Não sou leitor habitual da sua coluna, mas me deparei duas vezes, recentemente, com artigos “céticos” quanto ao aquecimento global.
Gostaria de trazer para você duas referências científicas, que acho que trazem alguma luz sobre o “consenso” atual que se tem na questão. Uma delas foi um levantamente sistemático dos estudos publicados em periódicos científicos. A outra fez um levantamento similar, porém em artigos de alguns grandes veículos de mídia dos EUA.
Primeiro a dos estudos publicados: nesses, você é obrigado a apresentar os dados que te permitam apoiar as suas afirmações e conclusões. Foram analisados os abstracts de todos os papers publicados entre 1993 e 2003, que continham as palavras-chave “climate change”. De todos os 928 papers analisados, nenhum refutava ou atacava algum dos elementos essenciais do consenso: está aquecendo, nós estamos fazendo isso através de nossos gases estufa, e as consequências são graves.
” The 928 papers were divided into six categories: explicit endorsement of the consensus position, evaluation of impacts, mitigation proposals, methods, paleoclimate analysis, and rejection of the consensus position. Of all the papers, 75% fell into the first three categories, either explicitly or implicitly accepting the consensus view; 25% dealt with methods or paleoclimate, taking no position on current anthropogenic climate change. Remarkably, none of the papers disagreed with the consensus position.”
O outro estudo faz uma análise similar, porém na mídia não-especializada. Foram analisados 636 artigos em quatro grandes jornais dos EUA.
Nestes, 59% ou negavam frontalmente o aquecimento, ou questionavam e lançavam dúvidas sobre algum aspecto do consenso.
Ou seja: praticamente todos os textos que você encontrar negando ou duvidando do aquecimento serão de veículos em que os dados que apóiem as afirmações sejam prescindíveis. Isso inclui, claro, todas aquelas alegações do Luis Nassif On Line de 18/11/09.
Não é sugestivo que a dúvida e a “refutação” só apareçam quando o autor não precisa apresentar seus dados?
Um belíssimo instrumento de pesquisa que permite acompanhar em tempo real o crescimento populacional de cada país, nascimentos e mortes, emissão de Co2 inclusive per capita.
É bom que o presidente da República esteja cauteloso nas discussões sobre o papel do Brasil na Conferência do Clima. E é curioso que os críticos do “protagonismo a qualquer custo” sejam agora os primeiros a exigir de Luiz Inácio Lula da Silva que coloque o Brasil na linha de frente das medidas contra o aquecimento global. É a dança da política.
O debate está claro desde o começo. Se o aquecimento global é mesmo um problema grave, e se deve ser enfrentado globalmente, é preciso saber para quem irá a conta. O lógico será repassá-la aos que, até o momento, mais se beneficiaram do progresso humano. Se é mesmo verdade que o mundo não suportaria a globalização dos padrões europeu e americano de consumo, que os americanos e europeus se contenham, para começo de conversa.
Quero deixar minha opinião sem entrar no mérito de comentários específicos. Sou cientista em instituto oficial de pesquisa e trabalho com mudanças de uso da terra e emissões de gases de efeito estufa (GEE) oriundo de queimadas em vegetação, tendo já participado de debates, seminários, cursos, etc sobre mudanças climáticas.
Ao contrário de alguns, considero extremamente necessária esta discussão sobre mudanças climáticas. Infelizmente quem tem a ousadia de criticar e mostrar as inconsistências dos dados do IPCC não tem voz. Quem sabe na internet tenhamos mais espaço…
Discussão interessante, às vésperas da reunião de Copenhaguen:
Uma entrevista, publicada hoje no Estadão, com Lester Brown, pesquisador amerciano, presidente do “Earth Policy Institute”, que está aqui em SP lançando um livro sobre suas ideias sobre como diminuir o aquecimento global: clique aqui.
Lendo a entrevista, eu fico com a impressão de que as ideias ambientais desse senhor são meio no sentido “preservar os ricos e deixar os pobres pobres” e “faça o que eu falo e não o que eu faço”.
Me preocupa quando ele diz que tem que frear o crescimento da população na Somalia, mas e o ímpeto consumista dos americanos? não tem uma pegada ambiental pior que uma famíla de 20 pessoas no deserto africano?
Concordo com o que ele diz em muitos aspectos, mas como negar a nós, países que estão chegando agora na “divisão principal” do crescimento, as mesmas benesses dos países já desenvolvidos?
Por outro lado, há quem defenda que o planeta está é esfriando e que a atividade humana na emissão de CO2 é insignificante. Vi a entrevista de um professor no jornal da Bandeirantes, algum dia dessa semana:
De cara, achei: doidão que deve trabalhar para petroleiras, herança do Bush, etc.. Mas o professor entrevistado é um pesquisador brasileiro, tem um currículo sério (http://lattes.cnpq.br/5110326514774369 ), e não é o único a defender esta tese.
No fundo, a discussão subjacente é o uso político que diferentes grupos de interesse podem fazer (e já o fazem) para defender seus interesses a partir de pesquisas científicas. Uma pessoa pode interpretar dados de maneira completamente diferente da outra.
Eu confesso que às vezes fico confusa no meio desse barulho…
Abs e bom final de semana
Por Rodrigo Medeiros
Sugiro a leitura de textos do cientista Luiz C. Molion.
Projetos brasileiros de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) podem render US$ 6,5 bilhões em créditos de carbono. Uma nova economia se desenvolve enquanto as questões climáticas são cada vez mais difundidas pelo mundo: a de baixo carbono. Já se fala no deslocamento de parte da demanda consumidora a produtos gerados de maneira sustentável. Mas os ganhos comerciais vão além do público consumidor, podendo ocorrer a partir do estabelecimento de créditos contabilizados da redução de toneladas de Gases de Efeito Estufa (GEE) emitidos.
Dados do Banco Mundial mostram que, em 2008, o mercado de carbono movimentou 128 milhões de euros – de 2005 até aquele ano, as negociações haviam crescido cerca de 1.200%, tendo apresentado queda no final de 2008 por conta da crise econômica global. O assunto foi destaque no 10º Encontro Internacional de Energia, realizado em Outubro, na capital paulista.
Não há como fugir do real. Ao se pesquisar na internet, invaravelmente se utiliza o Google. Que tal aliar isto ao plantio de árvores? Foi lançado o Eco 4 Planet:
O eco4planet utiliza o sistema Google™ Pesquisas Personalizadas, mantendo assim a mundialmente reconhecida capacidade das buscas Google™, com um visual também simples e rápido, porém inovador na utilização predominante da cor preta para gerar economia de energia. Sua criação prova que pequenas ações diárias podem gerar economia de energia, resultando em menores gastos e ainda vários outros benefícios.
Estados e municípios vêm apresentando um maior interesse em implementar mecanismos financeiros que facilitem ou remunerem a conservação ambiental. Nesse sentido, o ICMS Ecológico, instrumento que destina recursos às prefeituras com ações sustentáveis, já é realidade em 15 estados brasileiros. Mas para ampliar o uso do instrumento para todo território nacional, ainda é preciso vontade política do governo dos estados.
A avaliação é da coordenadora de Conservação em Terras Privadas da ONG The Nature Conservancy (TNC), Giovanna Baggio. De acordo com ela, o trabalho agora gira em torno de levar a informação sobre o mecanismo, a fim de incentivar estados e municípios a estabelecer a Lei. O ICMS vem sendo apresentado como importante ferramenta para compensar os municípios com melhores indicadores ambientais.
O caso do governado Pucinelli merece uma discussão mais aprofundada.
Não se trata de mera gafe. Nada disso. Trata-se de (…) de uma babaquice sem tamanho que insiste em se perpetuar neste Brasil. E se todos estamos convictos de que o país está mesmo mudando, o comportamento inescrupuloso de um indivíduo eleito não deve ser ignorado.
Aqui do Alto Xingu, os índios enfocam outros ângulos da questão:
1. a expansão exponencial do uso de desfolhantes (o agente laranja, [usado na Guerra do Vietnã, Laos e Cambodja] de adubos e fertilizantes, herbicidas, pesticidas e fungicidas há décadas vem sendo questionada, pois, nos últimos 50 anos, enquanto a produção de grãos aumentou três vezes, o uso de fertilizantes foi multiplicado 14 vezes, segundo a FAO;
2. são óbvias as limitações ecológicas desses agroecossistemas intensivos em ciência e tecnologia patenteados, uma vez que são extremamente simplificados, dependentes de insumos externos para manter artificialmente seu “equilíbrio dinâmico”;
“HOJE, às 11:30 da manhã na sede da Embrapa em Brasília o Ministro do Meio Ambiente Carlos Minc e o presidente Lula irão anunciar o Zoneamento da cana-de-açúcar. Segundo aassessoria de comunicação do Ministério do Meio Ambiente:
“A iniciativa garantirá uma atividade sustentável com todas as salvaguardas socioambientais. A expansão de áreas para produção de etanol, com os critérios adotados, transforma o projeto de expansão de áreas para o plantio de cana-de-açúcar em uma grande contribuição do Brasil para o mundo no que diz respeito à produção de energia limpa. Porque foi planejado de forma pactuada, consensuada entre os setores envolvidos e feita com critérios técnicos, científicos, ambientais e sociais.”
A ONG Center for Clean Air Policy (CCAP) está propondo uma metodologia mais simples para que os países em desenvolvimento cumpram as metas de redução de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE).
Os técnicos do CCAP argumentam que é difícil medir e gerenciar as emissões globais de GEE nesses países, pois os dados são complexos e pouco confiáveis. A metodologia proposta considera o uso de tecnologias industriais mais limpas nesses países (em substituição às tecnologias antigas e poluentes), por ser mais simples para avaliar a redução das emissões. Foi realizado um estudo de campo na China com os segmentos industriais de cimento e siderurgia.
Sabemos que esses dados de emissões de GEE são obtidos de forma muito precária, com base em estimativas. Essa metodologia proposta é muito simples, porém eficaz.
Se desejar, disponibilize o link para seus leitores baixarem o trabalho do CCAP: clique aqui.
Setor produtivo toma a frente de propostas que o país deve discutir na próxima convenção climática em Copenhague. Nesta terça-feira, 14 entidades representantes da agricultura, bioenergia e floresta plantada divulgaram a Aliança Brasileira pelo Clima, um conjunto de medidas para ampliar a participação do país no mercado de créditos de carbono.
Os setores que compõem o manifesto representam, juntos, 16% das exportações totais do Brasil, o equivalente a 30 bilhões de dólares/ano, 28% da matriz energética e 45% das energias renováveis. Dada a importância, o grupo conta com a aceitação de suas propostas pelo governo federal e espera que sejam discutidas e consideradas para a assinatura do tratado que substituirá o Protocolo de Quioto.
O documento foi entregue, oficialmente, na segunda-feira (1), ao embaixador Luiz Alberto Figueiredo, chefe dos negociadores brasileiros para discussões climáticas. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Agribusiness (ABAG), Carlos Lovatelli, a proposta está alinhada ao plano federal, mas ressalta que até Copenhague uma nova versão da Aliança pode ser apresentada.
REDD (Redução de Emissões para o desmatamento e degradação) no que isso vai dar?
Em dezembro próximo entre os dias 7 e 18 se reuniram em Copenhaque representantes de cerca de 200 países e um dos temas será o REDD.
E fiz uma análise sobre uma matéria recentemente publicada no Valor Econômico – dia 24/08, sobre REDD.
Para iniciar destaco uma frase proferida pelo Sr. Thomas Fatheuer: “O mundo está cheio de gente de boa intenção. Mas o que sairá depois que o mecanismo for aprovado irá refletir o posicionamento deles ou não?
continua
Ontem havia um post no blog sobre a construção do conhecimento. Creio que ele cá existe por causa da quantidade de boas informações e das opiniões sustentadas por raciocínios elaborados e alguns até surpreendentes e inovadores.
O Nassif ajuda muito, manda bem, mas todas/os sustentam hoje essa qualidade e somos co-responsáveis.
Eu queria ver esse conhecimento ser traduzido em ações concretas.
Poderíamos testá-lo no novo e importante Projeto de Lei em votação na ALESP (Assembléia Legislativa de São Paulo), o PL 640/09, que “Institui o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica do Estado de São Paulo – PROINFA-SP – e dá outras providências.”
A tramitação está começando.
Temos um gestão estadual que se caracteriza, entre outras mazelas, por ter o governador que mais vetou projetos de lei de iniciativa dos deputados estaduais (especialmente os de autoria de deputados que não são do partido e da base aliada do governo atual).
Exemplo 1 – O caso do PL 227/06
Aqui para ler um momento do processo de votação do pl 227/06, que previa: clique aqui.
Com tanta briga política e até briga entre emissoras, acho que até agora ninguém divulgou este concurso do governo alemão. Dos 15 pesquisadores da área “verde” do Mundo todo premiados, 3 são brasileiros! Notícias deste tipo que teriam que ter mais tempo e divulgação na mídia para incentivar novos pesquisadores. Segue o link:
Veja esta matéria que saiu na Revista Portos e Navios.
Risco a baleias paralisa as obras em Imbituba
Embargo aos trabalhos de ampliação pelo Instituto Chico Mendes vira ameaça ao emprego de 400 operários
O Instituto Chico Mendes de Preservação da Biodiversidade (ICMBio) decretou ontem o embargo às obras de retificação dos molhes e ampliação do cais do Porto de Imbituba, localizado no Sul do Estado.
O motivo da paralisação imposta pela autarquia federal é o funcionamento de uma máquina de bate-estacas. Caso a decisão não seja revertida, pode comprometer o emprego de pelo menos 400 operários que trabalham no canteiro de obras. O porto também sofreu uma multa de R$ 100 mil.
Segundo o ICMBio, como o porto está localizado nos limites da Área de Proteção Ambiental (Apa) da Baleia Franca, o funcionamento do bate-estaca deveria passar por uma análise para evitar complicações com a segurança dos mamíferos na região.
” Já houve uma notificação no mês passado, e o Instituto Chico Mendes optou pelo embargo porque o porto apresentou as licenças, mas faltou a autorização e seguir algumas recomendações sobre o bate-estaca” diz Maria Elizabete Rocha, chefe da Apa da Baleia Franca no Estado.
Caro Nassif, aproveito o comentário do Chico de Oliveira hoje no Portal UOL e tomo emprestada sua definição sobre a possível candidatura da Senadora Marina SIlva à Presidência da República. “Um raio de sol”.
Lembro que há tempos comentamos o erro básico do PT e PSDB de levarem o debate político à beira da irracionalidade, recheado de picuinhas, vaidades e arrogância. Com a saída de Marina do PT, a oposição faz análise equivocada de que isso a ajudará no enfretamento com Dilma. Só aparentemente. A julgar pelo o histórico da questão ambiental do PSDB no governo FHC, Marina terá muito mais a dizer. Mas o fato dela se por no cenário eleitoral de 2010 é mais significativo que a mera disputa eleitoral. Ela pode mudar o eixo dos debates. Já está pondo uma pulga atrás das orelhas de Serra, Aécio, Ciro, Dilma e Lula.
Os Estados Unidos não figuram mais como o grande problema na negociação das questões climáticas, mas os principais desafios são as metas – para obter um acordo factível de controle da temperatura, mitigação e adaptação ambiental – e descobrir uma forma de obter arranjos financeiros para ajudar os países em desenvolvimento. Essas considerações foram feitas por Ed Miliband, Ministro de Energia e Mudanças Climáticas do Reino Unido, no debate sobre mudanças climáticas promovido pela Folha de São Paulo na última terça-feira. O evento também contou com a presença de Suzana Kahn, secretária de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente, e Marcelo Furtado, diretor-executivo do Greenpeace Brasil.
Para o ministro britânico, o novo governo americano – presidente Barack Obama -, e o interesse da China em aderir ao tema, tornam o momento propício para negociar com sucesso um acordo global de mudanças climáticas. Ele ainda acredita que o Brasil tem papel de liderança nessa discussão. “Se o Brasil mostrar liderança, poderemos obter o acordo em Copenhague”.
Estive recentemente na Índia, a convite do Banco Mundial, para falar sobre a experiência brasileira na construção do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SNGRH), que começou a tomar forma a partir de 2001, com a criação da Agência Nacional de Águas (ANA). Trata-se de um dos dois sistemas previstos na Constituição federal de 1988. O outro é o Sistema Único de Saúde (SUS).
É grande o interesse dos indianos na experiência brasileira, porque ambos os países são federações e têm bacias hidrográficas de grandes dimensões, estendendo-se por diversos Estados. Há similaridade também na coexistência de diversas entidades governamentais, tanto na esfera federal quanto na estadual, atuando de forma concorrente na administração dos rios.
Estou despendendo esta manhã para conhecer as ideias publicadas pelo Zeitgeist 08. Ali tem vídeos de diversas correntes de pensadores e ativistas preocupados com o futuro de nosso planeta em áreas diversas como proteção dos mares, o fenômeno da proliferação das ONGs no mundo e seu significado, como as redes sociais estão trabalhando com ferramentas como o Youtube e unindo jovens pelo mundo a fora, dentre outros conhecimentos:
outra apresentação bem interessante é a de Hans Roslling e uma forma de apresentação do desenvolvimento dos países em formato de evolução dos países e na sua respectiva velocidade, seu ponto de vista traz novas informações sobre saúde, elevação ou descréscimo de taxas de desenvolvimento.
http://www.ted.com With the drama and urgency of a sportscaster, statistics guru Hans Rosling uses an amazing new presentation tool, Gapminder, to debunk several myths about world development. Rosling is professor of international health at Sweden’s Karolinska Institute, and founder of Gapminder, a nonprofit that brings vital global data to life. (Recorded February 2006 in Monterey, CA.)
Sem plano de manejo, BR-319 não será asfaltada, declara Minc
Ministro disse em Manaus que desmatamento em 2009 será o menor em 20 anos
EDUARDO GERAQUE
ENVIADO ESPECIAL A MANAUS
O ministério do Meio Ambiente (MMA) não abrirá mão de nenhuma exigência ambiental para que o polêmico asfaltamento da rodovia BR-319 (Porto Velho-Manaus) seja feito. A promessa é do titular da pasta, Carlos Minc.
Ontem, em Manaus, durante a 61ª Reunião Anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), Minc voltou a dizer que o melhor, no caso dessa ligação, seria fazer uma hidrovia, ou então uma ferrovia, como também foi cogitado. “Mas, se tiver de ser uma estrada, que seja uma estrada-parque”, afirmou Minc.
Em carta aberta, o presidente da Abdib (associação da indústria de base), Paulo Godoy, condenou a ação do Ministério Público de processar por improbidade administrativa o presidente do Ibama, Roberto Messias Franco, por ter concedido a licença de instalação para o início da obra de construção da hidrelétrica de Jirau.
Segundo Godoy, Messias vive hoje o mesmo constrangimento que, recentemente, Jerson Kelman, ex-diretor-geral da Aneel, e Adriano Rafael Arrepia de Queiroz, coordenador-substituto de energia hidrelétrica do Ibama, também sofreram ao terem sido favoráveis aos projetos de Jirau e Belo Monte.
Para Godoy, há, por trás desse padrão de comportamento, uma triste sensação. A de que, muitas vezes, esses processos administrativos ignoram a lisura do processo, a qualificação técnica do servidor, a profundidade da documentação apresentada e a qualidade e o histórico de atuação do órgão que tomou a decisão.
“Parece um jogo de poder, uma cruzada pessoal, em que a instituição que detém poder de veto ou de polícia o usa para ameaçar, cercear ou para autopromoção”, afirma.
A Amazônia não é alvo apenas da degradação ambiental, mas também sofre com a escassez de pesquisadores brasileiros. A mais rica biodiversidade do planeta, que no Brasil abarca nove estados, possui um baixo contingente de pesquisadores e pouca formação de recursos humanos. De acordo com a Coordenação de Pessoal de Nível Superior (Capes), dos 49.280 mil matriculados em cursos de doutorado no país no começo de 2008, somente 782 estavam na região Norte. Nesse mesmo ano, o número de doutores titulados foi de apenas 113 na região, de um total de 10.771 mil em todo país. O baixo número, impacta diretamente no andamento das pesquisas sobre a biodiversidade.
É incrível a capacidade e a criatividade humanas. Agora não há mais desculpa para que países ricos e pobres não definam metas justas de corte das emissões de GEE.
A Universidade de Princeton criou um método para distribuir de forma justa entre os países as metas globais de corte de emissões. Veja:
Há poucos lugares no mundo, além de Estocolmo, onde se podem juntar numa mesa sete prêmios Nobel de Química.
Aconteceu ontem de manhã numa cidadezinha do sul da Alemanha, durante a 59ª Reunião de Prêmios Nobel em Lindau, diante de seis centenas de jovens pesquisadores.
Talvez ainda mais raro, todos concordaram: a mudança do clima é criada pelo homem e por ele tem de ser resolvida.
Com urgência. E a maioria acha que talvez não dê para abrir mão da energia nuclear.
(…) A história se repete na Amazônia, a última fronteira. Se a medida provisória 458 for sancionada pelo presidente da República, na forma como saiu do Congresso Nacional, estaremos diante de uma volta ao passado.
Uma área maior do que o Estado da Bahia será doada a particulares sem cuidados que garantam condições mínimas de justiça, progresso e sustentabilidade. Grandes e médios proprietários ficarão com mais de 70% das terras que hoje são públicas. Um grileiro ou uma empresa que tenham 50 prepostos poderão legalizar, praticamente de graça, latifúndios de 75 mil hectares, mesmo que já possuam outras propriedades rurais. Com cem prepostos, reais ou fictícios, a área dobrará. Por persuasão ou por coação dos pequenos, em uma região em que o Estado é ausente e falha a cobertura da lei, estará aberto o caminho para um aumento desenfreado da concentração fundiária.
A Amazônia é uma região frágil, onde se chocam interesses nacionais e internacionais, sem que Estado e sociedade tenham sido capazes de definir e implementar um projeto coerente de desenvolvimento. É um dos grandes desafios para o nosso futuro, talvez o maior de todos.
Repetir o que foi feito em 1850 não é a melhor decisão.
Nassif, esse debate é complexo, pq as opiniões são muitos radicais. Talvez por eu transitar nas duas áreas (ambiental e rural), tenho uma tendência de pinçar boas e más propostas nos dois lados desse debate. Para usar três personagens bem atuais, eu estou mais para Carlos Minc que para Marina Silva ou Kátia Abreu, mas vejo nas duas, erros e acertos.
Não vejo os ruralistas como defensores do desenvolvimento a qualquer preço; nem os ambientalistas como adversários do desenvolvimento. Eu não visto essas duas caricaturas em (quase) ninguém. Veja que o ministro Minc (tudo bem, eu sei que vc não gosta dele) fez acordos da maior importância com a cadeia da soja e a cadeia da cana-de-açúcar/etanol. Acordos são possíveis e estão acontecendo, apesar da retórica eleitoreira.
O Congresso está nessa semana do Meio Ambiente frente a uma série de ações relacionadas diretamente a nossa legislação ambiental; Leia mais »
Voltando a MP-458 que versa sobre a regularização de terras da Amazônia Legal.
Como era esperado, os únicos dois destaques que foram votados, por acordo, foram derrotados por 23X21 e 1 abstenção. Nos dois destaques a senadora (Kátia Abreu) tentava retirar mudanças feitas na Câmara.
Em seus destaques de votação em separado, Marina Silva propunha que os grandes beneficiários da regularização fundiária na Amazônia fossem impedidos de vender as terras em até 10 anos (ficou 10 anos para os pequenos e 3 anos para os grandes) e que fosse vedado o uso de prepostos para a ocupação da terra.
Há de se destacar tb o quorum de uma matéria desta importância. Somente 45 de suas excelências numa quarta-feira.
De qualquer forma, é preciso destacar que o texto aprovado é um enorme avanço para a região. Poderia ter ficado melhor, mas pior que a situação atual, é impossível. Leia mais »
Segundo o Ministro Carlos Minc, do Meio Ambiente, a queda no desmatamento da Amazônia – embora o tempo não tenha permitido ao INPE um levantamento mais amplo – se deve a “um brutal aumento das ações de combate ao desmatamento”. Segundo dados parciais do INPE, houve queda de 97%. Exagero minquiano.
Em todos os anos anteriores, funciona assim:
1. O mercado mundial de soja melhora, aumenta o desmatamento.
2. O mercado mundial de soja, reduz o desmatamento
Alem disso, a medição se dá apenas em cima de áreas não cobertas por nuvens. No ano passado, as nuvens cobriam de 46% (em maio) a 19% (em julho) dos céus. Este ano, de 73% (em abril) a 88% (em março).
Finalmente, como a tabela não apresenta a série histórica anterior a 12 meses (tentei encontrar no site do INPE, mas os dados são pouco didáticos), fica-se sem saber como funciona o fator sazonalidade.
Fazendo o cálculo proporcional, houve queda no desmate. Mas o que se deve à queda no mercado mundial de soja e o que se deve à ação de fiscalização?
Vamos ver o que nossos leitores especialistas têm a dizer.
Introdutor do jornalismo de serviços e do jornalismo eletrônico no país. Vencedor do Prêmio de Melhor Jornalista de Economia da Imprensa Escrita do site Comunique-se em 2003, 2005 e 2008, em eleição direta da categoria. Prêmio iBest de Melhor Blog de Política, em eleição popular e da Academia iBest.