a candidatura do deputado, a vantagem do tucano sobre a petista passa a ser de 12,2 pontos. Serra vai a 40,7%, enquanto Dilma aparece com 28,5% e Marina com 9,5%.”
Ué… 40,7% de Serra contra 38% de Dilma mais Marina… Empate técnico de novo! Ou seja, pela pesquisa, a saída de Ciro da disputa não coloca automaticamente Serra como vencedor em turno único. Extatamente o contrário do que diz o Estadão em sua manchete.
Matéria interessante no site do PNUD. Pesquisador do IPEA diz que, apesar de a desigualdade no Brasil ter caído, ainda são os 20 a 30% mais ricos do país que movimentam a economia.
Pesquisador do IPEA afirma que, apesar da redução da pobreza e da desigualdade, economia ainda é sustentada por 30% da população
da PrimaPagina
Apesar da redução da pobreza nos últimos anos, a economia brasileira ainda é sustentada pelo consumo de uma pequena parcela da população, afirma o economista Sergei Dillon Soares, do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Em entrevista para um boletim do CIP-CI (Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo), ele defende que a melhoria da desigualdade de renda aumentou o peso dos mais pobres no mercado, mas não a ponto de blindar o Brasil contra crises econômicas — esse processo ajudou apenas “um pouco” a diminuir os efeitos da recessão de 2009, por exemplo.
“O que podemos dizer é que, para além das muito prudentes políticas macroeconômicas que foram seguidas no passado recente, e todo o resto que foi feito corretamente — e o Brasil fez muitas coisas corretamente — talvez a melhoria na desigualdade ajudou um pouco, foi um fator adicional, mas certamente não o principal”, diz Soares.
Dilma empata com Serra em cenário com Ciro na disputa, diz CNT/Sensus
No 1º cenário, Serra sobe de 31,8%, em novembro de 2009, para 33,2%.
Dilma foi de 21,7% a 27,8%; Ciro Gomes (PSB) caiu de 17,5% para 11,9%.
Rafael Targino Do G1, em Brasília
Na corrida eleitoral pela sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), está tecnicamente empatada com o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), quando o deputado Ciro Gomes (PSB) está na disputa, mostra pesquisa CNT/Sensus divulgada nesta segunda-feira (1º).
Dilma cresceu pelo menos cinco pontos percentuais nos dois cenários testados pela pesquisa. O governador de São Paulo ainda lidera nas duas pesquisas estimuladas, mas a margem entre os dois diminuiu. Ela já passou o governador na pesquisa espontânea.
No primeiro cenário, Serra cresce de 31,8%, em novembro de 2009, para 33,2% em janeiro deste ano; Dilma subiu de 21,7% para 27,8%; Ciro Gomes (PSB),caiu de 17,5% para 11,9%; e Marina Silva (PV) subiu de 5,9% para 6,8%. Houve queda no total de pessoas que votam nulo ou branco (de 11,1% para 10,5%). A diferença entre os dois primeiros colocados, que era de 10,1%, caiu para 5,4%. Como a margem de erro está em 3%, os dois estão tecnicamente empatados. “Há uma intersecção da margem de erro”, disse Ricardo Guedes, do Instituto Sensus.
Eu acredito que as próximas evoluções para Dilma serão mais difíceis.
Está claro que a candidatura Dilma vem apresentando grande crescimento. E que a candidatura Serra, algum decréscimo. Haverá continuidade desses processos, mas a ritmo mais lento. As análises não podem prescindir de observar o que ocorre com outras candidaturas e seus eleitores.
Um grupo que está diminuindo muito, ainda que com oscilações, é o de indecisos (I/B/N). Em uma “média de 3 pesquisas” passou de 25% para 20% em três meses. As candidaturas alternativas à polarização (Ciro, Heloísa, Marina) também estão diminuindo. Passaram de 27% para 21% em cinco meses (média de 3 pesquisas.), estando agora em 17%.
São destes grupos, aparentemente, que Dilma obteve seu maior crescimento ao longo de 2009. Isso é percebido no gráfico [A] “de área” (abaixo), com pesquisas de todos os institutos (as oscilações são menos evidentes na parte esquerda porque as pesquisas eram mais espaçadas no tempo.) Também vemos que a candidatura Serra apresenta estabilidade em torno de 35% (oscilações de 5% são corriqueiras em seu histórico.)
As simulações para 2º turno tornam-se muito importantes. Quando confrontamos 2º turno com 1º turno (gráfico [B]), vemos que os eleitores remanescentes dos alternativos passam mais para Serra, cuja candidatura perde eleitores apenas lentamente (As séries são obtidas pela subtração das intenções de voto entre 1º e 2º turno para as candidaturas principais.)
No gráfico [C], de simulação final de votos válidos, vemos que a distância entre as candidaturas ainda é de 14% (57% x 43%) Não é possível definir o “piso” de Serra, mas ele sem dúvida é significativo e persistente. Como o número de indecisos e de eleitores das candidaturas alternativas já caiu muito, e tem um patamar final provável em torno de 10%, novos crescimentos de Dilma serão mais lentos. Dilma precisaria aumentar de 35% para 45%, as intenções de voto de 2º turno para empatar (ou seja, alcançar 50% na simulação de válidos) e tirar votos diretamente da base de Serra será o mais difícil.
(Base de dados: todas as 18 pesquisas, desde 2008, disponíveis no “Blog do Fernando Rodrigues” + outras 6 pesquisas Ibope, Datafolha e Vox Populi que não estão listadas nesse site, com o seguinte cenário : Serra, Dilma, Ciro, Heloísa e/ou Marina.)
Governador São Paulo obteve 34% das intenções de voto; Dilma cresceu, mas ainda está em segundo lugar
São Paulo - Uma nova pesquisa da Vox Populi, encomendada pela TV Bandeirantes e divulgada ontem apontou que o atual governador de São Paulo, José Serra (PSDB), leva vantagem na corrida presidencial, com 34% das intenções de voto. Dilma Rousseff (PT), ministra-chefe da Casa Civil, está em segundo lugar, com 27%.
Na pesquisa anterior, divulgada em dezembro pela Vox Populi, apontava que Serra obteria 39% dos votos contra 18% de Rousseff. Em pouco tempo, a favorita do Presidente Lula conseguiu um crescimento de 9%
nas intenções de voto.
A pesquisa ouviu 2 mil pessoas em 23 Estados e no Distrito Federal, entre os dias 14 a 17 de janeiro. O levantamento tem margem de erro de três pontos percentuais. Essa é a primeira pesquisa eleitoral a ser
divulgada em 2010.
No caderno Aliás, do Estadão, uma matéria com tal nível de preconceito contra Ciro Gomes, que o ponto central da crítica é que, ao aceitar ser candidato por São Paulo (nem aceitou ainda), ele pretende “a exposição do seu narcisismo em rede nacional”.
O analista deve ter descoberto um outro perfil de político, o político em off. Lembra-me um amigo de Campinas, o Claudionor, que resolveu sair candidato a vereador nos anos 80. Fomos visitá-lo e não havia uma propaganda sequer dele, nem mesmo na sua gráfica. Motivo alegado: “A Prefeitura está de olho em mim e não posso me expor”.
Meu Deus! O maior ativo de um político é a visibilidade, o reconhecimento. Como tratar uma peça essencial da ação política – a busca de visibilidade – como narcisismo? Então todos são narcisos. E se o narcisismo é parte intrínseca da personalidade política, do que o político Ciro é acusado mesmo? De ser político.
Do Estadao
Prêmio de exibição
Ciro Gomes sabe que não ganha a Presidência, mas candidatando-se terá garantida a exposição de seu narcisismo em rede nacional
Francisco Foot Hardman – O Estado de S.Paulo
O presidente Lula teve outro bom motivo, além dos aventados, para ver sua pressão arterial disparar, lá no Recife. No cardápio do jantar com o governador Eduardo Campos havia prato dos mais indigestos: o destino eleitoral do deputado Ciro Gomes. Repasto cujos ingredientes mais incômodos foram curtidos em salmoura nada melíflua pelo próprio Lula e confrades próximos.
Homero, por coincidência e curiosidade fiquei algumas horas elaborando esses gráficos. Pretendo atualizar as tabelas a cada eleição que sair daqui para a frente. Fiz gráficos por instituto de pesquisa e também fiz um com todos os institutos. Coloquei também a linha de tendência neste último gráfico. Aparece zero quando o candidato não foi considerado, como no caso da Heloísa Helena, que não mais concorrerá, e no caso da Marina, que no começo não era candidata. É interessante perceber os possíveis erros, falta de precisão ou até manipulações de metodologias de alguns institutos. Aceito sugestões de melhorias ou observações em caso de algum eventual erro. Aí vai.
A população não quer mais quatro anos de PT sem Luiz Inácio Lula da Silva, avalia o presidente do IBOPE, Carlos Augusto Montenegro. Para ele, a alta popularidade do presidente República não está sendo transferida para a ministra Dilma Rousseff em grande parte devido ao desgaste do PT.
Ao comentar a pesquisa CNI/IBOPE divulgada ontem, Montenegro voltou a afirmar que a ministra não tem chance. Para ele, o eleitor cada vez mais vai ficar com o sentimento de que Dilma vencendo serão “quatro anos com as coisas ruins do PT e sem as coisas boas de Lula”.
(…)O partido não tem liderança e o Lula resolveu inventar uma pessoa. Acho que o Brasil está diferente. É difícil eleger um poste, independentemente dele [Lula] estar muito bem avaliado. Principalmente sendo uma pessoa que nunca participou de eleição que não tem voto, carisma ou simpatia.
Por isso mesmo Dilma tem de 13% a 15% das intenções de voto. Sem Lula, teria 1%. Qualquer um que Lula apoiasse teria 13% a 14% [das intenções de voto] pois é o que pode transferir. A rejeição a Dilma ter chegado a 40% significa que ela anda para trás.
Valor: O senhor acha que uma pesquisa um ano antes das eleições retrata o quadro para daqui a 12 meses?
Montenegro: Por acaso nas últimas quatro eleições presidenciais quem estava na frente um ano antes, ganhou. Isso aconteceu na segunda eleição de Fernando Henrique Cardoso e nas duas vezes em que Lula venceu.
A pesquisa mostra que Dilma está descolada do Lula no sentido negativo. Ele manteve quase intacta a aprovação e Dilma caiu quase cinco pontos percentuais. Se ela estivesse totalmente atrelada a Lula, também estaria na onda ascendente. Ele ficou com uma aprovação exuberante e ela caiu. A questão é se a população quer mais quatro anos de PT sem Lula.
As pessoas já começaram a entender que não é só Lula que faz o governo. O fato da Dilma estar caindo mostra isso.
A Dilma, em qualquer situação, teria 1% dos votos. Com o apoio de Lula, seu índice sobe para esse patamar já demonstrado pelas pesquisas, entre 15% e 20%. Esse talvez seja o teto dela.
Vox Populi aponta queda na diferença de Dilma Rousseff para José Serra
Da EFE
São Paulo, 29 jan (EFE).- A ministra Dilma Roussef (PT), favorita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ser a candidata do Governo nas eleições de outubro, ganhou 9 pontos percentuais na última pesquisa realizada pela Vox Populi.
Rousseff, ministra-chefe da Casa Civil, aparece com 27% das intenções de voto, embora ainda esteja distante do governador de São Paulo, José Serra, quem com 34% segue em primeiro lugar na pesquisa.
Na pesquisa anterior da Vox Populi, publicada em dezembro, apontava um cenário no qual Serra obteria 39% dos votos contra 18% de Rousseff.
Até agora nem a ministra e o governador foram declarados, por enquanto, oficialmente candidatos de suas respectivas forças políticas, o Partido dos Trabalhadores e o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB).
Entre os outros pré-candidatos, a senadora e ex-ministra de Lula Marina Silva (6%) aparece em quarto lugar, atrás do deputado federal Ciro Gomes (11%), aliado do Governo Lula.
A pesquisa também traça um cenário sem Gomes na disputa, e, em tal caso, atribui 38% a Serra e 29% a Rousseff, que sairia derrotada pelo governador por 46% a 35% em um hipotético segundo turno.
Na eleição de outubro, Lula, que goza de altos níveis de popularidade em seu país, não poderá ser candidato, pois já foi reeleito no pleito de 2006 e a Constituição impede concorrer ao terceiro mandato consecutivo. EFE
Com 27% das intenções de voto, Dilma, não está “distante” de Serra, com 34%.
Levando em conta a margem de erro, é uma diferença pequena, que o próprio estado maior de Dilma esperava alcançar apenas em março.
Por Américo
Se não vejamos:
1- A diferença no vox Populi em dezembro entre os Serra (39) e Dilma (18) era de 21 pontos percentuais;
2- Agora, janeiro, Serra(34) e Dilma (27) a diferença pró serra é de “apenas” 7 pontos.
3- Esta progressão da Dilma , tirar a diferença de 21 pontos para 7 pontos, significa tirar uma “grande” diferença de 14 pontos num só mes (não detectada pelo G1, a agencia efe e a uol);
4-na realida Dilma cresceu 50% (18 para 27);
5- o serra caiu 13,26% (39 para 34);
6- mal comparando, na política, seria como se não sentíssemos o tsunami que arrasou Ásia em dezembro, ou os aparelhos não captassem o terremoto no Haiti.
7- por último, mas não menos importante, para mim o que interessa, é a tendência e neste caso, mostra claramente:
- Dilma em ascensão rápida, continuada e segura e
- Serra em continuada tendência de queda lenta, gradual e trazendo para o candidato muita insegurança.
Serra é um grande estrategista. Com a repercussão da lei antifumo, ao fazer a lei mais rigorosa do que o estágio corrente da sociedade requeria, ele conseguiu se apropriar politicamente de conceitos que não eram dele. Em 2008 e 2009 muitos estados e grandes municípios passaram leis antifumo. Possivelmente cobrindo 70% da população brasileira. Seria muito bom se comentaristas de outras UF’s comentassem sobre as leis locais. Principalmente se houve benefícios para os não-fumantes. As legislações de outros estados em geral parecem mais frouxas que a paulista.
Evidentemente, como o argumento sanitarista é bom para políticos, principalmente em uma sociedade cada vez mais preocupada com saúde, é claro que São Paulo teria que ter sua própria lei. Em comum com a maioria das leis de outros estados ou países há a parte significativamente mais útil, que é proibir fumar em restaurantes, bares e áreas de lazer fechadas. Isto garante absoluta popularidade para a lei e real benefício para os não-fumantes.
Mas não garantiria a primazia do conceito e possivelmente não traria os dividendos políticos desejados. Então foi necessário incorporar outros elementos para que a lei fosse de repercussão midiática, reforçando a imagem de Serra como protetor da saúde:
Do artigo ‘Crescimento insustentável’ de Roberto Nicolsky, publicado no Jornal da Ciência, edição de número 3938, de 27 de Janeiro de 2010:
“Exportamos cinco toneladas de soja ou quatro de minério de ferro pelo preço de um laptop, cuja produção gerou muito mais empregos e renda. A indústria instalada no país, seja eletrônica, farmacêutica etc. importa mais componentes com os quais finaliza ou monta os produtos, sem que o governo aja na defesa da renda e dos empregos industriais. Já tivemos a quinta indústria de bens de capital do mundo e hoje temos apenas a 14ª, com muito menos conteúdo tecnológico próprio. Isso é a desindustrialização! Entre 2006 e 2008, o deficit do comércio exterior em produtos de maior valor agregado e alta intensidade tecnológica quadruplicou, alcançando US$ 51 bilhões, enquanto exportávamos cada vez mais commodities”.
O que pensam os principais candidatos à Presidência da República sobre esse assunto? Será que os mesmos pretendem apenas debater “choque de gestão” ou quem faz pedágios nas rodovias mais baratos Brasil afora?
NASSIF, VEJA ESSE ARTIGO DO MARCOS COIMBRA , DO VOX POPULI SOBRE A MÁ FÉ DA VEJA:
De Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi:
Correio Braziliense – 27/01/2010
É impressionante a má vontade que parte da imprensa tem com o Bolsa Família. Vira e mexe, alguém encontra um motivo para criticá-lo, tenha ou não fundamento.
Quando acha que descobriu algo relevante, aproveita para externar sua antipatia em relação ao programa, quando não seus preconceitos contra os beneficiários.
0No último fim de semana, uma das mais importantes revistas de informação trouxe uma matéria típica dessa visão. Nela, ao questionar o que, em uma primeira impressão, parece uma decisão condenável do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), que o administra, fica evidente a hostilidade que é dirigida ao programa, levando a interpretações infundadas e equivocadas.
Ninguém é obrigado a gostar do governo e é natural que existam órgãos de imprensa que se posicionem contra ele por motivos ideológicos. No mundo inteiro, isso acontece e é até salutar que tenhamos jornais e revistas com clara inclinação política e partidária.
Passou despercebido, na última pesquisa Vox Populi, a candidatura Antonio Anastasia ao governo de Minas.
Assim como a Ministra-Chefe da Casas Civil, Dilma Rouseff, o vice-governador Antonio Anastasia revelou-se um emérito gestor. Tem sido o responsável pelo programa mineira de gestão. Da gestão, pulou para a política e terminou candidato a candidato do governador Aécio Neves.
Nas pesquisas do Vox Populi, aparece com 14 pontos, bem colocado em qualquer das formações de candidatos ao governo do estado
Nassif, sobre a corrida eleitoral: José Alencar renasce politicamente. Creio que o Vice-Presidente de Lula foi muito mais atuante e discreto que seus antecessores, além de ter discurso afinado com o presidente Lula. Lembro-me dele apagando o fogo da crise militar, quando em plena crise institucional, os militares “derrubaram” o Ministro da Defesa na época (esqueci o nome dele, se alguém lembrar, cite). Agora, diante da brava luta contra um câncer, sua força de vontade em trabalhar institucionalmente, e ainda ser discreto, surge como potencial rival de Aécio ao Senado de Minas. Uma conjuntura política nova, que ninguém esperava – já que Aécio é quase unanimidade em Minas, até pelas alianças com o PT em BH e em boa parte do estado.
“Oito anos depois, Alencar vira grife e consenso no PT; partido apoia vice para o Senado
Rayder Bragon
Especial para o UOL Notícias
Em Belo Horizonte
Dividido entre dois pré-candidatos para a sucessão ao governo de Minas em 2010, o ministro Patrus Ananias e o ex-prefeito Fernando Pimentel, o PT de Minas Gerais encontra unanimidade apenas em um nome. O vice-presidente da República, José Alencar, apesar de pertencer ao PRB, se transformou em um nome “sagrado” entre os petistas, que declararam apoio a ele caso decida concorrer ao Senado. Se concorrer, possivelmente terá como concorrente o governador Aécio Neves (PSDB).
Apesar de ter sido alijado da sucessão municipal, em 2008, quando boa parte do PT ainda passava ao largo do nome dele, o político agora é tido como o “mentor” da sucessão no Estado por ala petista ligada ao ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel. À época, o então prefeito Pimentel uniu-se ao governador Aécio para eleger Marcio Lacerda (PSB) chefe do Executivo da capital. “(continua)
Matéria rara de O Globo: sem pegadinha, informativa, respeitando o entrevistado, com manchete correta. O que se passa?
De O Globo
‘Tentar fazer Dilma parecer com Lula é ilusão’
Ex-companheiro de ministra na luta armada, petista, hoje no comando da campanha, defende que ela assuma fama de durona
Fábio Fabrini
BELO HORIZONTE. Ex-guerrilheiro que militou com Dilma Rousseff contra a ditadura militar e tem com ela uma ligação de 42 anos, o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel (PT) afirma que terá papel de destaque na coordenação da campanha da ministra à Presidência, mesmo que seja candidato ao governo de Minas Gerais.
Ele vincula sua candidatura ao Palácio da Liberdade a uma decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Discurso que oficializará candidatura petista quer desmontar mote tucano
Vera Rosa
CHAPA -Cotado para vice, Temer foi chamado por Dilma de “companheiro incansável” na aliança PT-PMDB
BRASÍLIA
O comando da campanha de Dilma Rousseff ao Palácio do Planalto aposta no discurso da ministra da Casa Civil no 4º Congresso Nacional do PT, em fevereiro, para jogar por terra a retórica do pós-Lula entoada pelo PSDB. “O pós-Lula é inseparável do governo Lula”, afirmou Dilma na reunião ministerial de quinta-feira, apontando a tecla em que baterá na corrida sucessória. “Esse legado é nosso.”
Acusada de não ter jogo de cintura política, a ministra já começou a ensaiar a coreografia dos palanques. Um discurso forte de Dilma no megaencontro que oficializará sua candidatura, em Brasília, é considerado fundamental para sinalizar o tom da campanha petista e fazer uma inflexão na disputa.
Curiosa, a manchete do Estadão. Fica parecendo que Arthur Virgilio, Álvaro Dias, Tasso Jereissatti e Sérgio Guerra – mais os aderentes Raul Jungmann e Roberto Frei – pertenciam a uma força de paz.
Da Coluna de Jânio de Freitas
Os desmentidos
A acusação feita por vários peessedebistas a Dilma Rousseff, de mentir ao afirmar que o PSDB, se eleito, vai acabar com o PAC, é mais um dos casos em que não se pode saber se prevalece a leviandade política ou a má-fé mesmo.
Paulo Renato Souza, sempre pronto a uma declaração estapafúrdia, viu na afirmação de Dilma Rousseff até “a tática de Hitler, de repetir mentiras”. Nada menos do que Hitler? E Paulo Renato Souza tem o título de secretário de Educação do Estado de São Paulo.
Pois é, a mentira está nos desmentidos. É o próprio presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra, o autor desta frase em entrevista a “Veja”, depois de mencionar deficiências reais e graves na infraestrutura de transportes: “Isso é o PAC na realidade. E nós vamos acabar com ele”.
Talvez seja melhor acabar as obras. E dizer ao presididos do partido que não mintam contra o seu presidente.
Do Estadão
Discurso de ministra abre guerra PT-PSDB
Tucanos vão hoje ao TSE alegando campanha antecipada de Dilma
Julia Duailibi, Ana Paula Scinocca, Eduardo Kattah, Carol Pires e Carolina Freitas
Há um perigoso sentimento de “já ganhou” na campanha de Dilma Rousseff. Tão errado como o padrão Montenegro “bola nossa” – de que, dois anos antes das eleições, José Serra já venceu – é a percepção de que a vitória de Dilma são favas contadas.
Onde se funda a percepção de vitória de Dilma?
1. Na popularidade inconteste de Lula e na sua capacidade de transferência de votos.
2. Na percepção de que a aprovação da política econômica continuará sendo alta e que o Brasil atravessará 2010 com vento totalmente a favor.
3. Na crença do esgotamento dos escândalos midiáticos.
Lula diz estar preparado para os ataques da oposição na campanha
Paulo de Tarso Lyra, de Brasília
Lula com Dilma e Sarney: “Como meus adversários não têm programa, vão dar chutes do peito para cima”
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou ontem, durante cerimônia de anúncio da liberação de R$ 3 bilhões em recursos para o programa Minha Casa, Minha Vida para cidades com menos de 50 mil habitantes, que está preparado para os ataques da oposição por conta do ano eleitoral. Ao lado de sua candidata e principal gestora do programa, a chefe da Casa Civil, ministra Dilma Rousseff, o presidente disse que sabe que esse ano será quente. “Como meus adversários são mais letrados do que eu, eu esperava um discurso de alto nível, programático. Mas como eles não têm programa, vão dar chutes do peito para cima. O que eles não sabem é que eu sou capoeirista”, afirmou o presidente.
Do presidente do PSDB Sérgio Guerra, em entrevista ao Noblat:
“Sem dúvida nenhuma. Iremos mexer na taxa de juros, no câmbio e nas metas de inflação. Essas variáveis continuarão a reger nossa economia, mas terão pesos diferentes. Nós não estamos de acordo com a taxa de juros que está aí, com o câmbio que está aí. Estamos criando empregos no exterior. Os últimos resultados da balança comercial são negativos. Precisamos estabelecer mecanismos para criar empregos no Brasil.”
É essa a questão. Só Serra sinaliza uma mudança radical nos rumos da política econômica que está aí. É exatamente isso que a própria Dilma tenta dizer aos banqueiros e rentistas: “Ruim comigo, pior sem mim.”
E agora, torcida brasileira?
Comentário
A partir do segundo semestre de 2010 os dois candidatos estarão negando mudanças no câmbio mas pensando em como mudar.
Mas é gozado esse jogo político brasileiro e a maneira como se insere nele a discussão econômica.
Praticamente todos os analistas econômicos ligados ao PSDB defendem o Banco Central, câmbio e juros atuais. E quem mantém juros e câmbio atuais, comprometendo a política econômica, é o governo Lula.
Agora, o PSDB acenou com a primeira bandeira relevante de mudança: o câmbio. Provavelmente Dilma Rousseff pensa o mesmo mas, por ser governo, não poderá explicitar sua posição.
Na hipótese de Serra entrar e mudar a política cambial, no mesmo dia (nem mesmo no dia anterior), minha amiga Mirian e demais estarão defendendo a desvalorização cambial. Como ocorreu, aliás, em 1999. Uma análise minimamente focada concluiria que o câmbio não se sustentaria. Mas até a véspera Mirian – apud Natan Blanche – e Maílson atacavam o câmbio flexível como fruto do “arco do atraso” e garantiam que não haveria mudança no câmbio.
Dois meses depois, câmbio flexível passou a ser o estado da arte. Contra o “arco do atraso”.
Introdutor do jornalismo de serviços e do jornalismo eletrônico no país. Vencedor do Prêmio de Melhor Jornalista de Economia da Imprensa Escrita do site Comunique-se em 2003, 2005 e 2008, em eleição direta da categoria. Prêmio iBest de Melhor Blog de Política, em eleição popular e da Academia iBest.