CD da EMI Studio (Inglesa) Código de Barras: 7777 69501 2
O titulo é “ELISABETH SCHWARZKOPF – Romantic Opera Arias” (Airs D’operas Romantiques / Romantische Opernarien) gravado em 1956 em Londres, no Kingsway Hall.
No Youtube existem basicamente os áudios, dado a época das gravações.
Sugiro, por exemplo,
“Dich teure Halle” (Tannhäuser – Wagner) no Link: clique aqui.
Agathe’s Aria (”Der Freischütz” – WEBER) no link: clique aqui.
Vamos prosseguir nossa jornada através do mundo mágico do bel canto, já agora não distinguindo modalidades vocais. Daqui em diante, as divas estarão em pé de igualdade não mais se diferenciando por timbres ou graus de dramaticidade. Estaremos mais ou menos de acordo com a vontade de Maria Callas que dizia não haver diferenças entre as tessituras vocais: o verdadeiro soprano deveria ser capaz de cantar tanto dramaticamente ou de forma ligeira, para isso bastando dominar a técnica vocal. Embora não concorde integralmente com a grande diva, por questões de praticidade e comodidade, passaremos a adotar esse critério.
Isto posto, recomecemos nossa viagem alternando antigos com contemporâneos, dramáticos com ligeiros, sempre buscando exemplificar, todavia, os vários tipos de vozes femininas que imprimem sua marca na história do canto lírico.
Vejamos uma das vozes mais marcantes da nossa época, soprano de personalidade exuberante, de enorme força interpretativa, voz poderosa e timbre inconfundível. Falo aqui da cantora negra Jessye Norman .
“A China está construindo grandes orquestras como sintoma de seu poder econômico e como forma de renúncia a um sombrio passado revolucionário” (Norman Lebrecht).
Orquestra Sinfônica Chinesa: desafio ao resto do mundo pela preeminência na música orquestral.
Durante anos de truculência da Guarda Vermelha, as orquestras da China tinham sido desbaratadas e seus músicos enviados para a “reeducação” nos arrozais. Vioinistas tinham seus dedos quebrados. Os oboístas seus dentes estilhaçados. Pessoas que eram flagradas ouvindo música ocidental sofriam agressões físicas e iam para a prisão.
Para terminar o domingo, dica musical. O Bach de sempre e o Concerto de Brandenburgo nº 3 com a Orquestr BAroca de Friburgo. Note bem que as meninas tem até um gingado.
PS – Como chegou depois que o blogueiro foi dormir, fica para terminar a segunda,
Fim de semana musical com Vladimir Horowitz, um dos maiores (para mim o maior) pianista do Seculo XX, judeu ucraniano , uma vida extraodinaria e um genio incomparavel do piano, não só pela técnica mas pela personalidade complicada, interessante, atraente, até folclorica, que deixou uma legião de admiradores entusiasmados. Foi um dos pianistas que mais gravou e seus discos vendem muito bem até hoje. Começou na RCA, fez na Columbia a maior parte de suas gravações e terminou na Deutsche Gramophon.
Horowitz nasceu em Kiev, capital da Ucrania e parte do Imperio Russo, em 1903, seu pai era um rico distirbuidor de motores eletricos alemães e sua mãe era tambem pianista. Prodigio desde criança, Horowitz conseguiu sair da URSS já em 1926, para dar um concerto em Berlim.
Todos aqui no blog sabem de seu “encatamento” pelas crianças. Fala dos pequenos quase sempre como se tivesse sido hipnotizado por eles, sejam suas filhas e neta, seja qualquer criança.
Por isso vou falar de um menininho fantástico pra vc. E garanto que vai se apaixonar por ele!
Esta semana estava assistindo a um documentário no National Geographic e me deparei com este adorável garotinho americano de origem chinesa, MARC YU.
Filho de mãe solteira e criado com muito sacrifício por ela até ser descoberto como um dos maiores gênios mirins da atualidade.
Aos 2 anos Marc ouviu uma canção numa festa. Pouco depois, sentou-se ao piano e executou a música sem nenhum erro! Um ano depois, já tocava Beethoven.
O menino toca cello, violino e piano com maestria. Mas sua paixão e amor é pelo piano.
O Henrique Marques Porto já me havia advertido que, ao tratar dos sopranos, eu botaria minha frágil embarcação para navegar no mais revolto dos tempestuosos mares do canto lírico. Aqui adentramos o mundo das grandes divas, das estrelas fulgurantes, dos egos gigantescos. Nos posts anteriores (embora selecionar vozes seja sempre difícil, escolher estas em detrimento daquelas), ainda consegui driblar algumas dificuldades, já que meu intuito é muito mais de exemplificar timbres e tessituras do que de exibir cantores.
Agora, porém, a tarefa torna-se quase impossível. Fazer uma seleção de sopranos é muito mais complicado do que escalar a melhor seleção brasileira de futebol de todos os tempos.
Entro nesse Mar Tenebroso de forma cautelosa, com poucas velas desfraldadas, agarrando-me firmemente ao leme para não perder o rumo. Prossigamos aos poucos, gradativamente, piano, piano si va lontano.
Por isso, iniciamos enfrentando talvez a figura mais forte desse universo.
Uma diva cuja presença ofusca praticamente as demais na categoria dos sopranos. Trata-se de Maria Callas, uma personalidade ímpar, cantora que marcou de forma indelével a história da cena lírica, e cuja vida teve um enredo ainda mais dramático do que o de seus grandes personagens na cena lírica.
Jascha Heifetz nasceu na Lituânia (Vilnius) em 1901 então parte do império russo.
Alguns historiadores pensam que Heifetz terá na verdade nascido ainda no século XIX e que a sua mãe atrasou voluntariamente a data de nascimento para incrementar o factor de menino prodígio. Na verdade Heifetz ensinado pelo pai também ele violinista começou a tocar com apenas três anos tendo tocado pela primeira vez em público com apenas sete anos em Kaunas tocando apenas o concerto em Mi Menor de Mendelssohn. Não temos obviamente registo desse evento mas encontramos aqui um extracto de um filme (They Shall Have Music – 1939) em que Heifetz entra “as himself” e salva uma escola de música de ser fechada tocando Mendelssohn (os jovens que estão na orquestra são os alunos dessa escola) (continua).
Por Dimitri
Heifetz eh o cara!
Aqui o link para a sua sensibilissima interpretacao da Chaconne (partita n.2 de Bach), em uma de suas ultimas aparicoes: clique aqui
A Chaconne (do italiano, ciaconna) eh uma forma musical onde a linha melodica fundamental sofre variacoes – pequenas repeticoes que progredem em linhas melodicas paralelas e vao se sobrepondo criando a “harmonia”. E esse exemplo eh o melhor exemplo de que numa unica voz (melodia) existem varias vozes sobrepostas (dos harmonicos em diante) e, ao mesmo tempo, todas as vozes (uma polifonia) podem ser ouvidas como uma voz unica e essencial.
A Venezuela – sempre ela? – desenvolve já há um bom tempo, um dos programas de incentivo à música clássica mais ousados do mundo (El Sistema). Exemplo a ser copiado pelo Reino Unido, segundo articulista da Gramophone. Um exemplo também muito elogiado pelo regente da mais reverenciada orquestra do mundo, a Filarmônica de Berlim, Simon Rattle.
Basta dizer que o regente mais festejado da atualidade é o jovem Gustavo Dudamel que com sua ainda mais jovem orquestra de venezuelanos arrebatou o nacionalista público inglês no último Prom (vejam no youtube as cenas).
O foco do projeto venezuelano é social: tirar jovens da marginalidade fazendo-os interessar-se por música clássica. O êxito é retumbante. Em minha opinião, está claro que Gustavo Dudamel é muito mais apreciado pela comunidade internacional que John Neschling. Ele foi escolhido recentemente para ser o titular de uma das orquestras mais importantes dos EUA (a de Los Angeles) e sua orquestra (com o sugestivo nome de Simon Bolivar Youth Orchestra) grava pela Deutsche Grammophon.
Entretanto, é inquestionável a importância e valor do Neschiling para a música brasileira. Só para citar um exemplo, por pouco uma gravação sua não conquistou o prêmio Gramophone de 2007 – perdeu para outro brasilleiro, o Nelson Freire. John Neschling revolucionou a música clássica do Brasil. Colocou uma orquestra brasileira em um patamar nunca antes alcançado.
O que é lamentável nessa história é a forma desrespeitosa como ele foi tratado governo paulista e pelo FHC. Segundo eu entendi, ele foi demitido por causa de uma entrevista. Ora, não foi por causa de uma mudança de foco: quem sabe a adoção de um modelo mais de base como o venezuelano. Não. Ele foi demitido por que feriu os brios de políticos. Por que tais políticos não o chamaram às falas, publicamente ou não, para resolver suas pândegas?
De minha parte, pouco importa se ele disse isso ou aquilo de FHC ou Serra. O que eu quero é comprar cds de orquestras brasileiras de excelente qualidade como estava fazendo até agora. é prazeroso ler os elogios que a imprensa especializada internacional tece à OSESP (e olha que não sou paulista).
Introdutor do jornalismo de serviços e do jornalismo eletrônico no país. Vencedor do Prêmio de Melhor Jornalista de Economia da Imprensa Escrita do site Comunique-se em 2003, 2005 e 2008, em eleição direta da categoria. Prêmio iBest de Melhor Blog de Política, em eleição popular e da Academia iBest.