Dos programas preciosos de Fábio Zanon, fico sabendo do costa-riquenho Mário Ulloa. Com formação internacional veio para em Salvador por conta do casamento com uma brasileira – uma das grandes contribuições ao violão brasileiro são as brasileiras que se casaram com grandes violonistas, desde Segóvia e Barros.
Além de grande intérprete, Ulloa é considerado por Zanon um dos grandes mestres do violão da atualidade. Fez de Salvador um dos mais importantes centros violonísticos do país – essa nem os baianos do Blog sabiam, heim? Atualmente é a cidade com maior número de bolsistas de violão clássico para o exterior.
Clique aqui, para Ulloa interpretando o clássico “Todo Sentimento”, de Chico Buarque e Cristovão Bastos.
Tem muitos vídeos dele no Youtube. Um violonista estupendo!
“Agustín Barrios faz parte da alma brasileira. Não existe um só violonista brasileiro que não conheça ‘La Catedral’, que não tenha aprendido nos estudos de Barrios” (Luis Nassif. In: Violões do Brasil).
João Rabello é filho de Paulinho da Viola, neto de César Faria e, pelo lado materno, sobrinho de Rafhael Rabello. Mas já é fera em seu instrumento.
Como divulguei na aba de Eventos desse Portal aconteceu, ontem a noite (14/09/09), na cidade de Teresina (PI), na Oficina da Palavra, mais uma edição do projeto – “Sonora Brasil – Formação de Ouvintes Musicais – Violão Brasileiro” -, desenvolvido pelo Sesc, apresentando os violonistas Marcello Fernandes e Henrique Annes.
Acabei de saber que um vídeo que coloquei tempos atrás no Youtube, do John Williams interpretando Villa-Lobos foi considerado o vídeo de violão com mais visitas até agora: 303.148. Que maluquice é esse Youtube.
Das outras que coloquei, o vídeo “Os Reis da Sanfona” já tem 165.219 visitas. O jovem Jimmy Rosenberg 137.118. Clique aqui para ter acesso a todos os vídeos que coloquei.
Ai o povo do violão do mundo inteiro me incluiu nas listas para receber vídeos de violão. E eu sem saber de nada, por não consultar minha caixa de mensagens do Youtube. Olha só esse Rafael Aguirre interpretando El Marabino do venezuelano Antonio Lauro.
Estou ouvindo o último programa que Fábio Zanon preparou para a rádio Cultura FM. Foram 161 programas com o maior acervo já construído sobre o violão brasileiro. Compositores, intérpretes, desde o início do século 20 até o violão contemporâneo.
É nesse programa que fico sabendo de Marcos Alan, um gênio precoce, de Nilópolis, intérprete e compositor, aluno de Turíbio Santos e Jodacil Damasceno.
Faleceu em 1973, com 17 anos, vítima de doença incurável e poucas gravações. Deixou 40 peças para violão, preservadas por sua irmã, Graça Alan, que Zanon compara às de Leo Brower, o cubano que se tornou a maior referência de composição contemporênea para violão.
Com apenas 15 anos de idade, foi segundo colocado no prestigioso Concurso Villa-Lobos.
Clique aqui para ler sua biografia, no site de sua irmã Graça.
E pensar que para Zanon continuar a garimpar essas jóias, bastaria apenas uma hora por semana na rádio Cultura FM. O programa foi-lhe tirado por Paulo Markun, dentro de sua obra pertinaz de transformar a Cultura em uma mera prestadora de serviços para terceiros.
Ouvi uma vez, em uma apresentação, o Duo Assad interpretar Rapsody in Blue. Parecia uma orquestra inteira saindo dos dois violões. Passei anos atrás do CD, sem encontrar.
Agora, nossa comentarista Cafu achou o vídeo no Youtube.
Dia desses, aliás, em seu programa sobre violão, Fábio Zanon dizia que o violão do século 20 teve duas unanimidades: a de Segóvia, como o maior violonista; e do Duo Assad, como o maior duo.
Até Baden Powell, a história do violão brasileira estava centrada em três figuras. No campo popular, em João Pernambuco, com sua influência ibérica; e Aníbal Augusto Sardinha, o Garoto, uma mistura de influências de Debussy, Django Reinhardt e do choro. No campo erudito, houve Villa-Lobos, que reescreveu a história do violão clássico do século.
Baden entra nesse universo como uma síntese desses três gênios. De Pernambuco, absorveu o sotaque do choro, através das aulas com Jaime Florence, o Meira. De Garoto a influência veio através da rádio Nacional, quando o jovem Baden, com apenas 14 anos, ficava apreciando os estudos que Garoto tocava nos intervalos das gravações. Villa, Baden absorveu em ensaios exaustivos do violão clássico. Finalmente, completou seu ciclo de influências com o violonista norte-americano Barney Kessel recentemente morto. Leia mais »
Não é a primeira vez que escrevo isso, mas o violonista Fábio Zanon é, de longe, o melhor crítico musical brasileiro.
Não apenas pelo domínio do violão – já foi considerado um dos cinco melhores violonistas clássicos do mundo -, mas pelo conhecimento da psicologia do instrumentista, da história da música, do embricamento da cultura popular e erudita.
O especial que gravou sobre Yamandu Costa (clique aqui para baixar o podcast) é o que de mais completo apareceu até agora sobre o maior instrumentista brasileiro da atualidade, situando seus vícios, suas virtudes e a síntese: é um gênio.
O programa é recheado de casos testemunhados pelo próprio Zanon. Como na apresentação dele e do Yamandu em que, a cada ensaio, o gaúcho improvisava uma forma diferente de acompanhamento. Zanon conta que até o tom do telefone de Yamandu era tema para novos sons tirados por ele nos camarins.
No dia da apresentação, no entanto, Yamandu exorbitou. Zanon estava se perdendo com a sucessão de inversões e de harmonias novas testadas por Yamandu. Olhou para ele e percebeu que a corda do meio do violão tinha arrebentado. Yamandu continuou mandando bala. Quando terminou a apresentação, com Zanon suando frio, o gênio explicou: “Não dá para parar porque esfria”.
Prezado Nassif, escrevi e defendi com sucesso monografia de final de curso intitulada “Petróleo: impactos sócio-econômicos no Estado do Espírito Santo”, como requisito para meu Bacharelado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Espírito Santo. Muitos dados e informações contidos no trabalho foram extraídos aqui do seu Blog. Sou muito grato por isso. Gostaria de saber se posso postar minha mono aqui no Blog, na Comunidade ou no Projeto Brasil. Como faço?
Comentário
Respondendo: 1. Cadastre-se. 2. Vá para sua PÁGINA PESSOAL. No MEU BLOG, abra um tópico. 3. Nele, coloque um resumo da monografia. Depois, faça o download. 4. Coloque nos TAGs as palavras-chave, incluindo “monografia” entre elas. Parabéns!
Em 1962 o duo Índios Tabajaras vendeu 1,5 milhão de cópias de sua gravação do clássico mexicano Maria Elena. Ficou 14 semanas no topo da lista dos discos mais vendidos do país, outras 17 semanas na Inglaterra. O LP seguinte também ficou entre os dez mais vendidos dos Estados Unidos. Ao todo gravaram 48 discos LP, muitos dos quais disponíveis no site do Amazon. O menos talentoso já morreu. Sobrou Nato Lima, o gênio.
Ambos são brasileiros, cearenses, nascidos em 1918 na Serra da Ibiapaba, no município de Tianguá, ao que consta membros de uma tribo Tabajara. Eles teriam nascido Muçaperê e Herundy, nomes que significam respectivamente “terceiro” e “quarto” de uma fileira de 34 filhos do cacique Ubajara. Teriam saído com a família em 1933, levados para a Serra do Cariri pelo tenente Hildebrando Moreira Lima, segundo o site www.nelsons.com.br, que tem a história mais detalhada da dupla.
Dali até 1936 foram três anos de caminhada até chegar ao Rio de Janeiro. A longa caminhada teria sido feita com 16 índios, os pais mais quatorze filhos. No transcorrer dela, teriam conhecido violeiros e cantadores. Atravessaram Pernambuco, Alagoas e à Bahia. No meio do caminho, em uma feira do nordeste compraram uma velha viola e passaram a dedilhar sozinhos o instrumento. Mais tarde, trocaram a viola por uma cuia de feijão. Em Salvador teriam conseguido a proteção do governador, que lhes forneceu passagens para o Rio de Janeiro, onde chegam no início de 1937, quase quatro anos depois.
No Rio, foram registrados como Antenor e Natalício Moreira Lima, sobrenomes do tenente protetor. Em 1945 se apresentaram pela primeira vez como Índios Tabajara na Rádio Cruzeiro do Sul e foram imediatamente contratados.
Aí começou a vida artística. Primeiro correram o Brasil. Em 1957 começaram carreira internacional pela América Latina, Argentina, Venezuela e México. Passaram a aprimorar a técnica, a estudar teoria com professores diferentes. Natalicio se especializou no solo e Antenor trabalhou a harmonia. Incluíram em seu repertório peças para violão de Bach, Falla, Albeniz e Villa Lobos.
Finalmente seguiram para os Estados Unidos, com a imagem de índios sendo bem explorada pela RCA. Apresentavam-se de smoking para interpretar músicas eruditas e de índios para tocar música popular.
Em 1960 retornaram ao Brasil, aqui ficaram por mais três anos para depois seguiram novamente para os Estados Unidos, onde estouraram pouco depois com Maria Elena.
Deve existir muita lenda nessa história. O fato é que, ao longo dos anos, os Índios Tabajara foram sendo esquecidos no universo musical brasileiro, especialmente na confraria do violão, e mais lembrados pelo seu lado folclórico. Contribuiu, em muito, o estilo estandartizado da dupla, tipo “violão-feito-para dançar”, em vigor na época, e também o repertório, fortemente calcado na música mexicana.
Folclore e estandartização à parte, uma pesquisa nesses sites de Internet oferece um quadro surpreendente da dupla. Em todas as faixas, mesmo nas mais óbvias, há uma técnica refinada, um estilo de tocar vigoroso, próprio da escola de João Pernambuco e Dilermando Reis. Aliás, não há termo de comparação entre Nato Lima e Dilermando: o talento de Nato é desproporcionalmente superior.
Em algumas faixas especiais, percebe-se o fenômeno que foram, intérpretes de um patamar superior, ombreando-se com os maiores violonistas brasileiros de todos os tempos.
Suas interpretações de “Valsa Criola”, do venezuelano Antonio Lauro, e “Valsa em Dó Sustenido Menor”, de Chopin, mereciam ser ouvidas por todos os jovens violonistas cultivadores da rapidez suja. Moonlight Serenade fica à altura das melhores interpretações do grande Oscar Aleman, que se especializou nela.
Deixaram seguidores de peso. O guitarrista Carlos Santana os menciona como sua lembrança musical mais antiga. O violonista Chet Atkins, falecido em 2001, era fã da dupla e gravou um álbum com eles e o pianista Floyd Cramer em Nashville.
Conversei com Nato há uns dois anos. Merecem ser devidamente entronizados no universo dos maiores violonistas brasileiros de todos os tempos.
Introdutor do jornalismo de serviços e do jornalismo eletrônico no país. Vencedor do Prêmio de Melhor Jornalista de Economia da Imprensa Escrita do site Comunique-se em 2003, 2005 e 2008, em eleição direta da categoria. Prêmio iBest de Melhor Blog de Política, em eleição popular e da Academia iBest.