Sou o Celso Mercaldi, vivo hoje na Alemanha, em Detmold, onde toco viola em uma Orquestra, no Landestheater Detmold.
Meu trabalho com música, depois da Orquestra Sinfônica Jovem Municipal, da qual fui membro fundador em 1969, e do quarteto de estudantes da USP, começou em 1973 na Orquestra Sinfônica Estadual, sob a regência do maestro Eleazar, que muito me incentivou, até 1976, quando deixei a OSESP, para estudar viola em Colônia.
Escrever não é o meu forte, mas aqui algumas impressões das minhas lembranças.
A apresentação, realizada em 2008, no Verbier Festival, é de grande força e serenidade. A performance dos violoncelista Mischa Maisky impressiona pela sua entrega e virtuosismo.
O Mário Siqueira citou o Quinteto do Paraíba. A seção de vídeos do Portal Luís Nassif tinha, graças a extraordinários garimpeiros como a Maria Dirce. Assista a esse show de aquecer a alma, com um pout-pourri que soma o maestro Duda, de Recife, com Villa Lobos.
Por Helô
Ó xente!
Mas temos no Portal o Cisneiro Soares de Andrade que toca trompa no Quinteto de Metais.
Clique aqui para ler o release que conta a história do Quinteto.
O BRASSIL realizou concertos em todas as regiões brasileiras e em diversas cidades do Exterior como Dijon (França), Boston, Nova Iorque, Washington (EUA), Londres e Monmouth (Inglaterra) e Montevidéu (Uruguai). Fez diversas
gravações para programas radiofônicos, incluindo alguns da BBC de Londres e da WBGH de Boston, sempre enfatizando a divulgação da música brasileira. Realizou concertos com expoentes da música instrumental internacional e brasileira, como Charles Schlueter (Boston Symphony Orchestra), Per Brevig (Metropolitan Opera, Nova Iorque), Christian Lindberg, Egberto Gismonti, Sivuca, Dominguinhos, entre outros. Além deste, o BRASSIL gravou outros quatro CDs, dois dos quais na Inglaterra.
Tempos atrás, um leitor colocou um comentário sobre o português Arthur Napoleão, sujeito fantástico. Gênio mirim o piano, viajou com o pai pelo mundo dando audições quando tinha menos de 8 anos. Tornou-se enxadrista e não me lembro se empatou ou venceu o maior gênio de xadrez do século 19, o norte-americano Paul Morphy.
Radicou-se no Rio, montou uma loja de músicas, tornou-se professor de vários futuros grandes músicos, como Ernesto Nazareth e Chiquinha Gonzaga. Era amigo da intelectualidade da época e compos modinhas em parceria com Machado de Assis.
Ontem, no agradabilíssimo sarau de que participei, conheci a psicóloga e excelente cantora Leniza Castello Branco. Ela foi atrás das músicas de Napoleão, recuperou as partituras na Biblioteca Nacional, conseguiu arranjos do Julio Medaglia e gravou um CD com as parcerias.
Ficou de me enviar o link para mostrar a vocês.
Aqui, o link do seu Blog com a nota sobre Arthur Napoleão.
Já escrevi várias vezes que considero o violonista Fábio Zanon, além de um dos maiores violonistas do mundo, o grande crítico e analista da música erudita brasileira. Seus programas na Rádio Cultura FM – que Paulo Markun tirou do ar – era uma fonte permanente de melhor informação sobre a música erudita brasileira.
Estava agora ouvindo um programa antigo sobre Alexandre de Faria, compositor nascido em 1972 que compôs “Entoação”, sobre o massacre da Candelária.
Opinião de Zanon: Alexandre é das poucas pessoas que ele conheceu que tem a chama da genialidade.
Não fosse as menininhas estarem me telefonando sem parar para sair para almoçar com elas, escreveria mais sobre ele agora.
Do Portal Luís Nassif
Entoada, sonata para o violão, de Alexandre de Faria pelo Massacre da Candelária
O “terror” que um crime hediondo produz sobre uma sociedade demarca o lugar do homem “civilizado” em guerra com o mundo da escória, que sequer é humano para o “homem civilizado”. Quando a vítima é uma criança e os agentes são jovens a virulência dos discursos é ainda maior, na oposição radical entre “eles não sabem o que fazem” e “eles são monstros” ou “são psicopatas”. Se o humano é mau, deve ser educado e civilizar-se. Se o humano é bom, sua bondade foi corrompida por vitimação ou doença: psicopatia, segundo o discurso psiquiátrico, pois no mundo moderno, a nomenclatura médica é a mais limpa, exclui com a precisão de um bisturi. (continua)
“Uma programação de música erudita só encontrada nas grandes capitais culturais mundiais”
É assim que Ricardo Castro, regente atual da Sinfônica da Bahia (OSBA), define a programação desse ano, que inclui a obra sinfônica completa de Villa-Lobos – na série anual de Concertos Especiais, iniciada dezembro passado na sala principal do majestosamente modernista Teatro Castro Alves (TCA). Leia mais »
Vou aproveitar um fórum aberto pela Elizabeth no Portal Luís Nassif (clique aqui) para montarmos o dossiê Villa-Lobos, em homenagem ao mestre dos mestres.
Recebo em meu escritório a ilustre visita do desembargador federal Vicente José Malheiros da Fonseca, de Belém do Pará.
Desembargador? Ele é efetivamente, mas lá pelas bandas do fórum de Belém. Aqui, na minha sala estava a ilustríssima figura do músico Vicente Fonseca, filho do lendário maestro Wilson Fonseca, o Isoca, neto do lendário José Agostinho da Fonseca, irmão, pai e tio de uma família de músicos que transformou Santarém em um centro musical extraordinário.
Já escrevi uma crônica sobre essa família musical, herdeira e formadora da melhor tradição musical de Belém, dos filhos tardios de Ernesto Nazareth.
No player, algumas peças de Wilson Fonseca, o maestro Isoca.
Creio que falta uma reavaliação mais aprofundada da importância da Dolores Duran na formação da moderna música popular brasileira.
Em geral, ela é conhecida pelos sambas canções de fossa e pelas parcerias com Tom Jobim. É muito mais do que isso.
A parte essencial da bossa nova é a síntese com as demais formas de manifestação da música brasileira, especialmente o samba sincopado, o samba canção (bolero) e o samba choro. Além do jazz, presente nas harmonias e nas formas de interpretação de três grandes cantores negros: Johnny Alf, Agostinho dos Santos e Alaide Costa.
Havia no movimento um grupo dotado de enorme preconceito com essas formas populares de música. É o pessoal que julga que a bossa-nova representou uma ruptura – e não uma continuidade.
Recentemente, o próprio Rui Castro admitiu que João Gilberto fez a síntese entre vários elementos do que havia de mais embalado e sofisticado na música brasileira de então, tese que não admitiu em seu livro.
Pois Dolores foi o lado feminino dessa história. Antes da bossa nova, transitou pelo baião. Nessa relação de músicas abaixo, você a ouvirá interpretando o sincopado de Geraldo Pereira, os sambas pulados, a música de fosse, o samba canção. Uma senhora intérprete, sem preconceito musical.
Critico musical e editor do jornal francês “Le Monde” desde 2000. Foi editor-chefe do “Le Monde de la Musique” de 1981 a 1988 e colunista da “Diapason Magazine”.
A RESPEITO da dispensa do maestro John Neschling do seu cargo de diretor artístico e regente titular da Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo), a única coisa que eu posso dizer, como crítico de música e observador há 30 anos da vida musical internacional, é que se trata de uma perda incomensurável para a cultura brasileira e para o conhecimento que se pode ter, noutros países, das riquezas musicais do Brasil.
O trabalho de John Neschling à frente da Osesp, certamente como maestro, mas também enquanto diretor musical, deu início a uma recuperação à altura de um patrimônio musical inestimável, mas que estava perdido no esquecimento. Para começar, ele soube criar uma orquestra cuja qualidade é reconhecida internacionalmente. Quando a Osesp fez uma turnê pela Europa no ano passado, ela recolheu triunfos e elogios amplamente merecidos, tal a forma com que os seus músicos exibiram um nível técnico e musical indubitavelmente de primeiro nível. Nenhuma orquestra brasileira, até hoje, atingiu esse nível de qualidade.
O que se admira fora do Brasil é o modo como Neschling renunciou a sua carreira internacional para construir a sua orquestra, para ser um verdadeiro diretor artístico à moda antiga, cuidando de tudo, como o fizeram no passado um George Szell (um quarto de século à frente da Cleveland Orchestra, EUA) ou, mais recentemente, um Simon Rattle (duas décadas na City of Birmingham Symphony Orchestra, Inglaterra).
O regente britânico, atualmente na Filarmônica de Berlim (Alemanha), permaneceu na pequena cidade de Birmingham para trabalhar e também recusou convites de outras orquestras para poder realizar um trabalho de fundo com a sua. O mundo musical tinha os olhos voltados para São Paulo, para a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo e para John Neschling, que encarnam essa grande tradição. O resultado? O canal cultural franco-alemão Arte transmitiu para toda a Europa e para o mundo o concerto realizado no Ano Novo pela Osesp, bem como o realizado pela Filarmônica de Viena (Áustria)! Será que o Brasil se dá conta verdadeiramente do que isso quer dizer? Eu tenho a impressão de que não.
Regendo Camargo Guarnieri, Francisco Mignone e, é claro, Heitor Villa-Lobos, bem como Alberto Nepomuceno, Luciano Gallet, Henrique Oswald, Claudio Santoro e tantos outros, fazendo editar as suas partituras, criando uma biblioteca e um arquivo musical, gravando discos distribuídos internacionalmente que tiveram sucesso e críticas inesperados, John Neschling esteve à altura da grande renovação política, econômica e cultural do Brasil, país que encontra enfim um lugar merecido no concerto das nações.
Não existe atualmente no Brasil nenhum maestro que seja portador de um projeto artístico de tal envergadura, que pode ser considerado único no mundo pela qualidade de sua programação.
Aliás, tampouco existem muitos outros pelo mundo afora… E o que eu digo é fácil de verificar. A internet permite, hoje em dia, um acesso à programação de todas as grandes orquestras. A de São Paulo causa admiração no mundo inteiro.
Não existe nenhuma orquestra francesa, inglesa ou alemã, por exemplo, cuja programação seja tão inventiva e tão respeitosa do patrimônio musical nacional como a da Osesp. Eu certamente ignoro as razões que fizeram Neschling ser dispensado, mas sou francês e também conheço a inconsequência dos eleitos e dos políticos quando tomam decisões na área da cultura. Raramente eles compreendem as implicações culturais profundas. Com uma assinatura, podem destruir anos de trabalho, assim como podem criar as condições para que esse trabalho possa começar e se desenvolver. Dessa vez o destruíram.
Daqui a 20 anos, daqui a 50 anos, o nome de John Neschling será conhecido como o de um músico que realizou um trabalho excepcional no Brasil, o mais excepcional desde Villa-Lobos. Há 90% de chance de que o nome de quem o demitiu esteja esquecido. Leia mais »
Recebo do leitor Hélio Constantino, de Recife, dois presentes inesquecíveis. Um deles, o CD “Sivuca Sinfônico”, gravado com a Orquestra Sinfônica de Recife, sob a Regência de Giuseppe Gioia. Uma obra prima!
O maestro John Neschling foi demitido ontem da Osesp, a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. No ano passado, depois de intensa pressão do governador José Serra, que queria tirá-lo do cargo, Neschling comunicou ao conselho da Fundação Osesp que não renovaria seu contrato. Na ocasião, no entanto, ficou combinado que o maestro permaneceria à frente da Osesp até o fim de 2010, como previa seu contrato. A situação, no entanto, ficou insustentável. Neschling, que chegou a chamar Serra de “menino mimado” e “autoritário” logo no começo do governo, continuou a dar entrevistas espinafrando com o governador e com o secretário da Cultura, João Sayad, mesmo depois de ter sua saída definida. A gota d’água foram as críticas que ele vinha fazendo publicamente à decisão do conselho de formar um comitê para a escolha de seu sucessor. Neschling foi comunicado oficialmente hoje.
Comentário
Pelo menos no campo da música erudita, a gestão Serra está procedendo a um desmonte cultural em São Paulo. E conseguiu colocar contra si maioria esmagadora da comunidade da música erudita.
Dia desses conversava com velho colega da Escola de Comunicações e Artes da USP. Quando a Universidade Livre de Música Tom Jobim conseguiu se reestruturar – me disse ele – ficou bem à frente da Escola Municipal de Música. Em seguida, houve uma reação da Escola, estabelecendo-se uma competição virtuosa. Percebia-se isso pelo nível dos alunos que passavam no vestibular da USP.
Quando a OSESP (Orquestra Sinfônica de São Paulo) explodiu, continuou, os alunos passaram a estudar quatro horas diárias, porque havia perspectiva pela frente, de uma orquestra de padrão internacional.
Segundo ele – que está desde os anos 70 no setor – jamais a música erudita de São Paulo experimentou salto igual. Ele endossa muitas das críticas feitas ao maestro Nescheling, de temperamento difícil, personalismo. Mas o fato concreto, me dizia ele, é que colocou a música erudita de São Paulo no mapa do mundo. E não se pensou nisso quando se decidiu por seu afastamento.
O primeiro baque foi a destituição da OSCIP responsável pela Universidade Livre de Música e a divisão da ULM por outras entidades. Agora, a destituição de Neschling.
Gosto do Sayad, fui membro do Conselho da ULM, mas sem ter uma participação mais ativa, pedi demissão quando senti a guerra da Secretaria com a OSCIP, a seu pedido passei dicas e idéias para membros da sua equipe.
Mas tenho a impressão que meteu os pés pelas mãos. Era até compreensível que não se quisesse um vice-rei à frente da OSESP. Mas o voluntarismo de Serra ajudou a acelerar esse desmonte.
Trecho da carta de demissão, assinada por Fernando Henrique Cardoso:
Por LPorto
O que fizeram com o maestro é anti ético, fora o desrespeito com o grande profissional..
Link da entrevista, estopim para a demissão, segundo o presidente do conselho Fernando Henrique. Clique aqui.
É claro que o maestro não deu esta entrevista a toa.
Ele veio responder a esta, que o Presidente do conselho não comentou na carta de demissão. Clique aqui.
Essa história de Minas trabalhar em silêncio está virando compulsão. Neste final de semana, soube por uma amiga do Festival Música da Montanha em Poços de Caldas, 10a Edição.
Na sexta, foi na Urca, a mesma Urca construída por Walther Moreira Salles nos anos 1940, que era administrada pelo mesmo pessoal da Urca do Rio.
Nos anos 60, a Urca abrigava a Semana do Estudante, cinco dias de pauleira pura entre o pessoal do Pelicano, Marista, São Domingos e Jesus Maria José.
Agora, na Urca na sexta, no Paláce Cassino, no sábado, o que assisti foi de me deixar de queixo caído. Jamais imaginei um evento de tal qualidade em Poços. São mais de mil alunos de todo o país, professores das melhores orquestras, parceria com Universidades americanas – cada ano, são selecionados dez alunos para receberem bolsa de estudo.
A base é a Orquestra Sinfônica, formada por alunos e professores. Mas há também a formação de Orquestra de Cordas, Camerata Clássica, Banda Sinfônica, Coral Sinfônico, Grande Coral e Coral Infantil.
Na sexta, a apresentação da Sinfônica – regida pelo Maestro Jean Reis, o coordenador artístico do evento – foi extraordinária. Aquela rapaziada bonita, tipos físicos de todas as regiões e raças, numa afinação inacreditável para quem teve uma semana de ensaios. E ainda contou com o brilho da soprano Maryanna Kyle.
No sábado, o maestro americano Jay Dean, em uma interpretação memorável de Mahler e Berstein.
E eu aqui queixando da falta de vida cultural no interior.
Digo a vocês: o Festival é superior ao de Campos do Jordão. Falta apenas parar de trabalhar em silêncio.
Quem quiser aproveitar, o festival vai até sábado que vem. Vale a pena assistir o Festival e passear na cidade.
Para curtir o fim de tarde: Villa-Lobos na Música de Banda, pela Banda da Polícia Militar de Minas Gerais. Ouçam especialmente “Desfile aos Heróis do Brasil”
Quando escolhi para o vídeo de Natal da Comunidade o Concerto Para Piano e Orquestra em Formas Brasileiras (opus 105, n°2 – Ponteio), de Hekel Tavares (Setuba – Alagoas, 1896), não imaginava a grandeza e a diversidade desse compositor. Saí em busca de mais informações e fiquei gratamente surpresa com o que encontrei. Conhecia muita coisa, mas não sabia tratar-se de sua autoria. (continua).
(…) E para quem já conhece “Penas do Tiê“, gravada por Fagner em 1973, seu verdadeiro nome é “Você“, composição de Hekel Tavares e Nair Mesquita, dedicada à cantora lírica Gabriella Besansoni Lage. Para saber mais sobre o assunto e o processo movido pela família do compositor, clique aqui.
Introdutor do jornalismo de serviços e do jornalismo eletrônico no país. Vencedor do Prêmio de Melhor Jornalista de Economia da Imprensa Escrita do site Comunique-se em 2003, 2005 e 2008, em eleição direta da categoria. Prêmio iBest de Melhor Blog de Política, em eleição popular e da Academia iBest.